GameVicio Entretenimento: GameVicio | FlashVicio | Hhide.ME | ClubVicio | Fórum | Flow | MovieVicio

Review de Resident Evil: Deadly Silence para DS de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Basta ouvir Barry Burton pronunciar suas frases mais célebres ??? ???Hope this is not Chris???s blood???, ???you, the Master of Unlocking??? e ???Jill Sandwich??? ???, para perceber que, para Resident Evil, até os momentos mais infelizes merecem o status de clássico.

Não há nada mais arcaico que o controle no estilo ???tanque???, nada mais canastrão que os dubladores de Barry, Jill e Wesker, nada mais inconveniente que o inventário limitado e os quebra-cabeças que interrompem o fluxo da matança de zumbis, mas é com este conjunto ???clássico??? que a Capcom justifica o interesse em criar mais uma versão de Resident Evil, desta vez no Nintendo DS.

Resident Evil DS ainda traz alguns extras, como o modo Rebirth ??? uma versão levemente modificada da aventura principal ??? e um Multiplayer básico que conecta até quatro jogadores, mas que requer quatro cartuchos do jogo. Não se trata, entretanto, de uma remake do clássico como foi o jogo lançado para Gamecube há alguns anos, mas sim de uma conversão direta do horror de sobrevivência à tela pequena, feita com algum sacrifício.

Humor de sobrevivência


Resident Evil envelheceu mal e, adaptado ao formato de jogo portátil, parece ainda mais ineficaz na sua tentativa de envolver o jogador. O terror e a originalidade que sobressaiam no primeiro jogo para PSOne se perderam com o tempo ou nas limitações de som e imagem do DS, e isso fica evidente desde a primeira cena, no filme introdutório que mostra nossos heróis ainda fora da famosa mansão nos arredores de Racoon City.

O filme, que na época do Playstation era interessante por usar atores reais, não causa tanto impacto rodando num pequeno quadrado no meio da tela do Nintendo DS, com paleta de cores e resolução reduzidas. O mesmo vale para o som das armas e vozes, agora ???sampleadas??? sem tanta definição.

Não se trata apenas de defasagem técnica. Todo o aspecto cinemático de Resident Evil, do uso dos atores reais nos interlúdios cinematográficos às lendárias interpretações hoje funcionam mais pelo humor que pelo horror pretendido.

As duas telas do DS trazem uma grande vantagem na visualização do mapa da mansão e estado físico dos personagens. A tela de cima mostra constantemente o mapa, bem como a cor indicando, de verde a vermelho, a situação vital, o que é muito conveniente, já que elimina o vai e vem entre os menus do jogo original. Mas a ação confinada à tela de baixo cria um novo inconveniente, agora em relação à pontaria e movimentação: sem muito espaço para mostrar um ambiente tridimensional com todos os detalhes, o jogo acaba diminuindo as distâncias entre o personagem principal e os zumbis, o que limita os ângulos de mira, bem como as opções de movimento.

Um giro de 180 graus rápido do personagem, como nos jogos mais recentes da série, é uma boa novidade desta versão, assim como a opção de pular as famigeradas cenas das portas que abrem com o apertar de um botão. Seria mais cômodo ainda se a Capcom tivesse eliminado a animação das portas de uma vez, já que o jogo em cartucho não necessita destas pausas, mas, como sempre, a intenção parece ser de manter a essência do original, até mesmo nos defeitos.

Desconsiderando as limitações técnicas do Nintendo DS, o que se tem em Resident Evil DS é uma conversão fiel do original do PSOne, praticamente no mesmo nível de gráficos e com todo o conteúdo de antes preservado.

REnovado


Resident Evil DS não seria um jogo de Nintendo DS sem algumas seqüências novas envolvendo a tela sensível ao toque e sopros no microfone do portátil. Todas as novidades estão no modo ???Rebirth???, que é uma versão ???remixada??? da aventura principal, com itens em lugares diferentes e alguns puzzles extras.

No ???Rebirth???, a aventura dá ênfase maior à ação e provê o jogador de mais munição, ao mesmo tempo em que dificulta sua vida com encontros mais freqüentes com zumbis e mais danos sofridos pelas mordidas das criaturas. A dificuldade é bem alta, já que os zumbis e outras criaturas aparecem em várias situações inesperadas que não ocorriam no jogo original, proporcionando algumas surpresas desagradáveis e mortes freqüentes. E para aumentar a frustração, não há opção de continuar ??? ao morrer, o jogador vai direto para a tela inicial e deve torcer para ter feito uma gravação recente.

O sistema de gravação do progresso continua sendo atrelado ao inconveniente sistema de ???fitas de tinta???, o que é mais uma idéia ultrapassada, e ainda mais injustificável quando se considera as necessidades de poder gravar frequentemente de um jogo para portátil.

As maiores novidades do ???Rebirth??? ficam por conta de mini-eventos envolvendo a tela sensível ao toque e o microfone, e de uma caixa presente nas salas que têm a máquina de escrever. A caixa é aberta através de um puzzle simples envolvendo combinação de cores, bem ao estilo Resident Evil. Já os mini-eventos colocam a visão em primeira pessoa, e o jogador deve eliminar os inimigos que correm em sua direção fazendo movimentos com a faca via caneta ???stylus???. Em outras situações, será necessário soprar o microfone para fazer respiração boca-a-boca em um parceiro, ou para dissipar gás venenoso. Certos puzzles também volta a demandar a caneta ???stylus??? para girar válvulas ou acionar botões. São adições bem simples ao sistema de jogo original, não muito criativas, mas compreensíveis diante da necessidade de trazer alguma novidade que justifique a conversão do DS.

Já no modo multiplayer, até quatro jogadores podem participar de uma matança cooperativa de zumbis na tentativa de escapar de alguns pontos pré-determinados da mansão, compartilhando da mesma barra de energia, ou então jogar competitivamente, tentando escapar com o maior número de mortos-vivos eliminados. O grande problema é que o modo só funciona por conexão direta e requer um cartucho do jogo para cada participante.

O Veredicto:
Resident Evil DS serve mais como um item de colecionador que uma oportunidade para jogar novamente, ou pela primeira vez, o precursor do horror de sobrevivência. Vários elementos do jogo não envelheceram bem, e muito do terror ainda foi perdido na adaptação à telinha e ao som limitado do portátil, deixando a experiência muito distante daquele memorável primeiro contato cerca de dez anos atrás.


Prós:

+ Fiel, até onde o DS permite, ao original do PSOne;
+ Canastrões, como Barry, divertem bastante e são marcas registradas de RE;
+ Três modos de jogo, incluindo multiplayer, devem manter os fãs ocupados por um bom tempo.


Contras:

+ Terror do original perdido pela defasagem técnica e pelas limitações do DS;
+ Modo "Rebirth" traz poucas boas idéias e muita frustração;
+ Necessidade de um cartucho para cada jogador inviabiliza multiplayer.


Nenhum comentário

comments powered by Disqus
Outer Space
6/ 10
Média da crítica
Média dos usuários
Sua nota

Sobre o colaborador

avatar de Giordano Trabach

Tópicos relacionados

©2016 GameVicio