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Review de Romance of the Three Kingdoms XI para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Romance of The Three Kingdoms XI é o mais novo jogo da série de jogos de estratégia em turnos da Koei, baseada em um livro homônimo que relata parte da história antiga da China, mais precisamente no período dos Três Reinos, que aconteceu no final da dinastia Han.

Que fique claro: o ???XI??? realmente significa que essa é a décima primeira edição da série que começou em 1985 no Japão. Além de diversas adaptações em várias plataformas ao longo dos anos, algumas outras séries de jogos da Koei são derivadas da mesma propriedade intelectual, como Dynasty Warriors, Dynasty Tactics, e ainda existem alguns RPGs biográficos sobre os principais heróis de Romance of The Three Kingdoms.

História chinesa em turnos


Romance of The Three Kingdoms é uma enorme história sobre o turbulento fim da dinastia Han, que culminou na era dos Três Reinos, um período entre os anos de 220 e 280 depois de Cristo. Nesta época, três grandes forças disputaram o poder na China: o reino de Wei, criado e inicialmente comandado pelo infame Cao Cao; o reino Shu, de Liu Bei, um parente distante do imperador que se proclamou herdeiro da dinastia Han; e o reino de Wu, comandado pelo general Sun Jian, que na verdade não tinha ambições de se tornar o novo imperador da China -- apenas não queria que Liu Bei ou Cao Cao tomassem essa posição.

Já o livro ???Romance of The Three Kingdoms???, que inspirou o jogo, foi escrito no século 14 por Luo Guanzhong, que, por sua vez, se baseou em relatos históricos e uma compilação conhecida com ???Crônicas dos Três Reinos???, que contava várias histórias do período e foi habilmente interligadas por Guanzhong em seu aclamado romance.

Com uma base histórica e literária tão interessante, não fica difícil para os produtores da Koei (que já devem ser experts no tema) formar um bom pano de fundo para o jogo. E de fato, o desenvolvimento do enredo é muito bom, sem deixar de lado uma impressionante fidelidade histórica. Neste quesito, Romance of The Three Kingdoms XI consegue ser realmente excelente, dando uma verdadeira aula de história chinesa por turnos.

Para abranger o máximo do período, Romance of The Three Kingdoms XI possibilita jogos a partir cenários de determinados momentos importantes ou que o jogador comece a batalha pela supremacia da China logo no início da confusão. Além disso, também existem alguns cenários não-históricos que podem ser divertidos. ?? possível jogar com até quatro jogadores dividindo até o mesmo controle. Mas existem dois pequenos problemas logísticos em relação ao multiplayer: por se tratar de um jogo de estratégia em turnos, é melhor que os outros jogadores não estejam de olho na tela quando não estiverem jogando, afinal, não é nada divertido que todos saibam das tácticas e movimentações secretas dos outros. E Romance of The Three Kingdoms XI é um jogo que demanda muito tempo, e mesmo partidas com só um jogador podem demorar até alguns dias, dependendo do cenário. Muitos jogadores não só multiplicam o tempo que será gasto jogando como também aumentam o desafio, e por conseqüência, deixam as batalhas mais longas.

Mas para qualquer um que queira se aventurar nas crônicas dos Três Reinos, um aviso: o jogo tem um ritmo bem lento, mesmo para os padrões de estratégia em turnos. Conquistar uma única cidade é uma tarefa que deve tomar muitas horas para ser bem executada, e ainda assim, os menores descuidos podem ser fatais. Apenas os tutoriais de Romance of The Three Kingdoms XI levam quase cinco horas para serem jogados, e quem resolver se arriscar sem jogar todos os tutoriais não deve conseguir ir muito longe no jogo.

Não que Romance of The Three Kingdoms XI seja excessivamente difícil de aprender. A verdade é que ele conta com muitas opções com mecânicas relativamente densas, e cabe ao jogador administrar tanto as cidades quanto os exércitos, além de ter de lutar em duelos e em debates. Não é a complexidade dessas atividades que leva tempo em Romance of The Three Kingdoms XI, e sim a obrigatoriedade de realizar todas estas tarefas.

