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Review de Dark Messiah Might and Magic para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Ambientado no universo de Might and Magic, construído sobre o engine Source da Valve, o mesmo de Half-Life 2, e com dois estúdios ??? o Arkane Studios e o Kuju Entertainment ??? trabalhando em conjunto para garantir modos singleplayer e multiplayer caprichados, Dark Messiah of Might and Magic justificava a boa reputação e a atenção dada pelos jogadores ao longo de seu desenvolvimento. Mas, agora que foi lançado, pode-se lamentar que estas condições favoráveis não tenham resultado em um RPG de ação para ser lembrado por muito tempo no PC.

??pico só na intenção


Versos antigos de um mago profetizam um Messias Negro, que irá quebrar o selo que aprisiona as legiões infernais, libertando caos, sangue e fúria no mundo. A partir de premissas bem parecidas surgiram ótimos jogos e franquias de fantasia, mas parece que os roteiristas de Dark Messiah faltaram com algum componente na fórmula. A história é tão mediana que mesmo que o jogador tenha conhecimento que o destino de todo um mundo reside em suas mãos, em momento algum o jogo consegue convencer realmente de que algo em proporções épicas esteja acontecendo com o universo de Might and Magic. A batalha entre o bem e o mal de Dark Messiah é tão (ou menos) empolgante quanto uma reforma na casa em The Sims.

O começo de Dark Messiah até sugere uma boa história: Sareth, o personagem controlado pelo jogador, é um órfão de passado obscuro que foi treinado em magia e lutas por Phenrig, um mago que adotou Sareth quando este ainda era criança. Depois de uma curta missão introdutória, onde a voz de Phenrig ensina os comandos básicos para o jogador, Sareth é apresentado a Xana, uma entidade que é fundida ao espírito do personagem para guiá-lo e protegê-lo. Sareth então é enviado para cidade de Stonehelm, onde deve ajudar Menelag, um mago amigo de Phenrig, a encontrar a ???Caveira das Sombras???, um artefato há muito tempo perdido, que com um nome desses, não deve ser boa coisa.

Apesar de soarem estranhos, o principal incômodo nos personagens de Dark Messiah não são nomes como Sareth, Phenrig ou até mesmo Xana, e sim a falta de ???personalidade??? dos mesmos. Ainda que contem com algumas motivações simples, é possível que os personagens fracos sejam os principais responsáveis pela falta de ???recheio??? no enredo. As dublagens até que não estão ruins, mas as falas óbvias não ajudam a dar ???cor??? à história, e acaba ficando uma lacuna que deveria ser preenchida com diálogos mais inteligentes.

As personagens Xana e Leanna são quase exceções a regra: Leanna, uma aprendiz de Menelag, consegue passar um pouco de carisma feminino ao jogo. Xana, a entidade fundida ao espírito de Sareth, fala bastante, e o jogador deve se cansar um pouco de sua voz, mas em alguns momentos ela será crucial para história, e acaba valendo a pena prestar um pouco de atenção nas suas falas, mesmo que na maior parte das vezes sejam apenas bobagens óbvias. Esta falta de envolvimento com o enredo e personagens não seria muita decepção se o jogo fosse apenas ação em primeira pessoa, mas o problema é que Dark Messiah tem fortes pretensões de RPG.

Se a história mediana de Dark Messiah não consegue extrair profundidade do universo de Might and Magic, os gráficos e jogabilidade se fundamentam muito bem no engine Source. Contando com novas tecnologias como o High Dynamic Lightning (HDR), os visuais sombrios das tumbas abandonadas e outros ambientes ficaram bem satisfatórios, e mesmo em configurações mais baixas, o jogo roda razoavelmente bem. A física, em contrapartida, não está tão impressionante quanto em Half-Life 2, mas existe uma dosagem competente no realismo da mesma, assim como um bocado de utilizações práticas eficientes na jogabilidade.

A física é muito bem utilizada em quase qualquer cena de combate no jogo, e é possível, por exemplo, chutar oponentes para que eles caiam de locais altos, ou se choquem contra paredes repletas de espinhos de aço. O mesmo vale para certos inimigos, que muitas vezes vão tentar arremessar objetos em Sareth, ou Sareth em alguns objetos. Mas que fique claro que o combate em Dark Messiah não é tão bom quanto poderia ser. O principal defeito está no combate corpo-a-corpo. Os comandos são relativamente complexos para uma pouca variedade de golpes e defesas, e além de faltarem combos e contra-ataques, a luta corpo-a-corpo em primeira pessoa é bem ruim para avaliar a distância dos golpes, e não doeria colocar o combate próximo em terceira pessoa, como em Jedi Knight II. Outras opções como o arco e flecha ou magias funcionam de forma mais parecida com os jogos em primeira pessoa tradicionais, mas nem sempre flechas serão a melhor opção para encarar um ciclope zumbi ou outro dos monstros mais difíceis do jogo.

