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Review de Prince of Persia (2008) para PC de Top Games

por GameVicio, fonte Top Games, data  editar remover


Esteja preparado para conhecer um novo herói, o qual parece ter saído diretamente de um dos 1001 contos de Sherazade.

Antes de começar a ler este review é preciso esquecer de Prince of Persia: Sands of Time, do PlayStation 2. Aquele jogo era um clássico. E clássicos não nascem todos os dias. A única coisa que ele tem em comum com o novo Prince of Persia é o fato de o protagonista utilizar acrobacias para chegar a locais de difícil acesso. O restante é completamente diferente. Prince of Persia é um novo mundo, um novo mal.

Agora que você sabe por onde começar, esteja preparado para conhecer um novo herói, o qual parece ter saído diretamente de um dos 1001 contos de Sherazade. Ele não parece ser um príncipe e a todo momento evita falar sobre seu passado. O ???príncipe??? é na verdade um aventureiro, que vive saqueando tumbas atrás de dinheiro fácil. Isso é o que explica suas habilidades e a maneira como foi parar nesta aventura.

Em uma dessas andanças, o herói vai parar em uma tempestade de areia. Quando ele dá por si, uma linda morena cai em seu colo. Desse momento em diante sua vida vira de cabeça para baixo. Tudo o que ele queria era uma vida simples, com sombra e água fresca, mas o que conseguiu foi ser jogado em uma guerra envolvendo dois deuses irmãos: Ahriman, o deus da escuridão e Ormazd, o deus da luz.

A garota que cai em seu colo é Elika, uma princesa-sacerdotisa da tribo Ahura que serve o deus da luz. Sua história também é envolta por mistérios e apenas no desenrolar da aventura é que você irá entender os motivos pelos quais ela ficava na moita. No início, o protagonista vai seguindo-a apenas pelo seu instinto masculino. Quando ele percebe que o buraco é mais embaixo, não a abandona e segue o curso do rio, pois o que está em jogo não é apenas um mundo mais escuro, mas também sua vida.

A missão dos personagens é evitar que o mundo seja tomado pela corrupção de Ahriman. Para isso, o príncipe e a princesa terão de entrar em locais já invadidos pela corrupção: os interiores do reino dos Ahura. Elika usa seu poder para banir toda a energia negativa do local.

O enredo vai se desenrolando não apenas por meio de vídeos, mas também a partir daquilo que você deseja saber a respeito da história. Se você quiser saber mais sobre determinado assunto, pressione o botão R2. Desse modo, o príncipe continuará o assunto com a princesa. Essa é uma grande sacada, pois, assim, você vai se aproximando dos dois personagens, passa a entender os motivos pelos quais ambos foram entrar nessa roubada e, acima de tudo, compreenderá a razão pela qual deverá tomar sua última decisão antes do final do jogo ??? o qual, diga-se de passagem, é o melhor final de 2008.

Uma nova visão

O primeiro ponto que fará você ficar de queixo caído não aparece nos primeiros minutos do jogo. Só depois de conhecer Elika e chegar ao Templo da Vida é que você vai entender o quão belo é este Prince of Persia. Parece que todo o mundo foi desenhado à mão e, ao mesmo tempo, com um grau de realismo incrível.

Os personagens são desenhados com uma técnica parecida com o cell shading, mas não fica tão evidente que o que você está vendo é ou não um desenho, pois tudo possui as texturas e tons em dégradé a que estamos acostumados em jogos em 3D. O tom da pele do herói e de Elika são muito realistas, mas as roupas e os efeitos de luz utilizam uma gama de cores vivas, quase berrantes, típicos de desenhos feitos à mão. As imagens paradas que estão cobrindo as páginas da revista dão apenas um quinto da idéia de quão belo é este jogo em movimento.

Os efeitos de luz são fantásticos. Quando o cenário está tomado pela corrupção, tudo fica muito escuro e é praticamente impossível enxergar um palmo à sua frente. Caso Elika não fosse portadora da magia do deus da luz, seria impossível prosseguir em certos ambientes. Além disso, há uma impressão de decadência, mas tudo muda quando o local é curado: as cores vivas voltam, a luz do sol preenche todos os espaços e é até possível ouvir o som de pássaros cantando em todos os pontos do mapa. ?? como se aquele pedaço do mundo voltasse a respirar e sorrir como uma criança feliz. Esse processo de revitalização parece muito com o que ocorre em outro jogo, Okami. Na verdade, todo o conceito do game se parece muito com o da Capcom (um deus da corrupção tomando conta do mundo e vem então outro deus para ???curar??? os locais corrompidos e deixar o mundo mais vivo... Sacou?).

A impressão é a de que os criadores de Prince of Persia pegaram tudo o que tinha de bom em Okami e reescreveram em cima, mudando apenas o essencial para manter o game com a identidade de PoP. Sai o Japão medieval, entra a Pérsia antiga. Sai o deus lobo, entra a princesa da luz. Sai pintura de estrelas, entra acrobacias. ?? claro que há muitas coisas diferentes, mas o cerne da história continua lá, intacto. Não que isso seja algo que vá estragar totalmente sua experiência de jogo. Muito pelo contrário ??? é possível sentir-se mais à vontade com o que está rolando nos bastidores enquanto você escala uma parede de 200 metros de altura.

