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Review de Final Fantasy XII para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Quem jogou Final Fantasy Tatics vai lembrar-se de Ivalice, o mundo onde Final Fantasy XII acontece. Quem não jogou, não tem importância: o novo jogo reúne o que há de mais bacana no universo do RPG e ainda consegue trazer um pouco de originalidade ao gênero, com um sistema de batalha totalmente remodelado, em tempo real, e uma história que foge aos clichês dos RPGs japoneses.

??pico


A maior emoção para qualquer fã de RPG, e em especial a série Final Fantasy, é ligar o console e se preparar para uma apresentação bombástica. E é assim que se inicia esta história: com uma seqüência de abertura de deixar qualquer um boquiaberto. A Square sabe conquistar o jogador de primeira, e abre este convite chamando você para entrar nesta história em grande estilo.

Ivalice é o mundo onde você pode cruzar com figuras humanas, seres que parecem homens lagartos, mulheres com dois metros de altura e orelhas de coelho e mais os clássicos Moogles e Chocobos. Eles circulam pelas cidades, agora cheias de gente - e que nem sempre estão com vontade de falar com você ??? realizando tarefas corriqueiras à sua volta. A impressão é de um mundo vivo como os dos MMORPGs, ou mais especificamente Final Fantasy XI, que foi a fonte de inspiração aqui.

O visual das cidades, a complexidade das ruas e edifícios é impressionante. As roupas, os nomes e o visual dos personagens remetem à Holanda do séc XVI e talvez esta tenha sido a fonte de inspiração da equipe criadora do jogo. Muito mais voltado à fantasia do que à ficção científica, este universo inspira magia por todos os lados.

A história gira em torno de uma batalha entre os grandes reinos de Dalmasca, que quer se ver livre da dominação do Império Archadian. Vaan é o personagem central, irmão de um combatente morto na guerra, órfão e que busca vingar-se do domínio que paira sobre Dalmasca. A ele se juntam Penelo, uma amiga de infância com simpáticas trancinhas, os piratas Balthier e Fran, ele um sujeito cheio de lábia e ela uma ???Viera???, com orelhas de coelho, voz - e outros atributos - ???sexy???. Ao longo da jornada, o jogador vai conhecer mais personagens, sendo alguns coadjuvantes podem entrar no grupo como ???convidados???, lutando e aparecendo em momentos chave da história, mas com controle limitado.

Poder, traição, mistério, vingança e reviravoltas mirabolantes seguram o enredo de Final Fantasy XII até o fim. Não há aquele clima de ???precisamos salvar o mundo???. Aqui, a busca é mais individualista, lida com uma guerra mais autêntica, que envolve monarcas e golpes de Estado. Não há o dramalhão Televisa de ???o rapaz se apaixona pela mocinha e sofre por amor???, nem há tanto romantismo ou momentos ???fofos???. ?? um épico de batalha, e o roteiro preza por isso. Até as personagens femininas estão fora do esquema ???apaixonadas pelo personagem principal???.

Mas como Final Fantasy tem a fama de sempre mudar de enredo sem mexer em elementos que cativam tantos fãs, ficam asseguradas coisas como navios que voam, Chocobos para serem alugados e os Summons, que agora se chamam Espers, e são bem diferentes de Ifrit, Shiva e Bahamut. Diferentes sim, mas não significa que são menos bacanas.

O jogador que entender e aceitar a nova vertente de história vai entrar de cabeça e joystick para empunhar suas armas e magias com muito entusiasmo.

Siga o mestre


Quem está acostumado com o sistema ???explode a telinha em uma batalha surpresa??? da série Final Fantasy vai notar uma grande diferença nas batalhas deste décimo segundo jogo -- sem dúvida a inovação mais visível de todas. Aqui o jogador sabe onde estão os inimigos, já que eles estão sempre perambulando pelo cenário e podem até ser evitados. Ao caminhar, o personagem cria uma ???linha de ataque??? ??? literalmente porque uma linha indicando hostilidade surge entre os combatentes - e a batalha se inicia. De maneira dinâmica e rápida, o a luta é travada ???na unha???, com cada ataque e magia diretamente aplicados nos inimigos, que podem ser individuais ou em grupos, afinal de contas, nem todos andam solitariamente no cenário.