Um elemento interessante de Dark Messiah é o sistema de habilidades e experiência. Como em um RPG tradicional, é possível desenvolver habilidades isoladamente com o uso de pontos de experiência, obtidos no cumprimento de certas tarefas. Funciona como uma versão simplificada do sistema de Diablo II, e basta ao jogador escolher alguns ???caminhos??? para desenvolver suas perícias que, consequentemente, irão destravar novas habilidades. Esse sistema foi bem aplicado ao jogo, mas é digno de nota que as habilidades não são nem um pouco bem balanceadas, e algumas se mostram claramente mais eficientes que as outras.

Multiplayer


Fica claro que o single player desenvolvido pela Arkane Studios está cheio de defeitos que poderiam ser resolvidos com apenas um pouco mais de empenho e capricho por parte dos produtores. Reafirmando essa hipótese, existe o multiplayer, desenvolvido pela Kuju Entertainment, que ao contrario da campanha de um jogador, é bem criativo e divertido.

Existem cinco modos multiplayer em Dark Messiah: os clássicos Deathmatch, Team Deathmatch e Capture The Flag; e os novos Coliseum e Crusade. O modo Coliseum parte de uma boa idéia, mas não chega a ser tão divertido quanto parece. Dois jogadores se enfrentam em uma arena, ganhando níveis a cada batalha vencida. Quem estiver no servidor e não estiver jogando, pode aplaudir ou vaiar os combatentes. A verdade é que é raro assistir a uma batalha que realmente valha o tempo sem jogar, e em servidores com muitos jogadores, o tédio é eminente. Já o modo Crusade é bem divertido, apesar de um bocado longo: nele, dois times batalham pelo controle de cinco mapas. Cada time conta com um mapa que é uma fortaleza, e o objetivo final é conquistar a fortaleza inimiga. A batalha começa no mapa do meio e a cada vitória o time avança um mapa na direção da fortaleza inimiga. Para vencer os mapas é preciso dominar todos pontos de controle ou reduzir os tíquetes de respawn do inimigo a zero, de forma similar a Star Wars Battlegrounds. O modo é divertido e viciante, mas partidas que estejam equilibradas podem durar muitas e muitas horas, fazendo com que eventualmente o jogador se canse no meio delas.

Para jogar Online é possível optar por cinco diferentes classes: arqueiro, mago, sacerdotisa, cavaleiro ou assassino. Todas são divertidas de se jogar, e mesmo que algumas sejam melhores que as outras como o assassino ou o mago, um time que combine todas consegue ser bem equilibrado e eficiente.

Mas existem algumas problemas em Dark Messiah que persistem tanto no modo de um jogador quanto no multiplayer. São diversas falhas técnicas, que vão desde erros estranhos no meio do jogo até itens que somem do inventario, ou paredes que ???travam??? o personagem, além de muitos crahses e incompatibilidade em alguns sistemas. Talvez pelo fato de que o jogo seja distribuído no sistema Steam, onde é fácil realizar atualizações, os desenvolvedores pensaram que poderiam lançar Dark Messiah com uma programação deficiente, e consertar qualquer coisa com patches posteriores. Mas são muitos erros, e mesmo que algum dia a Ubisoft, a Arkane Studios ou a Kuju Entertainment resolvam consertar tudo, a imagem de Dark Messiah já fica meio deteriorada.

O Veredicto:
Dark Messiah é um jogo de ação em primeira pessoa com pretensões de RPG que falha nos dois gêneros. A parte de RPG é comprometida pela história mal-contada com personagens vazios e pouco carismáticos. Já a ação, mesmo que com o engine Source funcionando a todo vapor, tem combates corpo-a-corpo bem fracos e pouco variados, inúmeros bugs e má programação. O multiplayer é até bem interessante, com modos divertidos e ótimas opções, mas não chega a segurar o interesse sozinho.

Prós:

- Bons gráficos;
- Multiplayer muito bom.


Contras:

- Muitos Bugs e erros;
- Enredo mal-contado e vazio;
- Combate corpo-a-corpo ruim;
- Xana fala muito.


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