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Review de Killzone 2 para PS3 de Top Games

por Rodrigo Petraca, fonte Top Games, data  editar remover


Se no ano passado Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots era o salvador da pátria, este ano Killzone 2 chega para provar de uma vez por todas se o PlayStation 3 é capaz de exibir gráficos tão incríveis quanto os que foram mostrados em sua primeira aparição, na longínqua E3 de 2005. Esse foi um dos jogos mais impressionantes apresentado naquela ocasião, afinal, nenhum videogame poderia exibir aqueles gráficos. Logo descobriu-se que o vídeo mostrado era na verdade uma cena em CG ??? algo que depois foi criticado por ser uma ???propaganda enganosa??? do console. Quase quatro anos se passaram desde aquele evento. Depois de muitos narizes torcidos e muita descrença, a Guerrilla Games conseguiu provar que é possível sim jogar uma cena em computação gráfica, e melhor: calar a boca de quem dizia que o PS3 era uma fraude.

Uma guerra desconhecida
Dificilmente alguém deve ter jogado pra valer o primeiro jogo da série, Killzone: Liberation. O pior é que a Guerrilla Games, a produtora do game, não faz questão de tentar contar a história em que você vai se meter. Logo no início o jogador é arremessado diretamente em uma guerra entre terráqueos e os Hellgasths, descendentes humanos que colonizaram Helgan há muitas gerações. Esse planeta tinha um ambiente muito hostil aos seres humanos e a lei da evolução permitiu que eles conseguissem sobreviver e se adaptar ao novo habitat. Essa adaptação, contudo, trouxe consequências para seus organismos, modificando todos os seus genes e seu DNA. O resultado é que eles não podem mais ser considerados da mesma raça que a nossa. Para ter uma ideia, os Helgasths são envenenados por oxigênio, por isso eles usam máscaras o tempo todo em nosso planeta.

Os fatos ocorrem logo após os eventos de Killzone: Liberation (lançado para PSP). A força da Terra, a ISA (Interplanetary Strategic Alliance), cansada de sofrer ataques dos Helghasts, decide contra-atacar invadindo a civilização alienígena. Acontece que os Helgasts são muito mais fortes, rápidos e resistentes que os humanos. Além disso, eles são condicionados para matar, seres sem um pingo de remorso e que não vão hesitar em puxar o gatilho contra seus ???parentes???.

Quem já jogou outros games de tiro em primeira pessoa pode pensar que Killzone 2 é um jogo bastante genérico: mocinhos contra bandidos em um mundo pós apocalíptico e pronto. Mas não é bem assim. Diferente dos jogos anteriores, Templar, protagonista do primeiro Killzone, não é o herói desta vez (ele foi promovido e agora não precisa entrar em combate direto). A missão agora cabe ao sargento Tomas Sevchenko (Sev), cara durão que convive com outros três integrantes do esquadrão Alpha na invasão à Helgan. Ambos irão dividir seus medos e anseios, além de ataduras e a boias no centro de comando. Isso significa que, ao menos, o game tenta fazer com que você se afeiçoe aos caras e tenta passar o sentido de companheirismo. Isso, obviamente, é um clichê, e o jogo não é um clássico da ficção ou de guerra, mas conforme os fatos vão se desenrolando, você passa a sentir vontade de saber como tudo isso vai acabar.

A trama passa por pontos interessantes que mostram a lavagem cerebral dos Helghasts, os conflitos de uma guerra, a perda de um companheiro de guerra... Fica nítido que existe sim um propósito, mas os dez estágios passam em um piscar de olhos e logo você sente que isso não foi o suficiente para criar laços com os caras, além de às vezes nem prestar atenção por conta da quantidade de tiros que voam por todos os lados. Logo depois de 15 horas em frente à TV o jogo acaba, você vê os créditos finais e sente que deveria ter mais alguma coisa para ser mostrada. Mas, pode acreditar, haverá um Killzone 3.

Saraivada de balas
Acontece que Killzone 2 é um jogo de tiro, e como tal, a diversão é sair por aí estourando alguns miolos. Assim que você põe suas mãos no jogo propriamente dito descobre que ele é muito mais bonito do que foi exibido em quaisquer fotos ou vídeos até hoje, principalmente se você possui o sistema ideal para jogar: TV de alta definição e sistema de som 5.1. E nem precisa ser uma TV Full HD, pois o game roda lisinho em 720 linhas e 30 quadros constantes.

