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Review de Condemned: Criminal Origins para X360 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Aproveitando das mesmas intenções de misturar ação em primeira pessoa com situações de suspense intenso vistas em F.E.A.R., a Monolith criou Condemned ??? uma aventura policial para o Xbox 360 que valoriza a tensão e o clima de horror, reduzindo o tiroteio ao mínimo possível.

Este talvez seja um dos jogos menos conhecidos do lançamento do Xbox 360, e poderia estar entre os melhores, caso a concepção de seus mapas e de sua história tivessem recebido o mesmo cuidado da produção de sua ótima atmosfera de suspense.

Vultos de inspiração


A história de Condemned dá uma impressão inicial excelente. Tudo começa com a chegada do agente Ethan Thomas, do FBI, a um prédio de periferia onde ocorreu mais um assassinato brutal. O prédio antigo e em péssimas condições, com pouca luz, ratos perambulando e paredes sujas é uma reprodução perfeita do clima cinematográfico de suspense policial, lembrando filmes como Seven e O Colecionador de Ossos. O assassino serial que perseguimos no jogo, cujo perfil vai sendo revelado durante a jogatina, também segue certos rituais antes de assassinar suas vítimas, como envolver manequins e montar uma cena bem bizarra, que merece investigações mais profundas.

Deparando com a vítima, Ethan começa a coletar pistas do crime, como marcas no corpo, impressões digitais e outras coisas que vão sendo enviadas digitalmente para uma parceira policial, que analisa tudo que foi encontrado em tempo real e passa as informações via um impecavelmente modelado telefone celular.

No meio de sua investigação, barulhos são escutados e os policiais se alertam: O assassino ainda está no prédio. Na busca pelo o serial-killer, Ethan tem sua arma roubada e dois policiais são mortos com ela, o que levanta suspeita de seu envolvimento. A partir daí, a jogatina vai se desenvolvendo com seu foco na busca pelo criminoso, ao mesmo tempo em que o herói foge e tenta provar sua inocência. No meio de tudo, algumas visões começam a atormentá-lo, dando uma carga extra de mistério aos eventos.

Se o resto do jogo se desenvolvesse em cima desta ótima introdução, a história poderia ser um dos pontos fortes de Condemned, mas não é bem o caso. Depois destes momentos iniciais intensos, os objetivos se resumem a ficar correndo atrás do serial-killer, e não acontece mais nenhum fato bizarro ou assassinato esquisito. Todo o potencial de intriga e mistério do começo é jogado por água a baixo e o jogo se torna uma ação mais comum, quase sem elementos narrativos. Uma oportunidade de ouro desperdiçada aqui.

Pancadaria em primeira pessoa


Apesar da visão em primeira pessoa e de alguns tiros disparados, Condemned é bem diferente de jogos como Call of Duty e Perfect Dark Zero. Os elementos de aventura são sempre realçados e a ação é bem mais lenta, sem tantos tiroteios, mas com maior freqüência dos combates próximos. Inclusive, os inimigos são até meio escassos, aparecem com pouca freqüência, ficando a maioria do tempo de jogatina mais dedicada na exploração dos ambientes claustrofóbicos e escuros do jogo. A Monolith até exagerou um pouco neste ponto, pois muitas vezes a situação obriga o jogador a se deslocar com todo o cuidado, como se algo pudesse a acontecer a qualquer momento, só que nada acontece, e cria-se espaço para frustração.

Já o fato de Condemned quase não ter armas de fogo agrada muito, dá personalidade e um ar de novidade ao jogo. Em 90% das vezes, andamos pelos mapas com armas que são pegas nos próprios cenários, como canos, pedaços de madeira com pregos, pés-de-cabra, martelos, machados de incêndio e até placas. Cada uma destas armas é classificada em poder de dano, velocidade, defesa e alcance, mas as diferenças são muito sutis e quase irrelevantes no processo de escolha. Algumas armas de fogo são encontradas esporadicamente, mas não são tão úteis como deveriam, pois os cenários são pequenos demais para fazer valer a principal característica de uma arma de fogo: o longo alcance dos disparos.

