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Review de Heavenly Sword para PS3 de Top Games

por Rodrigo Petraca, fonte Top Games, data  editar remover


Que o PlayStation 3 ainda não tem nenhum jogo que faça você querer o console só para jogá-lo, isso você com certeza sabe. A boa notícia é que setembro inicia a época de grandes jogos em todo ano, e esse ano está cheio de jogos excelentes. Muita gente achava que Heavenly Sword, por ter muitos elementos parecidos com os que fizeram de God of War um sucesso, seria o primeiro jogo essencial para o PS3. Bem, o jogo está longe de ser ruim, porém está ainda mais longe de ser essencial.

A história é até bem escrita e um pouco interessante, mas é cheia de clichês e bem previsível em alguns pontos. A trama se desenvolve em torno de Nariko, uma garota pertencente ao clã que protege a Heavenly Sword, espada muito poderosa que toma em troca a vida de quem a possui. ?? claro que aí entra um rei malvado que quer tomar a espada para si, a fim de subjugar outros reinos, dominar o mundo... aquela coisa de sempre.

Se há uma qualidade que ajuda a dar um clima ao enredo, é a qualidade das atuações dos dubladores. Os personagens ganham muito carisma e as vozes se encaixam perfeitamente. Como curiosidade, quem interpreta o papel do Rei Bohan (em inglês, pois dá para escolher cinco idiomas diferentes) é Andy Serkis, ninguém menos que o Gollum de O Senhor dos Anéis.

Excelência gráfica
Sobre os gráficos... Caramba! Essa é a palavra que você vai dizer em alguns momentos. Heavenly Sword é o jogo mais bonito já feito para o PlayStation 3, sem dúvida. A começar pelos cenários, ricos em detalhes e com um design básico, porém muito competente. Então temos os personagens, todos absurdamente bem animados. ?? incrível, especialmente pelo fato de não terem mapeado apenas animações de movimentos de luta. Todo o rosto de Nariko, por exemplo, tem animações diferentes para cada parte dele, como sobrancelhas, testa e lábios. Para se ter uma idéia, só o cabelo enorme de Nariko, junto com suas animações, demorou mais de três meses para ficar pronto.

No entanto, o que mais chama a atenção na verdade são as cenas de golpes especiais e as animações que contam a história do game. O interessante é que elas realmente mostram todo o empenho feito para deixar os gráficos os mais bonitos possíveis. Algo que conta muito a favor do visual é que Heavenly Sword evita dar aquela efeito que deixa os personagens parecendo de plástico, algo que antes era comum apenas em games que usavam a Unreal Engine 3, e agora parece ser quase uma moda, infelizmente. HS deixa tudo normal, suave, e mais convincente.

Para terminar de falar dos quesitos técnicos, só falta o som. Os efeitos até são legais, mas não há nada demais neles. As músicas apenas cumprem seu papel, em boa parte com músicas clássicas ??? o padrão ??? e colocando algumas trilhas mais modernas em algumas partes. Não é excepcional como a trilha de God of War por exemplo, embora não seja irritante.

Combates: vários estilos
Comecemos explicando como funciona: Heavenly Sword é um jogo de ação nos moldes de God of War. Você sai por aí matando um monte de inimigos, resolvendo alguns quebra-cabeças no meio do caminho e repetindo essas duas máximas durante todo o percurso.
O jogo se apóia, na maior parte do tempo, nos combates, deixando a matança em primeiro plano e fazendo você ter que usar o cérebro só de vez em quando. O bom é que, na maior parte do tempo, as lutas funcionam muito bem. Nariko tem três posições diferentes, cada uma com golpes diferentes. Essas posições ainda podem ser mudadas no meio de uma combinação, aumentando ainda mais a variedade de combos e tornando os combates um pouco menos repetitivos. Aperte o L1 e Nariko fica na posição que deu ao jogo as comparações com God of War: a espada se divide em duas e as partes são presas por uma corrente. Com o R1, ela muda para a Power Stance, com ataques mais lentos e mais fortes. O básico. Cada uma delas lhe permite fazer combos com os botões quadrado e triângulo.

Não há um botão de defesa, e isso é um pouco legal. Só um pouco. Para defender, você deve deixar Nariko parada e estar na posição correta. O inimigo pisca em uma cor rapidamente antes de desferir o golpe, e você tem uma fração de segundo se ajeitar. ?? até legal, porém um botão de defesa seria muito mais prático. Por exemplo, não há como defender se você está no meio de um combo, ou mesmo no meio do combo do adversário. Foi uma boa tentativa, só não deu tão certo quanto os produtores achavam que daria.
As lutas contra chefes são legais, diferentes do normal. Geralmente acontece aquele lance de apertar um botão certo na hora certa para acertar um golpe mais forte, como em GoW.

Combates: a parte ruim
Isso aí que você leu são as virtudes do sistema de luta. E, agora, somos obrigados a falar do que é bem chato no jogo. Bem, para começar, o número de inimigos é enorme, em algumas vezes você enfrenta mais de uma dúzia ao mesmo tempo. Isso é bom. Já a variedade deles é ridícula. Quando for jogar, preste bem atenção nos primeiros inimigos que você vai enfrentar. Quando chegar ao final do game, repare que o mesmo tipo de inimigo está presente na última fase! Não sei se foi pressa, ou relaxo mesmo, mas a falta de variedade é imperdoável. Pior que isso, ela só piora outro aspecto negativo: as batalhas ficam repetitivas demais. Por mais que seja legal ver a moça de cabelo grande matando exércitos de um jeito bem estiloso, depois de um tempo simplesmente cansa. Não dá mais graça, e a falta de puzzles agrava a situação.

Para resolver isso, a equipe da Ninja Theory até nos deixa controlar Kai, uma outra personagem com um estilo totalmente diferente. Ela não é boa em combates de perto, e só é eficiente atirando com uma besta. As partes de jogo dela se resumem a um monte de sessões sniper. Um aspecto interessante é que dá para controlar a trajetória de cada projétil em câmera lenta com movimentos do SIXAXIS. Mas não adianta. Essas sessões sniper são muito demoradas e repetitivas também, em algumas partes você fica torcendo para acabar logo.
E sabe aquilo que falamos das batalhas dos chefes? Esquecemos de mencionar o problema de as indicações dos botões não ficarem nem um segundo na tela. Você geralmente erra na primeira vez, tendo que repetir o processo com o botão decorado para conseguir apertar na hora.

Para completar, você vai pagar caro em um jogo muito curto. ?? impossível não terminar esse game em mais de dez horas, e os únicos extras que valem a pena de procurar são combos novos, pois os bônus de galerias e vídeos de making of são os mesmos que apareceram na internet durante a campanha de divulgação.
Então é isso. Heavenly Sword não é e jamais será um clássico, embora tenha alguns pontos fortes que poderiam ser melhorados em uma seqüência. Faltou um pouco de capricho, talvez para entregar o jogo a tempo antes da imperdoável avalanche de lançamentos do final do ano. Quem já se adiantou e comprou um PS3, pode até procurar esse jogo, mas seria melhor guardar seu dinheiro para algo melhor e que você vá jogar por mais de um final de semana.


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