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Review de The Lord of the Rings: The Battle for Middle-Earth II para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Jogos produzidos a partir de uma grande licença, como Senhor dos Anéis, quase sempre decepcionam os fãs. Parece que os produtores nunca capricham o bastante, talvez por que é quase certo que, como parte de uma grande franquia, o jogo será um sucesso de vendas.

Felizmente, esse não é o caso de The Lord of the Rings: Battle for Middle-Earth 2, que faz um excelente uso da licença dos livros e filmes de Senhor dos Anéis. A seqüência é muito melhor que o original, e agrada tanto como jogo de estratégia como pelo bom uso do tema O Senhor dos Anéis.

Terra Média, enredo médio


O novo título conta com 3 modos singleplayer: as campanhas, o modo Guerra do Anel e as clássicas ???skirmishes??? (batalhas simples com todas as tecnologias disponíveis) presentes em todo jogo de estratégia em tempo real. Existem duas campanhas, uma jogando do lado do ???Bem???, que incluí os homens, os anões e os elfos; e outra do lado do ???Mal???, que são os Goblins, Mordor e Isengard.

As campanhas da nova edição de Battle for Middle-Earth abordam a guerra do anel em uma perspectiva alternativa, dando ênfase aos acontecimentos no norte da Terra Média que ficam em segundo plano nos livros, e não são citados nem nos filmes. Por serem batalhas que não são apresentadas com grande profundidade na obra de J.R.R. Tolkien, os produtores tiveram espaço maior para adicionar novos elementos à saga.

Mas talvez esse espaço não tenha sido tão bem aproveitado. Apesar das campanhas passarem todo o clima dos filmes, a história da guerra do anel no norte da Terra Média fica um pouco vazia, sem muitos destaques e, com perdão do trocadilho, bem mediana. As cenas de corte usam o sistema gráfico do próprio jogo, que é muito bom, mas para dar mais profundidade a um enredo tão rico como o de O Senhor dos Anéis, seria legal algo mais ???cinematográfico???, principalmente na introdução e nos finais. Estes últimos são tão curtos e previsíveis que chegam a decepcionar.

O enredo não é ruim nem bom, mas mesmo assim vale a pena jogar as campanhas até o fim, mais pela diversão que por uma boa história. As dezesseis fases, oito de cada facção, são bem construídas, e as últimas são bem interessantes, compensando os finais fracos.

Já o modo Guerra do Anel segue o mesmo estilo dos jogos da série ???Total War???, como Rome e Shogun, só que de forma bem simplificada. Consiste basicamente em um grande ???skirmish??? no mapa da Terra Média, no qual os jogadores movimentam seus exércitos, dominando territórios e recrutando tropas. Quando acontece algum conflito, ele pode ser decidido automaticamente ou como batalha em tempo real. ?? muito divertido apesar de alguns furos. As batalhas em tempo real funcionam como um ???skirmish??? normal, incluindo a possibilidade de construir novos edifícios e recrutar unidades, mas quando a batalha termina, essas aquisições não aparecem no mapa principal. O fato de ser possível recrutar e construir durante as batalhas faz sentido diante da proposta de estratégia em tempo real do jogo, mas não poder manter suas tropas para o próximo ponto a ser conquistado do mapa é algo que desvaloriza bastante este modo.

Apesar dessas e outras pequenas falhas, a Guerra do Anel ainda vale a pena, principalmente por ser o jeito mais divertido de usar os heróis do jogo. Além dos heróis dos livros e filmes, o jogador pode criar seu próprio herói, com aparência e habilidades customizáveis. O modo de criação destas unidades não permite muitas alterações na aparência, mas só a possibilidade de criar um herói já é um excelente acréscimo ao jogo.

Acertando a mão


A principal alteração em relação ao primeiro Battle for Middle-Earth está nas construções: ao contrário do primeiro, em que o jogador erra obrigado a construir em certos lugares, agora é possível construir qualquer coisa em qualquer lugar. A alteração muda radicalmente a estratégia do jogo, fazendo com que as bases fiquem menos ???espalhadas??? pelo campo de batalha e que o jogador possa usar o cenário a seu favor.

A coleta de recursos no jogo funciona de forma diferente também. As estruturas que fornecem recursos podem ser construídas em qualquer local do mapa, dependendo apenas de espaço livre ao redor para fornecer uma generosa ???mesada???. Essas estruturas são geralmente o ponto fraco de qualquer base, já que logo no começo ficam um pouco afastadas do centro, e vulneráveis a ataques. No caso dos goblins e dos anões, não chega a ser uma deficiência grande: os túneis goblins e as minas dos anões estão conectados entre si por uma rede subterrânea, facilitando a defesa dessas estruturas. Basta deixar alguns pelotões alojados em uma delas que eles podem sair em qualquer outra, quase que como um tele-transporte, similar ao túnel GLA de C&C Generals.

As novas estruturas de defesa são o única ponto que fica a desejar: as muralhas são bem fácil de destruir, e duas pedradas de um Troll da Montanha podem derrubar qualquer torre. Além disso, as muralhas devem ser construídas dentro de um perímetro ao redor da fortaleza, o que limita mais ainda. No final das contas, não vale a pena investir em estruturas de defesa, e é melhor construir outras fortalezas.

Apesar da inteligência artificial ser eficiente, as diversas variáveis da estratégia de Battle for Middle-earth 2 deixam o jogo singleplayer relativamente fácil, se comparado à experiência multiplayer. Oponentes humanos usam as habilidades dos heróis de forma bem mais eficiente, e protegem melhor as estruturas que produzem recursos. Por isso, os anões e os gobilins levam certa vantagem, pela habilidade de defenderem melhor as estruturas geradoras de recursos.

O modo Guerra do Anel em multiplayer é bem mais divertido que o singleplayer, com o único porem de que pode demorar muito tempo (alguns dias!), principalmente se forem muitos os jogadores. Existe a possibilidade de salvar o jogo, mas para voltar a jogar, obviamente todos os jogadores devem estar online, o que pode ser difícil de acontecer.

Os efeitos visuais do jogo são excelentes, e bem adequados para um jogo de estratégia. Quando um pelotão de infantaria sofre uma carga da cavalaria, as unidades caem no chão e se levantam, e o mesmo acontece quando essa cavalaria é atingida por uma catapulta. Outros efeitos, como os dos super-poderes das unidades especiais, melhoram ainda mais o visual do jogo.

O som do jogo é bem fiel ao filme, com as mesmas trilhas sonoras e efeitos sonoros. Apesar de serem poucas as dublagens oficiais, as outras são feitas por pessoas de voz bem próxima a dos atores, e é bem difícil notar a diferença.

O Veredicto:
The Lord of the Rings: Battle for Middle-Earth 2 ficou bem superior ao primeiro, graças à maior liberdade do sistema de construção, ao polimento extra do sistema gráfico e à presença de novas unidades muito interessantes. Apesar de ter ficado mais próximo dos jogos de estratégia em tempo real tradicionais, no que diz respeito à complexidade do sistema, o jogo ainda é bastante accessível e simples o suficiente para atrair um público maior.


Prós:

- Bom uso do material de O Senhor dos Anéis;
- Modo multiplayer divertido;
- Visual e clima ótimos;
- Boa evolução da estratégia em relação ao primeiro jogo.


Contras:

- Algumas más idéias no modo Guerra do Anel;
- Enredo mal aproveitado.


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