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Review de Brothers in Arms: Earned in Blood para X-Box de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Apenas sete meses depois de Brothers in Arms: Road to Hill 30 ser lançado em território americano, a Ubisoft já tem uma continuação para sua série de tiro em primeira pessoa baseada na segunda guerra mundial. Com um tempo tão curto de desenvolvimento, não se podia esperar muitas novidades de Earned in Blood, e foi o que aconteceu: trata-se do mesmo bom jogo de tiro em primeira pessoa, com mecânica, visuais e estilo idênticos, e os mesmos defeitos e qualidades, praticamente.

A guerra por outra ótica


Ao invés de retratar momentos bem diferentes da segunda guerra, como geralmente acontece com as continuações, Earned in Blood se passa exatamente no mesmo período de Road to Hill 30. Desta vez, somos apresentados à história do agora sargento Joe ???Red??? Hartsock, que pertencia originalmente ao terceiro pelotão do 502º Regimento de Infantaria Pára-quedista da 101ª Divisão Aerotransportada do exército norte-americano e era comandado por Matt Baker, o herói do primeiro Brothers in Arms. Os eventos do novo jogo, inclusive, começam no mesmo avião do início de Road to Hill 30: Hartsock deveria saltar de pára-quedas juntamente com Baker, mas como o avião começa a sofrer danos da artilharia antiaérea alemã, ambos acabam se separando nos ares e caindo em locais distintos. O resultado disso é que Baker foi para um lado e Hartsock para o outro.

O começo das atividades no solo da Normandia também é bem similar: Red vai encontrando soldados de outros pelotões e companhias e começa a formar um agrupamento novo, que deve ir cumprindo objetivos à medida que eles aparecem.

O clima da narrativa em EiB se mantém intacto, com aqueles toques de dramaticidade e sensação de que o comandante deve sempre se preocupar com a saúde e o bem estar de seus subordinados em campanha, valorizando a vida de cada um e criando um vínculo emocional entre eles. Com isso, o jogador tende a protegê-los mais, ao invés de simplesmente dar ordens impensadas que podem resultar em algum óbito desnecessário.

Mais uma vez, a história é baseada em fatos reais, e conta, inclusive, com a participação de representações digitais de combatentes reais, que estiveram naqueles locais, como é o caso do tenente coronel Samuel Lyman Atwood Marshall, ou SLAM, como era chamado pelos amigos.

Mesmos métodos, mas com mais desafio


Quem teve contato com Road to Hill 30 verá que a mecânica de Earned in Blood é exatamente a mesma. A jogabilidade é baseada em esquadrão de soldados, para os quais podemos dar ordens para que se movimentem pelo cenário, atirem contra um inimigo ou partam para o confronto corpo-a-corpo. O botão direito do mouse abre a simples e prática opção de comando e um círculo aparece no chão, indicando para onde pode ser dada a ordem de movimentação. ?? recomendável mandá-los sempre para um local coberto e abrigado, como atrás de cercas, veículos, pedras, pilastras, troncos de madeira ou quinas de construções.

Quando movemos o retículo de comando para cima de um inimigo, ele se torna um alvo vermelho que permite ordenar o ataque. Sempre bem conduzidos pela inteligência artificial, os soldados aliados se deslocam ao ponto mais favorável e começam a troca de tiros com os alemães, que funciona como num filme de bang-bang: um lado atira, depois se esconde, aí é a vez do outro atirar. Como é difícil acertar o inimigo neste tipo de combate, o ideal é tentar mantê-lo ocupado de alguma forma enquanto o jogador pode dar a volta pelo cenário para pegá-lo por trás ou pelos flancos. A melhor maneira disso ser feito é ordenar que os subordinados aumentem as cadências das rachadas sobre o inimigo, fazendo um fogo de supressão, que o manterá agachado, escondido. Um medidor em forma de bola mostrará se estão mesmo suprimidos ou não, e isso definirá o melhor momento de pegá-los de surpresa.