Um novo mundo

O que faz de Prince of Persia um jogo inesquecível é que nunca existe um caminho para seguir em frente. Para sair do ponto A e chegar ao ponto B é necessário atravessar os pontos C, D, E e F. Tais caminhos nunca são os mais intuitivos ??? você sempre deve seguir linhas acrobáticas, como andar pelas paredes, segurar-se em beiradas, saltar de pilastras e pendurar-se em mastros. Só depois de fazer tudo isso é que o protagonista chega a seu destino, tendo então de chegar a outro local, de acesso mais difícil ainda.

Dessa vez nosso herói não tem a habilidade de voltar no tempo ??? se errar, ferrou. Aliás, se o Principe não estivesse acompanhado de Elika, a aventura acabaria logo nas primeiras partes, pois ela é um ser mágico e, em alguns poucos momentos, é capaz até de flutuar. Com isso, ela consegue dar um empurrão extra para o herói alcançar locais mais distantes. Até mesmo quando ele cai, Elika dá uma mãozinha e o leva até o último local seguro onde pisaram antes, conseguindo roubar a cena em determinadas partes do jogo. Com tudo isso, é possível chegar a duas conclusões.

A primeira é que todos os habitantes da antiga Pérsia eram praticantes de Parkour ??? não importa a quantidade de movimentos difíceis que o Príncipe realize, Elika vai logo atrás. A segunda diz respeito à extrema facilidade do jogo ??? se você errar, a princesa o salva. Não existem momentos em que seja possível ver a tela ???Game Over???, se é que ela existe. Até mesmo o caminho que deve ser feito é mostrado pela princesa.

Como se isso não fosse o bastante, você recebe ajuda até mesmo durante os combates ??? tentamos de tudo e chegamos à conclusão de que é impossível morrer em uma luta. O príncipe apanha, apanha, apanha e nada. Quando o inimigo está prestes a dar o golpe final, Elika surge para salvá-lo e impede o golpe derradeiro. No entanto, tudo isso acaba sendo deixado de lado, pois o que importa é que o jogador deve fazer arte na hora de lutar ??? os movimentos são lindos e mesmo havendo a impossibilidade de morrer, os combates são incrivelmente divertidos.

Coadjuvante

Conforme você vai jogando, percebe que o Príncipe não é o personagem principal, mas sim Elika. Ela é quem deve salvar o mundo. Ela é quem salva o Príncipe. Ela é quem aprende novas habilidades. Isso mesmo. O andarilho nunca aprende nada de novo, ele tem suas características inatas desde o princípio do jogo. Conforme Elika vai curando o mundo, ela deve coletar Energy Balls ??? globos de luz espalhados pelos cenários restaurados. Com essas bolas de energia é possível abrir novas habilidades para acessar novos locais por meio das Ormazd Plates. Essas peças espalhadas pelos cenários permitem que a princesa salte mais longe, voe e até dê impulso para que o príncipe corra mais tempo pelas paredes.

A verdade é esta mesmo: o herói só serve para lutar contra os monstros corruptos e nada mais. Caso ele não estivesse no caminho, Elika conseguiria fazer quase tudo sozinha, ou, talvez, até melhor.

Vale a compra?

PoP dá um novo significado ao termo ???mundo aberto???. Diferente de todos os games da série, este jogo permite que você decida quais locais visitar. São 25 pontos divididos entre quatro áreas. Tudo isso está corrompido pela escuridão. Cada área possui um chefe, que se aproveita do local da melhor maneira possível e é seu dever derrotá-los antes de limpar as áreas antes de chegar ao final do game.

Falando assim, parece que o jogo leva uma eternidade para ser concluído, o que não é verdade. Depois que você pega os esquemas de controle, fica fácil chegar a locais aparentemente impossíveis ??? principalmente após conseguir todos os poderes de Elika. O tempo estimado para terminar este game pela primeira vez é de 13 horas. Na segunda rodada você vai conseguir concluí-lo muito mais rápido, em cerca de seis horas ou menos.

Fica aqui a dúvida: o jogo não tem nada além disso? Nada além da história para um jogador? A resposta é: não. Aí você pergunta: Este jogo vale o preço cobrado? Bem, depende. O que você espera de um jogo single player? Uma boa história? Este aqui tem. Um bom sistema de jogo? Também está presente. Gráficos incríveis? Vai ser difícil achar outro game mais bonito, artisticamente falando.

Pode não ser tão revolucionário quanto Sands of Time. O desafio que ele proporciona pode ser algo que realmente tire um pouco da longevidade do título, mas, no final das contas, este ainda é um game incrível. Caso o cinto esteja apertado por conta da chuva de jogos que surgiram mês passado, guarde dinheiro e compre-o depois. Mas, uma coisa é certa: você precisa jogar Prince of Persia.


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