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Review de The Matrix: Path of Neo para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Em 2003, a Atari achou que apenas a força da licença The Matrix seria suficiente para fazer o primeiro jogo baseado nos filmes, Enter the Matrix, um grande sucesso. Enganou-se.

A qualidade técnica pífia, aliada a vários bugs e defeitos oriundos de um desenvolvimento apressado para coincidir o lançamento do jogo com a chegada de Reloaded aos cinemas, acabou resultando em decepção geral para os fãs. Obviamente, o jogo ainda vendeu bem, graças ao peso da licença, mas certamente ninguém ficou muito satisfeito com o que jogou.

Com o anúncio de Path of Neo, a esperança dos amantes da série se renovou e deixou a seguinte pergunta no ar: Será que a Atari aprendeu com seus erros e resolveu lançar algo à altura da grandiosidade dos filmes?

Oops, I did it again...


Infelizmente, a resposta é não. Path of Neo nada mais é do que uma evolução de Enter the Matrix, com algumas melhorias naturais em certos pontos, mas que tromba nos mesmos problemas de má execução e baixa qualidade técnica. Percebe-se que, como no primeiro da série, a etapa conceitual de produção não é o problema, pois o jogo tem muito potencial, um bom clima e uma história interessante, escrita pelos próprios irmãos Wachowski. A situação complica na hora da executar as idéias, e o pessoal da Shiny Entertainment conseguiu pisar na bola de novo.

A história de Path of Neo condensa os eventos ocorridos nos três filmes da série ??? The Matrix, Matrix Reloaded e Matrix Revolution ??? para que você possa acompanhar toda a trajetória de Neo rumo à sua transformação em uma divindade digital, desde o primeiro contato com ???o mundo real???, passando por treinamentos e missões, até o confronto final com o agente Smith.

Em termos de enredo, tudo evolui bem, com cenas tiradas diretamente dos filmes aparecendo entre as missões para introduzir os próximos objetivos. ??s vezes esses interlúdios cinematográficos aparecem de maneira diferente, como se fossem clipes, mostrando acontecimentos fora de ordem. Sabe-se lá por que isso foi feito desta maneira, mas o fato é que estes ???clipes??? não têm algum sentido na seqüência da história. Outro detalhe estranho é que, se você ativar as legendas dos vídeos, na maioria das vezes elas não estão sincronizadas com as falas dos atores. São pequenos detalhes, mas que já mostram a falta de carinho da produtora com um jogo desta importância.

Massacre dos botões


As missões geralmente são versões dissecadas dos acontecimentos dos filmes. Por exemplo, na película, Neo apenas recebe os ensinamentos de artes marciais e vai testar suas habilidades lutando contra Morpheus, mas no jogo você realmente precisa aperfeiçoar sua técnica combatendo vários lutadores e até chefes antes de enfrentá-lo. O mesmo vale para o treinamento de saltos longos, transposição de obstáculos, caminhada pelas paredes e outros. Tudo passa por treinamentos, que vão servindo também como um tutorial para que possamos conhecer os comandos e dominar os controles.

Apesar de existirem muitos cenários diferentes e objetivos a serem cumpridos, no final tudo se resume em lutar com um punhado de inimigos ou participar de tiroteios intensos.

As lutas mano-a-mano começam divertidas, mas se tornam maçantes em dez minutos de jogatina, irritantes em meia hora e frustrantes em uma. Neo tem uma infinidade de golpes, combos e movimentos especiais que dão um aspecto ???cool??? aos combates. São pontapés de todos os jeitos, voadoras tomando impulso nas paredes, cambalhotas e piruetas circenses, socos seqüenciais e todas aquelas acrobacias vistas nos filmes ??? a mais clássica sendo uma que Neo pula, chuta com a planta dos pés o peito dos inimigos seqüencialmente, como se estivesse subindo uma escada, e o finaliza dando um belo chute giratório na cara. Os mais sofisticados e que resultam em maior dano vão sendo liberados com o tempo, à medida que se cumpre certos objetivos.

