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Review de Bully para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


A mãe de Jimmy Hopkins resolveu casar-se de novo com um ricaço. Para aproveitar a lua-de-mel, ela resolveu deixar o filho em Bullsworth, um colégio interno muito rígido -- e cheio de gente querendo arrumar confusão. Agora, Jimmy precisa mostrar pra todos que não é só mais um panaca. Aqui em Bullsworth, ou você provoca ou é provocado.

Acnase
Espinhas na cara, cabular aula de química, revista de mulher pelada escondida na mochila, bombinha na privada do banheiro. Quando se tem 15 anos, o mundo é cheio de coisas novas e interessantes a se descobrir. E a escola é seu universo. Sua voz muda, seus hormônios borbulham, as meninas ficam mais "sapecas" e os adultos parecem insuportavelmente chatos. E nessa idade, a molecada já entende que existem os fracos e os fortes.

Em Bully, o jogador está na pele sardenta de Jimmy Hopkins, um garoto de 15 anos, jogado em uma escola nova, sozinho e puto da vida. Ele tem que se virar para não ser zoado, e conseguir o respeito dos outros. E como se faz isso dentro da escola? Simples: causando. Apesar de que, nós aqui no Brasil não usarmos o termo "bully", sabemos muito bem o que significa "bullying". Então, vamos começar a detonar essa escola?

Turma do fundão
Seja em um subúrbio paulista, seja em Bagdad ou em uma cidadezinha do Texas, escolas são sempre escolas. E existem as tribos, muito bem delineadas, onde o mais importante é zoar as outras turmas. Quem não se lembra (ou ainda está lá) do colegial? Os nerds, sempre estudando, indo bem em cálculos logarítmicos, não se dando bem com as garotas. Os boyzinhos folgados, com os tênis iguais, sendo pentelhos com todo mundo. Os roqueiros, metaleiros, todos de preto que ficam riscando 666 na lousa. Não importa, lá estão todos, adaptados à moda americana, em Bullsworth.

O incrível deste jogo da Rockstar é que Jimmy Hopkins não pertence a um grupo só. Jimmy é o que quer ser, e aí está o bacana de Bully. Outra coisa interessante é que não existem pessoas repetidas no cenário da escola. Cada aluno é um aluno. Com nome e tudo.

Dentro do campus, Hopkins vai ser pentelhado o tempo todo. Pasme, no começo, até os nerds vem zoar com a cara do ruivinho. Mas é óbvio, Jimmy não deixa barato. Ele interage com os alunos, pode ofender, dizer olá, entregar flores... Aliás, meninos e meninas gostam de ganhar flores e bombons. E ao conquistar o coração de alguém, é inevitável dar uns malhos... em meninos ou meninas! Se você quiser, Jimmy pode ser homo, hetero ou bissexual já que em cada gangue há sempre um gay. ?? a Rockstar mostrando que os tempos modernos chegaram.

Tá na hora do recreio
Em Bullsworth o jogador tem que administrar a vida acadêmica e social de Jimmy. Afinal, não adianta ser fodão e bater em todo mundo se permanecer burro e não saber quanto é 3x2. Portanto, existem aulas, duas por dia, em que o jogador tem que comparecer.

E é bom participar das aulas, já que nelas (por incrível que pareça) é possível aprender coisas úteis. Em química, por exemplo: se vai bem na matéria, aprende a fazer bomba fedida, bombinhas até de pó de mico (aquele que dá coceira). Ir bem em inglês faz Jimmy ficar melhor com as palavras, tanto para ofender os manés quanto pra se fazer de coitado. Já o bom desempenho na aula de mecânica vai resultar em bicicletas melhores nas oficinas da cidade.

Cada aula tem 5 níveis, que passam gradativamente enquanto o personagem realiza coisas como apertar seqüências de botões ou montar palavras com letras na lousa. Não é complicado como na vida real (quem dera acertar todas as questões de literatura na prova só apertando X, O e quadrado!). Se não quiser entrar na aula, okay, é só cabular. Mas prepare-se para ser perseguido pelos inspetores chatos. Se passa em todas as matérias, está livre para passear pela escola sem ter que ficar fugindo de uma visita à diretoria.

