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Review de Tomb Raider: Anniversary para PS2 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Em 1996 a Eidos lançava, em um mercado bombando com as novidades do 3D, um jogo que misturava as loucuras de Indiana Jones por templos longínquos, os puzzles viciantes de Prince of Persia e uma moça poligonal que viraria a diva ???de peito??? dos videogames para todo o sempre: Tomb Raider chegava nas mãos dos jogadores já com jeitão de clássico. Agora, onze anos depois, o remake aparece em busca do eterno triunfo. Sete jogos, dois filmes blockbusters e muito bafafá depois seria essa a aventura definitiva de Lara Croft?

Lady Lara Strikes Again


A moça com sotaque inglês, curvas estonteantes (poligonais no passado e realistas agora), micro-shorts e óculos estilo John Lennon sabe, mais do que ninguém, como se meter em lugares esquisitos. Em sua primeira aventura já mostrava uma desenvoltura sobre-humana para saltar, pendurar-se em alturas inacreditáveis e matar, na bala, um T-Rex faminto. Locações históricas e misteriosas são o cenário onde Lara demonstra suas habilidades de ginasta olímpica para resgatar relíquias que guardam segredos para o fim do mundo. Aqui, Lady Croft se vê às voltas com o Scion de Atlantis e com uma mega empresária chamada Jacqueline Natlas, que quer dominar o mundo com um poder inimaginável há muito esquecido entre ruínas distantes.

A história é a mesma do original, e as fases também. Teoricamente, possuem da versão dos anos 90 apenas o mesmo nome, pois ali na tela os cenários são extremamente realistas. Neve, pedras, cachoeiras, árvores, templos e armadilhas mortais foram completamente redesenhados, o ambiente e os puzzles recriados para uma jogabilidade mais desafiadora e livre, graças muito ao controle atualizado com a mesma tecnologia usada pelo antecessor, Legend. A premissa é a mesma: entre na fase e use o ambiente como resposta para encontrar a saída. Ali e aqui, animais ferozes, bestas bizarras e capangas assassinos irão surgir para impedir seu avanço. Mas nada que suas pistolas (com munição infinita) e o novo ???adrenaline dodge??? não dêem conta.

Só no Calminex


Os movimentos acrobáticos sempre foram os pontos fortes de Tomb Raider, e desde o princípio, a habilidade de Lara para escalar e dar longos saltos em direção a beiradas íngremes trouxe emoção aos jogadores. Muito diferente do antigo, o personagem não precisa dar ???passinhos milimétricos??? girando o corpo para não perder o rumo, com movimentação pesada e nada precisa. Aqui se aproveita a bem-bolada física de Tomb Raider Legend com alguns extras: Lara equilibra-se também sobre ???tocos??? e usa seu gancho para fazer ???wall runnings???, correndo pelas paredes. O gancho é usado também para puxar objetos e plataformas. Para os tarados de plantão, o movimento ???engatinhando de quatro???, famoso no clássico, que colocava o ângulo da câmera em uma posição ginecológica da aventureira, não existe mais. Lara dá uma abaixadinha discreta e boa. Por falar em ângulo de câmera, ele é um tanto quanto traiçoeiro, escondendo, por muitas vezes, o caminho que se deve seguir. ?? necessário muito cuidado para não perder-se inutilmente por não ter vasculhado cada cantinho e, principalmente, usar o ângulo exato para se ter certeza para onde Lara está indo ao pular de um ponto a outro. Centralizar a câmera apertando L1, sempre que possível, é fundamental.

Tomb Raider tem uma fórmula básica quando o assunto é inimigo: ao abrir uma porta ou ao adentrar uma parte nova do cenário, já se sabe o que esperar: começa uma música de ação e os bichos aparecem. A inteligência artificial dos inimigos está um pouco mais aguçada. Lobos por exemplo, atacam em alcatéia. Os chefes de fase também são eliminados com puzzles dentro do cenário. Para derrubar o tão temido T-Rex é preciso fazer o bicho correr em direção a estacas colocadas nas beiradas da paisagem. Para fazer isso, é só irritar o dinossauro. Acertando tiros seguidos uma barra de ???raiva??? vai sendo preenchida, e quando esta fica cheia o inimigo corre descontroladamente em direção a Lara. ?? aí que aparece mais uma novidade: o ???adrenaline dodge???. O modo é acionado quando o adversário fica mortalmente próximo ao jogador, então a tela fica em slowmotion e Lara pode dar um tiro certeiro enquanto desvia do ataque. ?? preciso destreza nos controles para acertar, mas o resultado é gratificante: morte imediata do inimigo ou um dano bem considerável.

