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Review de Joint Task Force para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Usando as guerras modernas como pano de fundo, Joint Task Force chega tímido ??? ainda que promissor ??? tentando ganhar espaço em meio a pesos pesados como Age of Empires 3 e mostrar que comandar exércitos em um mundo normal, sem nada de fantástico ou futurístico, pode ser bastante divertido e envolvente; e que vencer uma batalha no front não é tão simples quanto se parece.

A arte da guerra


Nada de orcs, avatares divinos ou civilizações do passado. Em JTF a ação se passa no ano de 2008, numa realidade onde tudo de ruim que se pode ver nos noticiários de hoje em dia ocorre numa escala maior. Problemas sociais cada vez maiores acabam por desestabilizar ainda mais a sociedade, abrindo espaço para ditadores e terroristas. Estes, por sua vez, agem sempre na sombra de um grupo maior de terroristas denominado ???Matar???, que de tão cruel, poderoso e influente faz o Al Qaeda parecer a YMCA, segundo um dos generais do jogo. Sob esse paradigma, foi aprovado quase que unanimemente pela ONU a criação de uma força-tarefa internacional: a Joint Task Force, comandada diretamente pelo veterano Major O´Connell. A missão da JTF é simples: limpar o mundo da escória terrorista e manter a ordem.

O jogo consiste em 20 missões que, apesar de se passarem no futuro, certamente foram baseadas em conflitos reais dos dias de hoje. Isso porque entre as localidades visitadas pela JTF estão Iraque, Afeganistão, Sérvia, e até mesmo a Somália retratada no filme Falcão Negro em Perigo. As missões não são necessariamente grandes, mas planejar uma estratégia eficaz para vencer cada uma delas certamente tomará tempo do jogador, deixando o modo single player bastante longo e interessante. A cada objetivo completado o jogador recebe uma quantia de dinheiro, que pode ser convertido em soldados, veículos ou qualquer outro tipo de tranqueira bélica. As cifras geralmente não são muito grandes, de forma que certa parcimônia se faz necessária na administração dos fundos. Outro fator que interfere na quantidade de dinheiro disponível é a opinião pública. Sim, uma equipe de repórteres segue a equipe passo a passo; e o desempenho do jogador nas missões pode gerar uma repercussão boa ou ruim, aumentando ou diminuindo os fundos dados como recompensa.

Apesar de não ser comum se tratando de jogos de estratégia em tempo real, a Sierra resolveu inventar moda e dar certo realismo ao jogo. A começar pelas armas e equipamentos bélicos utilizados; todos eles vindos direto do mundo real. Em JFT o jogador pode lançar mão do que há de mais avançado na indústria bélica, incluindo aviões invisíveis a radar, helicópteros, tanques, e por aí vai. Tudo a seu preço, claro. E muitas vezes esse preço acaba sendo muito mais alto do que o jogador se sentirá confortável em pagar, mas quem foi que disse que o mundo é justo?

E o realismo do jogo vem a um preço consideravelmente alto: por mais fortes ???e mais caras ??? que sejam suas unidades, elas provavelmente não vão durar muito. A frustração de ver um avião de milhões de dólares indo ao chão depois de ser atingido por um míssil atirado por um simples soldadinho pode ser grande demais para os jogadores de coração mais fraco. E um contingente maior de soldados não necessariamente significa superioridade bélica, pois o mesmo soldadinho pode, ao invés de derrubar o avião, disparar o míssil contra aquele pelotão tão bem planejado, matando todos de uma vez só.

A IA impiedosa irá fazer com que o jogador tenha que planejar cada movimento caso não queira ser cruelmente esmagado. E esse planejamento constante costuma quebrar o clima do jogo, já que muitas vezes será necessário solicitar a vinda de novas tropas e reconstruir seu exercito antes de seguir em frente. E o pior de tudo é que as batalhas em si duram muito menos tempo que o que foi gasto planejando, quer você vença ou não. ?? comum a ação terminar antes mesmo que o jogador se dê conta do que aconteceu. E como provavelmente várias das estratégias darão errado, é bom o jogador ir se acostumando com a idéia de ter de dar load seguidas vezes para lutar contra os mesmos inimigos, e que voltar no tempo e repensar uma missão inteira não é vergonha para ninguém.

