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Review de BioShock para X360 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Em 1946, um grande magnata, desiludido com os governos na terra, toma uma decisão digna de Homer Simpson/Capitão Nemo: morar no fundo do mar. Esse homem decide construir uma cidade no meio do oceano Atlântico, uma utopia para as elites da terra, e a batiza de Rapture. Em 1960, após um misterioso acidente de avião, o personagem principal de Bioshock descobre a cidade submarina, mas ao invés de encontrar uma utopia, ele encontra o resultado de um sonho fracassado: a cidade estava aos pedaços e seus habitantes viraram mutantes genéticos completamente enlouquecidos.

Esse é o envolvente cenário de Bioshock, que além de bem criativo, faz referência a inúmeras obras clássicas: de 1984, de George Orwell até Vinte Mil Léguas Submarinas de Júlio Verne, passando até mesmo por Fallout, o clássico RPG da Interplay que deve ganhar sua terceira edição em breve pela Bethesda.

Rapture: utopia fracassada


Rapture, palavra que em português significa êxtase, é ainda mais que uma cidade no fundo do mar: foi criado para ser uma utopia, um lugar onde as pessoas agiriam por vontade própria, sem se submeter à autoridade de governo algum. A cidade só abrigava os melhores da raça humana: cientistas, artistas, magnatas e seus empregados, e era constituída exclusivamente de edifícios imensos (que se estivessem acima do nível do mar, certamente seriam chamados de arranha-céus).

Mas quando o personagem principal chega ao Rapture, o lugar está bem diferente do que havia sido anteriormente: tudo parece um pouco abandonado e vandalizado, e os corredores estão tomados por violentos mutantes chamadas Splicers, que são na verdade os habitantes da cidade, brutalmente transformados por mutações genéticas, causadas por uma substância chamada ???ADAM???, ou Adão, em português. ?? um pouco difícil aprofundar em mais detalhes do enredo de Bioshock sem estragar a diversão de quem ainda não jogou, mas basta dizer que a história do cenário é excelente, digna de um ótimo romance. ?? fato também, infelizmente, que o enredo que se desenvolve durante o jogo não é tão bom quanto aquele referente ao cenário em si, mas o capricho nesse aspecto do jogo é exemplar.

Outro ponto de destaque está na ambientação: a atmosfera do Rapture é extremamente envolvente, construída em uma arquitetura que mistura ficção cientifica clássica com o estilo Art déco (que foi popular nos anos 30, e teve um revival após a segunda guerra mundial). Os mapas são todos muito bem detalhados e interessantes, e a sensação de desbravar o Rapture é exatamente aquilo que se espera de uma utopia degenerada no fundo do mar, cheia de mutantes: infiltrações por toda a parte, muita água no cenário, luzes inconstantes, e inimigos sorrateiros que causam momentos de susto real, mais eficiente que muitos jogos de terror. A forma com que o ambiente foi construído simula muito bem lugares que poderiam ser reais, ao mesmo tempo que proporciona uma ótima arena para as lutas freqüentes. Isso sem entrar nos detalhes gráficos de Bioshock, que dispensam comentários: é tudo muito bonito.

E não são só os visuais que garantem o clima de Bioshock. Os efeitos sonoros são impecáveis e o trabalho de voz é impressionante. ?? bem raro encontrar um jogo em que as dublagens sejam comparáveis a uma boa animação de cinema. Bioshock é um exemplo disso. Os gritos ensandecidos dos Splicers, os relatos de áudio encontrados pelo decorrer do jogo e as transmissões de rádio passadas ao jogador são todos gravados de forma realmente competente. A única ausência notável é a voz do personagem principal, que faz o clássico tipo de ???mudo??? dos jogos de ação em primeira pessoa. Mas não chega a atrapalhar a experiência.

Big Daddy, Little Sister


Se na questão artística Bioshock é excelente, contando com história, visuais e áudio surpreendentes, pode-se dizer que faltou pouco para que a jogabilidade alcançasse esse mesmo nível técnico. Os principais inimigos em Bioshock são os Splicers, mutantes alterados pelo ADAM de forma tão grande que ficaram deformados fisicamente e mentalmente, além de desenvolver um certo vício pela substância. Existem algumas poucas variações mecânicas de Splicers no jogo, mas muitas variações estéticas: ou seja, apesar dos inimigos serem diferentes fisicamente, os poderes e habilidades são pouco variados. Em fases mais avançadas, os inimigos são mais fortes, mas ainda são basicamente, os mesmos.

Isso não quer dizer que os combates de Bioshock sejam repetitivos, já que a inteligência artificial do jogo realmente consegue surpreender qualquer um. Além de saberem estratégias básicas de combate, como formar bandos, cercar o personagem, atacar pelas costas e fugir quando feridos, os inimigos de Bioshock parecem se especializar em dar sustos. Não é incomum que um inimigo ferido desapareça da linha de visão do jogador e só volte a atacar certo tempo depois, depois de irem até maquinas de recuperar vida e prepararem uma emboscada em algum ponto do mapa.

