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Review de Lost Planet: Extreme Condition para X360 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Belas imagens de divulgação e dois demos podem ser essenciais para que um jogo consiga atrair muita atenção, mas não é só por estes que Lost Planet: Extreme Condition foi um dos títulos mais esperados do começo do ano: o novo jogo da Capcom é produzido por Keiji Inafune, o criador das conceituadas séries de Mega Man e Onimusha.

Em Lost Planet: Extreme Condition, o jogador deve entrar na pele de Wayne, um jovem que se esqueceu de quase tudo ??? exceto de que ele deve vingar a morte de seu pai. A combinação entre um passado confuso e uma amnésia providencial faz com que o principal objetivo dos jogadores seja descobrir o que Wayne andou esquecendo, e ajudá-lo a resolver negócios inacabados.

Frio pra caramba


O confuso Wayne pode até ser o personagem principal de Lost Planet, mas sua humilde presença é facilmente ofuscada pelo verdadeiro astro do jogo: o planeta E.D.N. III. Os cenários em Lost Planet são realmente impressionantes, de cidades congeladas a cavernas cheias de lava, passando por quase todo tipo de variação possível de terreno nevado. Grande parte das fases acontece em campo aberto, e os mapas enormes e outros elementos visuais do jogo, como a fumaça gerada por foguetes e explosões, conseguem transmitir uma sensação de escala e realismo bem interessante.

Acompanhando os belos cenários, a ambientação geral de Lost Planet é igualmente interessante. Na história do jogo, o planeta E.D.N. III é um local permanentemente frio, mas ainda assim um local que poderia abrigar uma colônia humana fora da Terra. Mas tão logo a civilização começou a se estabelecer em E.D.N. III, uma soma das condições climáticas extremas e as batalhas constantes com os insectóides nativos do planeta, os Akrid, fez com que a humanidade recuasse e desistisse da colônia. Mas em determinado momento da linha do tempo de Lost Planet, a organização NEVEC retorna a E.D.N. III com a ambição de transformar o planeta em um local menos rigoroso, com o misterioso projeto Frontier.

Até aí, tudo bem, mas ao contrário da história bem fundamentada, a parte especifica do enredo que trata do personagem principal é bem falha, mal desenvolvida e cheia de furos. E é justamente na seqüência de eventos em que o jogador participa que a história de Lost Planet fica ruim.

Os acontecimentos do jogo não são bem conectados entre si, e as longas cenas de corte, ainda que bem bonitas, não conseguem cumprir sua função principal de aprofundar na trama. Todos os personagens são vazios e mal explorados, mesmo aqueles que não têm amnésia, e é bem difícil que o jogador encontre algum carisma nesses. Resumindo: enquanto a descrição geral do cenário é ótima, a roteiro especifico de Lost Planet é um desperdício, e serve mais como uma desculpa para colocar Wayne em mechs detonando legiões de inimigos.

Os inimigos, em contrapartida, são muito bons. O principal tipo de oponente em Lost Planet é os Akrid, a raça nativa de E.D.N. III. Grande parte dos Akrid têm aparência de insetos gigantes, similares aos alienígenas de ???Tropas Estelares??? (Starship Troopers), sendo que alguns são de tamanho humano, enquanto outros verdadeiramente colossais. Os Akrid sobrevivem no planeta gelado graças a uma reserva pessoal de energia térmica que todos carregam e que, geralmente, é o ponto fraco dos mesmos. Além dos insetos, os outros inimigos de Wayne são os piratas da neve (Snow Pirates) -- humanos que foram deixados para trás quando a humanidade recuou do planeta, e hoje são criminosos que caminham em busca de fontes de calor e outros suprimentos; e a organização NEVEC, que conta com equipamentos de última geração para lidar com os seus inimigos.

Mas apesar da grande variedade de oponentes, existe uma coisa em comum em todos eles: a fraca inteligência artificial. Tanto insetos quanto humanos são completamente irracionais nos combates, atacando sem buscar cobertura e sem recuar. Além disso, a percepção destes é bem estranha: se o jogador estiver a léguas de distância, no campo visual dos oponentes, é possível que eles não enxerguem a ameaça até que o jogador fique bem próximo destes. Da mesma forma, se o inimigo está de costas para o jogador, não adianta tentar ser sutil e arriscar um ataque furtivo, que tão logo Wayne se aproxime, o inimigo irá virar imediatamente e atacar, como se já estivesse esperando por isso.

