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Review de Def Jam: Icon para X360 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Apesar de manter a mesma idéia central, o novo Def Jam: Icon está bem diferente de seus antecessores, em estilo, e principalmente jogabilidade. O jogo foi feito pela EA Chigago, a mesma que produziu Fight Night Round 3, e não é preciso ser nenhum ???expert??? para perceber que Icon está parecidíssimo com o boxe de Fight Night.

Fight Night: Icon


Para quem não sabe, Def Jam é uma famosíssima gravadora de Hip hop, que tem Jay-Z como presidente, e que já lançou clássicos como LL Cool J. Em 2003, a empresa firmou um acordo com a EA para a produção de Def Jam: Vendetta, um jogo de wrestling profissional em que os personagens eram ???interpretados??? por astros do selo. E a empreitada fez sucesso. Pegando carona no sucesso deste, foi feito Def Jam: Fight for NY, que mudou alguns elementos da jogabilidade, evoluindo o estilo e acrescentando trocentas customizações. A conseqüência disso foi um dos melhores títulos de luta de 2004. E finalmente, em 2007, a EA resolve abandonar de vez o wrestling para fazer um jogo mais solto e dinâmico, e para essa tarefa, chama os mesmos criadores do ótimo Fight Night Round 3. O resultado? O novo Def Jam parece um boxe estranho.

A principal, mas não única evidência das fortes influências está no sistema de ataques e defesas básico do jogo. Assim como no boxe da EA, existem duas ???direções??? de golpes: altos, na cabeça; e baixos, no tronco. Não existem rasteiras, chutes nos culhões, ou qualquer coisa abaixo da cintura (pimps contemporâneos lutam de forma mais honesta). Por conseqüência, também só existem dois tipos de defesa. E para defender, basta segurar o gatilho direito e escolher a direção correspondente ao ataque, bem igual ao Fight Night.

E até ai tudo bem, afinal não é nenhum crime a equipe de produtores acrescentar alguns elementos da boa jogabilidade de Fight Night que, teoricamente, pertence ao mesmo gênero que Icon. Mas o fato é: enquanto o antigo Def Jam poderia ser classificado seguramente como ???luta???, Fight Night sempre foi algo mais próximo do ???esporte???. E ao tentar misturar tudo em um novo jogo, começam a aparecer certas incoerências.

Um bom exemplo desta incompatibilidade de estilos aparece na configuração dos controles. Assim como em Fight Night, em Icon o analógico esquerdo é utilizado para golpes. Funciona de forma bem parecida: basta girar a alavanca em certas combinações de direções para que o personagem faça os movimentos, que geralmente são voadoras complexas e giratórias. Mas essa não é a única forma de bater: os botões A, B, X, e Y também são usados para criar combinações de golpes altos e baixos. A intenção até foi boa, mas o fato é que talvez fosse melhor deixar de lado a ???inovação??? e usar apenas os botões: os dois tipos de controle não foram muito bem integrados, e acaba sendo meio estranho comandar os lutadores. Normalmente, o jogador irá variar entre os botões e o analógico, e não montar cominações entre os mesmos. No mais, a jogabilidade das lutas ficou lenta e repetitiva.

Mas a proximidade a Fight Night não trouxe apenas malefícios a Def Jam. Alguns pontos positivos em comum podem ser citados: é possível remover a barra de vida dos personagens durante as lutas, o que deixa os combates mais divertidos, pois os jogadores devem observar indícios visuais para saber da saúde de seus adversários. A câmera também ficou bem interessante, pois se move de forma automática sem atrapalhar. E para melhorar, os gráficos estão extremamente bonitos e realistas, e as modelagens dos rappers ficaram bem fiéis aos seus equivalentes no mundo real. Além disso, o sistema de criação de personagens, chamado F.A.C.E. é bem competente na hora do usuário modelar seus próprios gangstas.

Em harmonia com os belos visuais, há uma excelente trilha sonora que conta com diversos artistas de renome do mundo do rap, como Ludacris, Sean Paul, Redman e outros membros do Wu-Tang Clan. Até ai, nenhuma novidade, afinal, por ser fruto de uma parceria com um selo de sucesso, difícil seria montar uma trilha ruim para contextualizar o hip hop.

