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Review de Shining Force EXA para PS2 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Menos de dois anos depois do lançamento do último Shining Force, a Sega, em parceria com a Neverland, traz o segundo da série no Playstation 2. Shining Force Exa surge com a responsabilidade de manter a reputação da série em bons patamares, mas uma série de derrapadas por parte dos programadores fizeram deste um título medíocre e enfadonho que poucas pessoas terão a paciência de enfrentar.

Exército de um homem só


Shining Force Exa conta a história de Toma, um jovem espadachim que parte pelo mundo em busca de Shining Force, a espada sagrada que, segundo dizem as lendas, dá àquele que a empunha poder suficiente para se tornar o rei do mundo. Em meio às andanças, Toma conhece companheiros, entre eles o cavaleiro centauro Gadford, a elfa Maebelle e a maga Cyrille, que apesar de terem o mesmo objetivo, se ajudam em prol do bem comum. Quando a trupe finalmente encontra a espada sagrada, é o jovem Toma que consegue remove-la da pedra, tornando-se o novo Herdeiro, levando de lambuja um castelo bacana, todo cheio de tecnologias fantásticas e um cachorro que fala. E é aí que a história começa de fato.

Quem acompanha a série desde os tempos em que a Sega mandava no mercado vai perceber que o enredo não se relaciona em nada com os títulos anteriores, sendo totalmente auto-suficiente. E não precisa ser muito esperto para perceber que o forte de Shining Force Exa não é a trama, que segue a linha altruísta clássica do ???vamos salvar o mundo do mal???, presente em muitos títulos do gênero. Isso não quer dizer que o enredo seja essencialmente ruim, ele apenas não se destaca.

E tão logo a lendária espada é obtida, uma coisa interessante acontece: o grupo se divide em dois. Um dos grupos é liderado por Toma e o outro por Cyrille, sendo que fica por conta do jogador escolher qual dos grupos sai do castelo para cumprir as missões e qual fica por lá. As missões a serem cumpridas não costumam ser nada surpreendentes, e geralmente envolvem dizimar legiões de monstros, explorar dungeons e recuperar algum item perdido ou algo do tipo. O grupo que fica em casa não necessariamente fica à toa, pois muitas vezes quando se está explorando mundo afora uma mensagem aparecerá na tela avisando que seu castelo está sendo atacado; e cabe a quem quer que esteja lá dentro enfrentar o inimigo e livrar a base da ameaça. E quando o castelo está sob ataque, não é possível fazer nada a não ser ir lá e matar todo mundo. Mas o problema é que os combates estão longe de serem fáceis e caso o grupo de defesa não esteja com o ???level??? em dia, pode ser que o jogador fique impossibilitado de avançar no jogo, fazendo com que seja necessário fazer ???saves??? múltiplos para que se possa voltar no tempo e treinar os personagens caso seja necessário.

?? medida que se avança na trama, mais e mais personagens se juntam ao grupo, mas Toma e Cyrille serão sempre os únicos personagens controláveis. O máximo de controle que se pode exercer sobre seus companheiros de batalha é mudando o estilo de combate de cada um deles, mas para isso é necessário ter certos itens. Explorando dungeons ou defendendo o castelo, quando se sai para combate é possível levar a tiracolo dois personagens NPCs, e escolher bem qual levar pode ser a chave da vitória, mesmo que muitas vezes ele fique preso atrás de obstáculos, ataque os inimigos errados e morra, precisando ser ressuscitado.

O castelo, chamado Geo-Fortress, é outra peça importante no funcionamento do jogo. Tão logo ela é ativada, se torna o quartel general de Toma e seus amigos, e mais do que isso, a fortaleza é repleta de tecnologias mágicas como canhões, centros de treinamento e por aí vai. Inclusive, grande parte das missões iniciais envolve coletar objetos para reativar estas funções. E não só as funções como a Geo-Fortress em si vão subindo de nível com a ajuda dos Core Metal que o jogador coleta ao longo de suas aventuras.

