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Review de Final Fantasy IV para GBA de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Demorou um bocado para a Square Enix trazer um dos capítulos mais adorados de Final Fantasy para o Gameboy Advance. Mas apesar de chegar atrasado à festa, e de demonstrar certos sinais de velhice, Final Fantasy IV Advance é um episódio especial, e que merece ser recebido com tapete vermelho por quem aprecia o gênero.

Drama finalfantasiano


Final Fantasy IV conta a história de Cecil, um guerreiro que é capitão dos Red Wings, a temida força aérea do reino de Baron. Em uma de suas missões, Cecil começa a contestar as ordens do rei, que ultimamente têm ficado cada vez mais suspeitas e recheadas de maldade. Incapaz de aceitar a rebeldia de seu subordinado, e já mostrando que está se tornando um tirano, o rei decide remover Cecil de seu cargo e lhe dá uma última missão: Levar um anel até uma vila de Myst.

Sem poder se defender, o herói aceita a missão e parte logo cedo para o local, acompanhado de seu amigo Kain. Chegando lá, descobrem que foram usados para mais uma cilada de rei: O anel se transformou em bolas de fogo que queimaram a vila e mataram seus moradores. A partir daí, Cecil decide se opor ao rei e iniciar uma aventura para descobrir o porquê de suas atitudes recentes.

O enredo em si é fantástico, um dos melhores já vistos em um RPG ou em gênero. Além de uma narrativa interessante, executada com todo o talento em contar histórias da Square, existem muitas missões diferentes, reviravoltas e traições inesperadas, momentos de muita emoção e drama, e personagens extremamente carismáticos, que não servem apenas para compor numericamente a equipe na aventura, mas que estabelecem forte envolvimento com a trama e com o jogador. Ao contrário de muitos RPGs, o jogador não tem controle sobre a entrada e saída destes personagens no grupo ??? o processo é ditado pela história, em vários momentos durante o evoluir da jogatina, e muitas vezes em acontecimentos totalmente inesperados. Mas o fato é que cada um que tem o seu estilo, personalidade e habilidades, que sempre são úteis no contexto.

Batalhas tradicionais


Quem nunca jogou FFIV vai encontrar uma jogabilidade bastante agradável e amigável, suficiente para prender iniciantes no gênero sem nunca se tornar simples demais para os jogadores ???hardcore???. O mapa do mundo é bem bolado, existem muitos locais para explorar, cidades para visitar, dungeons para completar, chefes para matar (cada um mais criativo que o outro), e armas, itens e magias para comprar e ganhar. ?? um jogo rico em conteúdo, com variedade suficiente para entreter bastante o jogador durante as suas 20 horas (aproximadamente) de aventura.

As batalhas surgem aleatoriamente, na fórmula tradicional dos RPGs japoneses, sendo um pouco cansativa e potencialmente frustrante. Mas o tédio deste sistema é amenizado em FFIV, uma vez que não é difícil fugir dos confrontos ??? mesmo que se arrisque perder alguns ???Gils??? na tentativa ??? e o processo de derrotar os inimigos flui com boa velocidade, sem animações desnecessárias.

Mas o que torna os combates verdadeiramente interessantes é o bom balanceamento entre desafio e as possibilidades de táticas e nível de ataque do jogador. Ao contrário de muitos jogos de hoje nos quais as batalhas se resumem a simplesmente atacar sem precisar pensar, FFIV valoriza cada magia e item, estimulando o jogador a variar seus ataques de acordo com o estilo ou fraqueza dos inimigos, o que dá uma boa dinâmica à jogabilidade. Se um grupo grande de inimigos pode parecer muito difícil para seu nível, uma magia para deixar metade deles zonzos pode ser a solução, enquanto os dois mais fortes podem ser derrubados por uma combinação de ataques especiais e feitiços específicos. Este tipo de tática é usado com grande freqüência em FFIV.

O que há de novo na versão portátil


Esta versão para Gameboy Advance não traz novidades relevantes em relação ao original, lançado no Super NES em 1991. ?? mais uma conversão, não tanto um remake, e deixa um pouquinho a desejar neste ponto. Depois de 14 anos, a Square Enix poderia ter lançado algo com gráficos nitidamente melhorados e outros extras que chamassem mais a atenção, mas ela preferiu simplesmente trazer o jogo de volta, com pouca coisa a mais.

Quem não é um verdadeiro fã do original poderá não reparar bem as novidades desta versão para o GBA. O jogo está visualmente mais detalhado, com cenários mais trabalhados tanto nos combates quanto dentro das cidades (vide imagens comparativas na galeria), mas ainda continua muito fiel ao original, o que o torna bastante ultrapassado para os padrões de hoje. Já a parte sonora é idêntica ao original, o que não chega a ser mau negócio, visto que o quarto capítulo tem algumas das composições mais inspiradas do talentoso Nobuo Uematsu.

Outra novidade fica por conta do Quicksave, que nos permite salvar a qualquer momento, como nos emuladores ??? uma função muito útil para as jogatinas rápidas de um portátil. A diferença para um ???save game??? normal é que o salvamento rápido permite resumir o jogo apenas uma vez, evitando assim que a dificuldade do jogo seja diminuída pela trapaça de gravar e recarregar a todo instante.

Outra função inédita adicionada em FFIV Advance é o modo Bestiary, uma enciclopédia de monstros, mostrando sua foto e atributos. ?? medida que vamos enfrentando os monstros, eles vão aparecendo no modo para depois apreciarmos sua anatomia e demais características.

A maior adição fica mesmo para um dungeon secreto bastante grande que é acessível perto do final do jogo. O resto é basicamente a mesma coisa, o mesmo RPG que é considerado por muitos, o melhor da série Final Fantasy. Se você não teve a oportunidade de experimentá-lo, portanto, não há melhor oportunidade.

O Veredicto:
Final Fantasy IV Advance é, por um lado, uma oportunidade mal aproveitada de atualizar o visual e conteúdo de um RPG que já tem 14 anos e que, mesmo em sua época de lançamento, nunca se destacou pela beleza e sofisticação. Por outro, esta versão portátil serve para lembrar exatamente das qualidades que fizeram, e ainda fazem, deste quarto capítulo um Final Fantasy dos mais admirados. A história é a mais dramática da série, os personagens, como Tellah, Palom & Porom, são heróis inesquecíveis e o balanceamento das batalhas faz os jogos atuais parecerem involuídos em comparação. Altamente recomendado para quem nunca teve a oportunidade de conhece-lo, ou para quem quer ter o melhor de Final Fantasy em sua coleção.

Prós:

+ História dramática e emocionante;
+ Personagens carismáticos e que têm envolvimento forte na história;
+ Muitas localidades, itens, monstros etc. Um jogo bem rico em conteúdo;
+ Batalhas cheias de tática e desafio, que estimulam a utilização de itens e magias.

Contras:

- Poderia ter mais novidades relevantes;
- Gráficos muito pouco melhorados, quase não se percebe.


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