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Review de Valkyrie Profile 2: Silmeria para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Comandado pela equipe da Tri-Ace, surge a continuação do bem-sucedido ??? ainda que obscuro ??? Valkyrie Profile, o RPG publicado pela Enix nos finalmentes da era PSone. Seis anos depois do lançamento do primeiro título, Valkyrie Profile 2: Silmeria chega prometendo muito. Com belos gráficos e novos personagens, o jogo chama atenção; mas acaba pecando pela jogabilidade arrastada, dificuldade elevada e o fato não trazer grandes inovações.

Guerra Celestial


Valkyrie Profile 2 conta a história de Silmeria, uma valquíria exilada de Valhalla por Odin e que busca vingança a qualquer custo. Como apenas uma valquíria pode habitar Midgard ??? o mundo dos homens ??? Silmeria se vê obrigada a dividir sua existência com Alicia, a bela e ingênua princesa do reino de Dipan. Juntas, as duas buscam um simples objetivo: depor Odin, de forma que os humanos não mais precisariam dos deuses para nada. E nessa nada fácil aventura elas contarão com a ajuda inúmeros personagens estereotipados que variam entre magos arrogantes, guerreiros brutamontes, arqueiros engraçadões e mulheres fisicamente bem-dotadas. O enredo, repleto de elementos retirados da mitologia nórdica, é realmente interessante, mas o modo arrastado como se desenvolve prejudica muito o andamento do jogo.

Ao contrário do que se esperava, os eventos transcorrem de forma extremamente linear. ?? medida que a história se desenrola, o jogador vai intercalando visitas a pequenas cidades e dungeons repletas de monstros, sem dar muita opção a respeito de onde ir ou o que fazer. Viajar pelo mapa é outra idéia completamente esquecida. Nos breves momentos em que se pode ver o belo e vasto mapa do mundo, basta clicar onde quer ir e pronto, o que dá um ar desconexo ao enredo.

A linearidade está presente também na jogabilidade, que se baseia nos antigos jogos de plataforma bidimensionais. O movimento dos personagens no cenário ocorre somente lateralmente, salvo pelos momentos em que um toque no direcional para cima ou para baixo fará o personagem entrar em portas ou coisas do gênero. Não se pode nem mesmo girar a câmera, o que deixa a interface extremamente pobre e limitada, principalmente quando se leva em consideração os admiráveis gráficos 3D e a capacidade do console. A frustração do jogador vai ser grande inicialmente, mas com um pouco de força de vontade é possível ignorar esse fato e aproveitar o que a interface tem a oferecer.

As cidades são todas muito similares e nelas não há muito que fazer além de conversar com transeuntes, comprar coisas e invadir casas alheias em busca de baús. Já dentro das dungeons, o jogador pode atirar feixes de fótons que congelam os inimigos, transformando-os temporariamente em plataformas ou apenas impedindo que eles ataquem. Atirando duas vezes, o jogador troca de lugar com o monstro numa espécie de teletransporte, que é a chave para a grande maioria dos quebra-cabeças do game. ?? possível ainda atacar os inimigos, o que, tecnicamente, não serve para nada além de levar o jogador à tela de combate. Outro ponto negativo é que muitas vezes as dungeons não levam a lugar algum e, quando se chega ao final e vence o chefe, o jogador terá de voltar andando por todo o caminho, além de lidar novamente com todos os monstros, que ressurgem das cinzas cada vez que se muda de tela.

Os combates, que combinam de forma satisfatória ação por turnos e ação em tempo real, são um dos pontos altos de Valkyrie Profile 2. Neles sim é possível movimentar-se livremente pelo cenário e girar a câmera, pontos cruciais para a criação de estratégias de combate. O sistema é um tanto quanto complicado e com certeza os jogadores levarão certo tempo para se acostumarem. O jogador tem todo o tempo do mundo para pensar antes de agir, pois enquanto os personagens estão parados os monstros também não se movem. A partir disso varias possibilidades surgem, como dividir o grupo em dois para flanquear os inimigos, usar magias, golpes especiais, entre outras coisas. Mesmo os ataques normais merecem atenção, pois combinar o ataque de cada um dos personagens nos momentos certos pode garantir a vitória. O grande problema em relação aos combates é que eles são freqüentes demais e difíceis demais. Apesar de ser possível evitar as lutas com o uso dos feixes de prótons, fazer isso só vai complicar a vida do jogador mais para frente, ou seja, é praticamente necessário enfrentar os inimigos sempre que puder.

Complicações épicas


Apesar de seguir quase que integralmente a mesma linha de jogo de seu antecessor, Valkyrie Profile 2 traz algumas novidades, dentre elas as soulstones, a possibilidade de se aprender habilidades, a presença de ataques especiais, criação de itens e mais alguns outros. O grande problema é que esses detalhes foram colocados como questões-chave para o bom andamento do jogo, mas a interface complicada dos menus acaba deixando tudo muito complexo, transformando as novidades em fatores complicadores e fazendo com que o jogador acabe perdendo o interesse.

Os gráficos, por sua vez, são admiráveis. Tanto na movimentação pelos mapas quanto na hora dos combates, as texturas e iluminação se destacam pela alta definição e por utilizar bem a capacidade do console. Porém, a movimentação de Alicia pelos mapas é muito brusca e definitivamente merecia uma atenção maior; assim como as dublagens dos CGs.

A dificuldade é outra característica que pesa contra Valkyrie Profile 2. Como já foi mencionado, os combates são muito constantes e vencê-los nem sempre é uma tarefa fácil. Até que se acostume com o modo de combate, os jogadores passarão por maus bocados nas mãos dos inimigos, que costumam ter o irritante hábito de atacarem pelas costas e de causarem danos monstruosos a cada ataque. O preço elevado dos todos os itens complica ainda mais a sobrevivência dos personagens e reforça a necessidade de se enfrentar todos os inimigos que aparecerem em busca de evoluções de nível -- inclusive mais de uma vez, se for possível. Esta dificuldade do combate é uma das maiores frustrações do jogo e tem conseqüências na má fluidez da aventura: é necessária muita boa vontade para que o jogador vá até as mais de cinqüenta horas de jogo necessárias para concluir a aventura.

Musicalmente, Valkyrie Profile 2 não se destaca, mas consegue agradar. A trilha sonora, também inspirada na mitologia nórdica, é tranqüila e agradável de se ouvir e, às vezes, chega a lembrar as músicas de Ragnarök Online, o que não é coisa ruim. A dublagem poderia ter sido melhor trabalhada, pois muitas vezes as vozes soam inexpressivas e refletem essa imagem aos personagens.

O Veredicto:
Valkyrie Profile 2: Silmeria tinha tudo para ser um clássico do gênero RPG. Com um enredo interessante, gráficos belíssimos e uma trilha sonora envolvente, o jogo com certeza irá atrair fãs e curiosos; mas os personagens superficiais, interfaces ruins, jogabilidade complicada e dificuldade elevada fazem com que a aventura deixe a desejar.


Prós:

- Belos gráficos;
- Enredo rico;
- Sistema de combate inovador.


Contras:

- Muito difícil;
- Jogabilidade arrastada;
- Menus complicados;
- Personagens estereotipados.


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