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Review de Resistance: Fall of Man para PS3 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


O cenário do jogo mais importante da primeira safra do Playstation 3 é uma interessante realidade alternativa onde o mundo foi quase todo contaminado por uma ameaça chamada Chimera. Pouco se sabe sobre essa estranha força, mas a contaminação parece ter começado na Rússia e expandido por toda Ásia, Europa e África. A história acontece no ano de 1951, quando a Inglaterra está sendo invadida, e os Estados Unidos começam a enviar tropas para auxiliar os companheiros britânicos, e descobrir informações estratégicas sobre a Chimera. Entre os enviados, está o sargento Nathan Hale, o herói da trama e personagem principal de Resistance: Fall of Man.

Parece que para não decepcionar ninguém, a Insomniac inventou uma desculpa para encaixar todos os clichês dos jogos de ação em primeira pessoa: as vilas européias detonadas de Medal of Honor e Call of Duty, aliens mutantes biomecânicos a la Quake e Halo e construções que lembram as de Half-Life 2 e Prey. As armas são criativas, mas claramente inspiradas em Unreal Tournament e outros.

Fórmula de sucesso


Resistance: Fall of Man já começa sem enrolações. O sargento Nathan Hale, personagem controlado pelo jogador, está em uma força americana especial enviada à Inglaterra para estabelecer contato com a resistência local e obter informações e algo mais sobre a Chimera. Mas assim que chegam, os americanos são emboscados e em pouquíssimo tempo o jogador poderá curtir a experiência de ação em primeira pessoa no Playstation 3.

Tão logo o jogador assuma o controle de Hale, já é possível notar a característica mais marcante e grande ponto a favor de Resistance: Fall of Man: a sensação de estar em um campo de batalha. Em muitas fases o jogador conta com a presença de outros soldados no combate, e a grande quantidade de inimigos e aliados na tela somada aos efeitos sonoros e visuais resulta em um grande sucesso nesse aspecto. As primeiras batalhas do jogo são menores e relativamente fáceis, mas não demora até que exércitos gigantescos de inimigos apareçam na tela, auxiliados por tanques alienígenas que andam em quatro pernas e outros desafios. Em alguns níveis o jogador pode pilotar tanques e outros veículos, o que na maioria das vezes é muito divertido. Ainda assim, a maior parte das fases funciona da forma clássica, com o personagem sozinho enfrentando hordas de inimigos em corredores alienígenas, vilas européias arrasadas, ou um misto dos dois.

Não existem muitos tipos de inimigos em Resistance: Fall of Man, e todos parecem uma espécie de remake de oponentes de outros jogos. Existem, por exemplo, os clássicos zumbis que andam devagar e morrem fácil, mas sempre aparecem em grandes quantidades e/ou escondidos em locais estratégicos, de forma bem semelhante aos primeiros inimigos de Doom 3. Assim como em Doom 3, também existe a versão ???militar??? desses que são armados, rápidos e conseguem ter atitudes inteligentes como pegar cobertura, arremessar granadas com precisão e outras. A desculpa para esses inimigos é também clássica: humanos que foram contaminados pela Chimera e ressurgiram como servos da mesma, com uma aparência mutante, cheia de implantes metálicos e tão bizarra quanto banal. Outros inimigos incluem uma espécie de escorpião gigante que aprece aos montes e é facilmente derrotado, de forma bem similar as aranhas de Doom 3, gigantes que lembram inimigos de Half-Life e do Unreal e outros. Os monstros são bem diferentes uns dos outros, mas compartilham duas características: quase todos são aberrações criadas pelo Chimera, e quase todos são clichês.

Para detonar esses inimigos o jogador conta com um arsenal muito divertido, que inclui armas comuns como uma clássica escopeta e outras mais interessantes, como a Auger, que atravessa paredes com seus disparos primários e cria coberturas temporárias com os secundários. Algumas são verdadeiramente criativas, mas a maior parte das armas é claramente inspirada em outros jogos do gênero.

