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Review de Spider-Man 3 para X360 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Sendo um dos heróis mais populares nos quadrinhos, não é espanto algum que seja bem comum usar a imagem do Homem-Aranha para tentar criar jogos que possam também ser um pouco populares. Mas apesar de estar presente nas telas dos gamers desde os tempos do Atari, dá para contar nos dedos os bons jogos com o aracnídeo. E o novo Spider-Man 3, para Xbox 360, está longe de entrar na lista.

A Activision assumiu os direitos de publicação de jogos baseados na franquia de Spider-Man em 2000, e desde então vem lançando títulos bem razoáveis com o personagem de Stan Lee. Mas, infelizmente, o novo Spider-Man 3 fica bem abaixo da média da série, desperdiçando um potencial imenso em um jogo repleto de falhas.

Demasiadamente cinematográfico


A primeira vista, Spider-Man 3 impressiona pelos visuais. ?? realmente fascinante ver o Homem-Aranha balançando pelos arranha-céus de Manhattam em alta definição, com muitos carros e pessoas circulando nas ruas, e uma câmera que sempre tenta acompanhar a ação do ângulo mais cinematográfico possível. De fato, o jogo está esteticamente bonito, mas não demora até que alguns detalhes sejam percebidos: em alguns momentos, os efeitos de luz e sombra são falhos; em outros, os gráficos aparentam bem serrilhados para o padrão do 360; e apesar da cidade estar bem povoada e movimentada, uma volta no quarteirão é o bastante para notar a imensa repetição de modelos ??? muitos carros iguais, muitos pedestres iguais, muitos prédios iguais ??? e não demora para que o jogador descubra que mesmo passeando muito pela Manhattam de Spider-Man 3, a sensação é a de estar sempre no mesmo lugar.

E a tal câmera cinematográfica também é algo excessivamente incômodo. Apesar de capturar seqüências bem agradáveis para eventuais espectadores, geralmente a visualização da ação não fica tão boa para o jogador. Quando a única coisa que o jogador faz é passear pela cidade pendurado em teias ou escalando prédios, isso incomoda só um pouco, mas quando é preciso enfrentar criminosos, a câmera se torna um verdadeiro empecilho, principalmente em batalhas contra chefes em locais abertos, como o Duende Verde, ou lutas contra muitos oponentes. A câmera de Spider-Man 3 pode ser classificada como ???câmera semi-automática teimosa???: na maior parte das vezes, o jogador pode ajustar a visualização livremente, mas sempre que o mesmo entra em um novo ambiente, o ajuste é automático. E em alguns momentos, o jogador pode insistentemente tentar configurar um bom ângulo, mas ele sempre vai se ajustar por conta própria logo em seguida.

E não é só a câmera que atrapalha os combates: o sistema todo é bem falho. A Treyarch se esforçou para criar uma mecânica nova e completa para as pancadarias do Aranha, mas infelizmente, não foi bem sucedida na tarefa. Os controles ficaram até razoáveis: para esquivar, é usado o LB, que também ativa uma espécie de bullet-time; para bater, o ???X??? é usado para golpes rápidos e o ???Y??? para golpes fortes, enquanto o ???B??? é usado para golpes com a teia. ?? possível combinar os três para criar combos a la God of War, e à medida que se avança no jogo, novos combos e golpes são destravados. Isso é bom e ruim: é até interessante que novas técnicas apareçam no desenvolvimento da trama, mas nesse caso especifico, o herói é limitadíssimo no começo, e a maior parte dos combos e golpes destravados fazem pouca diferença para o avanço no combate, enquanto alguns outros revolucionam bastante a forma de lutar.

Mas o real problema nos combates não são os comandos, e sim a dinâmica dos mesmos. Apesar das animações do Aranha brigando serem ótimas, ele luta um pouco mal: geralmente é difícil escolher um alvo especifico em uma multidão, e é comum os ataques errarem. Isso é algo que acontece bastante em jogos onde o herói deve derrubar legiões de inimigos, mas no caso de Spider-Man 3, além desses defeitos estarem agravados, os inimigos agüentam bastante castigo, e as batalhas acabam ficando longas, sem serem essencialmente difíceis. O maior exemplo são as batalhas contra os chefes: derrotar o Duende Verde e Kingpin, o rei do crime, pode demorar muito tempo, em uma batalha tediosa onde tudo que o jogador deve fazer é pressionar uma seqüência repetitiva de botões e ver a barra de life do inimigo descer vagarosamente.

