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Review de Crackdown para X360 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Para muita gente, o melhor jeito de resolver o problema do crime é jogando uma granada no colo dos bandidos. O novo jogo da Microsoft, Crackdown, mostra como seria uma possível aplicação dessa teoria: o grande objetivo é detonar os criminosos controlando um agente geneticamente modificado, fortemente armado, em uma espécie de GTA às avessas.

Crackdown foi criado por David Jones, que conta com excelentes clássicos no currículo, como os primeiros Lemmings e Grand Theft Auto. O estilo de humor sujo e irônico do autor está presente com força total em Crackdown, e para qualquer desavisado que não entenda a piada, fica a impressão de que o jogo não passa de um grande massacre nazista.

GTA meets Judge Dredd


Com muitos poderes e nenhuma personalidade, o personagem principal de Crackdown é um super policial criado com ajuda de engenharia genética, cuja missão é limpar Pacific City da escória criminosa. Na teoria, a jogabilidade de Crackdown é bem parecida com a de GTA, onde é possível caminhar livremente pelas ruas, roubar carros (confiscar, no caso de Crackdown), atirar ou bater em qualquer transeunte e explodir coisas, além de realizar missões, ou não.

Mas, na verdade, os dois jogos não são tão parecidos assim. As principais diferenças estão na existência dos super-poderes do personagem principal, também chamado de agente. Enquanto em GTA é bem divertido roubar carros e atropelar transeuntes, em Crackdown é possível carregar um carro, saltar para o topo de um prédio, arremessá-lo na avenida e explodi-lo com uma bazuca antes que o dito cujo chegue no chão. Além do mais, a direção não ficou muito caprichada no jogo, assim como os poucos e desinteressantes veículos disponíveis.

E quem precisa de carros? Em Crackdown, a idéia é sair pulando pelos prédios a la Homem-Aranha mesmo, até por que o ambiente no topo dos edifícios é bem mais caprichado que o nível do solo. Explorar um novo distrito de Pacific City, na maior parte das vezes, quer dizer escalar alguns prédios e brincar de Parkour nos telhados da cidade. Inicialmente, é um pouco estranha essa nova forma de jogabilidade, principalmente para os fãs tradicionalistas de GTA. Mas é só um pouco de costume até que fique bem divertido. Existem até mesmo ???corridas??? que acontecem no alto dos prédios, em que o jogador deve chegar o mais rápido possível do ponto A ao ponto B, passando por uma série de checkpoints no caminho. E existem corridas tradicionais, de carro, no chão, mas essas são verdadeiramente tediosas. Também é possível jogar corridas com outros jogadores, pelo modo cooperativo.

Um elemento bem interessante a respeito das habilidades de Crackdown é que estas podem ser desenvolvidas em um sistema de experiência, refletindo o avanço do agente em sua capacidade de liquidar o crime. Então, se o jogador gosta de metralhar os criminosos, sua habilidade de armas de fogo melhora, e por conseqüência, os danos e mira também. O mesmo vale para atropelar, espancar e explodir os fora-da-lei, que melhoram, respectivamente, as habilidades de dirigir, força física e explosivos. Já a habilidade de agilidade é desenvolvida de uma forma diferente: para melhorar os saltos e velocidade do agente, o jogador deve coletar orbes azuis que ficam posicionadas em locais altos ou difíceis de chegar. Também é possível melhorar um pouco da agilidade matando inimigos em locais muito altos, mas este método não é muito eficiente.

A agilidade é a habilidade mais importante do jogo, essencial para a locomoção do agente. No nível máximo, o personagem corre mais rápido que a maior parte dos carros controlados pelo computador, pula sobre prédios de três andares com facilidade e sobrevive a quedas imensas, além de sofrer mudanças também na aparência física. A segunda melhor habilidade é a de explosivos: além de aumentar o dano, quanto melhor o personagem for nesta, maior o raio da explosão de granadas mísseis, e quanto mais inimigos estiverem nesse espaço, mais mortes. Além disso, as melhores armas do jogo são bazucas e RPGs.