Esmagando insetos


A energia térmica em si tem um papel muito importante em Lost Planet. Pelo fato do planeta ser excessivamente gelado, é necessária uma fonte extra de calor para impedir que os humanos congelem junto à paisagem de E.D.N. III. Todos, sem exceção, carregam algum tipo de calor para sobreviver, que pode ser facilmente identificado pelo seu brilho laranja. No caso do personagem principal, o calor é representado por um contador no canto superior esquerdo da tela, que vai se esgotando a cada segundo. Uma vez que a energia térmica esgota, a barra de vida do jogador começa também a cair, até que o mesmo morra congelado.

Mas não é complicado conseguir calor em Lost Planet, e serão raras as vezes que o jogador irá perder por isso. Graças a um aparelho acoplado ao braço chamado Harmonizer, Wayne pode absorver energia térmica de diversas fontes, incluindo aquela encontrada em inimigos como os Akrid, sendo que a regra básica é: quanto maior o inimigo, maior a recompensa em calor. O Harmonizer de Wayne também garante outra vantagem ao personagem: qualquer dano sofrido pode ser imediatamente regenerado mediante um custo em calor, o que faz com que Wayne seja quase imortal, caindo apenas com danos massivos de uma só vez, ou quando o calor acaba.

Além do Harmonizer, Wayne conta com uma série de equipamentos em sua jornada, incluindo um clássico gancho com corda para escaladas e uma larga variedade de armas e granadas, que são encontradas no percurso dos mapas. Wayne só pode carregar um tipo de granada e duas armas de cada vez, e estas geralmente são mais do que o bastante para vencer qualquer inimigo. As opções de armas variam de metralhadoras e escopetas até lança mísseis e armas laser, sendo que as ultimas gastam energia térmica ao invés de munição. E se não bastar, também é possível remover e utilizar as armas das Vital Suits, os mechs presentes no jogo.

As Vital Suits, ou V.S., são mechs um pouco maiores que humanos que foram criados para combater os Akrid. Além de ser um conceito bem bacana, as V.S. contam com um design muito bom, com diversos modelos diferentes. Cada modelo conta com uma habilidade especifica: alguns saltam alto, outros se transformam em veículos, e por aí vai. Também é possível customizar as armas que a V.S. carrega removendo e colocando outras. A V.S. padrão costuma carregar duas armas, uma acionada pelo gatilho direito do controle, e outra acionado pelo esquerdo, fazendo com que os controles sejam bem intuitivos. Grande parte das fases do jogo são feitas visando o uso das V.S., assim como certos tipos de inimigo, mas definitivamente o mais divertido de fazer com uma V.S. é enfrentar outra V.S., geralmente nas melhores batalhas do jogo.

Lost Planet: Extreme Condition conta com um single player relativamente curto, não durando mais que 10 horas. Para compensar, o jogo traz um multiplayer bem douradouro. São 8 mapas, e quatro modos diferentes de jogo: os clássicos deathmatch e team deathmacth; um modo de todos contra um, e um modo em que duas equipes devem ativar aparelhos nos mapas e defende-los, de forma similar aos pontos de conquista de Battlefield. As batalhas contra pessoas de verdade são bem melhores que contra a inteligência artificial falha do jogo, mas infelizmente, a maior parte dos servidores é estrangeiro, e é bem difícil encontrar um jogo sem lag.

O Veredicto:
Mesmo sendo mais um shooter no Xbox 360 e sem grande brilho, Lost Planet: Extreme Condition merece ser experimentado. A ambientação é muito boa, mas a trama e os personagens são mal explorados, deixando certo ???vazio??? nesse quesito. E para piorar, a inteligência artificial do jogo é bem fraca, incapaz até mesmo das mais simples estratégias. Mesmo assim, Lost Planet cumpre bem sua função de jogo tiro, graças às boas batalhas contra chefes, belos cenários, ótimos mechs e um multiplayer sólido.

Prós:

- Os Mechs;
- Multiplayer bom;
- ??timo design dos cenários;
- Ambientação interessante.


Contras:

- Personagens desinteressantes;
- Trama incoerente;
- Inteligência artificial bem ruim.


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Outer Space
8/ 10
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