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Review de Black para X-Box de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


?? bem provável que alguém jogue Black até o fim sem saber que está no controle de Jack Keller, um mercenário envolvido em missões para grupos militares clandestinos no Leste Europeu. Isto porque Keller, ou os interlúdios cinematográficos que precedem cada missão, não têm a menor relevância diante dos verdadeiros personagens do enredo pirotécnico de Black: o rifle AK-47, a pistola Desert Eagle, a escopeta SPAS-12, a metralhadora Uzi e as outras 11 armas do arsenal do jogo.

Black não é tanto um tiro em primeira pessoa clássico, mas um simulador de destruição. O jogo concentra todos seus objetivos no impacto das armas e no prazer de explodir coisas, e deixa de lado alguns elementos clássicos de jogabilidade, como o pulo e o abrir de portas, bem como o mais básico modo multiplayer. Não há nada para prender o jogador por dias, a não ser pelo fato de que o tiroteio, de tão bem feito e convincente, merecerá ser visto várias vezes, nem que seja como pretexto para impressionar uma platéia de amigos.

Atire primeiro, faça perguntas depois
A tela de abertura, com uma arma bem modelada cuspindo balas ao fundo e quase nenhuma opção além do básico modo de missões e o menu de opções já exprime bem o amor da Criterion pelo arsenal e o razoável descaso pela estrutura do jogo. Não há nada para se fazer além de escolher entre três níveis iniciais de dificuldade e partir para os disparos nas ruas de uma cidade.

???Pegue a escopeta???, é a primeira coisa que se vê ao iniciar a missão. A segunda é derrubar uma porta, na base do tiro. Não há necessidade de um botão de ação ou pulo quando quase todos os obstáculos podem ser removidos pelo disparo das armas. Até mesmo os carros, vidraças e latões de combustível estrategicamente espalhados pelo cenário conspiram a favor do tiroteio.

Também não há um mapa para orientá-lo pelas ruas, nem necessidade de um, já que os caminhos são bastante óbvios e as missões muito lineares e com objetivos tão simples que o jogador costuma completá-los acidentalmente, seja com um disparo que destrói uma prova escondida em um cofre qualquer ou deparando-se com arquivos confidenciais inocentemente fixados a uma parede.

A falta de ambição em construir objetivos e situações convincentes além do ato de apertar o gatilho seria constrangedora, não fosse tão óbvia a intenção da Criterion de manter o foco na destruição. Aliás, colocar o jogador para plantar bombas e praticar a furtividade soa como um retrocesso para uma produtora que só pensa em explosões até quando produz um jogo de corrida.

Black é simples por opção, mas nem todas as omissões da Criterion podem ser justificadas em nome do foco na ação. A inteligência artificial, por exemplo, é básica e, misturada ao ritmo frenético do jogo, jamais obriga o uso de alguma tática por parte do jogador. A não ser pelos modos ???Hard??? e ???Black Ops??? (liberado após terminar o jogo uma vez), a jogabilidade está limitada a atirar no estilo Rambo ??? ininterruptamente e partindo para cima dos inimigos como se não houvesse amanhã. A sensação de que estamos lidando com super-heróis comparáveis a Chuck Norris é nítida no fato de que até o mais singelo inimigo só tomba depois de levar uma dezena de balas, a não ser, é claro, que parte do cenário tenha explodido sobre ele ou sua distração momentânea tenha permitido aplicar-lhe um ???head-shot???.

Mas, imperdoável mesmo é a ausência do modo multiplayer. Black oferece apenas o modo principal de missões, que também não é muito longo (dura entre 6 e 8 horas na primeira jogada), e não traz sequer um combate para dois jogadores em tela dividida, o que o torna um dos jogos de tiro em primeira pessoa mais pobres em conteúdo dos últimos anos.

Black is Beautiful
Mesmo que seja um jogo cru e inacabado em alguns aspectos, os esforços da Criterion para trazer diversão e autenticidade ao tiroteio foram mais que bem sucedidos. Black é um jogo revolucionário do ponto de vista técnico, e imensamente divertido se encarado como uma simples oportunidade de atirar e ver quase tudo explodir.