O visual é um espetáculo ??? já nos primeiros minutos você vê Sev acordando em uma base suspensa da ISA com milhares de detalhes espalhados: latas de comida, caixotes de suprimentos e naves de despacho. Não é necessário dizer que você ficará muito tempo de queixo caído apenas assistindo a cada mínimo detalhe, como os mais variados tipos de efeitos de luz e sombra, além de uma variedade imensa de texturas super trabalhadas e realistas. Depois de uma breve cena você cairá direto no campo de batalha, aquele mesmo que está na demonstração da PlayStation Network.

Corpos voando, tiros zunindo, gritos por todos os lados ??? certamente você se sentirá dentro de um campo de batalha. As explosões levantam nuvens de fumaça e poeira que atrapalham a visão, os corpos que voam de milhares de maneiras diferentes, as naves que explodem no ar e acabam com seus reforços. Com tudo isso acontecendo bem diante de seus olhos, a adrenalina fica constantemente em níveis muito elevados, algo sensacional e que nenhuma cena em CG conseguiria transmitir ao jogador.

Ainda quanto aos gráficos, há detalhes que fazem a grande diferença, como paredes e colunas (não todas) que podem ser destruídas. Logo no primeiro estágio é possível acabar com um dos prédios explodindo caixas de munição ou acertando inimigos que carregam lança-foguetes. O som da explosão pode assustar seus vizinhos, tamanha é a acuidade do áudio.

Essa última parte merece um destaque especial, pois este é o primeiro jogo que tem suporte ao sistema de som 7.1. Isso significa que você tem a imersão no ambiente mais fiel possível e você pode se guiar apenas com o som do ambiente, dando a você uma precisão maior a respeito da origem dos disparos e dos gritos de ordem. A trilha sonora também não fica por baixo: toda orquestrada e bem empolgante nos momentos certos. O áudio só fica um pouco por baixo no quesito da atuação dos atores que dublaram as falas ??? em alguns casos eles não transmitem a veemência de seus sentimentos, como o pedido de ajuda ou das ordens a serem seguidas.

A física e efeitos especiais também são bastante importantes. Caixas e garrafas podem ser destruídas de modo convincente, graças ao engine Havok. A energia cinética também atua profundamente e são amplamente vistas quando você acerta uma determinada parte do corpo de seu adversário, como ombros e pernas. Dependendo da parte em que você acertar o disparo o inimigo irá voar, tomando impulso a partir do local do impacto ??? isso se aplica também às granadas e explosivos plásticos.

Fazendo e acontecendo
O desenrolar do game é bastante similar ao dos jogos de tiro em primeira pessoa. Geralmente o game diz para onde você deve ir e o que fazer quando chegar lá. Na maioria das ocasiões você estará acompanhado por um ou mais personagens controlados pelo computador. E, como era de se esperar, esses seus amigos não ficarão apenas olhando você acabar com todos os Hellgasths que estiverem no caminho ??? eles darão uma força matando quem estiver mais próximo de você e chamando a atenção do adversário. Esse é um dos detalhes mais interessantes do modo de campanha de KZ2, pois o computador não fica sempre no seu pé só porque você é o jogador ??? o adversário irá focar seus ataques em quem for mais ameaçador, e isso significa que às vezes seu aliado é quem estará na linha de tiro e que você terá de ajudá-lo.

Além disso, Killzone 2 é um jogo de tiro que faz você se proteger o tempo todo. Aqui não é possível sair correndo feito um louco ??? é preciso que você se esconda dos disparos adversários utilizando o sistema de cobertura, que permite que você use qualquer parede para evitar os disparos inimigos. Vale tudo para se manter vivo: ficar atrás de uma parede, um carro ou poste. No início isso é bem estranho, afinal, esconder-se e atirar é a praia de Uncharted, mas, depois de algum tempo, será até natural correr para uma parede, pressionar o botão L2 e se esconder da saraivada de balas que voam pelos cenários.

No arsenal de guerra você terá diversos tipos de armas, dentre eles rifles de assalto, escopetas, lança-granadas, foguetes, rifles de precisão e até mesmo armas energéticas. Cada tipo de equipamento tem seu charme. Por exemplo: o lança-granadas vai levantar muita fumaça além de causar dano por área, já o rifle da ISA possui uma mira com um ponto, o que é ótimo para dar tiros na cabeça. Mas a genialidade veio na forma incrível do uso do SixAxis com o rifle de precisão. Caso você mova o controle, esse movimento será passado para o jogo e irá dificultar a mira, ou seja, quanto mais suas mãos ficarem paradas, melhor será sua apontaria.

