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Review de Command & Conquer 3: Tiberium Wars para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


O novo Command & Conquer 3: Tiberium Wars, produzido pela mesma equipe de Battle For Middle-Earth 2, tem tudo para entrar na lista de melhores jogos de estratégia em tempo real para PC de todos os tempos. São poucos os deslizes do título, que carrega nas costas a responsabilidade de honrar uma das franquias mais conceituadas do gênero.

Nove anos depois de lançar muitas perguntas em Command & Conquer 2: Tiberian Sun, finalmente chega a hora dos jogadores receberem esclarecimentos sobre dúvidas como a longevidade de Kane, uma nave alienígena misteriosa e o que afinal de contas é o Tiberium.

Antes tarde do que nunca


Depois de tanto tempo, a maior parte das pessoas já deve ter se esquecido do que havia ocorrido em Command & Conquer 2: Tiberian Sun. Mas antes de contextualizar o cenário das guerras do Tiberium, é importante lembrar que existem três diferentes linhas dentro da série C&C: Generals, Red Alert e a clássica.

A linha Generals, que só conta com um jogo, acontece em um cenário contemporâneo, onde uma coalizão de terroristas árabes, a China e os EUA disputam o poder global. Já os dois títulos lançados na linha Red Alert são ambientados em uma realidade alternativa em que acontece uma guerra entre EUA e URSS. O novo Tiberium Wars é ambientado na forma clássica, que agora conta com três jogos, narrando os eventos das guerras do Tiberium.

A história por trás da série clássica é bem interessante: em um futuro alternativo, a Terra é infectada por uma substância tóxica conhecida como Tiberium, uma espécie de mineral que se espalha como um vírus, e acaba tomando rapidamente grande parte da superfície do planeta. Para preservar a vida humana, é formada uma aliança entre as nações mais desenvolvidas, chamada de Iniciativa de Defesa Global, ou GDI (Global Defense Initiative). A GDI faz então uma classificação do mundo por zonas: as zonas vermelhas, que são locais onde a infestação do Tiberium impossibilita a sobrevivência humana; As zonas amarelas, onde as condições de vida são bem dificultadas; E as zonas azuis, que são édens controlados pela GDI, onde a raça humana prospera com tranqüilidade.

O grande problema nisso é que enquanto os hipócritas da GDI defendem pequenas áreas azuis espalhadas pelo globo, a maior parte da população da Terra luta para sobreviver nas zonas amarelas, sem qualquer suporte. O clima de insatisfação acaba sendo favorável à criação da Irmandade do Nod, um grupo de fanáticos religiosos comandados pelo carismático Kane, que acredita que o Tiberium é uma benção ao mundo, e faz de tudo para tentar controlar e conquistar o misterioso mineral alienígena.

O resultado disso é uma tensão entre essas duas facções: enquanto a Irmandade do Nod quer expandir ao máximo as áreas dominadas pelo Tiberium, a GDI pretende reter seus avanços. No primeiro Command & Conquer, o enredo se desenvolve apenas com a batalha entre as duas potências. Já em Tiberian Sun, aparecem diversas perguntas e elementos novos, com destaque para uma nave extraterrestre e o misterioso Kane, que nunca morre. Nesse quesito, o novo Tiberium Wars é mais parecido com primeiro, e se preocupa em ser um jogo único, não apenas uma seqüência. Ainda assim, grande parte das dúvidas de Tiberian Sun são respondidas nessa nova edição.

Estratégia simples e completa


Apesar de usar o mesmo sistema gráfico de Generals, a jogabilidade de Tiberium Wars é bem mais parecida com a das edições mais antigas de C&C, e entre outros elementos, o menu para construir edificações e unidades voltou ao canto direito da tela. Parece um retorno bobo, mas com certeza é algo que agrada bastante aos veteranos da série.

A estratégia básica do novo C&C continua a mesma: inicialmente, o jogador começa com o ???Construction Yard??? (que para os Scrin se chama ???Drone Plataform), uma estrutura que permite a construção de outras edificações. Inicialmente, o jogador deve construir uma estrutura para coletar Tiberium, o recurso único do jogo, e uma usina de eletricidade para a base. Mais adiante, é possível que mais usinas de eletricidade sejam necessárias para suprir a necessidade de novas construções, mas tão logo a primeira esteja pronta, o jogador já pode começar a se preocupar em montar defesas e quartéis para treinar tropas para a guerra, que não tarda chegar nas partidas dinâmicas de C&C.

A jogabilidade das batalhas no jogo continua simples como sempre, sem muitos excessos ou falta de opções. Algumas unidades do jogo possuem habilidades que devem ser ativadas pelo jogador, como os Shadow Team do Nod, que podem ativar planadores para sobrevoarem o mapa. Mas são raras aquelas unidades que obrigam o jogador a desviar a atenção de um combate para usar uma habilidade, o que é ótimo, pois evita a necessidade de decorar múltiplas teclas de atalho para jogar. Ainda assim, existem algumas hotkeys que são importantes, principalmente aquelas relacionadas a opções de movimento, que são estrategicamente muito interessantes. Entre outras, é possível ordenar que os tanques cumpram uma rota atropelando obstáculos e unidades no caminho, ou que as tropas recuem de ré, sem dar as costas para o inimigo, algo que pode ser vital para sobrevivência de veículos blindados, que possuem menos armadura na retaguarda.

