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Review de Virtua Fighter 5 para PS3 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Presente nos arcades japoneses desde 12 de julho de 2006, finalmente chega a hora de Virtua Fighter 5 sair para consoles. Nesta quinta apresentação, por enquanto disponível apenas para Playstation 3, a série de luta da SEGA chega com fôlego renovado por gráficos em alta-definição e pela adição de dois novos lutadores, mas a falta de um modo online e a inteligência artificial pouco apurada mostram que esta primeira iniciativa ainda está um pouco aquém das expectativas para a série na nova geração.

Soco, Chute e Defesa


Geralmente, jogos de luta não dão muita bola para coisas como enredo, história ou coerência. Basta colocar alguns parágrafos de enrolação no começo e no final do jogo, para cada personagem, que já é o bastante para contextualizar a pancadaria. Quem sabe, até algumas cenas de corte em CG nos grandes momentos. No caso de Virtua Fighter 5, não tem nada disso: o jogo é pura pancadaria mesmo. Certamente existe algum tipo de enredo por trás, mas não foi feito nenhum esforço para contá-lo desta vez. Dá pra vencer o jogo muitas vezes sem saber uma única linha do background de cada personagem além do nome e do estilo de luta. Mas, afinal de contas, não é preciso de mais que isso para uma boa porrada virtual.

Em contrapartida, é fato que os lutadores de Virtua Fighter 5 não conseguem ser tão carismáticos quanto os de outros jogos de luta. Além do ???problema??? do enredo, a aparência ???mundana??? dos personagens também não colabora para deixá-los mais interessantes. O lado bom disso é que não existe nenhum dinossauro, urso ou monstro verde brasileiro lutando. A única esquisitice do jogo é Dural, que é uma Cyborg, e por conseqüência, uma das personagens mais famosas da série. Na nova versão de Virtua Fighter, voltam 17 lutadores das edições antigas, e chegam mais dois novos personagens para a arena: um deles é a garota Eileen, que luta o Kung Fu do macaco. O outro é El Blaze, um lutador de ???Lucha Libre???, que parece saído do bom e velho Telecatch.

O estilo de luta dos personagens em Virtua Fighter continua sendo um show a parte. Os programadores sempre tiveram certa preocupação com a fidelidade dos movimentos marciais na série, mas, desta vez, o cuidado rendeu frutos bem visíveis. Todos os estilos presentes no jogo são muito bem representados, com direito a animações extremamente competentes, desde o Judô de Gon Hinogami até o Kung Fu Shaolin de Lei-Fei. Os golpes estão bem realistas também ??? são raríssimas as vezes que algum jogador poderá acusar um personagem de executar uma técnica humanamente impossível, e mesmo nessas situações, é provável que seja apenas um movimento muito difícil. Já as animações dos lutadores apanhando não são tão boas quanto às dos mesmos quando estão batendo, e não é raro ver os personagens caírem de um jeito estranho no chão.

E enquanto os estilos de luta de Virtua Fighter 5 são complexos e detalhados, os controles para se jogar continuam bem simples e relativamente fáceis. Além da movimentação, existem apenas três comandos: Soco, Chute e Guarda. Parece um desperdício usar apenas três dos botões do Sixaxis para um jogo de luta com tantos movimentos, mas a verdade é que um dos grandes orgulhos da série está nesta simples configuração. A jogabilidade fica bem fácil para iniciantes, que devem se preocupar com só três botões, e em contrapartida, golpes mais complexos exigem muito mais habilidade dos jogadores que outros títulos do gênero. O único ponto contra na jogabilidade é que os controles não são exatamente intuitivos, e sem uma breve consulta à lista de golpes, é impossível aprender novas técnicas.

Já na parte visual, Virtua Fighter 5 consegue explorar muito bem o potencial gráfico do Playstation 3. ?? óbvio que não deve demorar muito para que os próximos jogos do console ultrapassem esse nível, mas, por enquanto, Virtua Fighter 5 é um dos títulos mais bonitos da plataforma de nova geração da Sony.

Os golpes bem animados dos personagens costumam ser muito bem acompanhados pela movimentação das roupas e cabelo do mesmo, e alguns cenários do jogo contam com um ambiente interativo. E estes cenários estão excelentes no quesito visual, com construções, paisagens e objetos bem detalhados. Já o design dos ambientes também é muito bom: às vezes dá vontade de parar a luta um pouco e admirar a paisagem. Em contrapartida, o jogo ficou devendo um pouco no quesito sonoro: as vozes dos personagens estão boas, mas o som ambiente e as músicas são muito inexpressivos e pouco envolventes.

Online?


Como qualquer título de luta, Virtua Fighter 5 conta com alguns diferentes modos de jogo. O mais clichê, e sempre presente, continua sendo o Arcade, o modo clássico, onde o jogador deve enfrentar diversos lutadores até no final ter uma chance de encarar Dural. Além deste, existe o modo Dojo, que é, na verdade, o famoso modo treino, onde é possível aprender a jogar espancando um oponente que não faz nada e nunca morre; o modo Versus, onde dois jogadores se enfrentam; e o modo Quest, onde o jogador deve enfrentar oponentes controlados por inteligência artificial em arcades virtuais.

O Quest é de longe o modo mais curioso. Funciona da seguinte forma: o jogador cria uma conta, na qual ele deve se limitar a escolher um único personagem para todo modo. Depois, em uma espécie de mini-mapa, existem diversos arcades virtuais, e o personagem deve entrar nestes para enfrentar vários oponentes em seqüência, como se fossem jogadores de carne e osso em um arcade real. Conforme o jogador vai vencendo essas batalhas, ele recebe promoções de nível e ganha dinheiro virtual para gastar em customizações.

Apesar de interessante, o Quest aponta dois grandes defeitos presentes em Virtua Fighter 5. O primeiro, e mais óbvio, é a ausência de um multiplayer online no jogo. O modo Quest parece uma tentativa de simular jogos com pessoas reais, como se fossem partidas na internet, mas, na verdade, o que ele faz é deixar mais evidente a falta que faz um modo online no jogo, e que tecnicamente poderia até existir. Se fosse online o Quest seria bem mais divertido: é meio ridículo enfrentar IAs que imitam jogadores de fliperama.

O outro defeito está na inteligência artificial do jogo em si. Depois de detonar muitos oponentes virtuais, fica fácil perceber seqüências e golpes que os inimigos nunca vão conseguir se defender, possibilitando que o jogador ganhe de qualquer um com apenas um tipo de golpe. Ou seja, em pouco tempo enfrentar lutadores virtuais perde a graça, e só mesmo o modo versus garante longevidade ao jogo.

O Veredicto:
A boa jogabilidade, movimentos bem animados e alta fidelidade às artes marciais fazem de Virtua Fighter 5 um jogo certo de agradar a quem gosta do gênero. O visual também é um espetáculo à parte: além de ótimas animações, tanto os cenários quanto os personagens estão ótimos graficamente, explorando bem o potencial do PS3. Mas, apesar de contar com o criativo modo Quest, um pouco de jogatina online faz muita falta no novo Virtua Fighter, e como a inteligência artificial decepciona bastante com o tempo, acaba que o modo versus, com dois controles e dois jogadores, continua sendo a melhor opção.

Prós:

- Gráficos excelentes;
- Fidelidade aos estilos de luta;
- Animações muito competentes.


Contras:

- Sem modo online;
- Inteligência artificial fraca;
- Músicas e sons ambientes medianos.


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