Além disso, o sensor de movimentos é utilizado em outros recursos que poderiam ser bobos, mas que a Guerrilla conseguiu criar majestosamente: colocar abertura de válvulas e acionamento de explosivos com giros simples nos controles. Quando você precisa acionar uma peça dessas, será exibido um minigame informando os movimentos que devem ser realizados para que você consiga abrir a porta ou ativar o explosivo. Sim, é bobo, mas ainda assim divertido.

Para avisá-lo de que você está morrendo, o jogo vai sujando a tela com gotas de sangue e, conforme você vai sofrendo mais ataques, a tela perde a cor, até que Sev morre. Esse desespero de alguém que está morrendo é uma das coisas mais utilizadas nos jogos atuais, mas até isso consegue ser diferente em KZ2.

Mas nem tudo é assim, fantástico e maravilhoso. Por exemplo: as micropausas que o jogo faz para carregar trechos do estágio. Isso ocorre principalmente pelo fato de Killzone 2 não ser instalado. Tecnicamente o jogo vai carregando aos poucos cada trecho do estágio no modo de campanha. Em alguns momentos nem é percebido o tempo de leitura, mas em outros ocorre uma pausa de um ou dois segundos para o carregamento do trecho seguinte. Isso pode irritar algumas pessoas, mas definitivamente não atrapalha o desenrolar da ação, pois esses pontos estão geralmente em locais sem atividade inimiga. Além disso, há problemas com as algumas sombras que são projetadas em baixa resolução ??? você vê o contorno de seu soldado todo quadriculado, algo que é bem feio e que poderia ter sido facilmente reparado pelo pessoal da Guerrilla, tendo em vista todo o resto do jogo. Mais uma vez, trata-se de um problema que pode ser ignorado, mas que mesmo assim é perceptível desde o momento em que o botão start é pressionado.

Dentro de uma guerra
Ainda no modo para um jogador, você terá à disposição o modo Skirmish, uma prévia do que é o modo online. Quem é iniciante pode jogar com personagens controlados pelo computador, os bots. Com eles é possível ter uma vaga ideia do que você irá encontrar no modo Warzone e conhecerá as classes, mapas e modos de jogo. Quem é um jogador mais avançado pode tentar bolar novas estratégias, além de treinar contra bots mais avançados e que literalmente sabem o que fazer na hora exata.

O modo online de Killzone 2 é um dos mais divertidos que você vai encontrar na PSN. São vários tipos de jogo que irão mantê-lo entretido por várias e várias horas. O Body Count é um team deatchmatch bem básico ??? vence quem derrubar mais inimigos. Search and Retrieve é o clássico capture the flag, mas aqui não é uma bandeira, e sim um dispositivo de comunicação que deve ser entregue na torre de comunicação. Search and Destroy é o basicão modo de instalação de bombas. Já o Capture and Hold é aquele em que os jogadores devem se juntar em locais espalhados pelos mapas para tomar conta de postos de comunicação e impedir que o time adversário faça o mesmo. Mas o modo Assassination é um dos mais legais ??? nele um jogador é o alvo e os jogadores de seu time devem defendê-lo dos ataques inimigos por um determinado período.

Todas as missões do modo online podem ser jogadas tanto separadas quanto em sequência, o que confere uma dinâmica muito animada para o game. Tudo fica por conta de quem serve o jogo, ele é quem decide quais missões vão rolar. Há quem prefira jogar apenas Body Count, outros preferem Search and Destroy. E, por fim, há aqueles que gostam de jogar tudo de uma vez. Essa última opção permite que todos os modos aconteçam no mesmo mapa, sem loadings e sem interrupções, o que deixa as disputas ainda mais frenéticas.
Falando assim parece que o jogo é bem básico e que não muda nada em relação aos outros games de tiro em primeira pessoa, mas existe um grande diferencial. Os jogadores têm a sua disposição uma grande estrutura de desenvolvimento de personagem. No início você só pode jogar com soldados comuns, mas ao participar de missões você ganha pontos que vão dando recompensas, como novas armas e até mesmo novas classes O soldado é a classe mais comum, não possui habilidades especiais, mas pode usar todas as armas que forem habilitadas, com exceção daquelas que são exclusivas de outras classes. Os médicos são o porto seguro da tropa ??? com eles no time é possível retornar à ação sem ter de voltar do ponto de partida novamente. Além disso, eles podem liberar itens de cura que dão aquela ajuda na hora do perigo. Os engenheiros podem criar robôs defensivos que atacam qualquer inimigo que chegue perto do local onde eles se encontram, inclusive inimigos disfarçados ou camuflados.