Apesar da grande variedade, os golpes são executados com a utilização de dois botões, basicamente. Sendo assim, as lutas, que se mostram sofisticadas visualmente, se resumem a um apertar aleatório de botões, que cansa os dedos e não requer algum raciocínio ou pensamento tático por parte do jogador: ?? fechar os olhos e debulhar o mouse o mais rápido possível, tarefa esta que se torna ainda mais frenética quando Neo está enfrentando vários inimigos ao mesmo tempo.

Se as coisas são até divertidas nos combates próximos, a situação piora quando entram as armas de fogo, pois os disparos são imprecisos e sem impacto. Com o auxílio da mira automática desligado, não dá para saber direito se os tiros estão atingindo ou não o inimigo, e o jogador acaba ficando em dúvida se está evoluindo no combate. A imprecisão é atenuada com a ligação do auxílio, mas este traz outros problemas que, talvez, atrapalham mais o ritmo dos confrontos. Um deles é continuar travando a mira em um inimigo durante alguns segundos depois que este já está morto, permitindo que Neo sofra danos desnecessários sem poder revidar. O resultado disso são mortes desnecessárias e frustrantes.

Em ambas as formas de combate, assim como em outros momentos especiais, é recomendável que o jogador utilize o foco, o famoso bullet time, que coloca a ação em câmera lenta e permite que o herói seja mais preciso nos seus disparos, consiga desviar mais facilmente dos golpes inimigos ou ative outras habilidades, como a capacidade de andar pelas paredes ou executar saltos mais longos. Isso sem contar o toque dramaticidade bacana e os efeitos especiais que a ativação do foco, como o deslocamento de ar dos projéteis.

Sistema gráfico do passado


Tecnicamente, Path of Neo é abaixo da crítica. ?? incompreensível o fato da Atari ter insistido com a Shiny Entertainment, depois da lambança que ela aprontou em Enter the Matrix. E o jogo está, mais uma vez, tecnologicamente muito ultrapassado e cheio de problemas de má execução.

A começar pela animação. A coreografia dos combates é até bacana, mas não existe fluidez nos golpes, os movimentos são descontinuados e bruscos.

A física, mesmo utilizando o sistema Havok, consegue ser ruim. Além da falta de impacto dos tiros, alguns objetos destrutíveis dos cenários e até os próprios inimigos reagem de maneira completamente irreal e desproporcional à interação do jogador. Uma das bizarrices proporcionadas pela física acontece quando se atira uma granada em um grupo de inimigos. Com o estouro, eles ainda demoram uns 2 segundos para voarem pelo cenário, e fazem isso de forma exagerada, como se fossem homens-bala que tivessem sido arremessados por canhões. Chega a ser engraçado.

Os gráficos e texturas são até bons, mas bem aquém do existe por aí, e os efeitos de luz fraquíssimos. Mesmo com esta simplicidade visual, Path of Neo ainda sofre com quedas bruscas na taxa de quadros por segundo, que ocorrem sempre que um bom número de inimigos aparece na tela. Em certos momentos, fica quase impraticável jogar.

O Veredicto:
Não dá para entender a falta de carinho da Atari com os jogos baseados na série The Matrix. Mesmo com uma licença forte, um universo rico, uma história interessante e um clima bem condizente ao filme, ela conseguiu, mais uma vez, fazer um produto gamístico medíocre e decepcionante. Path of Neo até tem algum potencial, a começar pela presença, finalmente, de Neo, Morpheus e outros personagens do filme ??? coisa que não aconteceu em Enter the Matrix ???, mas tudo foi desperdiçado pela baixa qualidade técnica e má execução. Este é definitivamente um jogo ruim, que talvez se justifique apenas para o fã incondicional e muito curioso.

Prós:

+ Consegue captar o clima dos filmes;
+ História legal, que acompanha os acontecimentos da trilogia;
+ Neo, Morpheus...;
+ Boa quantidade de golpes.

Contras:

- Animação descontinuada, feia;
- Combates próximos muito cansativos, tanto pra cabeça quanto para os dedos;
- Tiroteios são bem fracos, sem impacto e precisão. Modo de mira automática é um caos;
- Taxa de quadros por segundo desaba freqüentemente;
- Física ruim;


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