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Review de Scarface: The World Is Yours para PC de GamesBrasil

por GameVicio, fonte GamesBrasil, data  editar remover


Introdução

Scarface é o nome do cultuado filme de 1983, dirigido por Brian de Palma e estrelado por Al Pacino. O longa-metragem aborda a ascensão e queda do cubano Tony Montana que, recém chegado aos Estados Unidos, ambiciona realizar o "sonho americano" à sua maneira, com muita violência e drogas. Montana é o típico personagem dos filmes do gênero: sem escrúpulos, frio, violento, arrogante, desrespeitoso com as mulheres e carismático - sem dúvida um dos maiores e mais marcantes papéis de Al Pacino no cinema. A direção de Brian de Palma fez Scarface resultar em filme cru e realista, que visita o submundo das drogas com uma violência visceral.

Ao final do filme, após ter conquistado todo seu império (e adquirido uma coleção de inimigos), Tony Montana é atacado em sua mansão. Entocado e acuado por todos os lados, ele apresenta sua "pequena amiga", uma metranca de dar inveja em Rambo. Temos então a clássica e antológica cena do tiroteio nas escadas. ?? aqui onde o filme acaba e o jogo começa. Ao contrário do filme, Tony não se dá completamente mal, consegue escapar e deve agora reconstruir o seu império a partir da estaca zero em busca de vingança. Em termos práticos: comprar lojas que sirvam de fachada para o tráfico de drogas, eliminar gangues rivais, ofender e insultar todos da cidade, subornar a polícia e tornar-se novamente o "rei da coca". Bem-vindo ao universo de Scarface: The World is Yours.

Jogabilidade

Não obstante ser derivado de um filme, o roteiro do jogo em si não é nenhuma obra de arte. Já de início, percebemos diversos furos e descuidos como, por exemplo, Tony levar um tiro e algumas cenas depois estar tão saudável quanto um recém-nascido - nem sinal de uma gaze ou curativo. Esta primeira impressão é a que fica durante o desenvolvimento do jogo, já que as situações vividas não conseguem sair daquele velho clichê do gênero: conseguir dinheiro para reconquistar o império. Tudo é muito previsível e já vivenciado pelos que são fãs da série GTA. Em tempo, a comparação com a série da Rockstar é inevitável e a semelhança em alguns pontos é tamanha que ficamos imaginando "o que os programadores de Scarface faziam nas horas de folga? Provavelmente jogavam GTA".

O jogo é muito prejudicado por ter sido feito depois de Vice City, que por sua vez também foi baseado no filme Scarface (com algumas situações, cenários e músicas idênticas). ?? claro que a abordagem que cada jogo traz é diferente. Vice City faz referência a Tony Montana em tom de paródia, Scarface reproduz de maneira séria e competente tudo aquilo que se vê no filme, sendo uma espécie de tributo ou homenagem, sem perder, logicamente, o bom-humor. O trailer mostrado incansavelmente quando se carrega o jogo mostra que há uma grande preocupação com que as novas gerações comprem o DVD do filme - indicação que o lançamento deste jogo prioriza o lado comercial em detrimento a inovações ou novos níveis técnicos de jogabilidade. Nesse quesito, GTA está melhor, especialmente na parte técnica. Mas, apesar destas observações iniciais, Scarface é um jogo funcional e interessante. Sua mecânica, embora possua alguns problemas aqui ou ali, é bem efetiva, fazendo do jogo uma imersiva diversão para os aqueles que sejam capazes de transpor essa primeira impressão, dedicando-se de mente aberta ao título.

Para controlar Tony Montana, pode-se usar um gamepad (de preferência dual analógico) ou teclado e mouse. No teclado, as tradicionais teclas AWSD são usadas para movimentar o corpo e o mouse para mirar e atirar (o jogo absurdamente não permite mexer na configuração padrão das teclas). Montana é capaz de fazer vários movimentos, como correr, proteger-se de tiros contra uma parede, agachar-se e até nadar (mas se for muito longe, será devorado por um tubarão que chega a pular uns 5 metros de altura com Tony dentro de sua boca). Por outro lado, não pula e não consegue subir muros ou outros obstáculos. Nas situações de combate, ele dá murros, golpes com facas (ou outros artefatos), empurrões, mas quando o inimigo cai ao chão ele não chuta.

