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Review de Castlevania: Portrait of Ruin para DS de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Usando a mesma fórmula de sucesso criada dez anos atrás, a Konami mostra que ainda é possível criar algo interessante, inovador e principalmente divertido dentro da série Castlevania. Portrait of Ruin é o segundo exemplar para o Nintendo DS e, assim como seu antecessor, traz aspectos nunca antes vistos na série, ao mesmo tempo em que recicla alguns conceitos antigos para dar ao jogador uma experiência completamente nova.

Dupla dinâmica


O ano é 1944. Em meio às batalhas da Segunda Guerra Mundial, o temido castelo do maior e mais poderoso vampiro de todos os tempos surge mais uma vez, e alguém terá que entrar lá para acabar com a maldição, como é de praxe. Desta vez o felizardo é Jonathan Morris, um descendente indireto da ilustre família Belmont que carrega consigo o chicote Vampire Killer, mesmo sem saber utilizá-lo da forma devida. Mas para compensar esse fato, Jonathan vai acompanhado de sua amiga Charlotte Aulin, uma jovem estudante de magia que o segue e o ajuda nas missões.

Diferente do que se previa, desta vez quem reviveu o castelo não foi Lord Dracula, e sim um outro vampiro, chamado Brauner. ?? ele o inimigo a ser derrotado para que o castelo desapareça.

De fato o enredo está longe de ser uma obra prima, mas isso já era fato esperado. O interessante nesse enredo simples é certo retorno às origens quanto ao personagem principal, que é quase um Belmont e, melhor que isso, usa o chicote como arma preferencial. Claro que o jogador pode escolher entre várias armas diferentes, mas os chicotes certamente se destacam.

A grande sacada que deixou Portrait of Ruin tão diferente dos outros e tão original foi uma simples, porém profunda, alteração na jogabilidade. Para percorrer o castelo e destruir os monstros o jogador contará não com um, mas com dois heróis, Jonathan e Charlotte, que podem ser alternados com um simples apertar de botão. Cada herói tem suas próprias características, pontos fracos e fortes, ficando a cargo do jogador escolher a qual deles se apegar na luta contra o mal. Mas se trocar de personagem já é bom, melhor ainda é jogar simultaneamente com os dois na tela. Sim, é possível invocar o herói que não está sendo usado pelo jogador para dar uma força no que for preciso, seja para empurrar caixas ou matar monstros. O único problema de manter seu companheiro ao seu lado é a IA kamikaze que o controla: sem a menor preocupação em desviar de ataques e recebendo praticamente todo o dano que for direcionado a ele. E como os danos causados ao seu amigo diminuem seu MP, pode ser que você fique na mão numa hora de aperto.

Existem ainda os ataques especiais, que combinam a força dos dois personagens para causar um dano monstruoso em tudo que estiver ao alcance, consumindo uma quantidade preocupante de MP. Alguns deles são bem parecidos com os clássicos ataques dos Belmont, trazendo uma agradável sensação nostálgica. Saber usar estes ataques pode deixar a vida dos jogadores muito mais fácil, mas confiar somente neles pode ser extremamente arriscado.

Outro detalhe interessante adicionado ao jogo são as pinturas, que funcionam como portais dimensionais que levam o jogador a lugares inusitados e que variam desde as ruas de uma cidade que lembra Londres a um circo maluco onde as leis da física não se aplicam. Cada um desses locais tem certa ligação e existe como uma extensão do castelo em si, devendo ser explorado a fundo a fim de se prosseguir no jogo.

Foi adicionado também um divertido sistema de ???quests??? onde um fantasma dá dicas enigmáticas aos jogadores sobre o que precisa ser feito, e os retribui com itens ou habilidades novas, uma vez realizada a tarefa. Vencer todas as quests será um verdadeiro desafio e deixará os jogadores entretidos por um bom tempo, principalmente porque as dicas dadas pelo fantasma Wind são muitas vezes vagas demais, dificultando muito o trabalho.

