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Review de Saints Row para X360 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Produzido a partir do molde de Grand Theft Auto, Saints Row chega para mostrar mais uma vez que roubar carros, atirar em transeuntes e fugir (ou não) da polícia são atividades extremamente prazerosas para se fazer em um videogame. E além de tocar o terror na cidade de Stilwater, o jogador pode aumentar seu indicador de respeito participando de atividades ilegais e envolver-se em uma guerra de gangues, ao lado da facção criminosa 3rd Street Saints.

Pode não ser um novo GTA, mas o título tem todos os elementos necessários para agradar os fãs do jogo da Rockstar, que depois de tantos plágios, talvez já possa ser considerado o precursor de um novo gênero: ação criminosa. Saints Row é provavelmente a melhor e mais fiel cópia do estilo moderno de GTA, e ainda consegue trazer alguma inovação.

Cara mau #2482


Saints Rox começa com uma historinha básica: o personagem principal está andando pelas ruas da cidade e por um evento do acaso acaba sendo salvo por um poderoso chefe do crime organizado. Como conseqüência, é convidado para se juntar à facção criminosa 3rd Street Saints. A partir daí, se desenrola um razoável enredo envolvendo guerras de gangues e interesses, no qual o personagem do jogador toma parte. Não seria um bom pano de fundo se não estivesse fortemente temperado com elementos da cultura ???gangsta??? dos Estados Unidos.

Antes de começar o jogo, é possível customizar a aparência do personagem à vontade, em um editor semelhante ao de The Sims 2. Durante a jornada esse visual pode ser modificado, e existem roupas, tatuagens e acessórios que podem ser comprados e usados, possibilitando múltiplas combinações na aparência. Mas, mesmo com todos esses opcionais, é muito difícil que o jogador fique apegado ao personagem. Na tentativa de ser o mais genérico possível, a produtora Volition se distanciou bastante da ambição de ter um personagem central carismático e marcante, do tipo que será lembrado pelos fãs por longo tempo, como é o caso de Tommy Vercetti e CJ dos últimos GTAs. Muito pelo contrario: por detrás de todo visual está o clássico arquétipo ???oco???, que não fala nada e mantém uma mesma expressão de ???cara mau??? por todo tempo.

Já os coadjuvantes não sofrem deste mal: existe uma grande diversidade de personagens com características únicas e marcantes. Até mesmo os mais genéricos membros de gangue são interessantes, apesar de que o largo número de mulheres nas facções criminosas pareça muito forçado, levando a crer que em Stilwater garotas têm uma propensão ao crime bem maior que no resto do mundo.

Carros roubados e tiroteios


O estilo de jogabilidade de Saints Row é exatamente o mesmo de GTA, misturando tiroteios em terceira pessoa e pilotagem de carros eventualmente roubados. São inevitáveis comparações entre os dois jogos, mas é exatamente nessas semelhanças de jogabilidade que o jogo se destaca: os produtores se esforçaram em ???consertar??? tudo aquilo que incomodava os fãs de GTA, e aprimorar os atrativos do estilo.

A história principal do jogo é desenvolvida de forma não-linear nas missões. Para participar dessas, o jogador precisa ter alcançado certo grau de respeito no submundo de Stilwater. A melhor forma de se obter respeito é participando de atividades criminosas variadas na cidade, que funcionam como minigames. São diversas opções: escoltar traficantes, forjar acidentes, ???roubar??? prostitutas de cafetões rivais, assassinatos, e até mesmo uma em que tudo que o jogador deve fazer é causar certa quantidade de dano em uma área da cidade, matando pessoas, explodindo carros e destruindo trens: o massacre caótico institucionalizado. Além disso, é possível obter respeito com eventos ocasionais, como seqüestrar os passageiros de um carro roubado e cobrar resgate, ou assaltar lojas, render o vendedor e saquear o cofre.

Não é difícil encontrar as atividades pelo mapa da cidade. Na verdade, não é difícil encontrar qualquer coisa que seja, já que o mapa conta com um sistema em que basta escolher um destino que uma rota de carro é calculada automaticamente. Uma opção simples que facilita muito para encontrar os locais da vasta Stilwater.

Mas, no design dos carros e da cidade Saints Row mostra alguns pontos fracos. Stilwater não é um lugar muito interessante de ser explorado, e tem uma paisagem bem repetitiva. Já os carros estão longe de ser um primor de design, e apesar de uma boa variedade de veículos, esses não têm aparência muito variada. ?? possível, pelo menos, ???tunar??? os automóveis em oficinas, o que pode melhorar (ou piorar) a aparência do veículo, e acrescentar nitro ou suspensão hidráulica (low rider). As implementações são mais baratas que roupas novas, mas é um preço justo: carros não contam com uma vida útil longa em jogos desse estilo. ?? notável que não existam veículos aéreos, lanchas ou motos no jogo -- uma ausência imperdoável. Ao menos as motos deveriam ser obrigatórias, e transitar em uma cidade sem essas deixa sempre a impressão de que algo está faltando.

