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Review de Scarface: The World Is Yours para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Imagine que se, ao final do filme Scarface de Brian de Palma, o fim de Tony Montana não tivesse sido a morte certa com o ataque à sua mansão. Imagine que, ao sobreviver à carnificina, o mafioso tem que começar do zero para reconstruir seu império de tráfico de drogas em Miami e vingar-se de seus algozes. Esta é a premissa de "Scarface - The World is Yours".

Intimidação à cubana


Ambientado no início dos anos 80, Scarface: The World is Yours coloca o jogador na pele de Tony Montana, o famoso traficante cubano vivido por Al Pacino nos cinemas. Ele está lá, com seus trejeitos e xingamentos inconfundíveis. Aliás, xingamento é o que não falta neste jogo. O filme já é reconhecido por ter a palavra ???fuck??? repetida inúmeras vezes por minuto, e no jogo não poderia ser diferente. Gritar palavrões e ofender as pessoas é um recurso importante para conseguir respeito. Como? Aí vem a parte divertida: dentro do jogo você tem um medidor de ???balls???, ou em português culhões, que vamos denominar aqui de ???culhômetro???. Tony ofende a tudo e a todos com um simples botão ao seu alcance. Nas ruas você consegue respeito necessário para voltar a ter fama de casca grossa ???tirando??? as pessoas pelo caminho. Mulheres, senhores de idade, maloqueiros folgados. Não sobra pra ninguém. E quanto mais ofensa, mais seu nível de caracu com ovo sobe.

Durante suas matanças isso também é necessário. A cada sujeito que você mata, é preciso ofendê-lo no melhor estilo Tony Montana. Quando seu culhômetro finalmente fica cheio, você ativa um recurso que libera todo o ódio do traficante.

Alguns diálogos que surgem ao longo do jogo são engraçadíssimos. Por exemplo, em uma determinada cena você entra em uma balada, e na pista tem um mané dançando. Você começa a discutir com ele até que o sujeito diz ???Hey cara, entra no clima da pista, mexe o corpo???. E Tony prontamente responde ???Cabrón, a única coisa que eu vou mexer aqui é meu punho em direção à sua boca???. E por aí vai.

El juego


Não há como negar, Scarface: The World is Yours é a cara de GTA Vice City, mas sem a mesma inspiração. A movimentação do personagem pela cidade, as perseguições de carro, a liberdade de ir para onde quiser, está tudo lá. O jogador realiza missões como vender drogas, perseguir e ameaçar seus rivais. Com a grana que vai ganhando no negocinho sujo, é possível reformar a mansão de Tony, que foi destruída, comprar carros, armas, contratar capangas... Enfim, erguer novamente seu reino.

As missões acabam sendo um tanto quanto repetitivas, principalmente naquelas em que se tem que ???matar, matar e matar???. O sistema de mira é automático, mas ainda é possível mirar para pontos estratégicos dos oponentes, como pernas, ombros, cabeça e até nas, ahn, bolas. Durante os ataques de ???ódio??? de Tony, quando ele descarrega seus culhômetros, a tela adquire aspecto de primeira pessoa e todos os tiros serão certeiros. Ao final, ele ainda recupera um pouco de energia. Ter culhões, portanto, é bem útil quando o herói estiver passando por problemas.

Não é difícil pegar o jeito, mas prepare-se para esquivar de milhares de tiros. Há muitos vagabundos tentando matar Tony o tempo todo. E o jogador verá muito sangue. Excesso mesmo, só que o sangue aqui parece blocos de gelatina de framboesa voando para os lados. Toneladas de pixels de hemoglobina.

Pode-se chamar Tony Montana de honrado. Pois é, diferente de GTA, você não pega sua arma e sai matando civis a esmo. Nem adianta chegar estressado do trabalho ligar o jogo esperando matar um monte de executivos, mocinhas e aposentados, a fim de descontar sua raiva do mundo. Deixe seu lado psicótico descontrolado na gaveta. Tony Montana não atira em civis pelas ruas, não senhor. Ele só mata integrantes de gangues rivais e policiais. Neste caso, a polícia não traz tanques e helicópteros com soldados para te prender. Aqui, se o personagem controlado chama muita atenção da polícia, aparece um timer no canto da tela, em contagem regressiva. Se ele não despistar a polícia até o tempo do timer acabar, é game over.

