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Review de Marc Ecko's Getting Up: Contents Under Pressure para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


No verso da capa de Marc Ecko's Getting Up: Contents Under Pressure, fica em destaque a seguinte frase: ???... fazendo pelo grafite o que Tony Hawk fez pelo Skate???. Mas na mesma caixa, as fotos do personagem principal espancando um oponente e ateando fogo em outro deixam claro que não é bem assim.

O jogo ???apadrinhado??? pelo estilista Marc Ecko conta com missões furtivas, acrobacias malucas, muita porrada e Grafite. O jogador vai assumir o papel de Trane, um Grafiteiro que quer fazer seu nome na cidade de New Radius, uma espécie de Nova York fictícia, em que o prefeito corrupto Sung comanda uma polícia especial para acabar com os ???escritores de rua??? da cidade. Getting Up tem pontos positivos, mas alguns defeitos estragam a oportunidade de um ótimo jogo.

Vandalismo e brigas


Trane começa o jogo com o desejo de se tornar uma lenda das ruas, e, durante sua jornada, encontrará vários obstáculos, sendo que alguns ele resolve com o grafite e outros com socos e chutes. Essa associação constante de grafite com a violência é algo que realmente ???queima o filme??? do jogo com grafiteiros de verdade. Apesar de durante o jogo Trane encontrar lendas do mundo real, que chegam a assinar o Black Book (uma espécie de caderno de autógrafos e portfólio) do personagem, fica claro que Marc Ecko's Getting Up: Contents Under Pressure não é um jogo para grafiteiros de verdade.

Logo no início Trane consegue a inimizade de uma gangue rival, os vândalos de New Radius, por ???atropelar??? as ???tags??? deles com o seu spray. Não é algo muito ético no mundo do grafite, e Trane coleciona seu primeiro inimigo dessa forma. E não é o último: durante o jogo, o personagem bate em quase todo tipo de gente, desde policiais até açougueiros, passando por pintores e peões de construção. O engraçado é que desde o inicio, quando Trane é um ilustre desconhecido, todos querem pegá-lo, mesmo antes que o jogador arrisque um único grafite. Nada de moralista nisso, mas é bem ridículo passar perto de um trabalhador no metrô, que vai lhe dar um soco e xingar sem nenhum motivo aparente. O mesmo vale para policiais: eles atacam Trane sem tentar usar voz de prisão, antes mesmo do personagem conseguir certa reputação.

O combate em Getting Up rola com tranqüilidade e, apesar de não ser muito sofisticado, funciona bem. Além de tudo, brigar com armas improvisadas, como pedaços de madeira e canos, é muito divertido. O que incomoda é que às vezes a câmera não acompanha bem os movimentos acrobáticos de Trane, e se ele estiver em um lugar alto e perigoso, fica fácil morrer por não ver onde foi parar o personagem depois de uma voadora.

O jogo possibilita também uma estratégia furtiva, sendo possível passar sem ser visto na maior parte dos níveis, e até mesmo atordoar oponentes distraídos com um único golpe. Um ponto fraco do jogo é que essa estratégia não funciona muito bem: na maioria das vezes é mais fácil bater em todo mundo da fase e depois ???trabalhar??? com tranqüilidade nos muros.

As ???ferramentas??? que Trane usa são bem variadas, incluindo Stickers, marcadores, Stencil e vários outros. Mesmo assim o que vale mais é o grafite tradicional, normalmente com Spray. Grafitar é um processo é bem fácil de aprender. Jogando com o teclado e o mouse, basta segurar o botão do meio e pressionar o direito e o esquerdo para ir ???colorindo??? o espaço do grafite. Pintar um mesmo lugar em excesso pode fazer com que a tinta escorra, o que tira alguns pontos. Apesar dos grafites do jogo serem bem legais, fica como ponto negativo a impossibilidade de criar algo, mesmo se fosse bem simples.

Existem cinco fatores de execução do grafite que contam pontos de reputação para Trane: tamanho da arte, tempo gasto, se está ???atropelando??? outro grafite, se a tinta não escorreu e se for em um local alto. E os lugares que Trane faz seus ???trabalhos??? vão de portas de lojas aos mais exóticos e arriscados, como trens em movimento e muros no alto de construções. Muitas vezes é preciso fazer escaladas mirabolantes em canos e cercas, para chegar em pontos que seriam inalcançáveis para um ser humano comum.

A reputação não é nem um pouco difícil de adquirir, e serve para destravar alguns bônus do jogo. Um deles é um mini-game de lutas para dois jogadores que, apesar de bem interessante, enjoa rápido. Também é possível destravar músicas, capturando ipods escondidos no mapa.

Boa arte, má jogabilidade


Além da história de Trane, que apesar de não ser muito boa é muito bem contada, o jogo se destaca nos gráficos e no som. As músicas incluem muito hip-hop, além de outros como Bloc Party. Até mesmo Serj Tank, do System of a Down participa da excelente trilha sonora. Os gráficos são muito bons, com exceção de alguns bugs nas sombras, que às vezes aparecem em lugares bem improváveis, principalmente quando Trane está em um lugar muito alto.

Outros bugs aparecem durante o jogo e, apesar de ser raro, às vezes é preciso reiniciar uma fase por que Trane fica ???grudado??? em alguma parede. ?? bem chato quando acontece, mas ao menos na versão para PC deve chegar algum tipo de correção em um patch.

Mas com certeza o pior defeito é a jogabilidade: com o teclado e o mouse controlar Trane e a câmera é uma tarefa difícil por si só, e como é preciso escalar e saltar bastante para alcançar certos pontos, vai ser preciso muita pratica para acostumar com as limitações dos controles. Jogar com um joystick é bem mais agradável, mas o controle da câmera ainda é bem difícil.

Já os vídeos são surpreendentes: além da qualidade das animações, a trilha sonora e a edição das imagens fazem com que esse seja um dos principais motivos para se jogar Getting Up até o final.


O Veredicto:
A jogabilidade e a câmera teimosa de Marc Ecko's Getting Up: Contents Under Pressure estraga o que poderia ser um jogo excelente. A sorte é que os gráficos e o enredo fazem bem sua parte, segurando o jogador até o fim. A impossibilidade de criar suas próprias obras de arte pode decepcionar alguns grafiteiros profissionais, e a violência no jogo, chega a beirar o ridículo. Assim como os controles, os bugs do jogo mostram que talvez Getting Up não tenha recebido a atenção e o cuidado que merecia dos produtores.


Prós:

- Enredo e clima envolvente;
- Boa trilha sonora ;
- Arte gráfica de qualidade.


Contras:

- Jogabilidade decepcionante;
- Bugs incômodos;
- Lutas desnecessárias;
- Impossibilidade de criar grafites.


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