Com uma arma, as opões são mais interessantes, especialmente pelo ótimo sistema de mira. Quando se aperta o botão direito do mouse, o personagem fixa sua mira no inimigo, ficando delimitada dentro de um retângulo, o que permite usar de precisão para acertar partes específicas do corpo. Assim que o jogador acerta nos braços, pernas, barriga ou mesmo provoca uma decapitação, é informado por um texto confirmando onde acertou - o que incentiva a mira ao atirar. Não espere violência menos do que explícita, exagerada, porém cartunesca. As vítimas atingidas jorram tanto sangue que parecem chafarizes. Caso esteja próximo o suficiente da vítima Tony efetua diferentes execuções (lembrando o jogo Manhunt).

Em situações de confronto, seja batendo um carro (ameaçando posteriormente o motorista), fazendo manobras arriscadas ou mesmo encarando, brigando e eliminando alguém (não se esquecendo de imediatamente xingar), ganha-se um nível de "Balls" (bolas), uma espécie de medidor de fúria que vai se enchendo. Quando cheio, permite ao jogador ativar toda a raiva de Tony. A tela fica avermelhada, a câmera se aproxima, ficando quase em primeira pessoa, a mira fica automática e a saúde aumenta significativamente, o que resulta numa boa estratégia para enfrentar um número de inimigos elevado.

Controlar os carros é relativamente fácil, possibilitando atirar por de dentro do veículo, quando o mouse assume a função da mira. A física dos veículos é boa. Eles se quebram aos poucos e soltam fumaça quando estragados. Quando capotam ou são batidos continuamente soltam fogo, indicando que irão explodir. O estrago que eles sofrem nas batidas não é tão detalhado como gostaríamos e em geral parecem ser bem mais resistentes do que em GTA. Há uma variedade deles, carros de pequeno, médio e grande porte, além de barcos, fazendo sempre referência aos anos 80 e ao filme.

A interface do game é limpa e eficaz, trazendo um ótimo mapa e um menu com várias opções que se desdobram como um leque. Neste ponto temos uma diferença marcante em Scarface. ?? um jogo bem mais estruturado que a série GTA, uma vez que temos acesso a todo o império de Tony Montana pelo menu, possibilitando contratar motorista, assassinos ou negociantes de armas, por exemplo. No caso do assassino, podemos jogar diretamente com ele, o que permite certos recursos avançados de mira e liberdade total para eliminar quem quiser (já que Tony não mata inocentes). Além disso, o jogador pode investir na compra de utensílios para a mansão, aumentando assim a sua reputação, sem contar os vários itens que podem ser desbloqueados - carros, artigos exóticos, entre outras coisas. Ao final de cada missão, há uma espécie de relatório e o jogador pode até repetí-las usando alguns segredos (na verdade são algumas variações e não propriamente cheats), com, por exemplo, colocar outras roupas em Tony ou algo do gênero. Uma pena que tudo isso foi mal adaptado para o PC, uma vez que os menus foram claramente desenhados para total funcionalidade nos consoles.

As missões do jogo são irregulares, algumas interessantes, outras caem nas situações comuns que já conhecemos. Muitas delas consistem em comprar uma loja para usar de fachada no comércio de drogas, o que se consegue fazendo certos favores ao dono da mesma e também pagando. Outras envolvem a própria negociação de drogas, começando por algumas gramas e no modo mais avançado aos quilos. Há ainda outras secundárias, o que dará ao jogador um entretenimento de aproximadamente 40 horas. O cenário do game é grande (duas vezes o de Vice City, mas não maior que San Andreas), porém concebido com algumas más opções de design. Os quatro territórios principais (Little Havana, Downtown, South Beach e Nort Beach) são interligados geralmente por uma via principal apenas, fato que complica para fugir da polícia e obriga o jogador a memorizar cada detalhe a fim de chegar a determinado lugar sem perca de tempo. A cidade é ricamente habitada por gangues, que dominam bairros e podem ser eliminadas. Um mau relacionamento com elas prejudica o lucro obtido com a venda de drogas. Sua eliminação, contudo não faz com que suas lojas de fachada deixem de ser atacadas.

