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Review de RF Online para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


A Level Up! Games surgiu há alguns anos com uma missão para muitos impossível: inserir o Brasil no mundo dos MMORPGs pagos. E ao contrário do que a grande maioria esperava, a iniciativa vai muito bem, obrigado, cada vez com mais títulos em seu acervo. E depois de grandes sucessos como Ragnarök Online e o intenso Guild Wars, a Level Up! não deve se dar tão bem com Rising Force Online, que é uma tentativa falha de explorar um mercado já saturado utilizando conceitos reciclados e que em nada acrescenta ao gênero.

Liberdade, crença e poder


O ano é 9000 d.C, e a história se passa no fictício planeta Novus, localizado num sistema solar chamado Harp Vega. Novus, apesar de ser um planeta teoricamente pacífico, é o palco de uma das mais ferozes batalhas que o universo já viu: três raças distintas, sendo que todas elas já foram humanas um dia, lutam com todas as forças pelo controle das minas do planeta e pelos metais misteriosos nelas encontrados. Não é um enredo ruim, mas em momento algum durante o jogo a história do planeta e das raças é mencionada. Para se obter qualquer informação a esse respeito, é necessário que o jogador tenha a boa vontade de recorrer ao manual.

Para iniciar o jogo é preciso primeiramente declarar aliança a uma das três raças, ou seja, criar seu primeiro personagem. E aliar-se é, de fato, o termo mais correto para explicar o que acontece em RF Online, já que apesar de o jogador poder possuir vários personagens em sua conta, todos eles serão da mesma raça; portanto é bom pensar bem em qual delas escolher. Cada facção apresenta suas próprias características e seus próprios motivos para estar na batalha: os Bellato são o que sobrou da raça humana, agrupados em uma federação comercial que busca expandir-se cada vez mais; os Coritas são fanáticos religiosos que, com a ajuda de seu deus Decem, buscam a salvação; e os Acrecianos são seres mecanóides que abandonaram seus corpos carnais em busca de força física, e com isso subjugar todos que cruzarem seu caminho. Mas no final, ou melhor, no começo, tudo é bem igual. Isso porque as classes iniciais ??? guerreiro, caçador, especialista e espiritualista ??? são iguais para todas as raças, exceto para os Acrecianos, que não podem ser espiritualistas. Controlando um robô gigante ou um mago com traços élficos, o jogador será apenas mais um na multidão até que atinja o nível 30, que é quando se torna possível escolher uma classe intermediária, evoluir dentro de sua raça e participar de PVPs sem ser massacrado. Enfim, é quando o jogo começa de verdade.

Mas até lá há muito trabalho pela frente. Para chegar ao tão almejado nível 30, o jogador terá que cumprir uma série de quests que o ajudará a conseguir pontos de experiência de uma maneira mais eficaz. Mas acontece que o sistema de quests de RF Online é mais uma boa idéia mal aproveitada. Ao invés de usar missões como uma forma de dar ao jogador uma chance de conhecer melhor a história do jogo, assim como o planeta que agora ele habita, elas se resumem a matar um número X de monstros de uma determinada espécie ou ajuntar um monte de tralhas sob a desculpa de que serão usadas para pesquisas científicas. E para piorar, não é nem preciso se preocupar em como ativar as quests ou o que fazer quando se cumpre a missão: tudo se resolve por conta própria. As supostas informações científicas são enviadas instantaneamente para os respectivos quartéis generais, enquanto novas missões surgem como pop-ups intermináveis na tela. Assim, sobra mais tempo para clicar nos monstros e observar suas barras de vida diminuir. Tudo bem que clicar e observar é a base da grande maioria dos MMORPGs, mas até que se chegue a níveis altos, é só o que há para fazer. E, sendo um iniciante, é melhor se poupar do trabalho de tentar se engajar socialmente, pois o máximo que se pode obter disso é ser excluído ou ignorado.

Minerar é outra alternativa importante, e certamente enfadonha. O objetivo desta prática é conseguir determinados minerais que, uma vez refinados, podem vir a se tornar armas e equipamentos extremos, ou simplesmente uma ótima fonte de renda para aqueles dotados de paciência sobre-humana.

