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Review de God of War II para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Depois de detonar com meia mitologia e virar o novo deus grego da guerra, o espartano Kratos volta prematuramente em uma seqüência que não mexe muito na fórmula original, e que traz um enredo inconclusivo, com aspecto de ponte para uma trilogia, ainda que bastante interessante.

Além do bom enredo, onde o personagem acaba de brutalizar a outra metade das lendas gregas, o novo jogo conta com a jogabilidade e gráficos que consagraram seu antecessor como um dos melhores jogos de Playstation 2 de 2005.

300 pra que? Um espartano só já basta


Parece que Zeus não conspirou muito bem ao colocar um espartano como o novo deus da guerra. Ainda mais quando o espartano em questão é o brutal Kratos. Logo no começo de God of War 2, o jogador é reapresentado ao anti-herói, que não mudou muito como deus: continua durão, com pose e aparência de um rockstar contemporâneo, equipado com suas duas espadas, amarradas em seus braços por correntes. Na primeira cena do jogo, Kratos está comandando uma invasão à ilha de Rodes, que é parte de uma campanha bem sucedida dos espartanos contra as cidades gregas. A deusa Atena até que tenta convencer Kratos a parar de destruir a Grécia, mas é preciso muito mais que conversa para deter o guerreiro, que não está com muita boa vontade em relação aos outros deuses.

Pois tão logo Kratos desce até Rodes e começa a destruir o local na forma de um gigante, uma águia, aparentemente enviada por Atena, voa sobre o deus da guerra e rouba parte de seus poderes. Em seguida, a mesma anima o Colosso de Rodes, uma estátua de bronze com mais de 30 metros, considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo, que foi construída em 280 A.C., e destruída em 224 A.C. por um terremoto. Em God of War 2, é Kratos quem vai derrubar o grandão, em uma divertida seqüência de batalhas.

Mas o que o anti-herói acaba esquecendo é que, mais do que atrapalhar a vida dos mortais, os deuses gregos adoram conspirar entre si. E o inexperiente careca, quase que um calouro entre os deuses, descobre tarde demais que tudo não passava de uma armadilha de Zeus, que tira todos seus poderes de nosso herói só para depois o assassinar e o enviar para o Hades (onde o guerreiro tem uma série de inimigos). Mas no meio do caminho, Kratos é salvo por Gaia, que o pede ajuda para se vingar de Zeus pelo que o deus fez aos titãs. O espartano aceita a tarefa, e apesar de não ser um relações públicas muito competente, começa a reunir todos os titãs restantes em uma guerra contra Zeus. Da forma mais violenta possível.

Mesmo com uma história tão caprichada, e um personagem bem carismático, o grande destaque de God of War 2 continua sendo a jogabilidade, que é basicamente a mesma do seu antecessor. Como Kratos, o jogador deve superar diversos desafios no jogo, resolver um bocado de enigmas, coletar itens, e, principalmente, detonar os inimigos. A arma principal do personagem continua sendo as espadas amarradas a correntes, que juntas às combinações certas de botões geram combos fáceis de fazer e bonitos de assistir. Além dos combos, também é possível agarrar oponentes e dar a eles a pior das mortes: no caso dos inimigos mais comuns, Kratos costuma arrancar-lhes o braço armado e usá-lo para perfurar o peito do infeliz.

No caso de monstros mais fortes, é preciso ???amaciar??? um pouco o oponente antes de agarrá-lo. E na maior parte das vezes, depois de pegá-los, o jogador deve seguir uma ordem de comandos na tela para desferir o golpe de misericórdia (que não tem nada de misericórdia), geralmente algo excessivamente violento, como arrancar a cabeça de uma medusa com as mãos. E para quem já achava que enfiar lâminas na goela de um minotauro era uma cena forte, é bom nem ver o que Kratos faz com os pobres grifos que cruzam seu caminho.

Uma novidade interessante de God of War 2 está nas batalhas aéreas, como a que Kratos, montado em um Pégaso, enfrenta inimigos em um sistema que lembra bastante Panzer Dragoon. Mas como se trata de Kratos, esses trechos do jogo são tão brutais como todo o resto, e além de atacar os inimigos com suas espadas, o espartano também usa uma espécie de arco mágico, roubado do titã Tifão, para atirar flechas elétricas. E finalizar os inimigos no ar é bem mais divertido do que parece: para acabar com os grifos, por exemplo, o careca salta no lombo do bicho, decepa suas duas asas simultaneamente e só para garantir, perfura seu pescoço e o arremessa longe. Só depois de tudo isso ele se dá por satisfeito e salta de volta no dorso do Pégaso.

Mais do mesmo... ainda bem!


Ainda que muito bom, God of War 2 não deixa de ser mais do mesmo. Mas acontece que os produtores não tiveram preguiça alguma: mesmo sendo um ???upgrade??? do primeiro jogo, tudo parece bem completo e pensado, e a jogabilidade e gráficos foram apenas refinados, em uma evolução bem sutil. E mesmo com as limitações gráficas do Playstation 2 em relação à nova geração, a criatividade e capricho da produção é notável, e o jogo conta com cenários e ambientes ainda mais bonitos que o primeiro, principalmente pelo design das localidades.

E não é só os visuais que impressionam nas fases. O nível de desafio proporcionado ficou muito bom, tanto na questão dos combates quanto em relação aos puzzles. ?? fato que em um jogo de ação como God of War não é preciso nenhum gênio para programar uma inteligência artificial satisfatória, afinal, os inimigos em geral realizam apenas ações simples, e, mesmo os chefes não impressionam nada nesse quesito, também não deixam nada a desejar. Já os enigmas estão ainda mais bem elaborados que os do primeiro jogo, o que não quer dizer que estão mais difíceis: apensa estão mais interessantes e criativos.

Para vencer God of War 2, o jogador deve gastar algo como 15 horas de sua vida com o Playstation 2. ?? um tempo bem razoável mas apesar dessas horas todas serem muito divertidas, existe um pequena decepção ao chegar ao final do jogo. Ao contrário do primeiro God of War, que tem começo, meio e fim, a sequência parece seguir a linha de algo como Matrix Reloaded: apenas uma ponte que liga o final do primeiro jogo ao começo de um suposto terceiro, e certamente haverá alguma frustração na espera por um desfecho.

O Veredicto:
Uma excelente jogabilidade, um ótimo enredo e bons visuais só poderiam formar o conjunto quase perfeito que é God of War 2. Tão bom quanto o primeiro na maior parte do tempo -- e melhor ainda em alguns momentos -- o jogo só não é recomendado para quem possa se incomodar com o espetáculo de violência proporcionado por Kratos, o herói nada heróico da aventura. O final pouco conclusivo é o maior defeito, ou talvez o único defeito desta franquia que se consagra como uma das melhores do Playstation 2.

Prós:

- Excelente jogabilidade;
- Enredo ótimo;
- Visuais inspirados;
- Finalizações brutais dos inimigos;
- 15 horas de diversão.

Contras:

- Final inconclusivo.


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