O jogador deve preocupar-se também com a policia. Uma vez perseguido pela mesma, Tony Montana deve fugir em um tempo determinado (indicado por uma barra no mapa). Se não conseguir sair do alcance dos policiais, surge uma mensagem não muito educada afirmando que você estragou tudo. A partir desse momento, as ruas são infestadas de policiais, atirando de todos os lados. E você fatidicamente irá morrer com alguns tiros vindos do nada. Há rumores de que não é impossível escapar dessa situação usando um carro - mas é muito, muito difícil.

Tanto os policiais como as gangues têm um nível de tolerância a sua presença. Caso a temperatura (heat) das circunstancias esteja alta, no caso das gangues, basta entrar em um bairro, ser reconhecido, para começar ser alvejado com tiros e murros (além do lucro menor nos "negócios"). No caso dos policiais, qualquer ação suspeita é perseguição na certa. Pode-se aumentar esse nível de tolerância (ou baixar a temperatura "heat") subornando em dinheiro tanto as gangues como policiais. Mas não é nada barato.

Para abordar policiais, gangues, caixas de banco e negociar drogas, o jogador deve se dar bem num espécie de mini-game. Caso haja sucesso, os policiais toleram mais as ações de Tony, as gangues podem ser intimidadas e os funcionários do banco persuadidos para diminuir os juros e impostos sobre o dinheiro depositado. Neste mini-game, o jogador deve apertar uma tecla para se encher uma barra. No final dessa barra há a melhor situação para o sucesso. Uma vez que se aperta a tecla, a barra se enche velozmente, o que exige muita precisão.

E por falar em banco, outra novidade de Scarface é a maneira como se lida com o dinheiro. Todo dinheiro recolhido nas missões nas ruas é dinheiro "sujo". Quando você morre você perde ele todo. ?? necessário então "lavar" esse dinheiro, depositando-o numa instituição financeira, que assim como no mundo real, pega a sua parte em juros e taxas. Nesses bancos espalhados pelo jogo podemos também salvar o game.

De todo o conjunto que Scarface oferece, o que chama mais atenção é o personagem de Al Pacino, Tony Montana, que está muito bem caracterizado no jogo, tanto no áudio como nos gráficos que veremos abaixo. No mais, existem alguns bugs no carregamento e salvamento de fases, que muitas vezes colocam o jogador num momento anterior, ou travam o jogo, fazendo com que se precise reiniciar a missão. No nosso caso, experimentamos um problema logo após a instalação, onde uma mensagem de erro sequer deixava o jogo iniciar. Ao procurarmos a correção na Internet (o que não foi fácil achar), não conseguimos baixar, pois o servidor estava off-line naquele momento. Esse problema foi corrigido pelo último patch lançado, tornando indispensável ao jogador baixá-lo antes de jogar.

Áudio

Há neste game um trabalho admirável de áudio. A começar pela seleção de músicas com qualidade e variedade. São reunidos vários sucessos em muitos estilos: latinas, rock, reggae, rock dos anos 80, hip-hop entre as músicas do próprio filme como "Push it to the Limit", "She's on Fire", "Rush Rush", entre outras (sendo boa parte delas já conhecida pelos fãs de GTA). Pelo menu, podemos acessar todas elas e a vantagem é que o jogador pode ouvi-las fora do carro. Não é uma seleção de músicas genéricas, mas de grandes músicas que marcaram sua época.

O som ambiente está ótimo. Tudo que se espera ouvir de uma grande cidade, tanto no exterior como no interior está bem representado no áudio. O som dos motores dos carros é excelente e a configuração sourround é ótima para quem possuir junto ao computador o sistema THX. Quanto à dublagem,o game é impecável, embora o exagero seja evidente, especialmente nos palavroes. Para se ter uma idéia, se Scarface fosse dublado em português seria complicado jogar a todo volume com família ou crianças por perto. Cada frase do jogo carrega uma ou mais obscenidades: um pequeno trecho em português (em uma situação apenas), vários em espanhol e a maior parte em inglês. Há também ofensas, insultos, discriminação e machismo, além das gírias do próprio Tony Montana, que divertem os fãs do anti-herói.