Mais do mesmo


Apesar de todas as inovações e pontos positivos, Portrait of Ruin apresenta vários problemas, sendo que o mais grave deles é o simples fato de ter sido lançado depois Dawn of Sorrow. Talvez por uma preocupação excessiva com as alterações na jogabilidade, outros aspectos importantes, e que estavam presentes no jogo anterior, foram deixados de lado e certamente vão decepcionar muita gente.

O primeiro grande problema é que a jornada é curta demais. O castelo é pequeno e sem graça, com cenários e passagens que parecem recicladas do jogo anterior, além de não ser nada complicado decifra-lo por completo. Dentro das pinturas as coisas mudam um pouco de figura, com cenários temáticos e mais inusitados, mas o próprio jogo trata de saturar a novidade, pois faz o jogador passar por quadros diferentes com ambientações idênticas. Para os jogadores mais ávidos, menos de oito horas são suficientes para mais uma vez vencer as forças do mal, abrindo o mapa todo e vencendo todas as quests.

A facilidade com a qual o jogo pode ser vencido é outra coisa que incomoda. Os quebra-cabeças são simples e os inimigos e chefões fáceis demais. Talvez se o jogador decidir não usar os artifícios oferecidos, como a ajuda do companheiro ou os ataques combinados, aí sim o jogo fique algo desafiador, mas qual seria o sentido disso? Isso não quer dizer que o jogador não irá morrer hora nenhuma. Pelo contrário, morrerá diversas vezes, como é de costume na série Castlevania, mas ainda assim a dificuldade está longe daquilo que já foi um dia e contribui para o desfecho rápido do jogo.

Os gráficos continuam os mesmos vistos anteriormente, exceto por uma pequena melhora na qualidade de algumas texturas e pelo belo visual 3D dado a alguns raros monstros. Já a função da tela sensível ao toque, que havia sido muito bem aproveitada com os Magic Simbols de Dawn of Sorrow, continua presente, mas de uma forma muito mais simplória: tirando o acesso mais dinâmico aos menus, a função de toque só serve para dizer para seu parceiro de aventuras aonde ir. E na prática isso não faz a menor diferença.

E num jogo onde existem dois heróis que interagem simultaneamente com o ambiente seria praticamente impossível ignorar o potencial para o multiplayer, como de fato não foi. Portrait of Ruin permite aos jogadores interagir entre si tanto pela conexão direta de um DS com o outro ??? cada um com seu próprio cartucho ??? quanto pela WiFi Connection. O modo de jogo cooperativo tinha tudo para ser único e extremamente divertido, se não tivesse sido desprezado. Tanto pela conexão direta como pela WiFi, o modo cooperativo se resume a um seqüência curta e linear de salas, cada uma com um chefão que os jogadores devem vencer a fim de receber um item bacana no final; coisa que não dura mais que 2 minutos. Uma vergonha.

A trilha sonora, como se esperava, é fantástica. Cada uma das faixas consegue deixar o jogador mais e mais imerso na atmosfera de terror gótico na qual o jogo se encontra. Os efeitos sonoros, por sua vez, são chatos e repetitivos, mas depois de algum tempo de jogo o jogador aprende a ignorar a existência deles.

O Veredicto:
Castlevania: Portrait of Ruin chega mostrando que é possível ao mesmo inovar e manter-se na fórmula. Traz grandes inovações na jogabilidade, personagens novos e bem equilibrados, uma trilha sonora magistral e um modo multiplayer interessante, ainda que deficitário. Mas o fato de ser curto, superficial e fácil demais fará com que, muito cedo, o jogo acabe indo pro fundo de uma gaveta para nunca mais ser jogado.

Prós:

- Jogar com dois personagens simultâneos;
- Sistema de quest;
- Personagens interessantes e bem construídos;
- Trilha sonora excelente.


Contras:

- Multiplayer pobre;
- Enredo superficial;
- Quebra-cabeças e chefes fáceis demais;
- Pouca variação de cenário;
- Curto demais.


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