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Review de Perfect Dark Zero para X360 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Até pela existência de uma edição especial de colecionador em caixa de metal ??? igual à de Halo 2 ??? fica claro que a Microsoft queria fazer de Perfect Dark Zero o grande título de lançamento do Xbox 360. O estilo de tiro em primeira pessoa e a boa reputação de uma franquia que rendeu um dos melhores jogos do Nintendo 64 são elementos que justificam a aposta, mas basta olhar para algumas imagens do jogo para perceber que a execução da Rare mais uma vez oscila entre o talento e a mediocridade, deixando o jogo muito distante do status de um ???killer-app???.

Girl power


Joanna Dark é uma imagem bem mais agradável que a armadura verde que esconde o durão Master Chief, mas as vantagens de Perfect Dark Zero param quase todas por aí. Não que seja um jogo ruim, mas até mesmo em seus melhores momentos, como no modo multiplayer, Perfect Dark Zero está destinado a viver sob sombra de Halo.

Assim como o jogo original, que foi construído nas bases de 007 Goldeneye, Perfect Dark Zero mistura seu tiroteio com uso de ???gadgets??? e um tema remanescente das aventuras de James Bond. Da abertura inspirada pelo o clichê dos filmes do espião, à própria estrutura do modo de missões que coloca Joanna cada hora em um lugar diferente do globo, indo da China à selva do Peru, Perfect Dark Zero quer ser um jogo de Bond sem precisar da licença.

Há uma diferença fundamental, entretanto, entre um bom James Bond e o pastiche da Rare. Enquanto até mesmo os filmes antigos se colocavam no limite entre o cool e o ridículo com vilões de mamilos triplos ou mandíbulas biônicas, a fantasia de Perfect Dark Zero tende mais para o constrangimento. Uma máquina de violar fechaduras chamada ???Locktopus??? (tem vários braços metálicos, como um polvo) e uma vilã chinesa que se chama Mai Hem (trocadilho com mayhem, confusão em inglês) estão entre as coisas mais inspiradas do jogo. Quando a história, que é totalmente fragmentada e muito mal contada, resolve se apresentar em interlúdios cinematográficos horrorosos no final ou começo das missões, perecebe-se a falta de jeito da Rare para criar enredos além dos temas sobre esquilos e fadas.

Mas a história intercalada entre as 14 missões do modo principal pode ser ignorada sem grande prejuízo. Os objetivos são expostos da forma mais clara possível: basta ficar um minuto perdido que setas aparecem no chão guiando o jogador para o próximo ponto de interesse. O recurso é muito útil e amigável, e se justifica também pela falta de clareza dos briefings e pelo estilo aberto, não linear, das missões.

Toda missão oferece caminhos alternativos e objetivos paralelos, e estes são determinados também pelo nível de dificuldade escolhido pelo jogador para completá-las. Entre o modo mais fácil, ???Agent???, e o próximo, ???Secret Agent???, por exemplo, uma missão pode ganhar objetivos e rotas diferentes, certas portas podem estar fechadas e mais inimigos podem surgir no mapa, além do óbvio aumento no dano sofrido por Joanna Dark. A idéia é bem interessante, mesmo que ainda tenha alguns elementos mal implementados, como é o caso da furtividade. Em uma missão específica, é possível começa-la discretamente, eliminando um guarda distraído com uma pistola silenciada para então pegar seu rádio-transmissor e dar ordens aos demais para relaxarem a segurança. Porém, em quase todas as situações haverá outros guardas por perto, e estes ficarão alertas ao mais discreto disparo, mesmo que através de silenciador, e irão gritar e atirar, chamando a atenção de todo o resto.

Outro elemento de furtividade que poderia ter sido mais polido é a opção de se esconder atrás de uma parede na hora da troca de tiros. Funciona com simplicidade para Joanna: basta chegar perto de uma parede e apertar o botão ???A???. Mas seria necessário que os inimigos fizessem o mesmo, o que proporcionaria um tiroteio mais justo e realista, porém eles apenas correm em sua direção na maioria das vezes, obrigando Joanna a deixar sua posição para atacá-los de frente.

Mesmo com a furtividade não funcionando tão bem, a ação se mantém num ritmo mais lento que o frenesi típico de um tiro em primeira pessoa. Os inimigos muitas vezes se vestem com coletes à prova de bala, e é necessário disparar uma dezena de tiros para derrubá-los, embora com alguma sorte seja possível acertar um ???headshot??? e derrota-los instantaneamente.