Quando finalmente se chega ao nível 25, o jogo muda um pouco de cara e fica bem mais interessante. A cada oito horas, todos os jogadores com nível maior ou igual a 25 serão convocados a guerrear por sua raça na chamada Guerra dos Chips, com direito a semideuses e robôs imensos. A princípio, as Guerras serão só mais uma fonte de frustração, pois é quase impossível fazer algum estrago real quando se está no nível 25, mas, independente de classe, guilda, crença, cor da pele ou qualquer outra coisa, na hora da Guerra o que vale é o orgulho de lutar por sua raça. Isso e o controle das minas. A raça que vence a guerra tem o direito de acessar o subsolo das Minas Íngremes, que é o local com a maior quantidade de minerais raros em todo o continente; e obter esses minerais é o que garantirá o triunfo de quem quer que o faça. Os que entrarem sem serem convidados serão impiedosamente esmagados pelo Guardião, que por sua vez é o único ser soberano conhecido do mundo de Novus, tão invencível quanto os Guardas invocáveis de Ultima Online. E caso alguém se ache bom ??? ou ruim ??? demais para arriscar a vida no front, será considerado desertor e sofrerá penalidades.

No pain, no gain


Enquanto a maioria dos MMORPGs tenta enfatizar a diversão e o trabalho em grupo como forma de atrair e manter jogadores, esses são dois conceitos praticamente esquecidos em RFO. Além da mecânica ser um tanto quanto penosa, o jogo inconscientemente incentiva o jogador a manter-se isolado das multidões se quiser que suas caçadas sejam frutíferas, sem contar com todos os outros problemas citados antes, e otras cositas más.

Os gráficos são um tanto quanto simples, principalmente quando comparados com outros jogos da atualidade. As texturas pobres, cenários mortos e vazios e a falta de detalhes podem frustrar alguns, mas para compensar os personagens apresentam um nível de detalhamento decente, assim como suas movimentações. E uma vantagem interessante garantida pela simplicidade gráfica é o desenrolar fluído do jogo, que roda tranqüilo na maioria das maquinas atuais, desde que se possua uma boa conexão com a internet.

Mas o que torna RFO uma experiência fraca não é a qualidade dos gráficos, mas sim a jogabilidade e si. Pequenos detalhes como controles limitados e não customizáveis podem passar despercebido por alguns, mas o trabalho que dá cumprir as quests e subir de nível não é tão irrelevante. Aos jogadores que têm amigos no jogo, é bom rezar para que eles façam parte da mesma raça, ou será impossível interagir com ele de outra forma que não os atacando. E mesmo que se tenha amigos da mesma raça, não é difícil perceber que caçar em grupo é um verdadeiro atraso de vida, pois a quantidade de experiência que se ganha diminui e o trabalho de matar os monstros aumenta numa relação exponencial. O que era para ser diversão acaba se tornando obrigação e, por mais interessante que o jogo possa se tornar mais para frente, nem todo mundo vai ter paciência para conferir. E mesmo sendo o PVP o enfoque principal do jogo, há apenas um mapa destinado a isso.

Apesar dos efeitos sonoros sofríveis e repetitivos, a trilha sonora consegue criar certa atmosfera e fazer com que o jogador se sinta dentro do jogo pelo menos um pouquinho,mas não o suficiente para salvar o dia.

O Veredicto:
Rising Force Online é um MMORPG que, seguindo a linha high-fantasy com pitadas de sci-fi, tenta abrir novas portas e possibilidades no mundo dos jogos online, mas ao invés disso oferece uma jogabilidade cansativa, com elementos reciclados de tudo o que há no mercado e que em nada adiciona ao gênero. Isso aliado à simplicidade do mundo, à repetitividade das batalhas, o inconsciente apelo à singularidade e principalmente o fato de que é preciso pagar para jogar faz com que RFO, por mais interessante que seja o tão aclamado sistema de PVP, mereça ser deixado de lado pela maioria dos jogadores, exceto talvez pelos mais hardcore.

Prós:

- PVP intenso e divertido;
- Armas de destruição em massa;
- Roda bem na maioria das máquinas;
- Trilha sonora bacana.


Contras:

- Jogabilidade repetitiva;
- Nada inovador;
- Pouco customizável;
- Não estimula interação social;
- Enredo deixado de lado.


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