Mas parece que até onde era muito difícil errar, os programadores conseguiram cometer um deslize. Ao invés de simplesmente deixar as canções como um excelente pano de fundo, tentaram dar uma importância maior a elas. Durante as lutas, cada personagem conta com um rap como uma trilha sonora. Só uma música toca de cada vez, e quando a trilha pessoal do lutador está tocando, ele ganha um bônus em dano e velocidade. Mas existe a possibilidade do jogador tirar a música do inimigo e colocar ser próprio rap para tocar (e vice versa). Para isso, é preciso pressionar o gatilho esquerdo e girar os analógicos, o que faz com que o personagem faça movimentos no ar de um DJ trocando discos. Estranho, mas divertido. Mas a equipe responsável por Icon não quis parar por ai.

Como em diversos jogos de luta, em Icon existem certos perigos no cenário que podem ser usados para causar dano aos personagens. Alguns são bem usuais, como lareiras ou lustres que caem do telhado. Outros são mais exóticos, como strippers que batem nos lutadores ou hidrantes explosivos. E outros são extremamente bizarros e ridículos, como helicópteros que batem com a cauda nos lutadores ou carros que mesmo sem motorista se movem e atingem os personagens. Mais ridículo que os perigos em si são as formas de ativá-los: o cenário de Def Jam dança conforme a música. Com as batidas mais graves, as paredes das fases balançam, telhados caem, e principalmente, esses perigos são ativados. ?? bem engraçado ver o cenário dançar como se fosse alguma animação da Disney, mas o fato é que a aplicação disso deixa o jogo bem idiota. Arremessar os inimigos em caudas de helicópteros pode ser muito eficiente, mas também é muito, mas muito surreal. E também é possível que o próprio jogador ative esses perigos, quando for necessário: para isso, basta pressionar o gatilho esquerdo e girar o analógico esquerdo, como em um scratch, o que faz todo o cenário balançar e um perigo em potencial atingir o oponente.

1000 trutas, 1000 tretas


Outra alteração profunda voltada à música está no modo história. Enquanto nos jogos anteriores o jogador entrava na pele de um lutador de torneios underground, agora a idéia é se tornar um alto executivo da indústria fonográfica, contratando artistas para seu selo, mimando os astros, e garantindo a grana necessária para patrocinar um single, lucrando muito depois. E não, Def Jam não se tornou um RPG ou simulador de gravadoras de hip hop. As lutas continuam sendo o principal, mas no novo tema "pacífico" elas ficaram descontextualizadas. Não sem motivo, afinal é bem difícil encaixar brigas de rua cotidianas na vida de um empresário.

O começo do jogo já é estranho: em um bar, um desses folgados empurra o personagem do jogador, fazendo com que o mesmo derrame bebida em sua camisa. Ok, uma boa desculpa para uma porradinha, mas a parte cômica está no que vem depois: a briga chama atenção de um empresário, dono de um selo musical, que decide fazer uma oferta de emprego ao encrenqueiro. Ou as entrevistas de emprego no ramo do hip hop são realmente violentas, ou então faltou um bom gancho mesmo para começar a história.

Mas apesar dessa, e outras, Icon é tão hip hop quanto seus antecessores. A atmosfera está bem caracterizada, e apesar de não ter tantas participações de astros do rap quanto Fight for NY, o jogo não decepciona nesse aspecto, contando com outros bons personagens como Sticky Fingaz, Lil jon, Ghostface Killah e outros. Uma ausência notável é a do presidente da Def Jam, Jay-Z, que cairia bem no papel de um dos donos de gravadora no modo história. No mais, o hip hop ainda é bem representado.

O Veredicto:
Influências pesadas do boxe de Fight Night Round 3 poderiam até fazer bem para Def Jam, mas dessa vez, a combinação não deu certo. A jogabilidade aqui é fraca e repetitiva, e o ritmo bem lento. Para piorar ainda mais, existem os cenários interativos, em que os personagens podem fazer com que a cauda de helicóptero arremesse o oponente pela fase. Mas, tirando as lutas, Icon é até bem produzido. Uma pena que elas sejam essenciais.

Prós:

- Gráficos excelentes;
- Modo história divertido;
- ??tima trilha sonora.


Contras:

- Jogabilidade péssima;
- Cenários interativos são ridículos;
- Nada dinâmico.


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