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Review de Gun para PC de GameVicio

por nei.esc, data  editar remover


Introdução

Nos longínquos tempos de velho-oeste, contava a história os passos de Colton White, jovem ágil treinado pelo melhor dos melhores. Perito nos tiros certeiros com sua inseparável arma, e na arte de domar os cavalos selvagens, Colton assistiria o triste fim de seu pai numa emboscada sem precedentes, que minutos antes de morrer, revelaria que não havia nenhum parentesco com o rapaz. Sem entender, o herói passa a buscar a verdade do homem que assumiu a responsabilidade de pai, numa trama que envolverá o poder diabólico, vingança, e bandidos mercenários.

Seguindo o eletrizante começo e abertura, Gun é o novo título da Neversoft ao lado da grandiosa Activision, que trouxeram nesta quase original idéia uma aventura de tiroteios de caubóis, muito pouco comentada antes do lançamento, com um pouco mais do que a ficção pode contar.

Jogabilidade

Assemelhando-se ao máximo em muitos quesitos, Gun é o que podemos chamar de um GTA do faroeste. Inicialmente, e como em muitos jogos, você estará limitado a explorar ambientes pequenos para seguir os passos do tutorial, aprendendo a locomover-se, atirar, domar e correr sob um cavalo, além de interagir com objetos e pessoas. Se no começo você seguirá caminhos restritos, quando menos se pensa o destino lhe reserva um monstruoso cenário entre os canyons, que mesmo com um mapa auxiliando, demanda um bom tempo até que seja possível saber onde se está e decorar os principais caminhos. E tão igual ao game da Rockstar, você dispõe de um pequeno mapa no canto inferior da tela, para que não se perca dos pontos interessantes, como inimigos, direções e locais determinantes. Sua interação com estes pontos muitas vezes se referem às missões, que você poderá optar por cumprir as que dizem respeito à história, ou aos considerados objetivos paralelos, que mais tarde detalharemos sua importância.

Ainda que tenha sido lançado para diversas plataformas, cujo controle trata-se exclusivamente dos gamepads, o uso teclado com o mouse é bem vindo e a similaridade com a movimentação de um FPS também é notável. Comandar Colton não é difícil, e a única atenção a ser atendida é como se movimentar em cima de um cavalo, uma novidade no gênero que se mostra bem bacana. Primeiramente, porque em cima destes quadrúpedes, você alcançará distâncias enormes muito mais rapidamente do que a pé, considerando a imensidão do ambiente. Segundo, porque as perseguições a bandidos são uma analogia às corridas realizadas através de carros em outros jogos do gênero, o que também implica em cavalgar atrás do inimigo e de muita poeira, ao mesmo tempo em que é preciso mandar bala. E, finalizando, os eqüinos também requerem cuidado, evitando que sejam acertados por disparos, quedas muito altas, e, acima de tudo, não sejam espancados excessivamente quando exigir que se corra o mais rápido possível, considerando que para acelerá-los, você deve dar "batidinhas" de leve.

Como mencionado anteriormente, em Gun você deverá seguir os objetivos relacionados ao enredo, que dará continuidade à história, ou optar pelas missões adicionais, muitas vezes resumidas a caçar bandidos "Procurados", ajudar povos como os índios ou gangues de rebelados, ou até mesmo dar suporte a pequenas vilas contra os malfeitores, tornando-se autoridade deste local. Logicamente, estas alternativas lhe desvirtuam dos caminhos principais da trama, porém o cumprimento deles retorna a você habilidades como rapidez, precisão, controle sob seu animal e, especialmente, dinheiro na conta. Neste jogo, suas economias servem para compra de upgrades em suas armas, munições de maior poderio ou objetos que possa a vir ser útil, como a picareta; sua importância está ligada diretamente com a exploração de minas de ouro, espalhadas pelo cenário em diversos pontos, e que se encontrada pode valer dinheiro com sua escavação.

Os armamentos também seguem a atmosfera da época, e variam de determinados modelos, assim como as opções para os revólveres, rifles e espingardas, representados em muitas opções. Uma tem a capacidade de balas infinita. Já outra, uma força que despedaça a cabeça do adversário com um só tiro. A outra, possui um disparo rápido, sem contar que o poder de seu zoom é bem mais acentuado que as demais. E desta forma, as divergências entre o arsenal só ganha destaque com o uso do arco e flecha, silencioso e mortal, assim como as dinamites ou coquetéis Molotov, responsável por grandes estragos. O jogo expõe abusivamente as munições, e até no balcão do bar você pode se recarregar. Como arma secundaria, temos uma faca e uma sanguinária machadinha, ambas capazes de traduzir seus ataques em litros de sangue que jorram num movimento acrobático e bastante explícito. Porém, a grande sacada do sistema de ataque está no que eles chamaram de Quick Draw, uma adaptação para o faroeste do denominado tempo de bala (bullet-time). Neste modo, você poderá utilizar somente o revólver (daí o nome do jogo, sacou?) para, numa parada de tempo em slow-motion, poder aniquilar o quanto puder os seus adversários. Se você for rápido e acertar o maior número de bandidos neste tempo, a barra do tempo que permite permanecer neste modo se mantém, diferentemente do que acontece ao errar os alvos, fazendo com que o tempo se expire, até que se consiga novos combos com outro armamento. E para sanar seus ferimentos, a saúde é recuperada da mais pura ironia, um líquido alcoólico (também facilmente encontrado) que eleva sua stamina ao limite com um simples gole, mostrando que naqueles tempos, vida de caubói era muito mais "interessante".