As pistolas e metralhadoras predominam no arsenal de Joanna, e são as armas mais eficientes, mesmo que existam opções de maior dano, como foguetes, granadas e até uma espada escondida por alguns mapas. O arsenal tem boa diversidade, e as armas são muito bem feitas, mas o balanceamento do jogo e o tipo de inimigo que se enfrenta ??? quase sempre simples soldados ??? não estimula a variação de táticas. Seria interessante poder lançar algumas granadas com maior freqüência, mas como Joanna carrega no máximo duas armas por vez, e na maioria dos confrontos os tiros a distância são mais importantes, o jogo se torna bem mais fácil com as metralhadoras, pistolas ou rifles.

Além de carregar alguns ???gadgets??? para abrir portas, ou um robô com câmera que penetra por dutos de ventilação e outros espaços restritos, Joanna ainda pode se valer de alguns truques secundários e terciários do seu arsenal. Uma pistola, por exemplo, pode ganhar um silenciador, uma lanterna e até tiro que ricocheteia, um rifle pode dar a habilidade secundária de invisibilidade, etc. O problema, mais uma vez, é que a grande maioria dos recursos acaba tendo pouca finalidade prática devido ao mau design das fases e inimigos.

A inteligência artificial também é simples demais para proporcionar algum dinamismo aos combates. Os inimigos quase sempre têm apenas uma reação: correr de um lado para o outro sem parar. Isto quando um bug não os deixa parados ou correndo sem sair do lugar.

Montanhas de plástico


Visualmente, Perfect Dark Zero supervaloriza os efeitos possíveis pelo novo hardware do Xbox 360, mas se esquece do bom gosto. Em uma única cena é possível se impressionar pelo brilho do sol sobre o metal de uma arma ou pela complexidade e profundidade de campo, ao mesmo tempo em que a observação de uma montanha revela o ridículo do abuso de reflexos e ???bump-mapping??? ??? tecnicamente impressionante, mas esteticamente feio e plastificado.

Definitivamente não é um jogo para impressionar, embora a complexidade de alguns cenários e texturas sirvam para dar um gostinho da nova geração e imaginar como os próximos jogos de tiro em primeira pessoa do Xbox 360 poderão causar impacto.

Xbox Live FTW


O multiplayer é, de longe, a melhor parte de Perfect Dark Zero. O jogo oferece uma variedade enorme de modos, indo do death-match tradicional e todas as suas variações como team-deathmatch, a modos inspirados em Counter Strike, onde o jogador só tem uma vida e deve se esforçar ao máximo para fazer as coisas certas. E o melhor: modo cooperativo on-line para todas as missões do modo principal.

Um dos melhores modos multiplayer chama-se Infection. Como no ???Zombies??? de Halo 2, aqui os times são divididos entre soldados comuns e esqueletos ???infectados???. Todo soltado morto torna-se um esqueleto, e este deverá caçar os soldados ???vivos??? até que todos sejam infectados e passem para o lado dos esqueletos.

O multiplayer tem ritmo desacelerado, como na campanha para um jogador, mas é bem dinâmico e dá algumas opções interessantes aos jogadores mais treinados, como um botão que rouba a arma alheia e outro que faz um rolamento, bem útil para esquivar-se e recarregar a arma.

Tecnicamente, o multiplayer vai ao nível dos jogos de PC mais sofisticados, comportando até 32 jogadores simultâneos, sem lag. O maior contra é que os mapas são muito poucos: apenas seis, por enquanto.


O Veredicto:
Perfect Dark Zero vale pela diversidade de opções e a solidez do modo multiplayer on-line. Nas missões para um jogador, a falta de boa inteligência artificial, o mau gosto geral da arte e a pouca variedade da jogabilidade são as características mais pronunciadas e nem mesmo a boa variedade de armas e alguns efeitos visuais interessantes tiram a impressão de um tiro em primeira pessoa medíocre.


Prós:

- Algumas boas texturas e efeitos de luz;
- Armas bem modeladas e interessantes;
- Grande variedade de modos on-line. Cooperativo incluído!


Contras:

- Visual plastificado, arte ruim;
- Enredo constrangedor e mal contado;
- Pouca variedade de inimigos e objetivos;
- Inteligência artificial fraca.


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Outer Space
7/ 10
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