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Review de Kameo: Elements of Power para X360 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Kameo: Elements of Power é um daqueles jogos cujo desenvolvimento virou uma verdadeira novela, com vários adiamentos e grandes mudanças de estratégia. Sua história começou na E3 de 2001, quando foi anunciado para o Gamecube. A produção parecia estar dentro do planejado até a Microsoft oficializar a compra da Rare, em setembro de 2002, o que deu novos rumos ao projeto: agora ele seria o primeiro jogo da produtora para o Xbox, com previsão de pintar nas lojas em 2003.

Depois de ser adiado incontáveis vezes, para 2004 e 2005, a Microsoft finalmente chegou à conclusão que seria mais inteligente lançar um jogo aguardado como Kameo juntamente com o Xbox 360, em uma estratégia para fortalecer a ???line-up??? inicial do console. Assim, uma semana antes da E3 de 2005, Kameo era anunciado como o primeiro jogo da Rare para o 360, ao lado de Perfect Dark Zero.

Lançado finalmente com o Xbox 360, Kameo acumula as expectativas de corresponder ao ???hype??? de um jogo com quase 5 anos desenvolvimento e ainda representar o gênero de aventura nesta primeira leva de títulos do console, que está recheada de corridas, tiros em primeira pessoa e esportes.

A fadinha e seus monstrinhos


Bem infantil, com diálogos leves, cores vibrantes, mundos cheios de magia, personagens meio inocentes, objetivos simples e dificuldade bem piedosa. Essas são as principais características de Kameo: Elements of Power, uma espécie de Zelda que mescla combates, solução de enigmas e exploração de vastos cenários.

O jogador assume o comando da própria Kameo, uma fadinha inofensiva e sem poderes próprios suficientes para salvar sua família de sua própria irmã, a malvada Kalus, que os raptou e se aliou ao rei dos trolls, Thorn, para dominar o mundo. Para conseguir evitar essa tragédia, Kameo terá que salvar os 10 guerreiros ??? que parecem mais monstrinhos serelepes ??? que estão aprisionados no mundo das sombras e absorver seus poderes, que representam cinco elementos da natureza: pedra, água, fogo, planta e gelo.

?? medida que vai conseguindo os poderes, nossa heroína torna-se capaz de se transformar nos guerreiros correspondentes e utilizar suas habilidades para transpor obstáculos e derrotar inimigos.

Simples, até demais


A jogabilidade de Kameo envolve basicamente ficar trocando de guerreiros para aproveitar suas características nos momentos mais apropriados ou quando a situação exigir. Como a própria fadinha é quase imprestável ??? seu golpe é muito fraco e sua habilidade de planar quase não é exigida ??? em quase todo o jogo você estará revezando entre os guerreiros para conseguir evoluir. Precisa passar por uma fenda arredondada? Basta virar o tatu-bola. E subir uma parede de gelo? Simples, só se transformar no macaco escalador. E na hora de derrotar uns trolls básicos? Nada melhor que convocar a planta carnívora boxeadora para dar uns bons sopapos.

Essa originalidade da jogabilidade só não é um grande atrativo porque a utilização dos guerreiros se torna repetitiva demais, além de ser óbvia. Por exemplo, um jogador mais avoado pode ter alguma dificuldade em chegar à conclusão que deve escolher o macaco para escalar as paredes na primeira vez, mas depois, sempre que ver aquele tipo de parede saberá o que fazer. Não existe um outro tipo de local para escalar ou uma aplicação similar para as habilidades do macaco, só aquele tipo de parede até o fim do jogo. Outro exemplo é quando um troll entra debaixo de uma espécie de concha e começa a rodopiar com espinhos pra fora. O jogador deve escolher a planta carnívora boxeadora, aguardar a concha parar e os espinhos recuarem para aplicar um gancho em seu casco, fazendo com que ela se vire e o troll fique exposto a golpes. Interessante a priori, mas cansativo nas várias outras vezes que o jogador realizar o mesmo ritual. Ou seja, a Rare teve uma ótima primeira idéia, mas faltou criatividade para desenvolvê-la e bolar novos estímulos para o jogador.

Existem também alguns enigmas a serem solucionado em Kameo. A grande maioria é bem simples, mas mesmo os mais difíceis nunca apresentam grande desafio, uma vez que o mago do livro Wotnot, que é acessado sempre que apertamos o botão Start, nos fala com exatidão o que devemos fazer para conseguir evoluir. Ele não dá dicas, mas fala diretamente a maneira de solucionar enigma, como se fosse uma sessão in-game de ajuda. Isso acaba com o pouco desafio que o jogo tinha.

