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Review de Rise of Nations: Rise of Legends para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Seqüência indireta do aclamado Rise of Nations de Brian Reynolds e da produtora Big Huge Games, Rise of Nations: Rise of Legends trás de volta a maior parte das características inovadoras como recursos infinitos, fronteiras dinâmicas, assimilações e campanhas ???Conquer the World??? que consagraram seu antecessor. No entanto, a história não dá prosseguimento ao jogo original. Não existem civilizações históricas, tampouco passagem de eras.

A opção por manter ???Rise of Nations??? escrito no título não foi muito feliz, pois pode fazer o jogador assumir que encontrará as típicas raças históricas e seus respectivos cenários presentes no primeiro da série. Mas a qualidade da jogabilidade presente em Rise of Legends e o louvável esforço em criar um novo universo, com sua própria mitologia, mais que compensam esta possível ???falsa??? expectativa gerada pelo título.

Nada de Elfos, orcs ou segunda guerra mundial
Um aspecto bastante atrativo de Rise of Legends é sua ambientação. O jogo deixa de lado os tradicionais cenários tolkianos ou de guerras históricas para criar uma estimulante mistura entre magia e tecnologia. Inspirados palcos de batalha mesclam com maestria os gêneros fantasia e ficção científica em um visual retro-futurista com pitadas da era Renassentista, História das Mil e uma Noites e Stargate.

Legends é ambientado no mundo de Aio, um universo ficcional que abriga uma grande batalha entre magia e tecnologia. Digladiando neste mundo, em batalhas aéreas e terrestres, estão três grandes civilizações de características bem distintas, variando desde suas origens, à árvore tecnológica e estilos táticos.

Os Vinci, devotos da tecnologia e do vapor, são uma civilização inspirada na Itália renascentista. Suas construções e equipamentos possuem um design claramente derivado dos esboços do visionário Leonardo da Vinci. Esta nação é fortemente orientada a pesquisas e podem se especializar em várias áreas.

Em contraponto aos Vinci, arautos da razão, os Alin são uma civilização de misteriosos andarilhos do deserto que praticam as artes místicas. Fogo, vidro e areia são a matéria prima das forças ocultas dominadas por estes filhos do deserto que parecem ter saído direto das lendas árabes. Seu estilo de jogo é mais fluido e favorável a estratégias de ???rush???.

E finalmente, os Cuotl - nome originado da linguagem arcaica Nahuatl, que significa cobra -, uma civilização alienígena inspirada na antiga civilização Maia. Os Cuotl eram originalmente uma nação de viajantes interplanetários detentores de uma tecnologia extremamente avançada. Uma espaçonave desta raça se acidentou em uma floresta tropical de Aio e oito sobreviventes se disfarçaram de deuses e aliciaram seguidores entre os nativos. O forte desta nação é a avançadíssima tecnologia de que dispõem, que as tornam oponentes formidáveis principalmente após os estágios iniciais do jogo enquanto ainda são mais vulneráveis.

Concentração maior de esforços na arte da guerra
Rise of Legends segue a estrutura básica dos jogos de seu gênero. No início tem-se uma cidade modesta, uma pequena quantidade de recursos e algumas unidades civis e militares. O objetivo é o de sempre: desenvolver esta cidade, angariar mais recursos, ampliar sua força de ataque/defesa e enfrentar as nações adversárias até destruí-las. O diferencial de Legends é que, além da cidade central, existe uma segunda classe de construções relacionadas: os distritos. Existem quatro tipos de distritos que variam sensivelmente entre as raças jogáveis, mas que servem aos mesmos propósitos básicos de crescimento e benefícios militares/táticos. Outro aspecto interessante é a possibilidade de ampliação de domínios através da conquista de cidades neutras ou inimigas. As neutras podem ser compradas ou subjugadas à força, e as inimigas somente podem ser tomadas. O jogo oferece ainda um curioso sistema de recompensas especiais em forma de ???poderes de domínio???, que são concedidos aos jogadores que alcançam certas metas antes dos adversários, e que lhes conferem habilidades especiais. Estes poderes podem mudar de dono ao longo da partida. São eles: Domínio de Exército, Domínio de Habilidades, Domínio de Recursos e Domínio Tático.

O jogo possui uma curva de aprendizado média que é consideravelmente amenizada pela excelência da interface com o usuário. ?? importante mencionar que o microgerenciamento é bastante reduzido: existem apenas dois recursos, timonium (um elemento fictício) e riqueza (substituído por energia para os Cuotl). Esta simplificação concentra o desafio nas estratégias de combate e em suas formações de ataque e defesa, permitindo que o jogador dê uma maior atenção a este aspecto do jogo.

