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Review de Okami para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


O visual que parece uma pintura em movimento é o maior atrativo para experimentar Okami, mas o conteúdo da aventura não decepciona: um enredo de fantasia acompanhado por uma jogabilidade inovadora, que combinados formam um dos melhores jogos de ação e aventura do PS2.

Okami/O-kami


Okami, traduzindo literalmente significa ???lobo???, mas se for lido de forma pouco diferente, como o-kami, também pode significar ???Deus superior???, sendo que kami é a palavra usada para designar ???divindade???. A partir dessa pequena brincadeira nipônica com as palavras, é possível desvendar a base do personagem principal do jogo: uma encarnação da Deusa-Sol Amaterasu em um lobo branco, que vem ao mundo fantástico de Nippon para combater espíritos malignos e restaurar a natureza, usando as 13 técnicas celestiais de pintura.

A ambientação fantástica de Okami é uma espécie de Japão feudal-mitológico, com fortes elementos de fantasia. Mas não uma fantasia a la Final Fantasy, e sim algo mais próximo do estilo de Hayao Miyazaki (Princesa Mononoke, Viagem de Chihiro e Castelo Animado). A grande sincronia existente entre o visual, o som, o enredo e a jogabilidade são definitivos para compor esse estilo com grande autenticidade.

?? fato que a história de Okami é bem interessante, mas talvez ela tenha sido um pouco superestimada pela equipe de produção do jogo: grande parte do enredo é apresentado em uma longuíssima introdução com uma pesada carga de texto, e é difícil segurar atenção de jogadores ansiosos por ação com textos e desenhos simples. A demora não seria um defeito tão grande, mas acontece que depois de tanta leitura, as primeiras horas de Okami funcionam quase como um tutorial, cheio de texto e explicações excessivamente didáticas que deixam o jogo sem ritmo.

Assim como a fada Navi, de Zelda, o lobo herói aqui é acompanhado de um pequeno ser chamado Issun, que, com a voz parecida com a de um ser de Animal Crossing, provê algum alívio cômico para a jornada e praticamente segura a mão do jogador na hora dele enfrentar os quebra-cabeças. Não há puzzle que resista a um ???spoiler??? de Issun: ???Está vendo aquele lugar? Por que você não experimenta usar seu pincel mágico aqui e acolá para chegar até lá???. Boa parte da resolução de enigmas funciona mais ou menos assim.

Depois de umas boas três horas iniciais, o problema melhora um bocado e o jogo fica um pouco mais ágil, mas até lá muito jogador pode perder a paciência. Ainda assim Okami vale o esforço das primeiras horas. ?? medida que o jogo vai evoluindo, novas opções de jogabilidade vão aparecendo na forma de técnicas de pintura que o personagem aprende no decorrer do jogo. A pintura funciona da seguinte forma: em qualquer momento, o jogador pressiona R1 para que apareça uma tela em que é possível desenhar usando um dos direcionais analógicos. Cada técnica de pintura é representada por desenhos simples, a exemplo de círculos que podem ser usados para desenhar um sol, ou pontos para fazer estrelas. A principio, parece complicado e difícil desenhar pelo direcional analógico, mas os movimentos dinâmicos e lineares acabam simulando bem a técnica do Sumiê, que consiste em pinceladas firmes e certeiras.

A pintura é bastante usada em puzzles, combates e outras ações variadas. Os puzzles oferecidos pelo jogo são, em geral, interessantes, e apesar de nenhum apresentar um grau de dificuldade grande, boa parte deles são curiosos e criativos, usando os elementos de jogabilidade de forma completa e interessante. Já os combates não compartilham do mesmo brilho. O jogo começa com pelejas bem simples e fáceis, e nem mesmo com a evolução normal dos desafios do jogo, e aparição de novos elementos de jogabilidade, os combates passam a ser mais complexos. A única exceção são os chefões, que exigem um pouco mais do jogador, e geralmente apresentam dificuldade maior.

Além das técnicas de pincelada, a encarnação canina de Amaterasu evoluiu em outros aspectos durante o jogo: à medida que o jogador faz ações ???milagrosas???, como salvar uma floresta ou alimentar animais, ganha pontos de ???louvor???, que funcionam como experiência e podem ser usados para aumentar alguns atributos do lobo, que na pratica não faz tanta diferença assim. Outro jeito de evoluir é adquirindo novas armas para o personagem, sendo que a inicial é uma espécie de disco refletor solar, que fica flutuando acima de Amaterasu. Um pequeno defeito é que mesmo que o jogador tenha trocado seu disco por um colar de flores ou algo ainda mais estranho, o disco continua aparecendo durante as cenas de corte. Apenas um erro bobo de coerência, mas é algo que não passa despercebido.

Pinceladas de Sumiê


A jornada de Okami tem conteúdo suficiente para destacá-lo como um excelente jogo de aventura, mas são os quesitos técnicos que sobressaem. O visual é soberbo, um cel-shaded bem caprichado que prova que um jogo não precisa mostrar bilhões de polígonos por segundo em uma tela para ser deslumbrante. Além das cores muito bem usadas, o contorno pincelado dos objetos e personagens e até relevos na tela deixam tudo com o aspecto impecável de uma pintura japonesa. As pinceladas de nanquim no jogo imitam a milenar técnica do Sumiê, em que é mais importante retratar a essência de um elemento, sem se perder em detalhes.

Formando um conjunto harmônico com os gráficos, a parte sonora do jogo não decepciona. A trilha sonora é bem envolvente, e segue o mesmo estilo de simplicidade criativa presente em todo título, assim como as dublagens, que ao contrário de falas verdadeiras são apenas murmúrios que dão a impressão de que uma língua de outro universo está sendo falada. Os efeitos sonoros são igualmente simples, mas cumprem bem sua função, com destaque para os latidos de Amaterasu.

O Veredicto:
Com um visual deslumbrante, Okami é o tipo de jogo que deve agradar a quem assiste quase tanto como a quem o joga. Mas há mais que uma bela pintura em movimento neste caso: a aventura é muito interessante (lembra Zelda em alguns momentos), assim como a mecânica baseada em pinceladas e o enredo. Recomendado para quem aprecia uma boa aventura e está disposto a experimentar algo inovador.


Prós:

- Visual cel-shaded deslumbrante;
- Jogabilidade criativa;
- Fantasia ao estilo de Myiazaki;


Contras:

- ???Arrancada??? do jogo lenta;
- Combates bem fáceis.


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