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Review de Stronghold Legends para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Apesar de relativamente recente, a série Stronghold já vinha conquistando renome por conseguir equilibrar bem três elementos que sempre fazem sucesso sozinhos, mas raramente ficam bons combinados: simulação de cidades, batalhas em tempo real e uma acurada fidelidade histórica.

No novo Stronghold: Legends, a Firefly decidiu abandonar por completo a fórmula de sucesso: lendas e criaturas fantásticas foram acrescentadas ao jogo e a jogabilidade foi levemente simplificada. A ???inovação??? dos produtores foi o bastante para que o título possa ser classifico como um RTS banal, diferente das criativas edições anteriores, ainda que possa divertir.

Adeus à fidelidade histórica


?? difícil julgar se a opção de acrescentar fantasia e simplificar a jogabilidade no novo Stronghold: Legends foi boa ou ruim. A única conclusão acertada que se pode tirar da decisão da Firefly é que o estilo do novo jogo está bem diferente dos seus antecessores. Enquanto nas edições passadas o foco era a simulação complexa e realista de castelos, o novo jogo dá uma ênfase bem maior às batalhas e à expansão territorial. Esses elementos já existiam na série, mas anteriormente a guerra era apenas um complemento à simulação, e em Stronghold: Legends ela é o tema principal. O grande problema disso é que o novo rumo tomado pela série leva ao mesmo ponto que qualquer outro jogo de estratégia em tempo real ambientado em cenários de fantasia, como Warcraft, Battle for Middle-Earth e inúmeros outros. Em um balanço final, é possível classificar Legends como mais um RTS genérico de fantasia medieval.

Mas apesar de estar ???renovado???, Legends não perdeu muita qualidade no quesito jogabilidade. Os comandos e opções estão bem mais simples que os seus antecessores, e alguns veteranos da série podem sentir falta de funções interessantes e avançadas, mas ainda assim, o gerenciamento dos castelos continua bem completo -- e dessa vez, de mais fácil aprendizado. Em um tutorial curtíssimo é possível aprender os comandos e estratégias básicas, e a estrutura do jogo garante que as demais funções sejam absorvidas naturalmente pelo jogador, durante as próprias partidas.

Ao iniciar um jogo, existem apenas alguns pequenos problemas que demandam a atenção do jogador. ?? preciso garantir a alimentação e moradia dos camponeses que vivem no castelo, com a construção de fazendas de alimentos e pequenas casas. Também é necessário construir estruturas para extração de recursos naturais, e armazéns para abrigar os mesmos. Tão logo a estabilidade econômica e social da fortaleza seja alcançada, o jogador deve começar a se preocupar com o que realmente interessa: a guerra. Apesar de estar mais parecido com outros jogos de estratégia nesse ponto, Stronghold: Legends ainda retém uma complexidade saudável na questão militar, ao menos no treinamento de exércitos: não é só clicar e esperar o soldado sair do quartel. Para criar tropas é preciso antes comprar (ou fabricar) as armas e armaduras necessárias para equipar os guerreiros, que são recrutados entre os camponeses desempregados do feudo. Um ponto negativo na questão das unidades é que, independente da facção que pertençam, elas são todas iguais, mudando apenas a cor do uniforme. Apenas alguns tipos de soldados exclusivos existem, deixando os exércitos bem genéricos.

Existem três facções que podem ser escolhidas para jogar, cada uma ligada a uma tendência: no lado do "bem" existe o Rei Artur e seus cavaleiros da Távola Redonda; já a "neutralidade" é representada pelo herói nórdico Siegfried, acompanhado por suas Valquirias; e o "mal" fica por conta do Conde Vlad Teppes, popularmente conhecido por Conde Drácula. A escolha dessas três lendas como personagens principais é bem interessante. ?? fato que por se originarem em lugares e épocas completamente diferentes, é absurdo o fato desses três heróis coexistirem, mas como o próprio nome indica, Stronghold: Legends é baseado em mitos e lendas, o que dá uma liberdade maior de criação aos produtores do jogo. Mas um pouco de apuração e comprometimento com as histórias que originaram essas lendas não faria mal.

O que mais sofre com a ???liberdade de criação??? extrema dos produtores são as campanhas. Além ter pouquíssimo a ver com o que se ouve falar de Artur, Siegfried e Vlad, as histórias do jogo são confusas e incoerentes, além de serem bem ???sacadas???. Mais genérico que o enredo são as missões presentes na campanha: enquanto as versões anteriores de Stronghold contavam com níveis com objetivos criativos, que envolviam estratégias mirabolantes e histórias complexas, em Legends a maior parte das fases se resolve com o básico ???destrua todos inimigos???.

Opção pelo simples


Visualmente, Stronghold: Legends mantém o nível de seu antecessor, Stronghold 2, que foi lançado em 2005, e mesmo na época já não era um primor visual. Não é algo que incomoda muito, mas não custava dar uma leve atualizada nesse quesito.

Tão ultrapassados quanto os gráficos são as batalhas. Existem algumas opções como escolher formações de batalhas, ou posturas agressivas e defensivas para as unidades, mas esse tipo de função é bem comum em jogos de estratégia em tempo real, presente até nos bem antigos como Age of Empires II, de 1999. O resultado disso é que os combates em Legends, para o bem e para o mal, são bem parecidos com o de títulos mais antigos. A opção da Firefly agrada bastante quem gostava da estratégia simples de jogos como Warcraft II, mas para quem prefere soldados que contem com milhares de habilidades especiais ???ativáveis???, como em Warcraft III, irá encontrar pouco aqui.

A tolerância à simplicidade das batalhas pode ser uma questão de gosto pessoal. Já a simplicidade da inteligência artificial é algo realmente incômodo. Se o sistema de combate de Legends lembra o de jogos da década passada, a inteligência artificial fica devendo até para Battle Chess, de 1988. Nem é uma questão de dificuldade ou facilidade: o fato é que as estratégias tomadas pelo computador -- se é que podem ser chamadas assim -- são banais e repetitivas. Jogar as campanhas, ou até mesmo batalhas isoladas, acaba ficando bem cansativo, e a melhor solução acaba sendo o modo multiplayer.

O Veredicto:
Muito diferente do resto da série, Stronghold: Legends tenta inovar, mas no final acaba como um RTS genérico. Ainda assim, a jogabilidade continua bem completa e interessante e, apesar do foco maior nas batalhas, o jogo consegue ser divertido. Os enredos das campanhas, assim como os objetivos das missões são bem fracos, e o defeito fica ainda mais agravado com a cansativa inteligência artificial.

Prós:

- Bom para jogar no multiplayer;
- Jogabilidade continua envolvente.


Contras:

- Inteligência artificial tediosa;
- Visuais ultrapassados;
- Enredos das campanhas fraquíssimos.


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