A dublagem do Montana também é perfeita, mas o curioso é que não foi feita pelo próprio Al Pacino, que já tem a voz bem mudada pelo fato de fumar muito e não ter mais o mesmo timbre de 1983. Seja por esse motivo, ou por motivos legais e/ou financeiros, quem dubla Tony Montana é Andre Sogliuzzo (o chofer do filme, lembra?), fazendo de maneira fiel e impressionante. Além dele, outras celebridades formam um time de peso na dublagem: James Woods, Steven Bauer, Robert Loggia e até mesmo o brasileiro Rodrigo Santoro (responsável pelos curtos trechos em português). Mas não é apenas na qualidade que a dublagem se destaca. A quantidade de frases também é impressionante e dificilmente se repete. Tony pode (e deve) conversar com todos os personagens do cenário, existindo 200 diálogos para serem completados durante o jogo.

Multiplayer

Sem suporte ao modo multiplayer.

Gráficos

Scarface traz gráficos polidos de uma maneira geral, mas que podiam ser melhores. Há várias imperfeições observadas, como o fato dos personagens não mexerem a boca, e outros bugs diversos - em certo momento do jogo, enquanto Tony conversava com uma garota e movíamos a câmera, os seus pés também se moviam em 360º. Ao parar em alguns lugares e observar o movimento, vemos que os NPCs aparecem com fantasmas saídos de lugar nenhum. Isso não é exatamente um bug, mas poderia ter sido mais realista. Fora pequenos problemas assim, os personagens controlados pelo computador são variados e podem ser encontrados no cenário em diversas situações, ouvindo músicas numa loja, comendo num restaurante, encostados numa parede olhando ao longe, etc.

Os anos 80 são bem representados na bela cidade, locações do filme como nos estilos dos carros. Percebe-se que houve um cuidado com as texturas, tanto internas quanto externas, entretanto observamos também que o jogo não acompanhou a evolução gráfica atual, parecendo mais algo datado. Não obstante, é tão pesado para o micro como os jogos da nova geração, por isso, prepare-se para enfrentar algumas quedas de performance, se não tiver um micro muito potente.

As cinemáticas entre as missões são abundantes e ótimas, dando sempre a impressão que estamos revivendo o filme. Nesse sentido, o próprio Tony está fielmente caracterizado, tanto no jeito de andar, nos gestos e aparência (tendo até a famosa cicatriz no rosto que dá título ao filme).

Os efeitos são excelentes: tiros que realmente levantam poeira e destroem algumas partes do cenário, explosões realísticas, água próxima da realidade e todo um sistema de clima / ambiente que faz o jogo alternar entre dia e noite, chuva e sol.

Conclusão

Sendo prejudicado por ter sido lançado só agora (depois de todo o sucesso da série GTA), Scarface: The World is Yours inicialmente pode não apresentar muitos motivos para ser alvo de atenção dos jogadores mais exigentes. Todavia, se os mesmos encararem esse título com a mente aberta, ignorando as situações comuns e a comparação quase fatídica com GTA, poderão desfrutar de um jogo funcional, mas estruturado, com ótimo áudio, que explora (no bom sentido) com perfeição o personagem Scarface: The World is Yours e o seu submundo.

Trazendo a mensagem de que "o crime compensa", Scarface é um jogo com tema adulto, para quem tem cabeça feita, e não é recomendado para crianças ou menores de 18 anos. Tendo isso em consideração, recomendamos para todos aqueles que são fãs do filme e querem reviver a experiência de uma maneira interativa, ou mesmo para os fãs da serie GTA que desejam ter algumas inovações em um mesmo gênero.

Prós
  1. Jogo bem estruturado e funcional;
  2. O personagem Tony Montana parece estar vivo na tela;
  3. Algumas pequenas inovações na jogabilidade do gênero;
  4. Áudio de primeira com variedade de músicas e ótima dublagem;
  5. Imperdível para os fãs do filme.


Contras
  1. Fica na sombra da série GTA na parte técnica;
  2. Roteiro cheio de furos;
  3. Gráficos datados, com bugs e slowdowns;
  4. Missões carecem de originalidade;
  5. Menus voltados ao Console, que não permite mexer na configuração padrão das teclas;
  6. Apologia ao crime, tráfico drogas e outras coisas do gênero - tema adulto para quem tem cabeça feita.



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