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Review de Mage Knight: Destiny's Soldier para DS de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Mage Knight: Destiny???s Soldier é um jogo de estratégia em turnos, convertido diretamente do famoso jogo de miniaturas colecionáveis de mesmo nome produzido pela WizKids. Nele, os jogadores são warlords (senhores da guerra) que montam exércitos de guerreiros, magos e criaturas fantásticas para lutarem pelo controle de The Land -- como o mundo é conhecido -- utilizando-se de magia, tecnologia e muito raciocínio. Várias raças fantásticas como trolls, anões, elfos e orcs habitam este mundo, reunindo-se em facções que estão em guerra umas com as outras pelos mais diversos motivos: recursos, magia ou terras.

A história de MK: DS se inicia quando o herói é escolhido pelos deuses para combater os Dark Crusaders, cujas poderosas magias estão ameaçando destruir The Land e todas as criaturas que nela vivem. Para proteger o futuro, o herói do jogo aceita a missão de percorrer um mundo em guerra, derrotando uma onda interminável de adversários, na forma de exércitos das diversas facções do jogo. O enredo não chama a atenção, nem as demoradas conversas entre os personagens, recheadas de clichês, o que deixa ambos em segundo plano. Existem vários heróis a serem selecionados, cada um com suas próprias habilidades, forças e fraquezas, mas a história permanece sempre a mesma, não importando o personagem utilizado.

Para construir seu exército, o jogador recebe uma quantidade de pontos com os quais recruta novas unidades. Cada tipo de unidade possui três níveis de poder, medido em estrelas (as unidades de uma estrela são mais fracas e as de três são as mais fortes). Quanto mais poderosa a unidade, mais pontos ela irá custar, tanto para adquiri-la, quanto para montar seu exército na hora da batalha. Uma mesma unidade pode apresentar habilidades diferentes de acordo com suas estrelas, como por exemplo, o Tempest Priest, cuja versão de uma estrela possui a habilidade de curar outras unidades, enquanto as de duas ou três não a possuem. Estas, no entanto, são mais poderosas em suas estatísticas de ataque e dano.

Antes de iniciar o combate, o jogo irá atribuir uma pontuação máxima para o exército a ser utilizado naquela batalha, e o jogador deverá selecionar, dentre suas unidades, aquelas que irão participar da peleja, respeitando a pontuação permitida. Com isso, diversas configurações podem ser realizadas, buscando as unidades que tenham melhor sinergia para facilitar a luta.

Cada unidade possui diferentes valores de ataque, defesa, velocidade e dano, além de diversas habilidades especiais. Uma mecânica interessante em MK: DS é o fato de estes valores variarem na medida em que a unidade recebe danos, tornando-se mais lenta e fraca, ou mesmo mais poderosa e adquirindo habilidades diferentes, como uma fúria devastadora contra aquele que a feriu. Isso exige um uso mais inteligente das peças, que podem mudar suas características no decorrer do confronto.

A ação acontece em turnos, nos quais o jogador ou o computador pode movimentar uma quantidade de peças de acordo com a pontuação do exército (entre duas e quatro, normalmente). Cada peça, ao ser movimentada, recebe um marcador, e caso seja movimentada novamente no turno seguinte, receberá um ponto de dano devido ao esforço excessivo, o que torna necessário saber posicionar o exército de forma a evitar a exaustão das unidades, ou mesmo saber quando forçá-las a receberem dano para conseguir uma vantagem extra no campo de batalha.

Controle... Controle?!?


Todo o controle da batalha é realizado pela touch screen, mas a programação do mesmo não é eficiente. As unidades são movimentadas dentro de um sistema de clicar-e-arrastar que não funciona muito bem, demandando atenção especial do jogador para não posicionar sua peça de maneira errada ao soltar a caneta e notar seu guerreiro um passo pro lado de onde realmente deveria estar. Além disso, as peças possuem um ???arco de visão??? que pode ser girado para apontar para seus inimigos, mas este se torna quase inacessível quando duas ou mais peças se encontram, dificultando que a unidade se volte para seu adversário para poder atacá-lo. As telas contam com diversas informações, todas expressadas com ícones de difícil memorização (devido à quantidade dos mesmos), e em alguns momentos podem confundir.

O ataque é realizado com a seleção da ação de ataque (corpo a corpo ou à distância) e depois a confirmação de um dos possíveis alvos, selecionados de acordo com o alcance e o arco de visão da unidade. O sistema então apresenta dois dados que são rolados usando a caneta stylus, e o seu resultado, somado ao valor de ataque da unidade, deve ultrapassar o valor de defesa do inimigo. Caso isso ocorra, o mesmo receberá danos e suas estatísticas mudarão, sendo apresentadas na tela de cima.

A parte estratégica e estatística do jogo, apesar de apresentar muita informação de maneira confusa, é bastante inteligente e original. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito da IA, que parece não ter recebido muitos esforços dos programadores, e é facilmente enganada e derrotada. A dificuldade do jogo aumenta em níveis elevados devido às melhores unidades disponíveis para os exércitos inimigos, e não devido a estratégias bem elaboradas. Os mapas não são muito elaborados, ou mesmo variados, e algumas fases parecem repetidas, e a repetição de truques utilizados anteriormente funciona bem o tempo todo.

Na parte gráfica, Mage Knight DS é muito simples, mas cumpre seu papel com personagens feitos em 2D bastante similares às miniaturas originais. A trilha sonora é praticamente inexistente, e os efeitos sonoros são chatos e repetitivos, exceto pelo rolar dos dados, que acrescenta uma emoção a mais para aqueles que já jogam a versão original de MK.

Talvez um dos maiores defeitos do jogo esteja em seu modo único de jogo. Existe apenas o modo de campanha, deixando uma sensação desagradável da ausência de modalidades multiplayer nas quais dois ou mais jogadores poderiam testar seus exércitos um contra o outro.


O Veredicto:
Mage Knight DS é recomendado primeiramente para aqueles que jogam a versão original com miniaturas plásticas e dados e, na impossibilidade de combinar uma partida em sua casa, pode se divertir sozinho com o DS. Apesar de um pouco repetitivo, o jogo conta com sistemáticas diferenciadas, adicionando um novo tempero à mistura da estratégia baseada em turnos. Os controles difíceis atrapalham, mas após algumas batalhas é possível contornar esta limitação. O rolar dos dados e a emoção de aguardar seu resultado acrescentam emoção ao gênero que, normalmente, depende de estatísticas imutáveis tornam a jogabilidade tediosa. Este é um refresco para o gênero, apesar dos pontos fracos apontados em sua parte técnica.


Prós:

- O emocionante rolar dos dados que define o sucesso ou fracasso;
- Poder jogar MK sozinho;
- Respeito à história e ambientação do jogo original.


Contras:

- Baixa qualidade do som;
- Gráficos aquém das possibilidades do NDS;
- Programação ruim que dificulta a jogabilidade em certos momentos;
- Não conta com modos de jogo para mais de um jogador.


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