O outro tipo de inimigo encontrado em Bioshock são os Big Daddys, que se assemelham a um enorme robô, usando um escafandro. Eles existem para acompanhar as Little Sisters, que são pequenas garotinhas mutantes que vagam pelo Rapture coletando ADAM dos mortos. Os Big Daddys são criaturas passivas, e atacam somente se o jogador atacar primeiro ou atacar as Little Sisters. Mesmo sendo um tipo forte de inimigo, não é muito difícil derrotar os Big Daddys do jogo: no começo, um pouco de planejamento é interessante antes de começar um ataque, mas com o tempo, fica cada vez mais fácil derrotar as duas variações existentes. O objetivo ao derrotar um inimigo desses é simples: obter o ADAM das Little Sisters.

O ADAM funciona como uma espécie de moeda para comprar melhorias genéticas em maquinas espalhadas no jogo, e é essencial para o desenvolvimento do personagem. Ao derrotar um Big Daddy, o jogador tem duas opções: salvar a Little Sister, extraindo apenas uma pequena parte de seu ADAM, ou sugar o máximo possível, matando a garota no processo. A decisão tomada influencia bastante a história, mas nem tanto o jogo em si, por uma série de motivos. O primeiro deles é que existe um limite no número de modificações genéticas que o personagem pode usar de uma vez, e com isso, mesmo se o jogador tiver uma quantidade ilimitada de ADAM, seu poder será limitado pelos genes que ele pode ???carregar???. Outro ponto é que algumas modificações são realmente inúteis no jogo, o que faz com que elas nem chamem a atenção do jogador. O terceiro ponto, mais sério, é que Bioshock é um FPS bem fácil, e nem a inteligência artificial avançada e os inimigos fortes são suficientes para um nível de desafio decente. Geralmente, não é difícil derrotar todos os inimigos no caminho sem maiores problemas, e jogadores cautelosos, com uma boa experiência em shooters, não teriam dificuldades e jogar Bioshock do começo ao fim sem morrer uma única vez, no nível de dificuldade mediana. Apesar de contar com inimigos bons e um sistema de combate equilibrado, são raros os momentos em que existe algum desafio no jogo, e dá para contar nos dedos as batalhas em que o personagem corre algum risco. E à medida que o jogo avança, os combates vão ficando mais fáceis.

No caso do jogador morrer, ao invés de precisar carregar o jogo novamente ele é reconstituído em um ???Vita-chamber??? próximo, com o arsenal intacto, pronto para voltar ao combate do jeito que estava anteriormente, incluindo aí os ferimentos feitos nos inimigos. Mas não é essa mecânica que faz do jogo fácil -- na verdade, os Vita-chambers são bem mais cômodos que o sistema de salvar e carregar rápido e, na prática, não influenciam tanto no nível de desafio. O que deixa Bioshock fácil é a generosidade dos criadores das fases: assim como o ADAM, os demais recursos do jogo, como armas, dinheiro, munição e kits médicos, são abundantes. O jogador geralmente não pode carregar muito de cada coisa, mas nunca é difícil encontrar mais. Outro ponto é que é possível carregar um número bom de kits médicos, e caso eles comecem a acabar, existem muitas maquinas automáticas que vendem os mesmos, deixando qualquer um virtualmente imortal. E dinheiro nunca é difícil de encontrar, afinal o Rapture era repleto de magnatas.

O dinheiro também é usado para comprar munição e novas armas. Estas últimas merecem uma observação: existem relativamente poucas armas tradicionais, e uma olhada superficial pode fazer com que alguns acreditem que o arsenal do jogo é limitado, mas na verdade, cada arma conta com três tipos diferentes de munição, que faz uma diferença real no combate. E também deve-se levar em conta os inúmeros Plasmids que podem ser obtidos pelo jogador, garantindo poderes ofensivos como congelar e atear fogo nos inimigos, disparar enxames de insetos na direção dos mesmo, entre outras coisas. Dessa forma, é um erro dizer que o arsenal de Bioshock é limitado. Na verdade ele é bem diversificado e criativo.



O Veredicto
: Com uma combinação impecável de enredo, sons e visuais, é fácil imergir na atmosfera submarina art-decó de Bioshock. A parte artística foi produzida com extremo capricho, assim como os detalhes da história e cenário, e o jogo realmente marca pela ambientação. Porém, desconsiderando-se a história, a porção de tiro em primeira pessoa é atrapalhada por um design que falha ao balancear o nível de desafio: o jogo começa fácil e se torna cada vez mais tranqüilo (apesar dos sustos). Um jogo imperfeito, mas recomendadíssimo de qualquer maneira.


Prós:

- Arte excelente;
- ??tima sonoplastia, incluindo uma dublagem convincente;
- Enredo e ambientação brilhantes.


Contras:

- Pequena variação mecânica de inimigos;
- Nível de desafio bem baixo chega a incomodar.


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