Como em qualquer C&C, as unidades de cada facção são bem diferentes entre si, assim como a estratégia necessária para guiar as mesmas. A GDI é o grupo mais fácil de jogar: suas unidades são um pouco caras, mas no geral consistem em tanques muito fortes, e sua infantaria básica pode construir bunkers, fazendo com que a facção seja extremamente defensiva e focada em força bruta. Já a Irmandade do Nod possui tropas mais baratas, porem mais fracas, que dependem muito de camuflagem e furtividade, ou então ataques suicidas muito numerosos. O Nod é uma facção difícil de comandar, mas não tanto quanto os Scrin, os alienígenas do jogo.

Não existe muito a ser falado sobre os Scrin sem contar detalhes reveladores da história, já que a facção alienígena aparece apenas depois de certo tempo nas campanhas do Nod e GDI. Ainda assim, é possível jogar com os Scrin nos modos multiplayer e skirmish, além de uma campanha secreta que só aparece mais tarde. Visualmente, os Scrin não são diferentes do conceito genérico de inseto-mutante-biomecanóide-extraterrestre, usado em jogos como Lost Planet e Resistance: Fall of Man. Mas a criatividade economizada na aparência dos alienígenas foi muito bem aplicada na jogabilidade dos mesmos.

Os Scrin jogam de forma bem diferente das outras facções, e se acostumar com eles pode ser trabalhoso. Enquanto a infantaria básica da GDI e do Nod são apenas humanos armados com rifles com poucas diferenças entre si, os Scrin contam com os Buzzeres, uma nuvem de insetos voadores que literalmente envolve as unidades de infantaria inimigas. E apesar de não serem muito fortes, os Buzzeres podem ser combinados a qualquer veículo dos Scrin, aumentando a eficiência contra a infantaria dos mesmos. E ainda que nomes como Devastator Warship, Annihilator Tripod, Devourer Tank e Disintegrators pareçam alcunhas de membros de uma banda de Black Metal norueguesa, estas são unidades mais poderosas e agressivas da força alienígena, que é, indiscutivelmente, a facção mais ofensiva do jogo.

A terceira guerra do Tiberium


Assim como em quase todos os outros jogos de C&C, as missões de Tiberium Wars são conectadas por cenas de corte cinematográficas que contam a participações de atores reais. A qualidade dessas cenas está muito boa, com atores profissionais como Michael Ironside, que além de atuar em Tropas Estelares (Starship Troopers), faz a voz de Sam Fischer em Splinter Cell, e Josh Holloway, o Sawyer de Lost.

Mas melhor que as cenas entre as fases do jogo são as missões em si. Ao contrário de grande parte dos jogos de estratégia em tempo real, onde o objetivo é sempre ???derrote o inimigo???, C&C continua com suas ótimas missões, criativas e diferentes. Em certas fases, o jogador deve usar apenas uma unidade e sua astúcia para vencer bases inteiras de inimigos. No geral, as campanhas de Tiberium Wars variam entre o excelente e o perfeito, e podem render horas e horas de diversão. Algumas fases são mais desafiadores, e talvez o jogador precise repetir certos cenários, o que, às vezes, pode chatear.

Além da campanha, existem outros dois modos: Skirmish, onde o jogador enfrenta um ou mais oponentes controlados pelo computador, em uma mata-mata clássico; e um muito bem balanceado multiplayer, onde é possível enfrentar jogadores de verdade pela internet. Como em qualquer outro jogo do gênero, existem partidas online que podem contar pontos para um ranking, e a rede é organizada de uma forma que os jogadores enfrentem sempre oponentes de um nível similar. Elementos interessantes do multiplayer incluem a possibilidade de conversar por VoIP, e o Battlecast, um software que pode ser baixado gratuitamente, usado para assistir a jogos que estejam acontecendo ao vivo na internet, um ótimo recurso para os entusiastas do esporte eletrônico.

O Veredicto
: ?? fato que Command & Conquer 3: Tiberium Wars é apenas a evolução natural de uma série de sucesso, mas muito mais que uma seqüência, o novo jogo pode ser considerado o retorno triunfante de uma linha que parecia abandonada. Com uma jogabilidade simples e completa, o título combina o que há de melhor em toda a série, além de trazer novos e bem-vindos elementos, como é o caso dos alienígenas Scrin --ainda que nada criativos no visual, eles aparecem como um excelente terceiro exército para diversificar a jogabilidade. E depois de encarar muitas e muitas horas nas ótimas missões das campanhas, o jogo consegue render ainda mais com os divertidíssimos e muito bem balanceados modos Skirmish e Multiplayer.

Prós:

- Jogabilidade simples e completa;
- ??timo enredo;
- Modo campanha longo e divertido;
- Bom para jogar Skirmish e Multiplayer.


Contras:

- Alguns níveis são bem difíceis;
- Design dos ETs é bem genérico.


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