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Review de Call of Juarez para X360 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


O novo Call of Juarez, para Xbox 360, poderia ser visto como apenas mais um shooter para o console da Microsoft, mas a Techland, uma produtora polonesa, se esforçou para que seu jogo contasse com diferenciais como uma ambientação caprichada no Velho Oeste dos Estados Unidos, personagens bem carismáticos, uma jogabilidade um pouco diferenciada e muito estilo. Mas apesar de tudo isso, no final das contas Call of Juarez acaba sendo mesmo apenas mais um shooter para o 360.

Western polonês


Os principais personagens de Call of Juarez são Billy ???Candle???, um jovem com traços indígenas, e o Reverendo Ray, um ex-pistoleiro que se converteu à religião. O jogador irá controlar ambos durante a história, que é dividida em 15 capítulos. Mas ao contrário do que possa parecer, não existe nada de colaborativo entre os dois personagens: eles são inimigos mortais.

Logo no começo do jogo, Billy está retornando para sua cidade após uma busca infrutífera pelo tesouro perdido dos Astecas. Depois de alguns pequenos contratempos, ele chega ao rancho de sua mãe quase ao mesmo tempo em que sua mãe e seu padrasto são assassinados. Ao alcançar os corpos, o jovem percebe na porta do celeiro as seguintes palavras em sangue: ???Call of Juarez???. Para piorar a situação do garoto, logo em seguida chega à cena do crime o Reverendo Ray, que além de ser a figura religiosa local, é irmão de Thomas, o padrasto de Billy. Ray acusa o jovem como o responsável pelo duplo homicídio, que ao invés de tentar argumentar algo em sua defesa, saí correndo, como se fosse mesmo o culpado.

A fuga faz com que o bom Reverendo tenha motivos de sobra para acreditar na culpa de Billy. Primeiro porque Thomas sempre tratou o garoto com violência e maus tratos; segundo, porque o jovem também nunca se entendeu com seu padrasto, e esse foi um dos motivos que o levou a buscar pelo ouro perdido; e terceiro, por que o garoto correu ao invés de se explicar, e quem não deve não teme. Ray então pega suas velhas armas e se prepara para cumprir a justiça divina, como ele mesmo enxergou a situação que Deus colocou em seu caminho. Com isso, Billy será perseguido pelo tio até o inferno, se for preciso.

Mas não vai ser preciso ir tão longe. A aventura dos dois acontece apenas no bom e velho oeste, e inclui assaltos a trens, cavalgadas, duelos de pistoleiros, índios, barrancos e muita poeira, tudo que era cotidiano por aqueles lados. Tecnicamente, os cenários ficaram muito bons, com texturas em alta-resolução e efeitos de luz e sombra bem elaborados, mas, avaliando a construção dos níveis do jogo, é possível perceber alguns pequenos problemas: em certos mapas, o design dos ambientes naturais é bem ???artificial???, e a modelagem do terreno às vezes é bem grosseira. Mesmo com toda qualidade técnica do título ??? que é um dos seus pontos fortes por sinal ??? essa falta de capricho com pequenos detalhes decepciona.

Apesar de ter sido criado por poloneses, a atmosfera Western de Juarez é muito fiel e envolvente, e as personalidades de Billy e Ray ficaram ótimas e bem construídas. O enredo do jogo ficou realmente caprichado, mesmo sendo uma história um pouco clichê em um gênero relativamente limitado. E mais que isso, o estilo pessoal dos personagens é muitíssimo bem definido pela jogabilidade diferenciada de cada um.

Chutando traseiros para o senhor


As diferenças entre o estilo de jogo dos dois personagens são claramente perceptíveis para os jogadores: Billy ???Candle??? é uma espécie de Lara Croft do oeste. Jogar com o jovem índio consiste em evitar combates, escalar locais perigosos, matar animais das florestas e até mesmo balançar em galhos dependurado em um chicote, no melhor estilo Indiana Jones. Apesar de poder utilizar armas comuns, na maior parte do tempo Billy se vira com um chicote (que quando pega um oponente pelas costas, é fatal) e um arco. A mecânica do arco é bem interessante: ao pressionar o gatilho esquerdo, Billy puxa a corda e é ativada uma espécie de bullet time, que facilita a mira, além de ser divertido. Para atirar, basta usar o gatilho direito. Mas, na verdade, poucas vezes Billy usará da violência: na maior parte do tempo ele deve apenas ser sorrateiro, passando furtivamente pelos inimigos e se preocupando mais em saltar barrancos do que pressionar gatilhos. A idéia parece muito boa, mas para um jogo que envolve saltar obstáculos e ser furtivo a visão em primeira pessoa só atrapalha, principalmente por não dar a noção de espaço precisa ao jogador. Desta forma, a jogabilidade de Billy não é exatamente funcional, e a maior parte das fases com o personagem é tediosa, também por causa de um design de fases mediano do jogo em geral.