Os cenários de Resistance, apesar de muito bonitos no geral, também remetem a outros jogos, reunindo as duas ambientações que costumam servir de pano de fundo para a maior parte dos tiroteios no PC: cidades européias arrasadas e construções alienígenas biomecânicas. Em alguns pontos o jogo chega a misturar os dois estilos arquitetônicos de forma semelhante às construções dos ETs de Half-Life 2, que se sobrepõem caoticamente aos prédios da cidade, e também da nave extraterrestre de Prey.

Apesar de tantos elementos semelhantes a outros jogos, a Insomniac conseguiu bolar um bom enredo e uma boa ambientação para Resistance. A história e os mistérios presentes no jogo não deixam de ser envolventes, e os personagens conseguem ter um pouco de carisma e personalidade. Mesmo parecendo uma desculpa para juntar o clima de segunda guerra com ficção científica, esse quesito pesa a favor de Resistance. Um único defeito é a duração curta do modo singleplayer, que pode ser vencido em menos de 12 horas.

O multiplayer, em compensação, deverá render boas horas de jogo. ?? a melhor parte de Resistance. Partidas com até 40 jogadores simultâneos em mapas gigantescos, ou em cenários menores e próprios para pelejas de até 16 jogadores, acontecem sem lag e são bem divertidas. Os mapas são bem planejados e alguns trazem coisas inusitadas, como vapores que lançam o jogador para o alto (lembra o de Quake 3).

A estrutura do modo também é muito bem feita, e traz ferramentas de clã e ranking, além de boa variedade de modos, como Deathmatch simles e em time, Rouba bandeira, Conversion (o último sobrevivente vence), Meltdown (o objetivo é superaquecer os reatores das bases inimigas, removendo cilindros de refrigeração) e Breach (destruir os reatores na base inimiga).

Pode-se jogar com humanos ou com Chimerians no multiplayer, e a mudança é bem mais que estética. Enquanto os humanos contam com um radar que mostra a posição de aliados e inimigos, os Chimerians são maiores e não têm radar, mas podem entrar em um modo especial que aumenta sua velocidade e força por alguns segundos, além de poder enxergar através das paredes.

O único contra do modo on-line está na impossibilidade de jogar a campanha cooperativa: esta funciona apenas offline, em tela dividida.

Tiros na nova geração


Apesar de não contar com a precisão da combinação de mouse e teclado, os analógicos conseguem cumprir bem sua função, assim como os demais controles. Um fato curioso é que na configuração inicial do jogo, os botões L1 e R1 que são usados para atirar, e não os novos gatilhos do Sixaxis que estão no lugar do L2 e R2. Mas quem quiser experimentar a funcionalidade do novo design do controle não encontrará problemas para alterar as configurações dos botões de disparo, assim como qualquer outro.

Independente da configuração escolhida é provável que os jogadores sintam falta imediata do rumble pack no controle. Apesar de não ser uma falha do jogo, realmente uma pena que o controle não vibre, pois diminui bastante a intensidade na hora de atirar e mesmo receber os disparos. Já o sensor de movimento do Sixaxis é usado apenas quando algum inimigo agarra o personagem, e para se livrar é preciso balançar o controle. ?? uma interatividade legal, mas nunca que substitui um sistema de vibração.

Já os gráficos e texturas simples e super saturadas não impressionam muito para um jogo de nova geração, e a física algumas vezes chega a decepcionar, ficando longe da de Half-Life 2, que foi lançado em 2004. Certamente não é aquilo que se espera de um jogo que ocupa 18 GB em um Blu-Ray e que está sendo oferecido como a melhor opção do lançamento do Playstation 3. Mas, como é um jogo de primeira geração, pode-se dizer que o visual está na média.

O Veredicto:
Resistance: Fall of Man é um jogo que importa vários clichês do gênero e fica na média, sem surpreender. Com gráficos normais, bem aquém do que se espera do Playstation 3, física limitada e texturas simples, fica difícil entender como foi possível ocupar tanto espaço no Blu-ray, principalmente pela curta duração do singleplayer. O Multiplayer para até 40 jogadores é a melhor parte, mas nem ele justifica se matar para pegar o Playstation 3 precocemente.

Prós:

- Enredo bem interessante;
- Armas divertidas;
- Multiplayer divertido.


Contras:

- Inimigos clichê, cenários clichê... jogo clichê;
- Singleplayer curto: menos de 12 horas;
- Mediano em tudo.


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