Tirando a matança, você pode relaxar pela cidade aproveitando tudo o que um magnata do tráfico tem: curte sua mansão, dá voltas pela cidade em seus carros de luxo, conversa com as pessoas e ???encontra??? mulheres.

Dinheiro, obviamente, é muito importante aqui: Tony precisa dele inclusive para ganhar notoriedade, o que é essencial para abrir novas missões. Conquistar este reconhecimento exige tempo e o andar do jogo é lento, exigindo alguma paciência por parte do jogador, embora haja várias ???side missions??? para auxiliar nesta escalada, como tarefas pequenas para revender drogas para traficantes espalhados em pontos estratégicos. Assim, o jogador vai conquistando território, aumentando as vendas e colhendo os lucros.

Tony não deve andar com toda sua grana nos bolsos (afinal, trafica que é trafica sabe ???muquiar??? dinheiro). Depositar dinheiro no banco não é tão óbvio quanto bater na porta e falar com seu gerente. Antes é necessário fazer a ???lavagem??? do montante, utilizando o sistema de ???medida sucesso??? do jogo, que consiste em apertar um botão e soltar quando alcançar um determinado ponto no medidor. Este sistema é usado em outras tarefas também, como na hora de intimidar alguém pelas ruas ou repassar cocaína por um valor mais alto aos revendedores. Não é muito complicado, mas dá uma sensação de ???agora não posso estragar tudo???. Aquele friozinho na barriga é necessário para tornar seu sangue cada vez mais frio.

A trilha sonora é até bacana, tem de Motorhead a Run DMC. Estão lá as músicas cubanas, é óbvio, para trazer o espírito latino à tona e resgatar as raízes de Tony Montana, e mais uma bela seleção de canções do início dos anos 80. Mas quem gostava o sistema de rádios de Vice City pode se frustrar um pouco: desta vez, as músicas tocam aleatoriamente.

Sorry mamacita


Scarface é um jogo que tinha muita coisa para ser ótimo, mas acabou ficando sem graça. A fórmula de GTA já ganhou diversos ???clones???, mas para um jogo baseado em um filme tão bacana, era de se esperar mais. A grande estrela, Tony Montana, realmente se destaca por ser um personagem tão marcante e divertido. Al Pacino escolheu pessoalmente o dublador para substituir sua voz no jogo, e André Sogliuzzo não desponta na interpretação. Só que um personagem sozinho não segura o jogo, e chega um certo momento que fica cansativo, ainda mais por que a matança e o tiroteio é usadao em excesso.

A quantidade de pessoas que se mata no jogo é absurda, e um tanto quanto inverossímil. Veja bem, se o jogo é para ser realista, não se pode acreditar que um sujeito entre sozinho em um quarto de hotel e mate 80 capangas armados. Primeiro porque ele é Tony Montana, e não é ingênuo a ponto de achar que fazer uma coisa dessas vai ser simples. Nenhum velhaco nos negócios faria isso. Mas ele faz, e é aí que a coisa fica um pouco falsa demais. Quem gostou de GTA Vice City, vai se divertir com este jogo, mas vai sentir a aura de ???mais do mesmo???.

O Veredicto:
Apesar de colocar você na pele de Tony Montana, um dos gângsteres mais legais de todos os tempos, o Scarface: The World is Yours não impressiona por ser muito parecido com GTA Vice City e algumas missões serem repetitivas no gênero "matança". O "Culhômetro" é bacana para dar algumas risadas, mas, neste caso, é preciso entender bem o inglês (inclusive gírias).

Prós:

- Tony Montana;
- "Culhômetro".


Contras:

- Missões repetitivas;
- Fórmula não inovadora;
- Cenários "indoor" mal-renderizados;


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