Os táticos fazem parte do time de ataque e têm a habilidade de criar novos pontos de partida em qualquer lugar do mapa, além de poderem chamar naves-robôs que sobrevoam e defendem os locais onde elas foram convocadas. Já os soldados de assalto aqules que mais aguentam disparos e podem usar a habilidade Boost para correr mais rápido do que as outras classes, no entanto, eles só podem utilizar armas explosivas, como lança-granadas e lança-foguetes. Os sabotadores podem se disfarçar ficando com a aparência dos soldados adversários. Geralmente isso permite que eles passem incólumes entre seus inimigos. Eles são os únicos que podem usar explosivos de proximidade. Os batedores são os caras que podem ficar literalmente invisíveis, desde que não se movam, além de poderem utilizar rifles de longa distância e chamar ataques aéreos para acabar com seus adversários em seus esconderijos. Ou seja, é impossível não ter uma classe que não se encaixe com o tipo de game que você sabe jogar.

Esse sistema de recompensas ainda não é tudo. Cada classe, cada tipo de missão e cada ato do jogador vão dando bandagens e, ao obter oito de cada uma dessas bandagens, o jogador ganha um bônus, como mais pontos no modo Body Count ou a possibilidade de carregar mais munição. E isso não faz com que o jogo fique desequilibrado, pois na hora de escolher as missões você pode habilitar somente a busca por pessoas com o mesmo nível que o seu, com poucas pessoas mais habilidosas ou iniciantes, mas mesmo assim é bem balanceado sem dar vantagem para ninguém.

O game apresenta oito mapas para sair dando tiros e você terá a impressão de que os conhece, pois eles foram baseados nas missões do modo para um jogador. Cada um deles possui uma particularidade e muitos deles você vai reconhecer por conta do modo de campanha. Tharsis Depot é um exemplo clássico de mapa apertado e de confusão do início ao fim com direito a chuva de granadas e muita bala perdida. Já Pyrrhus Ris é o oposto, pois é um mapa amplo, ótimo para atiradores de elite e ataques aéreos. Mas todos eles funcionam bem para qualquer um dos seis modos de jogo.

Do modo solo, só ficou uma coisa ficou de fora ??? o uso da cobertura ao partir do botão L2. Isso é justificável, afinal, contra o computador você vai avançando aos poucos, já no modo para muitos jogadores isso é praticamente impossível e apenas faria com que o jogador ficasse mais e mais frustrado com um ataque pelas costas, por exemplo. ?? possível se proteger, bastando ficar atrás de alguma coisa ou se abaixar no momento certo ??? não que isso seja uma estratégia infalível, mas temos certeza de que você encontrará um meio de se manter vivo.

Resultado do confronto
Diziam que o PlayStation 3 era uma fraude, que ele não possuia um jogo de tiro que rivalizasse com Halo e que não era capaz de fazer gráficos tão incríveis quanto uma cena em computação gráfica. Antes de mais nada: o console realmente não é uma fraude, pois consegue cumprir muito bem tudo o que prometeu. Quanto ao caso de Halo, Resistance 2 quase conseguiu provar que tem tanta força quanto o jogo da Microsft, mas é realmente Killzone 2 o jogo que chega para desbancar Master Chief, seja por conta de seu incrível modo online, seja pelo modo single player, que conta com momentos impressionantes. Vale ressaltar que Killzone 2 faz mais do que mostrar gráficos em altíssima qualidade ??? em muitos aspectos o jogo ficou melhor do que o vídeo exibido na E3 de 2005.

Com a soma de todos esses fatores, fica claro que se uma empresa se dedicar verdadeiramente a um jogo algo de muito bom vai aparecer. Foram quatro anos de produção que provaram que se você deseja um videogame de verdade, este videogame é o PlayStation 3.


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