Porrada neles!
Bater nos outros é simples e gostoso. Se no começo só sabe dar socos, com a experiência Jimmy aprende a dar rasteira, safanão, empurrão seguido de joelhada entre as pernas, cabeçadas, e até catarradas na cara do adversário. Humilhou hein? Não existem armas de verdade em Bully. ?? só pancadaria ???no braço???, bombinhas, estilingue, um taco de baseball aqui, alguns ovos ali. ?? uma escola, não o Carandiru, por isso, não há sangue e as pessoas não morrem de traumatismo craniano ou atropeladas por um skate. Se o jogador tomar uma surra, pode dormir, beber refrigerante ou beijar alguém para voltar a ter energia. Agora se a surra for pesada, vai direto para a enfermaria.

Respeito e consideração
As missões que Jimmy realiza são basicamente para aumentar sua popularidade no colégio. Escoltar um nerd até o banheiro porque o tonto está com medo de apanhar, roubar o armário da menina metida, dar estilingada nos colegas que estão treinando no campo, encontrar um cachorro perdido, tirar fotos de pichadores para a polícia são alguns exemplos do que fazer para ficar famoso e ganhar um dinheiro extra. São missões em geral divertidas e dinâmicas, que rendem porcentagens de ???respeito??? entre as panelinhas da escola e até com os professores.

Existem missões menores que podem ser feitas a qualquer momento, como entregar uma carta a alguém. Missões, grandes ou pequenas, rendem dinheiro também. Qual moleque não precisa de uns trocos para ir ao fliperama, comprar porcarias, refrigerantes, roupas e ahm, comprar mais porcarias? Roupas sim! Apesar de não tomar banho, Jimmy se veste de várias maneiras diferentes e pode conseguir novas peças comprando-as na lojinha ou, bem, por meios mais ilícitos, como afanando do armário dos outros. Existem bonés, munhequeiras, tênis, jaquetas e tudo mais para o jogador transformar o personagem do jeito que quiser.

O tempo em Bully, mostrado em um relógio no canto superior da tela, passa relativamente rápido, às vezes rápido demais. Mas como não há prazo fixo para realizar as missões, a sensação de ???amanhã eu tento de novo??? é inevitável, sem a necessidade de ficar salvando o jogo toda hora. Mas é uma pena que o dia acabe tão cedo, com Jimmy desmaiando de sono exatamente às 2 da madrugada.

O excesso de gente correndo atrás do personagem às vezes incomoda. O sujeito está andando ali como quem não quer nada e lá vem um pentelho folgado dos infernos empurrando, dando safanão e ofendendo a mãe. ??s vezes você simplesmente não está afim de briga, mas, esqueça a preguiça e parta pra cima. ?? bater ou apanhar, sempre.

Fora da escola, Jimmy poderá visitar vários bairros, sempre com algumas missões diferentes para serem feitas, como salvar um colega que foi preso pela polícia ou investigar quem está por trás da briga entre as gangues do colégio.

Rock and Roll High School?
Quem esperava uma trilha arrasadora -- afinal a Rockstar é conhecida por isso -- pode se decepcionar um pouco. Em Bully toda a trilha é incidental, ou seja, sem hit parade, só instrumental. Isso talvez porque seria difícil agradar a todos colocando os hits que a molecada de 15 anos está ouvindo hoje. Hip-Hop? Emo? Rock-balada? Para evitar qualquer problema, portanto, as músicas só fazem o clima, sem puxar para nenhum gênero.

Poderiam ter resolvido esta questão facilmente se Jimmy pudesse comprar um MP3 player na lojinha e ouvisse a rádio que quisesse, com fones e tudo. O que complica talvez é que, não é possível dar a data exata em que se passa Bully, então que músicas estariam tocando no rádio de um jogo atemporal? ?? de se pensar.

O Veredicto:
Bully oferece boa diversão para quem quer relembrar a época do colegial, para quem ainda está no colegial e para quem fugiu da escola. O jogo é razoavelmente longo, garante muitas horas de entretenimento sem apelação e muitas risadas sinceras. Infelizmente o tempo passa rápido demais ao longo do dia e a trilha poderia ser um pouco mais surpreendente. Mas, se for cabular aula hoje, vai correndo pra casa ligue o PS2 e jogue Bully!

Prós:
  1. Zoeira pela escola sem parar;
  2. Pancadaria;
  3. Dar uns malhos;
  4. Assustar os nerds.


Contras:
  1. Trilha incidental o tempo todo;
  2. O dia é curto demais (um garoto de quinze anos não capota de sono as duas da matina!);
  3. O corte de cabelo original do Jimmy (será que ele saiu da Febem antes de chegar em Bullsworth?).



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