Algumas cenas de ação dão-se durante o jogo (característica também retirada do Legend) onde o jogador precisa apertar uma seqüência de botões no tempo certo para dar continuidade à cena sem morrer. Não é difícil, mas não tira o mérito do divertimento.

Nadar nunca foi muito fácil neste jogo, algo que poderia ter sido melhorado depois de tanto tempo. ?? preciso muita paciência para não ficar irritado enquanto Croft morre afogada em um túnel aquático, sem ar. De qualquer maneira, na superfície, Lara movimenta-se muito mais rápido dando longas braçadas na água cristalina. Alguém aí lembra da moça nadando de ???cachorrinho??? na primeira versão?

De galho em galho


Lara pula sem parar em cenários imensos. Quem jogou o antigo, se lembra perfeitamente dos ???bugs??? horríveis que apareciam na tela. Polígonos que se construíam enquanto Lara caminhava, blocos e mais blocos serrilhados em tudo que era canto. A água parecia uma coisa verde com quadradinhos brancos girando em cima. Aqui, ela é límpida e fresca, e a personagem sai dela molhada, com a roupa e os cabelos pingando. Os gráficos estão muito avançados, mas é fácil encontrar alguns defeitos na renderização das superfícies. Como os ambientes são gigantescos, é interessante parar um pouco e curtir a paisagem, que geralmente brinca muito com a luz e sombra, criando efeitos fantásticos. Para entrar no clima, a trilha não decepciona. Músicas incidentais e étnicas tocam no cenário, e ficam mais intensas quando a personagem entra em uma área nova da fase ou encontra inimigos. Os efeitos sonoros estão mais aperfeiçoados, mas o som dos tiros e dos gemidos são muito parecidos com os dos jogos clássicos, trazendo um ar de ???revival???.

Lara encontra suas armas clássicas, como a espingarda e as Uzis, bem como munição escondida pelo cenário ??? o que faz o jogador perguntar-se quão a civilização egípcia era evoluída para esconder em suas pirâmides balas de calibre 12. Como é um jogo difícil, e o jogador sabe que terá mortes horríveis caindo de precipícios ou em cima de estacas pontiagudas, as fases possuem checkpoints próximos uns dos outros, que delimitam onde se reiniciará o jogo quando Larinha vem a óbito. E pode-se salvar o jogo a qualquer momento, garantindo, assim, a calma e a tranqüilidade dos jogadores esquentadinhos com ???aquele lugar impossível de alcançar???.

Vale Brinde


Extra é o que não falta em Tomb Raider. Como é de praxe, a mansão de Lara está cheia de segredos para serem desvendados e possui uma grande área para a moça treinar suas habilidades acrobáticas. Vale ressaltar que os gráficos dentro da casa de Lara são piores que no resto do jogo. Agora, está de volta o famoso labirinto do primeiro, nos jardins também cheios de puzzles para encontrar. Nem em casa a moça consegue sossegar! Para dar longevidade, as fases estão repletas de ???secrets??? escondidos em lugares que normalmente não se veria, e encontrar estes destrava novas roupas e outros vários presentes.


O Veredicto
: Para qualquer fã de Tomb Raider, Anniversary não decepciona. Boa jogabilidade, fases clássicas redesenhadas e Lara Croft em sua melhor forma. Quem admira a fórmula vai passar bons momentos entre cenários descomunais e quedas horríveis que destroçam o corpo digital de Lara. A fórmula foi inovadora há onze anos atrás, hoje está batida, mas não deixa a desejar no contexto em que foi feita: um remake de respeito.


Prós:

- Especialmente dedicado aos fãs;
- Remake digno com fases completamente repensadas;
- Acrobacias impecáveis.


Contras:

- Faltam inovações profundas;
- A câmera irrita quando sai fora do prumo;
- Muitos bugs aparecem. Mesmo depois de onze anos.


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