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Review de Afro Samurai para PS3 de Top Games

por Rodrigo Petraca, fonte Top Games, data  editar remover


Afro, um samurai negro que usa um imenso penteado black power e busca por esclarecimentos do passado, de que não se lembra.

Uma das grandes tendências atualmente nos videogames de alta definição é produzir games de gêneros consagrados, mas com visuais diferentes e elaborados. Uma das técnicas mais empregadas para isso é o cel shading, que confere aos gráficos aparência de desenho animado, ajudando a alçar ainda mais os games a um patamar consolidado de expressão artística.

Porém, o que acontece com um jogo que apresenta um visual lindo e uma mecânica chata e repetitiva? Exatamente isso, um título lindo e chato, que mais vale pelas animações entre fases do que pela diversão em si. Infelizmente, este é exatamente o caso de Afro Samurai.

Estilo alternativo
Baseado no mangá de mesmo nome ??? o qual, por sua vez, gerou também um anime ??? Afro Samurai tem como cenário uma versão alternativa do Japão feudal. Predominam ainda ninjas e samurais como guerreiros que resolvem conflitos políticos e pessoais, e dentre eles está justamente Afro, um samurai negro que usa um imenso penteado black power e busca por esclarecimentos do passado, de que não se lembra.

No caminho, muita violência e boca suja, já que a série é marcante justamente por conta da ferocidade dos combates, tingidos de sangue, membros decapitados e palavrões. Tudo com muito estilo e uma forte identidade hip hop, reforçada ainda pela excelente dublagem do ator Samuel L. Jackson (que fez Mace Windu, da trilogia nova de Guerra nas Estrelas), também co-produtor do desenho animado e do game. Também nessa linha, a trilha sonora é assinada pelo rapper The RZA, um dos principais integrantes do grupo Wu-Tang Clan.

O estilo é claro e marcante: o filtro cel shading confere contornos reforçados que lembram nanquim, as cores são vibrantes, as texturas claras e os personagens expressivos. Os deslizes começam, contudo, na parte de animação de personagens. Ainda que alguns elementos impressionem, a exemplo da faixa presa à cabeça de Afro, que tremula ao vento, e os movimentos de finalização dele, a grande maioria das ações é simples e genérica. Não que sejam exatamente falhas, mas destoam do patamar estabelecido no estilo visual ??? ou seja, fica ruim.

Os ângulos de câmera trilham o caminho do bem e do mal. As cutscenes dão um verdadeiro show, exibindo perspectivas ousadas, criativas e bem compostas. Na hora de ação de verdade, falha miseravelmente. A velocidade de movimento não é das mais úteis em pleno combate e ela teima em assumir péssimas posições vez ou o outra, fazendo até mesmo o papelão de ficar presa no cenário.

God of War precário
Mesmo com tudo o que já foi citado, Afro Samurai apresenta falhas ainda piores, a começar pela mecânica de jogo. O título busca ser um God of War em alta definição, talvez até simplificado. E aí reside o erro: a falta de competência do novato estúdio Surge gerou repetição. Repetição absurda. Repetição extrema. As fases se resumem a corredores interligados por salas nas quais se enfrenta hordas de dezenas de inimigos genéricos. ?? disposição existe um vasto repertório de golpes e combos, mas nada disso faz diferença: basta esmagar o botão de ataque rapidamente que eventualmente Afro sai campeão. Desanimador.

Há tentativas interessantes de oferecer mais profundidade com os ataques Focus, dois modelos diferentes de golpes que podem ser concentrados para ficar mais fortes ??? e ativam sequências todas em preto-e-branco em que apenas o sangue aparece em vermelho, mas tudo vai por água abaixo pelo fato de elas serem desnecessárias, mesmo que tenham lá seu charme.

Mais um fato que exemplifica a falta de capricho: decapitações, decepamentos e gentilezas semelhantes acontecem a todo momento, mas é tudo muito rápido e o controle sobre isso é nulo. Ou seja, algo que supostamente seria um atrativo do jogo acaba sendo motivo para decepção, já que nunca se sabe quando vai ocorrer e quando rola é de maneira aleatória, impedindo o jogador de fazer como bem quer e até mesmo impedindo-o de apreciar o tal show de violência.

A progressão de níveis é igualmente triste. Fases de design pobre, confusas e lineares. Embates contra chefões seguem linha parecida. A falta de capricho na mecânica de luta resulta aqui em tentativas de estratagemas complexos ??? como no novo Prince of Persia ??? mas o que acaba acontecendo é um festival de golpes a esmo e um incessante processo de tentativa e erro até encaixar, meio que sem querer, o esquema necessário para vencer a luta.

Apenas para fãs
Eventualmente, Afro Samurai acaba revelando certo valor apenas pelo apreço e respeito à obra original. O enredo segue bem de perto a história contada nos mangás, diferindo assim bastante do enredo do desenho animado. Na parte sonora, além da dublagem de Samuel L. Jackson, outros atores famosos reprisam o trabalho feito no anime. O carrancudo Ron Perlman (intérprete do monstro Hellboy no cinema) faz Justice, a mocinha havaiana Kelly Hu (Lady Letal no segundo filme dos X-Men) é Okiku e John DiMaggio (dublador de Marcus Fenix, da série Gears of War) faz Brother 2.

Na trilha musical impera a mistura de hip hop com sons tipicamente orientais realizada por The RZA e diversos colaboradores. Todas as faixas são originais e capturam a atmosfera desse excêntrico universo, tal qual já bem havia ocorrido no anime.

O único ponto falho na apresentação do game é o modo com que a história é contada. Fragmentada demais, até chega a instigar, mas a confusão excessiva logo converte algo que deveria ser misterioso em algo chato e sem graça. Para piorar: certas cenas sofrem de cortes repentinos, seja no início, final ou até mesmo mudança de ângulo, o que denota certa falta de polidez e ainda confunde.

No final das contas, Afro Samurai não chega a ser um título grotesco, que seja impossível de jogar de tão ruim. ?? apenas um game que não consegue justificar por qual motivo veio ao mundo. Para os fãs do personagem e da série, o game certamente agradará por conta do apreço visual e do respeito à obra ??? algo que se percebe também nos extras desbloqueáveis ??? mas, sejamos francos, esse com certeza é um grupo ínfimo.


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