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Review de The Legend of Zelda: Ocarina of Time para N64 de Outer Space

por GameVicio, fonte Outer Space, data  editar remover


O que esperar de um jogo que é anunciado, durante 3 anos, como a obra prima do maior designer de jogos de todos os tempos? Para muitos, The Legend Of Zelda: Ocarina Of Time tem o poder de fazer esquecer que um cartucho de Nintendo 64 custa R$130 e perdoar todos os erros da Nintendo, em nome de um momento gamístico memorável. Mesmo os que não tinham um N64 antes, agora se sentem forçados a comprar o console (é o que aconteceu com milhares de pessoas no Japão), conscientes de que se não o fizerem, poderão perder o melhor videogame de suas vidas. Sem dúvida, The Legend Of Zelda: Ocarina Of Time é um cartucho especial. Tão especial que a Nintendo arriscou sua própria posição no mercado de jogos e o elegeu como o salvador da empresa neste momento de insegurança que atravessa. Afinal, agora que podemos curtir Zelda em todas as suas emoções, este "joguinho" da Nintendo merece mesmo tanta exaltação? Nós achamos que sim.

Tee Hee Hee my arse!

Se tomarmos a primeira hora de jogo como uma amostra suficiente para formar uma opinião, estaríamos diante de uma decepção catastrófica. A primeira coisa que se vê na tela é uma apresentação sutil e muito bonita, tudo feito com a prudência de quem está claramente incomodado com a limitação do cartucho. Tivesse Shigeru Miyamoto com os infinitos megabytes de um CD em suas mãos, e estaríamos assistindo a uma introdução de maior impacto. Mas, isso é apenas uma provocação de quem ainda espera escutar da boca do próprio presidente da Nintendo que usar cartuchos, as vésperas do ano 2000, é uma grande mancada. Contemplada a bela e singela introdução, o jogo começa com o pé esquerdo.


Se você já tem mais de 10 anos de idade e quer evitar maiores constrangimentos, esteja certo de que ninguém está por perto vendo você jogar e descobrir que Link, um menino duende que vive em uma floresta encantada, povoada por crianças, é o único da turma que ainda não tem uma fadinha protetora. Os já habituados imediatamente ligam o "f***-se" da consciência em nome de mais um grande jogo de Miyamoto. Os primeiros instantes de Zelda são de uma infantilidade sem cabimento, maior que qualquer desenho ou história de fantasia infantil normal. Em Hyrule, o "mundo" do jogo, todos tem um sorriso estampado na cara. Até o vilão, Ganondorf sorri, embora seja um sorriso maquiavélico. Alguns personagens chegam a viver naturalmente dançando e rebolando.... arghhh.

O jogo do século?

Mesmo após terminar o primeiro "dungeon" do jogo e resolver uns "puzzles" interessantes, a empolgação ainda não é o suficiente para dissipar a névoa de "felicidade" que impregnou o ar nos momentos iniciais. The Legend Of Zelda: Ocarina Of Time, nem de longe lembra aquele começo de The Legend Of Zelda: A Link To The Past, do SNES (o melhor começo de um jogo em toda a história gamística).


Basta uma pequena dose de persistência e o jogo logo começa a se mostrar mais atraente. O segundo dungeon, na "Death Mountain" marca o fim da má impressão inicial e de lá para a frente, você fica imerso em um jogo que traduz com perfeição um sonho e uma história de fantasia. As músicas minimalistas dos dungeons e os infindáveis "puzzles", sempre seguidos de uma breve musiquinha de tempos remotos (aqueles sons mais comuns dos consoles de 8 bits); tudo é montado para fazer o jogador viajar em uma retrospectiva mental dos melhores momentos gamísticos de todos os tempos. Quem já jogou a série antes ou lembra com saudade dos melhores jogos do passado, vai se identificar muito com este novo Zelda.


Durante as mais de 30 horas de jogo você vai perceber mil formas de interação com o cenário, criaturas e outros objetos e entender porque Miyamoto é considerado um gênio. Vai também escutar as mais belas músicas do N64 no "Zora& 146;s Domain" e no estranho mantra que ecoa pelo "Fire Temple", verás os efeitos de luz/sombra, dia/noite executados com a perfeição de quem teve 3 anos para se atentar aos mínimos detalhes; e ainda terá algumas surpresas como a tempestade de areia da "Haunted Wasteland".

Tecnicamente, The Legend Of Zelda: Ocarina Of Time é muito mais que uma demonstração dos recursos do N64, nunca houve um jogo tão ambicioso e bem acabado como este.


A marca registrada de Shigeru Miyamoto

The Legend Of Zelda: Ocarina Of Time é a quintessência do design de Miyamoto e isso significa que todas as virtudes e defeitos do guru estão presentes. O jogo recria muitas idéias antigas, dos outros Zeldas e repete o maior defeito dos jogos de Miyamoto: Zelda pode ser extremamente IRRITANTE!
Apesar de estar evidente o esforço em não frustar o jogador em momento algum, certas coisas deram errado. (*) Por exemplo, no "Shadow Temple" você
percorre um dungeon cheio de desafios bem difíceis até ter acesso a sala onde o "chefe final" se esconde. ?? claro que para derrotá-lo é necessário primeiro
entender quais são seus pontos fracos e estudar seus movimentos, ou seja, durante o processo você vai ter que apanhar miseravelmente até desenvolver uma tática de combate eficiente. Acontece que mesmo com todos os artifícios para te proteger, você provavelmente vai morrer e ter que enfrentar o tal "chefe" uma segunda vez. Mas, se isso acontecer, você vai ser punido da pior maneira possível: o jogo te coloca na porta do "dungeon" e te obriga a percorrer todas as salas, dar pela milésima vez aqueles pulos milimétricos e enfrentar os mesmos bichos chatos no caminho, além de estar correndo o risco de morrer de novo no caminho, afinal neste momento tão chato, você vai correndo ao objetivo sem muita cautela.

(*) Ao fazer este review o editor não havia utilizado o "Farore's Wind", um acessório no jogo que resolve grande parte desses problemas (mas não resolve outros momentos irritantes no jogo).

Outro detalhe mínimo que parece injustificável é a inclusão do dinheiro no jogo. Não da para entender como a economia de Hyrule sobrevive em um mercado onde não há nenhuma oferta de bons produtos e o dinheiro literalmente brota de arbustos e pedras. Mas nada disso é suficiente para tirar o brilho de The Legend Of Zelda: Ocarina Of Time, um jogo feito para ser o melhor de todos
os tempos e que entrou para a história.

Veredicto

The Legend Of Zelda: Ocarina Of Time é tudo o que podíamos esperar de Shigeru Miyamoto e o time da Nintendo. Se você mora na Terra, gosta de jogos ou simplesmente de entretenimento de qualidade, não poupe esforços para jogar esta obra prima gamística. A Nintendo merece cada centavo cobrado pelo cartucho, aliás, ela agora tem motivos para dar aquele sorriso babão: Tee Hee Hee! Contras: - Enredo mais infantil que papinha de neném. - Pode ser irritante em alguns momentos.

Prós
  1. Se não fosse infantil e irritante, poderíamos eleger The Legend Of Zelda: Ocarina Of Time algo como... hmmm... "o jogo do século".


Contras
  1. Nada



1 comentário

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