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Review de Fight Night Round 3 para X360 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Depois de lançar séries baseadas nos mais variados tipos de esportes, a EA finalmente resolveu fincar sua bandeira também no boxe, uma modalidade que sempre foi pouco explorada pelas produtoras gamísticas.

O primeiro Fight Night foi lançado em 2004 e agradou os fãs do pugilismo. No seguinte, pintou o Round 2, que trouxe novidades, corrigiu alguns problemas do primeiro, mas trouxe outros novos. Seguindo o ritmo normal de atualizações da EA, é a vez de Round 3, que chega com uma característica bem interessante: ter uma versão para um console da nova geração.

Nasce uma estrela do pugilismo


Fight Night Round 3 não possui muitos modos de jogo, se limitando mais aos básicos, como luta rápida, carreira e confrontos multiplayer pela Live, e o ESPN Classics. O primeiro, como o próprio nome diz, permite que o jogador escolha um lutador e um ringue, e parta para a troca de socos sem burocracia, contra o computador ou um amigo. Já no segundo, o modo de carreira, você deve criar um lutador e desenvolver sua trajetória de pugilista, começando em campeonatos bem simples e desconhecidos até conseguir a fama mundial, quando lutará contra adversários renomados em estádios consagrados, como o Madison Square Garden, em Nova York.

O primeiro passo no modo principal, que é o processo de criação do lutador, já é interessante, pois permite uma boa customização do pugilista. Além de seu nome, sobrenome e naturalidade/nacionalidade, pode-se também escolher seu apelido - entre uma lista pré-definida com nomes hilários como Sweetness (docinho) e Bam Bam, que são falados pelos locutores durante as lutas. Fisicamente, os cabelos e pêlos faciais podem ser definidos, e também o formato da cabeça e das orelhas. O estilo de luta é outro item que permite boa personalização: é possível escolher desde a postura padrão que favorece o braço direito ou esquerdo, aos golpes baixos e provocações preferidas do lutador. Para completar o pacote, ganhamos 200 pontos que podem ser gastos da maneira que bem entender em habilidades, como força, velocidade, agilidade, vigor, resistência a golpes, e outros.

O início da carreira é duro: o lutador ganha pouco dinheiro com as vitórias e só consegue enfrentar adversários ruins, em ringues precários. Uma lista exibe os pugilistas que têm interesse em enfrentar você, portanto basta escolher e se preparar para o combate. Antes de cada luta, deve-se escolher um treinador e uma modalidade de treino, entre as 3 disponíveis, para desenvolver algumas das habilidades. Estes treinamentos funcionam como mini-games, que podem ser jogados ou simplesmente pulados através de uma opção de treino automático que treina o suficiente, mas nunca maximiza os resultados. ?? medida que o lutador vai vencendo as lutas, sua reputação vai crescendo e ele pode começar a disputar os cinturões, começando de modalidades inferiores até chegar ao título mundial.

Vencendo lutas importantes, o lutador consegue arrecadar fundos para contratar um treinador melhor ou fazer umas compras na loja de boxe. Lá, encontramos todo tipo de material, como luvas, calçados, shorts e protetores, que além de estéticos trazem incrementos a certas habilidades, e também golpes especiais baseados nas técnicas de lutadores clássicos, como Muhammad Ali, tatuagens e gritos que intimidam os adversários.

O maior problema do modo principal é que não existe uma história de verdade por trás do lutador principal. As lutas parecem eventos isolados e os adversários não tem tanta personalidade, o que faz parecer que as mesmas lutas estão se repetindo. Na verdade, a sensação é que este modo é uma seqüência de lutas isoladas e não a construção de uma verdadeira carreira no boxe.

O modo ESPN Classics revive alguns dos confrontos mais famosos da história do boxe, mas faltou uma das principais lutas de todos os tempos: Tyson vs Holyfield, aquela na qual Tyson morde e arranca um pedaço da orelha de seu adversário. Seria bom também se esta mordida fosse incluída entre as várias opções de golpes baixos existentes no jogo, mas não é o caso.

Soco em câmera lenta


A jogabilidade de FNR3 é polêmica. Como nos jogos anteriores, a EA optou por utilizar o direcional direito para a distribuição de golpes, ao invés colocá-los nos botões da face do controle, como é de costume em jogos de luta, e isso pode gerar um descontentamento em alguns jogadores. O fato é que este layout oferece mais opções de combinação de golpes, mas exige um tempo maior de adaptação por parte do jogador e não tem a mesma velocidade/agilidade do estilo mais tradicional de apertar botões. Certos jogadores, mais casuais e afoitos, certamente não conseguirão se adaptar direito ou não terão paciência para decorar os comandos, e acabarão rodando o analógico direito aleatoriamente para distribuir quaisquer tipos de golpes, sem escolher o mais eficaz para as determinadas situações.

Outro motivo pelo qual FNR3 pode não agradar jogadores mais casuais é pelo seu estilo que tende um pouco para o lado da simulação. Talvez, mais importante que golpear, no jogo é preciso saber defender e esquivar, movimentos estes que podem definir o vencedor de uma luta. A defesa exige certo reflexo, mas quando bem utilizada permite que o adversário fique vulnerável por alguns segundos. Já a esquiva é uma boa arma para contra-atacar, se você tiver o timing correto de desviar e aplicar um golpe exatamente no momento que o adversário está retornando com seu braço. Estas são técnicas bem utilizadas em todas as lutas e que exigem algum treino.