Gun é de alguma forma bastante divertido, baseando-se ainda mais pelo seu cativante enredo. A história tem um persuasivo desenrolar, e os conflitos presentes dão vida aos protagonistas. Há quatro níveis de dificuldade, e quanto mais osso duro de roer for, maior a quantidade de inimigos, e mais escassos serão seus recursos de ataques As cut-scenes dão ênfase ao desenrolar da história, e uma jogatina dedicada de aproximadamente três horas em quatro dias já é mais que suficiente para finalizá-lo. Uma série de bugs (veja uma amostra) compromete a qualidade da jogabilidade, porém o game chega a ser interessante, embora não surpreenda o público mais acostumado.

Áudio

A atmosfera musical do velho-oeste foi um dos grandes triunfos elaborados pela Neversoft. Uma série de músicas com qualidades cinematográficas dão excelente animação ao game, que oscilam entre a calmaria de um antigo e pacato rancho, até perseguições fervorosas do melhor estilo Clint Eastwood (há algumas décadas atrás) em suas películas. Para acompanhar a boa produção, a sonoplastia está bem concluída, com cavalgadas que só dividem a atenção com as infinitas trocas de tiros, ecoando explosivas e fortes nas caixas de som. A dublagem também aparece marcante, trazendo na voz de nosso protagonista um estereotipo do justiceiro casca-grossa, daqueles solitários que saem do mesmo jeito que entrou no bar: completamente só. Por sinal, o sistema 3D do áudio também se mostra excelente, proferindo com muita exatidão a posição de suas caixas com o som emitido.

Multiplayer

Sem suporte ao modo multiplayer.

Gráficos

Após uma abertura pré-renderizada tão realista e empolgante, o visual de Gun era a promessa de um impacto gráfico no mundo dos games. Mas nada além de promessa, o jogo em si ostenta uma engine leve, e completamente tomada por bugs. Justiça seja feita, o enorme cenário tomado pelos canyons é o mais bem feito quando o assunto é o faroeste. As construções são típicas da época, e os vilarejos têm seus estabelecimentos e residências. Coberto pelo solo árido e terra batida, o chão nem requer muito esforço para que uma enorme poeira se levante, efeito este que traz um ótimo detalhamento de partículas, trazendo fumaças de todos os tipos bastante consistentes. Outro mecanismo presente é o cel-shading, que reproduz sombras em determinadas situações com seus traços fortes e negros, similares a usadas em desenhos animados. Minúcias como lagos entre uma civilização indígenas, um trilho férreo que liga uma vila à outra, minas abandonadas ao lado de terras demarcadas, termas paradisíacas escondidas entre montanhas e animais que circulam livremente pela flora retratam um ambiente reformado pelo homem, mas ainda sim diretamente ligado à natureza.

Mas as falhas e bizarrices também estão a solta e que certamente compromete o visual como um todo. As skins trazem um excelente exemplo de como uma mulher não deve ser criada, e por mais expressivos que sejam os traços e cores devido ao forte sol, alguns personagens chegaram ao extremo da feiúra. A carnificina rola solta num sistema de altos e baixos, pois ao mesmo tempo em que expõe litros de sangues e cabeças estouradas, o corpo não sofre deformações condizentes com a morte do bandido. As tecnologias de filtro anisotrópico e anti-serrilhado parecem não surtir tanto efeito, e por mais exuberante que seja o cenário em geral, os defeitos inúmeros com a sombra (veja este exemplo) dos personagens e outros detalhes faz do quesito relativamente "inacabado".

Conclusão

O real valor de Gun está numa jogabilidade semi-inédita - ou você já matou bandidos em cima de um cavalo? - e bastante aprazível de ser aproveitada, elevando o assunto bang-bang no velho-oeste a um game de muitas emoções. Dedicado em seu espaço visual e auditivo, a desenvolvedora Neversoft criou uma divertida aventura de um justiceiro vingativo, misturando uma ficção diabólica a uma ação adaptada do pioneiro Grand Theft Auto, mas sem torná-lo um simples clone. Trata-se de um título standalone, sem multiplayer para dois ou mais, daqueles que você começa e termina por si só, sem o menor compromisso e instigado sempre pela história. Embora tenha problemas com bugs expressivos, em especial na parte gráfica, vale a pena tirar um momento com você mesmo nesta experiência de faroeste.


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