Espadada no pé


Enquanto algumas produtoras pecam em lançar seqüências que não inovam em nada, a Sega pecou inovando demais, de forma que Shining Force Exa não apresenta grande parte dos elementos que consagraram a série e acabando meio que sem identidade.

A começar pelo enredo que, com já foi mencionado, é apenas uma desculpa para a chacina desenfreada que é o jogo. O que viria a ser um ???action-RPG??? acabou se tornando um mero ???hack-n-slash???, tendo em vista que os elementos de RPG não importam o quanto deveriam. Na verdade, as únicas coisas que lembram o jogador que este é um título de RPG são o fato de os personagens passarem de nível e o sistema de evolução customizável, que, apesar de ser confuso no início, é um dos elementos mais interessantes e dá ao jogador a chance de evoluir os personagens de acordo com seu agrado.

Os gráficos em cel-shading e com traços de anime impressionam. Não só pela qualidade dos gráficos em si, mas também pelas cores, os cenários detalhados, os modelos dos personagens e monstros e a movimentação dos mesmos; tudo muito limpo e bem feito. Mas o fato de apresentar um dos mais belos gráficos em cel-shading já vistos no Playstation 2 veio a um preço alto demais: no calor da batalha a taxa de quadros por segundo cai assustadoramente, muitas vezes fazendo com que fique impossível jogar. E é claro que as quedas ocorrem principalmente nas batalhas mais difíceis, quando o número de inimigos na tela é maior, e como conseqüência o jogador pode ficar travado por muito tempo nestas partes onde o problema é mais agudo.

O ponto chave de Shining Force EXA é mesmo o combate, e isso é deixado bem claro desde o início. Mas o mais curioso é que o combate é também seu maior ponto fraco. O jogador freqüentemente se verá frente a hordas e mais hordas de monstros com IA duvidosa, à espera da espadada que o libertará de sua existência insignificante. Os elementos de estratégia presentes nos títulos anteriores da série foram esquecidos, dando lugar a uma ação frenética onde tudo o que o jogador precisa fazer é metralhar o botão de ataque e esperar pelo melhor. Os ataques especiais se resumem a um por personagem, que varia de acordo com a arma equipada e pode ser executado segurando o botão de ataque. Não é preciso se preocupar nem mesmo em andar, já que os monstros têm o estranho hábito de ir ao encontro dos ataques dos personagens. Mas nem por isso as batalhas são fáceis -- muito pelo contrário. Os combates apresentam um grau de dificuldade bem elevado, que, somado ao problema da queda na taxa de quadros por segundo, fará com que o jogador seja impiedosamente massacrado caso não tenha evoluído seus personagens de forma satisfatória. Outro problema que costuma dificultar a vida do jogador é o fato de que muitas vezes os personagens serão envoltos pelo mar de inimigos, sendo impossível localizá-los. Nessas horas o metralhar de botões se torna ainda mais intenso e a morte talvez inevitável. As 30+ horas necessárias para finalizar o jogo serão um verdadeiro teste de paciência, até mesmo para os mais ávidos. Melhor tomar cuidado com as tendinites.

Além de tudo que já foi citado, Shining Force Exa é sonoramente sofrível. Tirando as musicas que não incomodam muito, o resto só decepciona, com atenção especial para as dublagens inacreditavelmente ruins.


O Veredicto
: Sendo o segundo título da série a ser lançado para o Playstation 2, Shining Force Exa chega com a missão de manter o nome Shining Force em bons lençóis e falha miseravelmente. O enredo fraco, juntamente com a mecânica pobre e as quedas na taxa de quadros por segundo fazem deste um título que talvez mereça ser esquecido, salvo talvez por aqueles jogadores que buscam uma aventura despreocupada, onde pensar não seja necessário.


Prós:

- Belos gráficos em cel-shading;
- Personagens cativantes;
- Cenários variados e bem construídos.


Contras:

- Batalhas muito difíceis;
- A framerate não acompanha o ritmo do jogo;
- Enredo pobre;
- Ausência de elementos estratégicos;
- Ação totalmente sem propósito.


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