Para lidar com tanta velocidade de luta, existe um sistema denominado ???gambit???. O gambit nada mais é do que a programação dos movimentos de seus personagens. No menu você seleciona a seqüência de ações básicas (e mais pra frente bem mais avançadas) dos personagens que, por exemplo, podem atacar o inimigo mais próximo, curar quem está com a energia baixa, utilizar itens ou acertar magias específicas. Assim, se o jogador preferir, pode acionar o gambit em todos os personagens e deixar a luta rolando sozinha, se confiar na programação que fez. Mesmo assim, o gambit não é definitivo, e a qualquer momento as ações podem ser alteradas por outras que o jogador escolher na hora. ?? tudo questão de estratégia.

O menu durante a batalha, dividido basicamente em ataque, magias e técnicas, é muito semelhante aos outros jogos da série, portanto, quem conhece não vai estranhar tanto. A principio pode parecer complicado, mas depois de uma ou duas horas de jogo fica mais simples de entender.

Acabou também a ???musiquinha de vitória e personagens fazendo pose de vitória??? ao fim de cada embate. Só ocorre em momentos especiais, quando um chefe é derrotado. Afinal, vamos admitir, isso ficava um pouco cansativo depois de 4067 batalhas.

Outra novidade ??? que é alterada em cada jogo da série ??? é a maneira de aumentar suas características de batalha de aprender novas técnicas e magias. Em Final Fantasy XII, o jogador adquire não somente experiência ao eliminar inimigos, mas também ???license points???. Estes pontos, quando acumulados, ficam à disposição para serem trocados em uma tela que se assemelha a um tabuleiro de xadrez: os bloquinhos guardam novas habilidades e estas podem ser liberadas da maneira que for mais conveniente, com o jogador indo por um caminho de habilidades de magia ou de batalha com armas, por exemplo.

Para quem gostava de dar uma de espertão e ficar subindo de level até aprender as magias e golpes mais ???hardcore??? logo no começo do jogo, pode esquecer, porque aí vem mais uma inovação...

Cofrinho


Em Final Fantasy XII, além de ser necessário ???liberar??? as magias com os ???license points???, usá-las requer gastar algumas moedas na compra do sortilégio em lojas especializadas ??? que logicamente não liberam todas as magias, armas gambits e técnicas fortes antes do jogador chegar a determinados pontos do jogo. Portanto, para completar o jogo, encha o bolso de Gil. TUDO é comprado. As magias, os gambits, as técnicas... Capitalismo na veia. Quase nada vem de graça. E as coisas geralmente são bem caras, então é bom entender que lutar duas horas contra muitos inimigos só para comprar uma espada e um capacete é algo que acontece normalmente.

Uma inovação também está na maneira que se consegue dinheiro. Agora, ao matar um sapo venenoso gigante, o bicho feio não deixa um porta-níqueis da Hello Kitty no chão. Ele deixa restos da batalha, como couro, olhos, etc. Esses resquícios ??? chamados de ???loot??? - o personagem principal carrega consigo, e precisa revendê-los às lojas para juntar Gil. O preço varia pela raridade do item. Em tempo: quanto mais inimigos do mesmo tipo forem eliminados em seqüência, melhor será a recompensa deixada depois. Também é bom utilizar a tática ???steal??? (roubar) nos inimigos, mas é bom saber que nem sempre ela funciona.

Pare, pense, faça a coisa certa


Se tem algo que Final Fantasy XII obriga o jogador a fazer é parar para pensar no que fazer. Que licença conseguir, qual mágica comprar, qual arma será a de tal personagem. A todo o momento é preciso parar na telinha do menu e usar a cabeça (o gil e os license points) logicamente. Isso requer paciência e experiência de campo. Apesar dos gambits transformarem a batalha em algo automático, ainda há alguns momentos de muito desafio e contra inimigos mais fortes ??? e existem muitos ??? sempre é preciso interferir no meio da batalha e criar a melhor tática.