Já com o Reverendo Ray a história é outra: o velho ???Tio adotivo??? de Billy é tão estiloso que sua foto é o destaque da capa e da maior parte do material de divulgação do jogo. Como antes da vida religiosa Ray era um exímio pistoleiro, a maior parte da sua jogabilidade envolve uma ação pura e simples, de atirar o tempo todo em hordas de inimigos que fariam inveja a Serious Sam. Ray costuma detonar os inimigos usando um par de pistolas, que são disparadas com os dois gatilhos do controle do 360, um para cada. ?? uma habilidade que Billy também possui, mas sem comparação ao grau da perícia de Ray. Em alguns momentos, Ray também faz uso de rifles, explosivos e escopetas, mas geralmente os revólveres são o principal. Uma das habilidades especiais de Ray é sacar as duas armas em alta velocidade, o que ativa um bullet-time de alguns segundos, chamado de modo de concentração. Outra opção de ???arma??? para Ray é bem curiosa: é possível fazer com que o Reverendo carregue uma pistola em uma mão e a bíblia em outra, para ler em voz alta citações sagradas que confundem os inimigos. Na prática não funciona tão bem, mas vale a pena só pelo estilo de chegar em um lugar cheio de bandidos recitando orações e mandando os pecadores direto pro inferno. Ao contrário de Billy, as fases com Ray são divertidas, mas não chegam a ser criativas. Assim como acontece com o jovem índio, a maior parte dos problemas de Ray estão em um planejamento ruim para objetivos e cenários dos mapas, deixando o jogo um bocado genérico nesse aspecto. Há momentos de duelo para Ray, em que ele deve atirar apertando os botões analógicos no tempo certo ??? apesar de interessante, acrescenta pouco a jogabilidade em geral, por serem raros os duelos.

No final das contas, é muito interessante que existam jogabilidades diferenciadas para os dois personagens do jogo, mas em Call of Juarez as diferenças ficaram um ponto gritantes: não adianta tentar bancar o brigão com Billy, por que ele sempre vai se dar mal em combates, enquanto a furtividade de Ray é nula. Muitas vezes inimigos passam a três pés de um Billy agachado e não notam o garoto, enquanto Ray, à noite, escondido em uma moita, é prontamente detectado pelos vilões. ?? boa idéia uma jogabilidade diferenciada, mas não custava nada dar versatilidade aos jogadores.

Trocando tiros na live


Call of Juarez conta com um Multiplayer sólido pela Live, que inclui modos clássicos como Deathmatch, Deathmatch em equipes, rouba-bandeira e outros, mas a verdade é que assim como o single player, o modo é um pouco genérico, e aqueles que já têm opções melhores de shooters pela Live não irão perder seu tempo insistindo disparando suas armas em Juarez. Ainda assim, é positivo que exista algo para complementar as 10 horas do single-player.

Um detalhe importante é a compatibilidade do jogo com televisores de resolução padrão (SDTV), que é bastante precária. Além de todos os textos do jogo ficarem ilegíveis, fica um pouco difícil encontrar os inimigos na tela, que acabam se misturando ao cenário. O salto da qualidade gráfica em relação às HDTVs é imenso.


O Veredicto
: Apesar de contar com uma jogabilidade um pouco diferente, Call of Juarez não chega a se destacar em meio a tantos jogos de tiro do 360. A ambientação no velho oeste é original e muito bem feita, assim como o enredo, mas a elaboração precária das fases e objetivos, e o mal aproveitamento das diferenças entre os dois personagens faz com que um jogo que tinha tudo para ser inovador se torne bem genérico.


Prós:

- Atirar lendo a bíblia com o Reverendo Ray;
- Ambientação caprichada;
- Bom enredo.


Contras:

- Elaboração ruim das missões em geral;
- Jogablidade diferenciada mais limita do que liberta;
- Péssimo para jogar em TVs de resolução padrão.


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Outer Space
6/ 10
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