Já a batalha de gangues, que é o foco da campanha single player, é excelente: o jogador tem certa liberdade em atacar as bases das gangues inimigas quando achar melhor, e com isso dominar o território dos mesmos, o que rende um bom dinheiro no cofre do personagem. Eventualmente, as gangues rivais atacam os territórios do jogador e é preciso correr até lá para ajudar os companheiros de crime na defesa da área. Um elemento estratégico muito bem-vindo e um dos pontos altos do jogo, ainda que, mais uma vez, claramente plagiado de GTA San Andreas.

Saints Row é uma mímica de GTA, mas não quer dizer que o jogo esteja no mesmo nível. Falta um pouco da ironia e refinamento dos mafiosos de GTA, assim como cidades criativas como Vice City ou San Andreas. Saints Row é mais escrachado, por ser possível ???contravenções??? como fumar maconha, dirigir bêbado, fazer um seqüestro relâmpago e curtir todas divertidas conseqüências da vida do crime em geral.

Gangsta Online


O multiplayer já é um ponto forte apenas por existir já que, oficialmente, GTA só teve este modo em Liberty City Stories do PSP. Mas para alegria geral, os produtores se esforçaram em criar algo divertido de ser jogado. Além dos tradicionais deathmatch (mata-mata individual ou em equipe), existem os seguintes modos criativos: Big-Ass Chains, em que deve-se coletar colares dos inimigos e levá-los de volta à base; Protect tha Pimp, em que duas equipes se enfrentam para tentar assassinar o cafetão inimigo, e proteger seu próprio cafetão; Blinged Out Ride, com equipes se enfrentando em carros e com chances para ???tunar??? o veículo no decorrer do jogo; e um modo cooperativo em que os jogadores fazem missões juntos. Com tantas opções é provável que cada jogador encontre o seu favorito, mas Protect tha Pimp e Blinged Out Ride são os modos mais criativos e diferentes.

Visualmente, Saints Rox está muito bem, com texturas interessantes e ótimas animações de personagens. Mas o que surpreende neste quesito são os ótimos efeitos: a luz é sempre em tempo real, e a iluminação varia dependendo do horário do dia. ?? possível ver as sombras dos prédios acompanhando o movimento do sol, entre outros. Os reflexos nos carros também são bem convincentes, e as explosões e demais efeitos cumprem seu papel.

Além disso, o sistema de física do jogo é ótimo e um tanto mais complexo que o de GTA. Nunca foi tão divertido descarrilhar trens, derrubar postes, destruir carros e observar as várias partes do veiculo voando pelo cenário. As ???ragdolls??? (física para movimento dos membros do corpo) também cumprem um papel importante no jogo: além de possibilitar vários efeitos interessantes com os corpos dos oponentes voando em tiroteios e explosões, outros efeitos como pessoas voando pelo pára-brisa em colisões de veículos são igualmente interessantes de serem observados.

Porém, existem alguns grandes defeitos visuais: a distância de desenho é muito pequena e os carros e pessoas aparecem e desaparecem no horizonte, às vezes até em distâncias menores. Atrapalha bastante ser surpreendido por um carro que aparece no meio do caminho durante uma ré. Além disso, mesmo nas partes centrais a cidade aparenta estar bem vazia.

Outro incomodo é a taxa de quadros por segundo baixa durante cenas de muita ação com carros em alta velocidade, algo que acontece bastante. Mas apesar de tudo, o visual é bom, embora aqueles que não têm uma HDTV em casa poderão se decepcionar: as belas texturas do jogo ficam dignas de um GTA 3 de PS2 em uma TV convencional.

Já a parte sonora do jogo é impecável. As trilhas das rádios são excelentes, contando com musícas clássicas, rap com bastante Wu Tang Clan, reggae e muito mais. Até bandas ???alternativas??? como Editors estão presentes, e para o caso improvável de um jogador ficar insatisfeito, é possível acrescentar músicas do HD do Xbox 360. Igualmente bons são os efeitos de som e as dublagens que trazem fielmente o vocabulário sem pudor altamente carregado de gírias dos gangsta americanos (legendas altamente recomendadas).


O Veredicto:
Saints Row peca por ser um plágio descarado de GTA, mas é exatamente na extrema fidelidade à sua fonte de inspiração que está suas maiores virtudes. O jogo traz quase tudo que se vê em um GTA, desde o mínimo detalhe do layout de menus às idéias para as missões, mas ainda sobra espaço para uma ou outra inovação interessante. Com um modo multiplayer e visuais mais sofisticados graças ao hardware do Xbox 360, é uma ótima oportunidade de prever um pouco do que o gênero terá a oferecer na nova geração, antes que o autêntico GTA chegue.


Prós:

- Divertido como nunca provocar o caos;
- Trilha sonora excelente;
- Bom visual;
- Multiplayer divertido.


Contras:

- Plágio sem pudor de GTA;
- Distância de desenho curta;
- Ausência de motos;
- Eventuais quedas de fps.


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