Já a perícia em armas de fogo é um pouco decepcionante, não apenas pela progressão ser pouco perceptível, mas por bugs no próprio jogo. A mira automática de Crackdown tem um grave problema para diferenciar inimigos vivos dos mortos: mesmo depois do agente crivar um bandido por balas, o corpo inerte do mesmo continua sendo o alvo por um longo período de tempo, e o jogador precisa soltar o botão de mira automática, esperar um pouco, mirar no próximo oponente e aí então este será o novo alvo. Nesse tempo, fica fácil para os larápios darem o troco no personagem. E para complicar ainda mais, quando o personagem está em contato com algum tipo de parede, ao invés de atirar o agente dá uma coronhada com a arma, o que faz com que, para atirar de parapeitos de prédios, por exemplo, o jogador precise saltar e se expor aos inimigos. E é bem inútil essa coronhada: existe um comando específico para combate corpo-a-corpo no jogo, no qual o agente bate nos bandidos com voadoras bem mais eficientes.

Pior que armas de fogo só mesmo a habilidade de dirigir. Como a grande maioria das ???missões??? acontecem em prédios altos, é impossível utilizar carros para realizar essas tarefas, reduzindo os mesmos a simples meios de transporte entre os distritos. E finalmente, a habilidade de força é boa para certas coisas, mas não funciona como deveria: ainda que as voadoras do personagem sejam muito eficientes, a progressão nessa habilidade não faz tanta diferença no resultado final. A grande diferença mesmo na força é que um valor alto permite que o agente levante e arremesse objetos mais pesados nos inimigos, o que é bem legal, mas pouquíssimo prático: geralmente um míssil teleguiado faz o trabalho melhor.

Falou espanhol, bala nele!


Em Crackdown, Pacific City está sendo ameaçada por três grandes gangues criminosas: Los Muertos, que é uma quadrilha composta por mexicanos; Volk, um grupo composto por imigrantes do leste europeu; e a corporação Shai-Gen, que não conta com apenas chineses em suas fileiras, mas também outras minorias étnicas. Pode parecer uma visão meio xenófoba do mundo, mas a idéia do jogo é justamente fazer piada com o jeito que os americanos enxergam os imigrantes. O mais interessante sobre as gangues é que o distrito que cada uma comanda na cidade é igualmente temático: o território dos Los Muertos parece com um México estereotipado, enquanto o distrito comando pelo Volk lembra bastante o estilo industrial dos países que já foram uma vez parte da União Soviética. Já a parte da cidade onde fica a Shai-Gen é uma espécie de Hong Kong, com enormes arranha-céus.

E a missão do jogador em Crackdown é fazer uma limpeza social nesses distritos. Para isso, é preciso derrotar os chefes de cada gangue e seus seis principais subordinados. Uma vez que todos os líderes de cada gangue estão mortos, todos os remanescentes se juntam em um ponto do distrito e basta ir lá acabar com todos eles. Como a jogabilidade de Crackdown é bem livre, o jogador pode matar os chefes na ordem que melhor desejar, podendo até mesmo matar os líderes das gangues antes de acabar com os generais. Mas o grande problema é que matar chefes de gangues é a única coisa para se fazer em Crackdown, e com o tempo fica bem repetitiva a seqüência que sempre funciona para detonar os inimigos mais fortes: um míssil para derrubar o oponente, e depois é só chutá-lo no chão até a morte.

Durante todo o jogo em Crackdown, o personagem é guiado por um narrador que é uma espécie de chefe do agente. Ele dá ordens para o mesmo, elogia quando este cumpre uma missão e critica quando o jogador comete alguma falha. ?? quase como que uma voz na consciência do personagem, que não para de falar nunca. O mais engraçado é que a voz é bem parecida com aquela que narra documentários militares ou filmes de heróis antigos, algo como a voz clássica do patriotismo norte-americano. Outra curiosidade estética é o estilo gráfico de Crackdown, que lembra histórias em quadrinhos dos anos 80.

O Veredicto:
Crackdown é, no fundo, uma grande sátira dos heróis dos quadrinhos que combatem o crime com violência, aproveitando o gancho para fazer piada com a visão preconceituosa que os americanos podem ter sobre imigrantes e criminosos. E por mais politicamente incorreto que seja, fazer a lei com os punhos e uma bazuca é extremamente divertido, uma pena que não dura muito: quem quiser passar um tempo com jogo pode até demorar mais, mas para vencer o jogo sem muita pressa, algo como oito horas são mais que suficientes. E para piorar um pouco a situação, o final é bem fraquinho.

Prós:

- Humor irônico;
- Saltar pelos prédios é bem divertido;
- Cidade bem elaborada.


Contras:

- Alguns Bugs;
- Dirigir carros é chato;
- Curto e repetitivo


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