Parece até que deixar os inimigos resistentes é uma forma de driblar um outro grande defeito do jogo: a inteligência artificial. Aliás, esse é um conceito quase inexistente em Spider-Man 3. Os inimigos comuns costumam simplesmente correr na direção do personagem para atacar, sem qualquer coisa parecida com uma estratégia, enquanto os chefões seguem seqüências pré-definidas de ações, mais automáticas e previsíveis que as dos inimigos de Megaman 3 do NES. E pior que essas: os pedestres e carros das ruas de Manhattam geralmente continuam suas rotinas pré-definidas em qualquer situação, mesmo quando vêem o Homem-Aranha detonando uma gangue de punks na esquina. E talvez não tenha mesmo um motivo para eles se importarem: em determinado momento, quando o Aranha enfrenta o Duende Verde, é comum que o vilão acerte bombas nos pedestres e carros, quem nem saem do lugar com a explosão. Interatividade zero com o cenário.

Peter Parker, fotojornalista


A narrativa de Spider-Man 3 segue um estilo similar a jogos como Crackdown, Saints Row, e principalmente, GTA. Ao invés de ter de seguir uma seqüência linear, o jogador pode caminhar livremente pelo cenário, e ter certa liberdade na ordem de missões a serem realizadas. Funciona bem em GTA, e poderia até ser interessante em Spider-Man, mas não é: acaba que o enredo do jogo ficou picado e mal costurado, e quem não entende bem de Homem-Aranha não deve compreender bem a história. Mesmo quem assistiu ao filme pode acabar se perdendo com a história, pois o jogo passa dos limites do roteiro do cinema, o que é, relativamente, positivo. ?? bem interessante que vilões icônicos como o Rei do Crime e Kraven apareçam no jogo sem estar nos filmes, mas a Treyarch exagerou ao inventar gangues que rondam a cidade e servem como desafio aleatório para o herói quando este não está em missões. ?? um elemento que poderia ficar bom, mas quando as gangues se resumem a punks genéricos, garotas góticas de guarda-chuvas e lutadores de Kung-Fu, fica claro que inventar algo criativo não estava entre as metas dos produtores.

Pior que ter uma organização por missões mal-feita é o fato de que as próprias missões do jogo são um pouco chatas e mal-acabadas. Na maior parte das vezes os objetivos são fáceis, mas demoram um tempo considerável para serem cumpridos. A intenção é geralmente boa, mas a dinâmica acaba estragando tudo. Por exemplo: uma das primeiras missões disponíveis consiste em derrotar o Homem-Lagarto. Uma boa premissa. Para isso, o Homem-Aranha deve se embrenhar nos esgotos da cidade para encontrar o monstro. Tarefa fácil. No caminho, existem legiões de inimigos que são facilmente derrotados, mas são muitos, e o caminho é longo. Execução chata e demorada.

E também existem certas missões onde Peter Parker deve tirar fotos para o jornal. ?? algo que teria um verdadeiro potencial para ser divertido e interessante, mas ao contrário de Dead Rising, a mecânica de fotos em Spider-Man 3 é bem fraca, e o sistema não incita o jogador a fotografar todos os instantes como no jogo de zumbis da Capcom já que tirar fotos de vilões em batalhas, ou fotos ???emocionantes??? geralmente não serve para nada. Com isso, as missões de fotos ilustram bem o quão tedioso pode ser a rotina de um fotojornalista do mundo real, conseguindo imagens do trânsito engarrafado, carrinhos de cachorro quente, entre outros acontecimentos cotidianos.


O Veredicto
: Spider-Man 3, o jogo, falha com a imagem do herói aracnídeo. Apesar da recriação da ilha de Manhattam estar relativamente boa, e passear pela cidade balançando em teias grudadas nos arranha-céus seja divertido, a câmera, o combate, e muitos outros elementos de jogabilidade decepcionam bastante. A maior parte das missões do jogo são tediosas e relativamente longas, e uma ausência de inteligência artificial completa o resultado ruim de Spider-Man 3. Algumas idéias são até bem intencionadas, como o modo foto e a presença de muitos elementos que não estão no filme, mas uma má execução de tudo isso faz com que o jogo só valha pela curiosidade dos mais fanáticos e por se tratar de um dos heróis mais divertidos dos quadrinhos.


Prós:

- Não se limita ao filme;
- Boas animações do Homem-Aranha.


Contras:

- Inteligência artificial nula;
- Missões longas e chatas;
- Combates tediosos;
- Câmera ruim.


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