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Review de Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Apesar de não ser o primeiro episódio lançado nos Estados Unidos, Dragon Quest VIII é a melhor oportunidade para o público ocidental conhecer a série de videogame mais popular do Japão.

Este é o mais bem produzido dos episódios lançados em inglês, bem diferente das pequenas aventuras disponíveis no Gameboy e NES, ou do sétimo episódio lançado nos últimos dias do PSOne e com gráficos simples demais para chamar alguma atenção. O visual agora é, inclusive, uma de suas grandes virtudes, graças ao trabalho do estúdio Level 5, responsável por alguns dos gráficos ???cel-shaded??? mais interessantes desta geração, caso de Dark Cloud 1 e 2.

Desta vez então não tem desculpa. A Square Enix trouxe ao ocidente um episódio ambicioso, bem feito e sem alterar o que é tradição na série.

Se fazem jogos como antigamente


Dragon Quest VIII é um RPG básico, literalmente. Sem sistemas de batalha ou customização de personagens mirabolantes, sem metrosexuais ou cantoras pop no elenco. ?? um jogo old-school até ao último byte, uma questão de tradição, como os tentáculos no ???hentai??? e as meias até o joelho das colegiais japonesas. Mudar alguma coisa em Dragon Quest, ou evoluir, é correr o risco de desvirtuar a essência do jogo e desagradar milhões de fãs que o colocam acima de Winning Elevens e Final Fantasies como o melhor que o Japão pode produzir.

Apreciar Dragon Quest VIII de verdade vai requerer alguma nostalgia, ou muita identificação com as normas do gênero, como as batalhas aleatórias, a história inocente e a linearidade na jogabilidade. O visual é muito bonito, mas a estrutura do RPG é arcaica e não muito convincente para quem a experimenta pela primeira vez.

Tome como exemplo as batalhas aleatórias típicas dos RPGs japoneses. ?? um item que afugenta a grande maioria dos jogadores, e que pede por alguma evolução há anos, mas em Dragon Quest VIII elas são usadas sem economia, com encontros aleatórios ocorrendo a cada meio minuto, para testar a paciência. Mas diferente de muitos RPGs, elas são levadas a sério e muitas vezes apresentam algum desafio para o jogador, além de darem recompensas importantes em pontos de experiência.

A experiência não serve apenas para liberar novas habilidades, mas é fundamental para o jogador conseguir progredir na aventura. A primeira missão, em uma caverna bem difícil, já deixa claro que é necessário levar as batalhas a sério, com o uso de algumas táticas até, e sem negligenciar os importantíssimos pontos de experiência que os monstros derrotados dão. Não é exagero dizer que algumas batalhas, como uma contra uma geléia de metal (combinação não tão exótica para o universo insano de Dragon Quest VIII), tornam-se uma obsessão e, até certo ponto, objetivos bacanas de se perseguir.

As opções e táticas de batalha são simples, como todo o jogo, e merecem serem experimentadas. Há o tradicional uso de itens, feitiços ou ataques com armas, mas o mais interessante é a opção de gastar alguns turnos para aumentar a tensão do personagem. O primeiro aumento de tensão já significa um ataque com o dobro de força no próximo turno (acaba sendo o mesmo que atacar duas vezes, então não faz tanta diferença), mas o segundo passa do quádruplo e pode fazer a diferença, desde que haja alguém para manter o personagem vivo enquanto ele escapa turnos se energizando.

Um menu de alquimia acessado fora das batalhas permite misturar itens em um caldeirão e criar novos objetos raros e mais poderosos. E a cada nível de experiência atingido pelos personagens é possível alocar alguns pontos de habilidade em armas e em uma espécie de dom particular para cada herói. O personagem principal, por exemplo, pode ter seus pontos distribuídos em estilos de arma como espada, bumerangue, lança ou até os próprios punhos, ou gastos para melhorar a ???coragem???, seu dom natural. Este dom desenvolverá algumas habilidades especiais, como curar o grupo ou criar feitiços de ataque típicos de um mago.

Jessica é a personagem mais interessante. Esta ruivinha de família aristocrata tem como dom o ???sex appeal???, e seus pontos de experiência a tornam cada vez mais sexy e insinuante. Sua sensualidade pode deixar os inimigos zonzos na batalha ??? ???O cavaleiro-geléia está chocado pela beleza de Jessica e não pode se mover???, diz uma das caixas de diálogo ??? e seus beijos podem ser usados como arma. E ela ainda pode mudar de roupa, vestindo modelitos cada vez mais sensuais.

Os personagens principais, desenhados por Akira Toriyama (de DragonBall Z e Chrono Trigger), são cheios de charme e personalidade, e um dos pontos fortes do jogo. E nesta versão americana eles ainda ganharam mais vida, com boas dublagens aparecendo nos momentos chaves da história.

A seleção de monstros também é bem divertida e exótica, bem ao estilo japonês. Geléias (símbolo do jogo) de todos os tipos, femininas ou masculinas, com coroa na cabeça; monstros em forma de um sino; um mímico que luta contando histórias e outras esquisitices ajudam a compor o universo fantástico e ???kitsch??? de Dragon Quest VIII.

A história é tão tradicional e ingênua quanto todo o resto, mas tem seu charme. Dhoulmagus, um bobo da corte que transformou o rei em sapo e a princesa em égua, é o vilão. Todos os personagens do grupo têm a mesma motivação e um objetivo: foram vítimas das maldades de Dhoulmagus e querem destruí-lo, salvando o resto do mundo no final, é claro.

Não há muito no enredo para se empolgar. Pelo contrário, ele é muito previsível e evolui a passos de tartaruga até o desfecho cerca de 60 horas depois. A longevidade é outra tradição da série que parece agradar aos fãs, mas não se trata de um jogo longo por fartura de conteúdo. ?? longo porque se desenvolve lentamente, com milhares de batalhas e segredos a serem descobertos ao longo da jornada.

Dragon Quest VIII também tem um dos mundos mais extensos já vistos no gênero, e tudo é aberto à exploração, quase como uma cidade de GTA. E é um belo mundo, cheio de cenários inspiradores e construções modeladas pelo talento do estúdio Level 5, embora mais uma vez as batalhas aleatórias tornem o ato de explorá-lo desestimulante.

O Veredicto:
Dragon Quest VIII é um clássico em seu gênero, um jogo feito pelos mestres do RPG, e que segue à risca uma fórmula de sucesso inventada décadas atrás. Um jogo perfeito para os fãs incondicionais do gênero, mas ao mesmo tempo lento, tradicional e despretensioso demais para conquistar novos adeptos.

Prós:

+ Batalhas com algum desafio e estratégia;
+ Mundo extenso e muito bonito;
+ ??timos personagens;
+ Monstros engraçados;
+ Jessica.

Contras:

- Batalhas aleatórias e muito freqüentes testam a paciência;
- Desenvolvimento lento;
- Enredo sem grandes emoções.


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Outer Space
8/ 10
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