Como em seu predecessor, os recursos em Rise of Legends são infinitos. A coleta de timonium e riquezas são freadas apenas pelo resource cap (limite de recursos) que determina uma taxa máxima em que eles podem ser coletados. Se o jogador estiver extraindo recursos acima do limite, o excesso será desperdiçado. O resource cap pode ser aumentado investindo-se na criação de mais distritos mercantis ou reatores no caso dos Cuotl. Outra característica remanescente de Rise of Nations é a possibilidade de uso de um fila infinita para criação de unidades, que permite que enquanto houver recursos mais unidades sejam imediatamente produzidas.

Uma das novidades mais bem vindas nesta nova edição da série é o uso de heróis, que segue a tendência atual dos jogos de estratégia em tempo real. Estas unidades desempenham um papel de importância crítica no jogo, seja nos modos campanha, quick battle (batalhas rápida) ou multiplayer. Os heróis comandam seus exércitos e possuem uma gama de ataques especiais e algumas vezes tropas adicionais que os acompanham. Estas unidades adquirem pontos de experiência ao longo das partidas e ganham mais poder ao passar de nível.

Apesar de seus estilos consideravelmente diferentes e seus respectivos heróis com peculiaridades inerentes à suas culturas, as raças possuem um balanceamento muito bem feito que reflete positivamente nas partidas multiplayer. Estas partidas suportam até oito jogadores simultâneos e podem ser disputadas nos formatos 1x1, 2x2, 3x3, 4x4, Free for All, Team Free for All e Diplomacy. Os destaques ficam por conta das modalidades Diplomacy, em que as alianças são forjadas ou não durante a própria partida, e o Team Free for All, em que mais de dois times se enfrentam. Uma função que pode agradar aqueles que não gostam de tomar um rush nos cinco primeiros minutos do jogo são as regras de tempo de rush, que podem forçar a paz entre os adversários por até trinta minutos.

Conquiste o mundo
As campanhas ???Conquer the World??? estão também presentes neste novo título da série e apresentam um mapa ao estilo estratégia por turnos, permeando os combates em tempo real. Esta modalidade de jogo está dividida em três partes que introduzem as principais raças que povoam o mundo de Aio. A cada interlúdio por este mapa, o jogador tem a liberdade de escolher qual território atacar, embora todos eles levem à mesma conclusão. Este modo, apesar de apresentar alguns elementos que chamam a atenção, falha na tentativa de prender o interesse do jogador na história, talvez também pelas dublagens medíocres dos personagens chave.

As ferramentas oferecidas ao jogador no modo multiplayer tiveram uma atenção bastante especial da Big Huge Games. Tem-se busca de jogadores, ferramentas para criação de clãs, mensageiro instantâneo com lista de amigos, salas de bate papo e gerenciamento de estatísticas de desempenho dos jogadores. O destaque deste sistema não é a originalidade, mas o fato de oferecer as ferramentas de uma maneira mais trabalhada e eficiente, dando um enfoque especial às comunidades, seja com as tradicionais trocas de mensagens instantâneas ou o módulo ???Play with a friend???, que possibilita a rápida criação de partidas com amigos em seu time ou como adversários. Este sistema atende bem às necessidades e expectativas tanto dos jogadores casuais como aqueles mais sérios.

Arquitetura fantástica
Visualmente, Rise of Legends é excelente. A arquitetura das construções é meticulosamente trabalhada e reflete com muita propriedade o estilo de suas respectivas civilizações. Já o ambiente, apesar de um tanto estático, é detalhado e bonito o suficiente para não deixar a peteca cair. Os personagens também são bem delineados e representam muito bem as diferenças culturais entre as raças. Além disso, a utilização da engine PhysX, da Ageia, que permite uma representação realista da física dentro do jogo, contribui imensamente para uma experiência gráfica mais realista nos combates.

Já o som é adequado. Embora as músicas pudessem ser um pouco mais empolgantes para combinar com a agressividade das batalhas, cumprem bem seu papel. Em contrapartida, os efeitos sonoros tiveram melhor tratamento e convencem plenamente. Bons exemplos da utilização destes efeitos são os disparos de dezenas de rifles simultâneos e o abafamento direcionado dos sons de batalhas que estão à distância, proporcionando uma idéia do que está acontecendo em suas proximidades e contribuindo para a imersão.

O Veredicto
Apesar de se valer em boa parte da mecânica e táticas tradicionais dos títulos de estratégia em tempo real, Rise of Nations: Rise of Legends consegue se destacar por introduzir uma perspectiva suficientemente nova e bem construída ao gênero. RoL não chega a ser uma obra prima, mas é um jogo sólido com interface muito acima da média, raças originais, cenários únicos e uma ótima jogabilidade que agrega ao seu gênero base elementos atraentes de estratégia por turnos, na mesma medida do seu famoso antecessor.

Prós:
  1. Civilizações originais e cativantes;
  2. Pouco microgerenciamento;
  3. Jogabilidade semelhante ao antecessor;
  4. Multiplayer balanceado;
  5. Excelente interface com usuário;
  6. Editor de cenários robusto.


Contras:
  1. História do modo campanha mal executada;
  2. Atuações medíocres na dublagem.



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Outer Space
8/ 10
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