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Review de The Darkness para X360 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Produzido pela mesma equipe do excelente The Chronicles of Riddick e baseado nos quadrinhos homônimos da Top Cow, The Darkness traz uma nova versão da história de Jackie Estacado, um assassino profissional da máfia que também é herdeiro de um grande poder sombrio. Jackie não chega a ser um Kratos, mas é o tipo de personagem imoral e violento que faz sucesso entre os gamers.

Talvez por ser apenas mais ação em primeira pessoa para o Xbox 360 e PS3, o jogo não deva causar impacto, mas ainda assim, vale pela ótima história e gráficos respeitáveis, acompanhados por um excelente trabalho de voz.

Feliz aniversário, Jackie


The Darkness começa com uma breve cena de introdução interativa, onde Jackie e outros dois capangas da máfia estão em um túnel, a caminho de um ???serviço???. Mas no meio do trajeto, eles são de alguma forma descobertos pela polícia, e começa uma perseguição que só vai terminar com o carro acidentado em um canteiro de obras. Era um começo nada bom para a noite de aniversário de 21 anos de Jackie Estacado, e daí pra frente tudo só iria piorar: a perseguição policial se tratava de uma emboscada feita por seu tio Paulie, o chefão de sua organização, que decidiu se livrar de Jackie de uma vez por todas. E para deixar a noite ainda mais estranha, o vigésimo primeiro aniversário é o momento em que todos da linhagem de Estacado recebem a escuridão, uma força oculta maligna e caótica que garante muitos poderes.

Logo no começo do jogo é possível notar as maiores qualidades de The Darkness: os visuais, o enredo e o trabalho de voz. Existem pelo menos dois grandes nomes fazendo as dublagens do jogo: Kirk Acevedo, de Band of Brothers e Oz, que faz a voz de Jackie, enquanto Mike Patton, vocalista do extinto Faith no More e de Fantômas, faz um trabalho fenomenal interpretando a sombria e maluca entidade Darkness. E quase todas as dublagens do jogo foram feitas em um nível bem profissional, comparável a um bom filme de animação. Pode parecer algo pequeno, mas a qualidade das vozes deixa o jogo bem mais envolvente e completo.

Já os gráficos são exatamente aquilo que se espera de um bom jogo para o 360: texturas excelentes, bons efeitos de iluminação, cenários e personagens bem modelados, além de um bocado de efeitos impressionantes. O único momento em que os visuais deixam a desejar é nas animações relacionadas às expressões faciais dos personagens: não existem muitas variações nos rostos, então Jackie sempre está com a mesma expressão, não importa se mataram todos seus entes queridos ou se ele ganhou na mega-sena. O mesmo vale para seu tio Paulie, sua garota Jenny, e todos os outros.

O jogo conta a história de forma bem diferente àquela vista nos quadrinhos, como era de se esperar. A história original de The Darkness foi criada em 1996, e naquela época os quadrinhos passavam por um momento em que todos personagens principais eram anti-hérois influenciados pelo ???efeito Wolverine???: caras durões e imorais que cometem atrocidades politicamente incorretas o tempo todo e só se importam consigo mesmo, mas sempre precisam dar uma de bonzinhos, obrigados por uma força superior ??? a Escuridão, no caso do protagonista. Um dos personagens dos quadrinhos define bem a Escuridão ao descrevê-la como ???A força de Star Wars viajando no Crack???. Os poderes da Escuridão são caóticos, e além de tentáculos sombrios, armadura e outros, garantem que o hospedeiro crie outras criaturas, os Darklings, que são servos fiéis, mas completamente insanos, com uma aparência e personalidade de Gremilins.

No jogo, Jackie conserva seu visual punk-gótico e seu estilo politicamente incorreto dos quadrinhos, mas é bem mais humano, e de certa forma, bondoso. E a história também é bem menos violenta, o que não quer dizer que ela seja exatamente alegre e feliz: enquanto a primeira morte nos quadrinhos envolve Jackie atropelando as pernas de um infeliz na parede, para descer logo em seguida e encher o coitado de tiros, no jogo a violência não envolve tantos requintes de crueldade, e arrancar os corações dos inimigos mortos é uma das coisas mais sanguinolentas presentes.