Para trazer mais tática aos combates, existe um modo especial chamado alerta situacional, acionado com a tecla V, em que o jogo dá uma pausa e visão vai para cima do terreno. Neste momento, o jogador elaborar o melhor plano de ação e definir o caminho mais adequado para dar a volta no inimigo.

Apesar dos combates serem bem realistas, eles ainda se tornam um pouco cansativos com o tempo. O ciclo ???caminhar, encontrar inimigos, procurar abrigo, ordenar o fogo de supressão, dar a volta no cenário e matar o inimigo pelas costas??? se repete sempre e, com algum tempo de jogatina, faz com que a graça dos confrontos não seja mais a mesma. Esse mesmo problema acontece em Road to Hill 30 e a Gearbox tentou consertá-lo aumentando os cenários e as opções de caminhos para seguir. Na verdade a produtora não sanou o problema, mas conseguiu atenuá-lo, uma vez que as maiores possibilidades de deslocamento e a diminuição na linearidade tornaram os tiroteios um pouco mais dinâmicos.

A maior novidade em EiB é mesmo o incremento na inteligência artificial inimiga, que já era boa no primeiro jogo. Para trazer um maior desafio aos combates, os alemães agora contam com uma carga extra de raciocínio e passam a se deslocar mais, deixando certos locais quando se sentirem em perigo e procurando novos abrigos. Ou seja, nem sempre é simples pegá-los desprevenidos, pois estão sempre de olho na sua movimentação e analisando as situações. Além de serem mais espertos defensivamente, eles também melhoraram suas táticas de ataque e podem também aplicar a técnica do fogo de supressão para pegar o jogador e seus comandados de surpresa.

Pouca evolução técnica


Pessoas menos detalhistas fatalmente não conseguirão ver a diferença visual entre os dois Brothers in Arms. Earned in Blood é mais bonito, sem dúvidas, mas as diferenças são sutis, ficando um pouco mais evidentes nas texturas melhores e menos borradas, e nos cenários mais amplos. No mais, continua aquele visual bom, que não decepciona, mas também não chama a atenção positivamente.

A parte sonora, um dos destaques do primeiro jogo, está intacta. A trilha sonora orquestrada é fenomenal e dá um clima bem épico, recheando as situações de dramaticidade. Os estampidos das armas, as explosões, o barulho de rajadas ecoando no ar e os gritos dos soldados intensificam o clima de guerra e passam a sensação de que o jogador está realmente no meio de um acontecimento de maior proporção.

Além de trazer mais mapas, o modo multiplayer ganhou mais opções. O novo Skirmish, por exemplo, permite que o jogador crie missões para serem jogadas cooperativamente e competitivamente, por rede ou on-line. Outro interessante é o Defense, no qual você deixar de ser o atacante, situação predominante no modo principal, para virar o defensor.

Apesar das novidades bem vindas no multiplayer, EiB ainda se mostra que o estilo de jogo da série Brothers in Arms não é o mais adequado para confrontos entre vários jogadores. Ele diverte no início, mas não manterá o jogador preso por muito tempo.

O Veredicto:
Earned in Blood faz exatamente o esperado para um jogo que passou apenas sete meses em desenvolvimento: evolui em relação ao primeiro Brothers in Arms, que é um grande jogo, e consegue ser melhor que ele, mas não tem novidades realmente relevantes e pode fazer muitos pensarem que estão jogando a mesma coisa de novo. No geral, é um tiro um ótimo tiro em primeira pessoa, cinemático e épico, e de confrontos bem desafiadores, mas mais recomendado para quem não teve a oportunidade de jogar o primeiro.


Prós:

+ Combates um pouco mais dinâmicos;
+ Mapas amplos, com mais opções de caminhos, acabou com a linearidade do primeiro jogo;
+ Inteligência artificial mais agressiva e desafiadora;
+ História continua bacana e com toques de dramaticidade;


Contras:

- Podia ter mais novidades: é muito parecido com o primeiro jogo;
- Multiplayer melhorou, mas ainda é sem sal.


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