Nós queremos VOC??!


Em questões gráficas, JTF esbanja. Os cenários são muito bonitos, as texturas bem feitas e as unidades extremamente detalhadas, mesmo reduzindo um pouco a qualidade. Fato é que para ver tudo como deveria ser, o jogador precisará de uma máquina muito boa: um Athlon 64 3200+ com 1 GB de RAM e uma ATI Radeon X550 não deu conta do recado. Mas a questão é um pouco mais complicada, pois mesmo com o melhor dos computadores a framerate ainda assim irá cair em alguns momentos, quando a tela estiver cheia de unidades e fumaça e destroços; e muito provavelmente essa queda na taxa de quadros ocorrerá num momento chave do combate, fazendo com que o jogador perca o combate e precise voltar atrás.

Mas o problema maior de Joint Task Force não é a framerate que cai em momentos importantes, e muito menos o fato de ser mais pesado do que a maioria dos computadores suporta. O que mais incomoda é a inteligência artificial, que sempre dá um jeito de te atrapalhar. Pequenos detalhes como soldados que não procuram cobertura e tanques que preferem atacar soldados a atirar contra os tanques inimigos atrapalham e muito o transcorrer do jogo. Além disso, os veículos ??? especialmente os tanques ??? parecem apresentar uma dificuldade muito grande em se deslocar de um ponto A para um ponto B. Principalmente quando eles estão agrupados em um número maior que dois. Ver tanques girando no mesmo lugar e caminhões fazendo cinqüenta manobras para passar em uma fresta onde caberiam dois pode ser divertido no início, mas quando o jogador começa a perder unidades pelo fato de seus veículos não saberem se localizar no espaço a graça some e dá lugar à indignação. E logicamente as unidades controladas pelo computador sofrem muito menos com esses problemas, ou assim parece.

Já os modos multiplayer são um grande ponto positivo. Com a possibilidade de se jogar por rede e pela internet, a ação transcorre de maneira mais rápida e eficaz. As várias opções dadas antes da partida começar permitem modificar muita coisa dentro do jogo e assim mudar um pouco as características do combate e corrigir alguns dos pontos negativos. ?? possível, por exemplo, escolher com qual facção jogar ??? JTF, Ditadores ou Terroristas ??? e dentro de cada facção ainda pode-se escolher o comandante, cada um com suas próprias características. Há ainda um modo cooperativo, onde os jogadores se aliam para vencer as missões normais do jogo.

E enquanto os belos efeitos sonoros como os tiros de canhão e motores de helicóptero ajudam a colocar o jogador literalmente no meio do fogo cruzado, a dublagem de quinta categoria o fará imaginar estar dentro de uma novela mexicana.

O Veredicto:
Joint Task Force é um jogo de estratégia em tempo real que consegue fugir dos temas clássicos e trazer o combate para os tempos modernos. Apresenta ótimos gráficos, um Story Mode decente e um Multiplayer divertido, mas a IA deficiente, as quedas na framerate e o fato de que se passa mais tempo planejando do que atirando certamente irão desanimar os sedentos por sangue. Mas fato é que JTF é um jogo que vale a pena conferir; não é todo dia que se tem a oportunidade de se comandar a nata da indústria bélica mundial.

Prós:

- Modos de jogo divertidos;
- Unidades de combate reais;
- Gráficos extremamente detalhados;
- Bombardear terroristas é bastante divertido.


Contras:

- IA ignorante;
- Tanques e afins não valem o quanto custam;
- Piscar na hora errada pode significar morte certa;
- Bastante pesado;
- Constantes quedas na framerate.


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