Fora combater, transpor obstáculos e resolver enigmas, Kameo ainda conta com a exploração de ambientes e as lutas com chefes. Estas últimas são interessantes, pois sempre existe algo novo para fazer e algumas técnicas mais avançadas ??? como utilizar as habilidades de dois guerreiros para conseguir um resultado ??? que deixam a jogabilidade mais dinâmica. Já a exploração reveza momentos bons e ruins: ao mesmo tempo em que os ambientes são ricos e vastos, não existe muita coisa secreta para se conseguir. O item mais interessante a ser encontrado é uma fruta que serve como moeda de troca para poderes e combos extras para os guerreiros.

Outra falta da jogabilidade de Kameo está nos controles. Basicamente, os botões X, Y, B e A servem para trocar de guerreiro ou voltar para a própria fadinha, enquanto as ações são feitas com os gatilhos L e R. Tudo bem, é questão de costume, mas é normal surgir o impulso de querer deferir um golpe com o botão X ou A, que têm essa finalidade em 99% dos jogos de aventura. ?? discutível até que ponto a Rare precisava fazer essa mudança, obrigando o jogador a se readaptar desnecessariamente.

Mas a salada de botões mesmo acontece quando a ação acontece debaixo d???água: os controles se invertem, a câmera é controlada pelo direcional esquerdo e a precisão piora drasticamente. Enfrentar um chefe aquático vira um exercício de paciência e briga com o controle e a câmera. Um verdadeiro caos.

Aventura na era da HD


Tecnicamente, Kameo não proporciona momentos impressionantes, mas é bem competente e serve como bom exemplo do que podemos esperar desta nova geração. Os cenários são ricos em detalhes que podem ser percebidos mesmo à distância ??? e a profundidade do cenário às vezes é bem grande. Monstros se movimentam por todos os lados, a grama é bem alta e recheia bem os ambientes, as cores são vivas e os efeitos especiais estão por todos os lados. Em certos momentos, centenas de inimigos se aglomeram na tela, todos se movimentando independentemente, proporcionando um belo espetáculo. Outro destaque fica para o novo efeito de ???Parallax Mapping???, que cria as pedras de uma parede ou chão em relevo perfeito, uma a uma.

Ao mesmo tempo em que alguns elementos visuais agradam muito, outros deixam a desejar. Alguns cenários estão ruins e abaixo do que se espera da era da alta definição, dando a impressão que não foram completamente modificados desde a versão inicial do jogo, para o Gamecube. Em certos momentos, mais raros, seria difícil dizer que aquilo é um jogo da nova geração se não fosse pelas texturas.

Na parte sonora, Kameo merece menções honrosas pela sua trilha sonora orquestrada, que traz um ótimo clima ao jogo, e as vozes, bem dubladas e cheias de personalidade. Pena que o texto seja tão fraco.

Acabado o modo principal, que não chega a ter 10 horas de duração, o jogador conta também com a possibilidade de jogar algumas fases cooperativamente com um amigo, com a tela dividida. Entretanto, este modo parece ter sido incluído mais para dizer que Kameo tem um multiplayer, pois as opções são escassas e as fases são mal balanceadas. Como foi mal elaborado e não traz nada de diferente, talvez fosse melhor nem tê-lo incluído.

O Veredicto:
Kameo: Elements of Power não é a aventura que todos estavam esperando por estes longos anos. Mas apesar de pouco criativo nos enigmas e um pouco repetitivo, ainda é uma diversão que merece atenção pela grandiosidade, simplicidade e por ser um bom tira-gosto técnico do que podemos esperar para essa nova geração. Para quem quer algo além do tiro em primeira pessoa, esporte e corrida predominante do Xbox 360, não existe opção melhor.


Prós:

+ Troca de guerreiros é interessante e original;
+ Simples e divertido;
+ ??timo visual e efeitos especiais. Dá para ver que a nova geração promete;
+ Cenários grandiosos, bem detalhados e com muita coisa se movendo;
+ Trilha sonora orquestrada e boas dublagens;


Contras:

- Enigmas óbvios, obstáculos pouco criativos e combates repetitivos;
- Dificuldade piedosa: o ???help??? no livro nos fala tudo que temos que fazer;
- Mudança polêmica e desnecessária nos controles;
- Câmera trágica, principalmente dentro d???água;
- Multiplayer fraco.


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