O jogador pode sentir falta de personagens com características próprias de batalha, já que todos os ???tabuleiros??? são iguais para todos personagens, mas não deixa de ser uma característica interessante o fato de que todos podem desenvolver qualquer tipo de classe. Então, um homem forte de 30 anos pode ter a mesma destreza com um machado que uma menina de dezessete anos de trancinhas. Isso pode ser frustrante às vezes, principalmente para quem prefere um certo direcionamento no grupo de batalha, mas de um modo geral, esta opção não atrapalha a jogabilidade de maneira alguma.

Passatempo


E lá estão as side quests, claro. Para quem gostava de criar Chocobo, colecionar baralho, e até para quem conseguiu jogar Blitzball direitinho sem arremessar o joystick no chão de raiva, em Final Fantasy XII existe um jogo dentro do jogo que, enfim, traz bons momentos e diversão para quem quer sair fora da história central por um tempo. Que tal tornar-se um caçador de recompensas? ?? só entrar para o clã dos caçadores e começar a aceitar as missões, buscar os contratantes pelo mapa e pronto. ?? ir atrás dos monstros e salvar o dia. Isso é ótimo para ganhar o tão necessário dinheiro e também muitos itens extras (além de prestígio dentro do clã). ?? bem funcional e divertido colecionar vitórias.

Mesmo sendo capaz de descansar um pouco realizando missões, o Final Fantasy XII pode consumir mais de cinquenta horas do jogador, já que a história se desenrola de forma lenta, dada a passos curtos, somado ao tempo gasto para ???crescer??? seu personagem dentro do jogo. Tudo é devagar (mesmo com batalhas mais dinâmicas), e é preciso andar muito pelos cenários, explorar cada canto e prestar atenção no mapa para não se perder. Ás vezes é possível se perder mesmo com o mapa, dar voltas inúteis e adivinha: perder mais tempo.

De encher os olhos


Os cenários, as animações, os gráficos são estonteantes como os melhores Final Fantasy. A cada momento se descobre algo novo e extraordinário, como locações insólitas e templos homéricos.

Já a trilha segue fluente com o enredo, e é composta com primazia, assim como os efeitos sonoros. Diferentemente da experiência um pouco triste da interpretação dos dubladores de Final Fantasy X ??? quem não teve vontade de dar um tapão no Wakka - neste aqui, as vozes e a interpretação estão coerentes (destaque para a voz de Fran , a mulher coelho), e os diálogos são bem mais elaborados, criando um clima muito especial em torno da história.

A personalidade também é mais realista, e delineia muito bem o comportamento de cada personagem. Desta vez não se cria tanto desprezo por algum personagem específico, como acontecia nos outros jogos da série. O próprio Vaan, figura central da história, não possui aquela aura de ???rapaz bonzinho mas solitário que não entende nada do que está acontecendo???, mas é um sujeito esperto e aventureiro. Assim como o resto dos personagens, não existe a tal da ???mocinha boazinha que dá magias de cura??? e o ???cara mal-encarado com um passado misterioso???, tão clichês nos RPGs da vida.

O visual dos personagens continua, como dizer, ???diferente do normal???. O personagem principal se parece com um surfista alemão, as moças sempre de saias curtinhas, decotes absurdos, muito couro e fivelas sem utilidade. O que mais é de se estranhar é o tamanho do salto de Fran: ergonomicamente impossível correr na areia com aquilo. Mas ela consegue correr, saltar, dar magias e empunhar espadas. Inacreditável!

O Veredicto:
Final Fantasy XII possui as características essenciais de um bom jogo de RPG e ainda traz um sistema de batalha inovador -- prova que, apesar de já estar da décima segunda edição, a série ainda é capaz de renovar seu espírito e lançar aos fãs e novos jogadores aventuras inesquecíveis. Os gráficos são impressionantes, a trilha sonora combina com o enredo e a história segue um pouco lenta, mas sempre prendendo a atenção. Feito para quem gosta e admira um bom RPG.

Prós:

- ??timos gráficos e sons;
- Sistema de batalhas dinâmico;
- Boa interpretação dos dubladores;
- História envolvente, ainda que contada lentamente.


Contras:

- Lentidão para juntar dinheiro;
- Sistema de Licenças que pode tornar-se confuso;
- Desenrolar moroso da história.


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9/ 10
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