Além das defesas e esquivas, alguns golpes especiais também precisam de uma melhor intimidade com os controles para serem bem aplicados, como é o caso do Stun Punch, um soco especial que atordoa o adversário e faz com a perspectiva de câmera entre para o modo de primeira pessoa. Quando isso acontece, o lutador que aplicou o golpe fica com vantagem e pode deferir vários ataques, enquanto o outro deve defender ou desviar. Existe também o Flash Knockout, um soco fulminante que pode derrubar o adversário a qualquer momento, independente de sua condição de saúde. Obviamente, é um golpe difícil de ser aplicado com sucesso.

Como o Xbox 360 permite um alto nível de detalhamento dos danos faciais dos lutadores, a EA optou em remover as famosas barras de energia das lutas. Pode-se ver com exatidão o estado de saúde do pugilista pela sua cara de cansado, seus hematomas, cortes, sangramentos e olhos praticamente fechados, que definem o quão bem ele está. Obviamente, atacar o lado do rosto mais danificado faz com o adversário fique fraco de maneira mais rápida.

O detalhe que mais incomoda na jogabilidade é sua cadência lenta. Quando estamos no início da carreira, os lutadores têm golpes extremamente vagarosos, como se o jogo estivesse rodando em câmera lenta. Quando os lutadores estão cansados então, ficam quase se arrastando, com golpes imprecisos, sem força alguma e muito sem ritmo. ?? medida que os lutadores vão aperfeiçoando a velocidade, o jogo vai melhorando, mas só fica ideal mesmo quando atingimos o nível dos grandes nomes do boxe.

Suor de alta qualidade


Visualmente, Fight Night Round 3 do Xbox 360 é o primeiro jogo para a nova geração que não se limita em adicionar texturas em alta resolução ou alguns efeitos mais bonitos para se diferenciar do antigo Xbox.

Enquanto no console antigo a platéia está bem menor e extremamente mal feita, os cenários mais pobres e a famosa deformação facial dos lutadores ao levar um golpe é discretíssima, o jogo do 360 traz cenários complexos e totalmente animados, iluminação dinâmica e uma modelagem absurdamente realista dos lutadores.

No replay ??? uma das partes mais mostradas em vídeos até agora ??? a versão do Xbox se limita a mostrar um sangue mal feito, em forma de bolinhas vermelhas que voam pelo ar misturadas a bolinhas brancas de suor. Já no Xbox 360, uma baba voa da boca, o sangue desce de nariz, o suor se dissipa em micro-partículas pelo ar e a mandíbula do atingido se desloca lentamente, causando a movimentação de seus músculos e pele. Outros detalhes que só convencem no jogo da nova geração são o suor, que dá a verdadeira sensação de um corpo molhado, e as expressões faciais, com os lutadores fazendo caretas, mostrando a gengiva, movendo as sombracelhas, etc.

Os sons são muito bons em qualidade, mas um pouco mal utilizados. Isso porque certos golpes que não aparentam ter tanto impacto retornam um efeito bem grave e alto, como se um soco bem forte tivesse sido aplicado, algo incompatível com o que realmente aconteceu. Os lutadores também costumam dar gritos meio exagerados em certos golpes, como se tivessem sofrendo muito para aplicá-los. Mas fora isto, os sons desempenham um bom papel, destaque para as vozes dos treinadores, incentivando e dando dicas aos lutadores, e da platéia, que vibra e solta gritos de espanto quando um golpe encaixa com precisão ou um pugilista incita o outro ao combate. O locutor também desempenha um papel fundamental nas lutas, pois além de narrar com precisão os acontecimentos, dá detalhes precisos sobre a condição da luta, que não seriam percebidos nitidamente sem ele. Isso acontece principalmente quando um lutador está a beira de ser nocauteado, e o locutor afirma que suas condições não estão boas e mais um golpe pode ser suficiente para derrubá-lo. Já as músicas são apropriadas ao estilo do jogo, ficando mais resumidas a hip-hops bem americanos.

O modo multiplayer é agradável, apesar de ter apresentado leves ???lags??? em determinadas lutas. Existem opções de lutas ???ranqueadas??? ou não, e uma lista exibe os melhores lutadores que já passaram pela Live. Para tornar os confrontos mais justos, a busca por oponentes tenta retornar apenas jogadores do mesmo nível de habilidade de quem está realizando a pesquisa.

O Veredicto:
Fight Night Round 3 oferece um boxe bastante completo e realista, mas ainda longe da diversão e intuitividade de títulos como Rocky. A boa variedade de táticas, opções que vão desde o estilo de luta do pugilista aos golpes baixos que podem ser usados para desconcentrar o adversário, e a jogabilidade cadenciada e ???estudada??? deixam claro que se trata de um jogo direcionado muito mais aos fãs do boxe que aos jogadores à procura de um bom jogo de luta.
Para os que compraram o Xbox 360 e estão ansiosos por uma boa demonstração do poder da nova máquina, Fight Night Round 3 vai valer bem mais por seus quesitos técnicos que por suas qualidades de bom entretenimento.


Prós:

+ Gráficos, detalhes e efeitos dignos de um console da nova geração;
+ Modo de criação de lutadores bem completo, permite personalizações bacanas;
+ Modelagem incrível dos lutadores;
+ Ausência da barra de energia traz mais realismo;
+ ??tima narração para as lutas;
+ Modo multiplayer divertido;


Contras:

- Controle baseado nos sticks analógicos é devagar e impreciso;
- Jogo é um pouco lento, focado no realismo, o que pode incomodar;
- Modo de carreira parece uma seqüência de lutas isoladas.


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Outer Space
8/ 10
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