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Review de Prey para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Com um enredo básico dos jogos de tiro em primeira pessoa, Prey conta a história de Tommy, um índio Cherokee que quer salvar sua namorada Jen das garras de cruéis alienígenas, mas acaba por salvar todo o mundo. Enfrentar extraterrestres não é exatamente o gancho mais criativo para um jogo de tiro; Doom, Duke Nukem, Half-Life, Unreal e Quake já usaram e abusaram do tema, e Prey não é nenhuma exceção ao clichê.

Em Prey, os alienígenas vêm ao nosso planeta com o objetivo de coletar os humanos como alimento, com o pretexto de que a humanidade existe para isso mesmo. Resta saber por que uma raça tão avançada em genética e biotecnologia mantém uma dieta rebelde e complicada como os seres humanos.

Cherokees X ETs


O jogo começa com Tommy no bar de sua namorada, Jen, tentando convencer a garota a sair da reserva Cherokee com ele. O avô de Tommy também está presente, tentando convencer o personagem principal de algo sobre sua herança indígena. Não demora muito para os três serem sugados por feixes de luz e levados à nave mãe alienígena, onde começa a aventura.

Inicialmente armado apenas com uma chave de fenda, o herói indígena logo irá expandir seu arsenal com armas biomecânicas dos alienígenas, todas bem interessantes: a primeira arma encontrada é um fuzil de assalto, que no disparo secundário se transforma em um sniper. Mais tarde o jogador encontra as granadas de mão, que são pequenas criaturas que explodem ao arrancar uma de suas pernas, e também podem se transformar em minas de proximidade, pregadas na parede.

Outra arma interessante é um fuzil que pode ser recarregado com diversos tipos de energia, como eletricidade ou fogo, incluindo um modo que congela as criaturas inimigas. Além disso, o personagem vai contar com uma metralhadora que também é um lança-granadas, uma arma de ácido, e um lança mísseis, que no disparo secundário cria uma névoa que funciona como um escudo, bloqueando qualquer ataque.

As armas são criativas, mas grande parte das idéias são altamente inspiradas por Half-Life e Unreal, deixando o mérito da inovação de Prey apenas no fato de combinar todas em um jogo só. O mesmo vale para os novos elementos de jogabilidade, que apesar de não serem todos inéditos em FPS, são combinados de uma forma inovadora em Prey, criando enigmas verdadeiramente interessantes.

O mais divertido de Prey está mesmo na resolução destes enigmas da jogabilidade, que geralmente envolvem inversões de gravidade, andar nas paredes, campos de força, portais aleatórios e viagens espirituais. Para deixar tudo ainda mais complexo, esses elementos costumam aparecer combinados: é comum o jogador ter que inverter a gravidade de uma sala para poder acessar um caminho polarizado que permite ao personagem andar nas paredes, para então entrar em um portal que vai levar Tommy a uma sala repleta de campos de força, onde ele deverá abandonar o corpo e entrar em uma espécie de viagem espiritual.

A idéia de abandonar o corpo e jogar com o espírito de Tommy é uma das mais criativas e divertidas de Prey. Além de ser indispensável para resolver grande parte dos enigmas, a viagem espiritual também é útil para despistar sistemas de segurança e até mesmo matar alguns inimigos. Além disso, quando a energia vital do personagem chega a zero, o espírito de Tommy é transportado para um plano espiritual, onde o jogador deve cumprir uma espécie de mini-game para ser ressuscitado. O resultado disso é que o herói Cherokee nunca morre de verdade ??? basta passar um tempo na beira da morte atirando em espíritos para voltar para pancadaria, e se o desempenho do jogador for bom no mini-game, a barra de vida pode voltar até cheia.

A ressurreição parece ser um fator determinante no nível de dificuldade do jogo, mas não é isso que caracteriza Prey como um FPS muito fácil. Afinal, os jogadores já habituados com o gênero estão acostumados com quicksaves e quickloads constantes, fazendo com que a imortalidade em Prey signifique apenas algo mais divertido para fazer do que esperar o jogo carregando.

O que realmente faz de Prey um jogo fácil é o combate. ?? raro enfrentar mais de dois oponentes simultâneos, e mesmo assim, a inteligência artificial destes poucos alvos passa longe de ser brilhante. Os inimigos até sabem jogar granadas, buscar cobertura, e outras coisas básicas que já são padrão no gênero desde o primeiro Half-Life, mas raramente eles te surpreendem com algo novo. E para deixar as coisas ainda menos desafiadoras, armas, munição e recuperação de vida são comuns no nível de dificuldade normal, e como é preciso vencer este para destravar o difícil, o jogador obrigatoriamente vai passar por uma jornada sem muita adrenalina.

A soma de todos esses aspectos deixa o modo singleplayer pouco desafiador, mas para não desperdiçar as armas criativas e as maluquices do cenário, Prey conta com um Multiplayer, que apesar de não ser um primor e estar limitado ao mais básico deathmatch, vale a pena jogar, e diverte por algumas horas.

Visuais apelativos


Usando o mesmo sistema gráfico de Doom 3, Prey não faz grandes variações no tema visto no jogo da id ou em Quake 4: os cenários são repetitivos, clássicos corredores biomecânicos espaciais. A repetição só não enjoa tanto por que o jogo é relativamente curto, estendendo-se a aproximadamente 8 horas de aventura.

E a temática biomecânica da nave abre portas para alguns pontos apelativos que os designers fizeram questão de explorar: portas com formatos estranhos que cospem pedaços de corpos humanos, paredes pulsantes, robôs com membros humanos e até formas orgânicas que lembram a genitália feminina são divertidas quando usadas com parcimônia, mas Prey abusa muito. Chega a ficar cansativo e tedioso esperar pela próxima perversão biomecânica dos produtores, que fica cada vez mais doentia.

Logo nas primeiras fases de Prey, o jogador topa com uma porta em que duas crianças pedem por ajuda. Não demora para uma dessas morrer, e em seguida retornar como fantasma e empalar a outra em um cano. Logo em seguida, o jogador se vê metralhando os fantasmas das crianças em frente a um ônibus escolar abduzido. Algo nonsense, que deixa a impressão de que a Human Head se esforçou para que o jogo levantasse alguma polêmica.

Sonoramente, Prey não deixa a desejar. Com uma pequena lista de canções licenciadas de bandas como Judas Priest, que aparecem pouquíssimo no jogo, e músicas orquestradas que compõem a trilha sonora original, o jogo consegue envolver por este quesito. As dublagens também são satisfatórias, mas nada que possa ser exaltado como um ponto positivo.

O Veredicto:
Prey chega com grandes pretensões, mas não cumpre com a maior parte delas. Apesar de inovar na jogabilidade com enigmas criativos e realmente desafiadores, o jogo perde muito no enredo mediano, no visual às vezes apelativo e na falta de graça do tiroteio. Recomendado apenas para os curiosos ou para aqueles que estejam muito carentes de um tiro em primeira pessoa neste meio de ano.


Prós:

- Armas criativas;
- Enigmas e cenários bem elaborados;
- Bons gráficos.


Contras:

- História clichê e sem graça;
- IA medíocre;
- Combates fáceis;


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