Visualmente, este é o jogo mais impressionante desta geração e, pelo menos até agora, da nova geração também. ?? um verdadeiro milagre tecnológico que deixa a certeza de que o Xbox e Playstation 2 conseguiram chegar ao limite do potencial de seus hardwares, bem no fim do ciclo de vida das duas plataformas.

As 15 armas, impecavelmente modeladas, nem sempre trazem alguma variação de jogabilidade, mas estão presentes apenas para valorizar o aspecto visual do tiroteio. Cada bala disparada, quando não acerta o alvo, gera algum efeito: se acerta no concreto, levanta poeira e partículas; no metal, cria faíscas; latas voam; caixas de madeira são dilaceradas pelas balas. Há também abundância de vidro para ser quebrado, e a repetição de alguns cenários em galpões cobertos por vidro parece existir apenas pela gratificação de atirar e ver milhares de cacos voarem. Em momentos intensos, a mistura de poeira, fumaça e cacos de vidro toma conta da tela com realismo impressionante.

Mas talvez o aspecto mais incrível do frenesi de Black esteja no fato de grande parte do cenário poder ser demolida pelas balas. Em vários momentos, uma parede que serve de abrigo pode ser despedaçada aos poucos e expor o inimigo. Uma granada jogada dentro de uma casa pode derrubar as paredes, lançar objetos para o alto e provocar um incêndio permanente nos detritos. A destruição quase total dos ambientes é levada tão a sério que, em algumas fases, são apresentadas como os objetivos principais da missão.

Tanta pirotecnia normalmente só seria possível com sacrifício do nível de detalhes dos cenários ou até uma taxa de quadros por segundo mais baixa. Mas, no caso de Black, é exatamente o contrário: os cenários são os mais complexos e bem feitos entre os jogos de tiro em primeira pessoa desta geração, e tudo se move com extrema suavidade. O jogo até arrisca alguns efeitos ambiciosos de iluminação ???high dynamic range??? que deixa o cenário com um visual belíssimo.

O áudio acompanha o nível do visual e serve como multiplicador para o realismo do jogo. Começa pelo som das armas ??? ensurdecedor e com o impacto que todo jogo de tiro em primeira pessoa deveria ter ??? mas torna-se cada vez mais impressionante quando se percebe as variações de eco de acordo com o ambiente, os gritos realistas dos inimigos e a atenção aos detalhes para reproduzir cada acontecimento visto na tela, seja do concreto sendo desintegrado ou dos ruídos de ferro distorcido dentro de uma fábrica.

Com um som digno dos melhores filmes de ação, Black merece ser jogado com o console ligado a ??? no mínimo ??? um bom sub-woofer e com o volume em níveis que incomodem os vizinhos. Menos que isso é perder grande parte da emoção de atirar, que é exatamente o que o jogo faz melhor.

As diferenças entre as versões para PS2 e Xbox são quase sempre muito sutis para serem percebidas. Há algum ???slowdown??? momentâneo e bastante esporádico na versão para PS2, e a imagem parece mais limpa, revelando um pouco mais as imperfeições do jogo.

A versão para Xbox leva alguma vantagem principalmente em relação ao áudio: Dolby Digital 5.1 contra o Dolby Pro Logic II do PS2. E com armas tão realistas, o botão em forma de gatilho do controle S torna a experiência mais prazerosa que quando experimentada pelo Dual Shock 2.

O Veredicto
Black é impressionante e incompleto como uma demonstração tecnológica, mas serve como um ótimo começo para uma franquia que parece antecipar várias características técnicas esperadas para jogos da próxima geração. Não há uma estrutura de missões interessante por trás, A.I. sofisticada ou modo multiplayer comparável aos melhores jogos de tiro em primeira pessoa, mas o visual e som espetaculares, o realismo das armas e da destruição de ambientes e foco no prazer de atirar é algo sem precedente e representa uma pequena revolução para o gênero.

Prós:
  1. Os melhores gráficos desta geração;
  2. Som espetacular;
  3. Divertido, até onde um jogo sobre explodir coisas pode ser;
  4. Boa seleção de armas reais;
  5. Destruição de ambientes sem precedentes nos videogames;


Contras:
  1. Curto e sem o básico do básico: modo multiplayer;
  2. História mal contada e mal mesclada com a parte jogável;
  3. Muito tiro, quase nenhuma tática;



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