E com o foco claramente direcionado aos combates próximos, o realismo no uso das armas de curto alcance se destaca. Os golpes trazem uma boa sensação de impacto, dá quase para sentir o quanto deve ter doído aquela martelada na cabeça. Os inimigos, que são maníacos que nos perseguem pelos mapas, morrem com poucos golpes e o sangue aparece de uma maneira bem realista, como aconteceria em um combate de verdade. A brutalidade é muito bem representada aqui. Infelizmente, existem poucas opções nas lutas, pois não existem combos ou ataques de ângulos diferentes, portanto a pancadaria se resume a atacar e defender, o que acaba cansando com o tempo.

Quando não está brigando ou explorando corredores, Ethan usa seu instinto para descobrir quais locais podem conter alguma pista sobre o seu perseguido. Os materiais são coletados com equipamentos especiais, que estão disponíveis apenas no momento certo para utilizá-los. Existe um sensor de odor, uma máquina digital, um scanner em 3D e aparelhos com luzes especiais que revelam impressões digitais e outras pistas. Tudo é processado e enviado em tempo real para a parceira do herói, a única que acredita na sua inocência e que ainda está ao seu lado.

Assim como o enredo, a jogabilidade de Condemned não consegue manter o brilhantismo do início e as coisas começam a se tornarem repetitivas e cansativas com o tempo. Sem variação, as batalhas deixam de ser interessantes para se transformarem em exercícios maçantes de apertar botão, e a pouca variedade de objetivos reduzem gradativamente a diversão ??? fora perseguir o serial killer e lutar, o máximo que se faz é abrir certas portas com certas armas. Como os inimigos aparecem com baixa freqüência, o clima de suspense do início vai sumindo e os mapas, sempre resumidos a corredores e quartos escuros e apertados, deixam de potencializar o clima do jogo para se tornarem empecilhos a uma evolução mais rápida e objetiva.

Lapidando o poder da nova geração


Tecnicamente, Condemned é um bom exemplo da competência da equipe da Monolith, que também fez um bom trabalho no recente F.E.A.R. ?? nítida a preocupação em rechear os cenários com objetos, móveis, entulho e outras coisas que carreguem o ambiente. As sombras exercem bem o seu papel e as texturas em altíssima resolução, em especial, têm um nível de realismo sem precedentes ??? certas paredes ladrilhadas e com azulejos são fantásticas, principalmente quando vistas em uma TV de alta-definição.

Sempre procurando realçar o suspense, Condemned utiliza muito o áudio para carregar o clima. Quase não existem músicas e vozes, porém os efeitos dos combates e os ruídos dos ambientes são suficientes para garantirem um bom show.

Apesar ser tecnicamente muito bom, o jogo não chega a impressionar realmente em nada. De fato, com exceção das texturas em alta resolução, não há nada que possa ser usado para classificar Condemned como um jogo da nova geração. ?? claro que ainda é cedo para exigir que as produtoras realmente descubram como explorar o poder do hardware do 360, mas o que se tem aqui é um jogo que aproveita o sistema gráfico de F.E.A.R. do PC, mas sem a mesma ambição visual.

Condemned atualmente está disponível apenas para Xbox 360. Uma versão para PC é esperada para março.


O Veredicto:
Condemned é um jogo bem elaborado, razoavelmente original e com potencial para ser um dos melhores desta safra inicial do Xbox 360. Só é uma pena que a Monolith não tenha encontrado uma forma de desenvolver bem a história ??? inicialmente muito promissora ??? e ainda tenha se esquecido de adicionar novos elementos durante a jogatina para evitar que ela ficasse repetitiva e cansativa.


Prós:

+ Algumas ótimas texturas em alta-resolução;
+ Sons impecáveis;
+ Bom clima de suspense policial;
+ Ambientes bem detalhados e realistas;
+ Sistema de combate próximo bem vindo;


Contras:

- História mal explorada;
- Combates se tornam repetitivos com o tempo;
- Faltam objetivos mais variados;
- Ainda não tem o visual da nova geração que todos querem ver.


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Outer Space
7/ 10
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