As mecânicas das tarefas são relativamente parecidas entre si: para quase tudo que o jogador fizer, desde construir edifícios até criar exércitos, passando pela criação de equipamentos e tarefas diplomáticas, é preciso designar oficiais responsáveis dentre vários disponíveis (grande parte deles figuras históricas reais) para realizar a tarefa. Cada oficial possui diferentes atributos e, dependendo da tarefa, é mais adequado escolher com cuidado os responsáveis. Um oficial com um alto valor no atributo de WAR pode ser melhor para liderar exércitos, enquanto um oficial com alto carisma tem chances maiores de restaurar a ordem de uma cidade.

Já as batalhas funcionam da seguinte forma: depois de formar um pelotão com equipamentos selecionados e um oficial como comandante, o jogador passa a controlar este pelotão no mapa do jogo. Dependendo do tipo de equipamento e do comandante, o pelotão pode fazer diferentes ataques e estratégias, além de construir edificações de batalhas e armadilhas nos mapas. Os pelotões ficam um tempo limitado no mapa, que é restrito pelo suprimento de comida dos mesmos. Caso este esteja próximo de esgotar, é melhor retornar com as tropas para a cidade e repor os estoques.

Além disso, existem dois tipos de batalhas especiais: os duelos e os debates. Os duelos são batalhas decisivas entre dois comandantes de exércitos diferentes que são realizados com lanças sobre cavalos. O jogador conta com algumas opções durante a batalha, podendo até mesmo fazer alguns ataques especiais com seu comandante, mas o controle sobre este é bem restrito. Ainda assim, os duelos às vezes são interessantes para quebrar o clima de tédio. Já os debates funcionam de forma bem interessante, com uma mecânica similar à de um jogo de cartas. Os jogadores devem escolher entre uma ???mão??? de opções que tipo de atitude seu oficial irá tomar, que será rebatida pelo seu oponente. A cada vitória sobre o oponente, o jogador causa dano ???moral??? no mesmo, e quando este chegar a zero, o oponente perde o debate. Simples e divertido.

???Melhor ouvir isso que ser surdo???


Na maior parte do tempo, o visual de Romance of The Three Kingdoms XI se resume a um mapa da China com cidades e unidade se movendo sobre ele, em uma técnica que imita uma pintura a nanquim, como em Okami. Não há do que reclamar, afinal, os gráficos nunca foram prioridade em jogos de estratégia em tempo real. Já nos duelos e nos debates, o jogo conta com um visual bem bonito, com personagens animados decentemente.

Já a parte sonora é bem falha. São pouquíssimas narrações e vozes, e durante o tempo todo uma mesma música repetitiva persiste, para entediar qualquer um. Além disso, os sons dos combates, duelos e debates são bem frustrantes e igualmente repetitivos, o que faz de Romance of The Three Kingdoms IX um fiasco sonoro. Um pouco mais de dedicação nesse aspecto melhoraria bastante o jogo, afinal, o gênero de estratégia em turnos já não tem um ritmo muito veloz, e uma trilha sonora arrastada e repetitiva ajuda a formar uma combinação ótima para espantar quem quiser se aventurar na série.

O Veredicto:
?? até difícil entender como um jogo de estratégia em turnos com gráficos simples e um ritmo bem lento, orquestrado por uma trilha sonora repetitiva, possa ser tão divertido e interessante, mas Romance of The Three Kingdoms XI não é de fácil compreensão mesmo. Mas assim que o jogador dedicar algumas horas ao aprendizado do jogo, muitas outras horas recompensadoras de diversão virão em seguida. Com uma jogabilidade bem completa, Romance of The Three Kingdoms XI é um verdadeiro achado para quem gosta do gênero, assim como quem quer saber um pouco mais sobre a história da China antiga.

Prós:

- Jogabilidade complexa e divertida;
- Fidelidade histórica e literária;
- Sistema de debates interessante;
- Boa durabilidade.


Contras:

- Ritmo lento;
- Trilha sonora repetitiva.


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