Mais um shooter pra coleção


Na jogabilidade, não existem grande méritos ou deméritos em The Darkness: a mecânica é basicamente a mesma da recente onda de jogos de tiro para console, sendo que as poucas peculiaridades do título envolvem um sistema de danos a la Call of Duty, onde efeitos visuais na tela dão a impressão de que o personagem está sofrendo dano, e é preciso se esconder para o mesmo ???regenerar???; disparar com as duas mãos como em Call of Juarez, utilizado os dois gatilhos do controle do 360 para isso; e a utilização da Escuridão.

A Escuridão no jogo não seria muito diferente de poderes especiais em quaisquer outros jogos do estilo, não fosse por um detalhe: ela só funciona bem em ambiente escuros. Como conseqüência, sempre que o jogador estiver em combate, é importante atirar nas lâmpadas e apagar toda a iluminação do local, para aumentar seus poderes (da mesma forma, nunca é bom jogar The Darkness em ambientes iluminados: a luz vai causar reflexos na tela do jogo). Inicialmente, a Escuridão garante ao jogador uma espécie de armadura essencial aos combates, a possibilidade de criar um ???Berseker Darkling???, que ataca os inimigos, entre vários outros. Com o tempo, é possível evoluir os poderes de uma forma bem macabra, comendo os corações dos inimigos mortos.

E não é muito difícil conseguir inimigos mortos para roubar seus corações, não pela quantidade deles que aparece, mas sim pela fraquíssima inteligência artificial dos mesmos. Diferente do que se vê em jogos mais atuais, os oponentes de The Darkness até tentam, mas não se escondem muito, não fazem ataques eficientes em equipes e o mais estranho: nunca correm. Ao ???ativar??? seus poderes, Jackie Estacado é recoberto por uma armadura estilosa, e fica rodeado por seu Darklings, além de tentáculos bizarros de sombras. E sempre mata seus inimigos com brutalidade. Na verdade, se o jogador ???colar??? em um inimigo e pressionar um dos gatilhos, Jackie detona os oponentes em uma cena de violência tão legal que até mesmo os adversários param de atirar para ver. Ou seja, não dá pra entender por que os inimigos não fogem de pavor. Nem mesmo o mafioso mais durão não ficaria para ver seu colega levar tiros nos pés, na cabeça, e ter seu coração devorado por uma criatura bizarra. E se os seres humanos, que deveriam ser espertos, são um pouco burros, o que seria dos Darklings, que são burros mesmo. Muitas vezes eles ficam ???travados??? em uma parede ou porta, cumprem mal suas funções e às vezes mais atrapalham que ajudam. Se existe um grande defeito em The Darkness, é sua inteligência artificial fraca.

Além do modo campanha, o jogo conta com um multiplayer bem básico, para até oito jogadores, com modosclássicos como deathmatch, rouba-bandeira, entre outros. Desses, o mais interessante é um modo survival em que um jogador começa como um Darkling e todos os outros como humanos. Toda vez que um Darkling mata um humano, esse retorna como Darkling, e o objetivo é ser o último humano sobrevivente. Apesar do limite de 8 jogadores, o lag é um inimigo comum nesses jogos, e mesmo quando tudo dá certo, o multiplayer não deixa de ser um extra que perde a graça bem rápido.


O Veredicto
: The Darkness traz uma nova versão da história dos quadrinhos, e apesar de bem diferente do original, o enredo ficou muito caprichado. Mas sem dúvida que o melhor do jogo está na parte técnica, especificamente no trabalho de voz excelente, que inclui Mike Patton, e nos gráficos muito bons (vacilando apenas nas animações das expressões faciais). A jogabilidade é um pouco básica, mas nada que atrapalhe, e além das quase 10 horas do modo campanha, existe um multiplayer que pode estender um bocado a vida útil do jogo.


Prós:

- Bom visual;
- ??timo trabalho de voz;
- Enredo envolvente e bem feito.


Contras:

- Péssima inteligência artificial;
- Animações fracas nas expressões faciais.


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