GameVicio Entretenimento: GameVicio | FlashVicio | Hhide.ME | ClubVicio | Fórum | Flow | MovieVicio

Review de Sacred 2: Fallen Angel para PC de Eurogamer

por GameVicio, fonte Eurogamer, data  editar remover


Com o anúncio por parte da Blizzard de que Diablo III estava mesmo em desenvolvimento, muitos foram os que praticamente se esqueceram da existência de outros RPGs. Não deixa de ser natural pois muitos são aqueles que veneram o RPG da Blizzard.

?? com Diablo III no horizonte que recebemos Sacred 2: Fallen Angel, sendo até algo injusto mas é um facto incontornável. O antecessor de Sacred 2, de seu nome Sacred, foi lançado há já quatro anos. Foi no final de 2004 que a Ascaron lançou o seu RPG, sendo desde logo comparado a Diablo. Comparação perfeitamente natural pois Sacred foi buscar muitas das características do jogo da Blizzard, tanto a nível visual como em termos de conceito de jogo.

Nesta segunda incursão pelo universo de Ancaria, a Ascaron mudou completamente o visual do jogo. Se anteriormente as semelhanças gráficas com Diablo eram gritantes, o mesmo já não se pode dizer deste Sacred 2. Visualmente o jogo passou a ser completamente em 3D, com paisagens bem mais coloridas e com um visual algo bem mais agradável. Sacred 2 perdeu também um pouco do ar adulto que tinha, estando também bem menos sombrio. Estas diferenças podem até ser positivas e cativar outro tipo de jogadores, mas é certa a perda de alguma da sua identidade.

Sacred 2: Fallen Angel é uma espécie de precuela, os acontecimentos descritos situam-se dois mil anos antes do jogo original. No jogo somos convidados a assumir o papel de um herói, num total de seis, com o intuito de conduzir Ancaria para uma paz duradoura ou instalar o caos e a anarquia, dependendo sempre se optamos pela via do bem ou pela via do mal.

A estória de Sacred 2 gira em redor da T-Energy e das guerras travadas entre as diversas facções pelo seu domínio. A T-Energy, fonte de conhecimento, prosperidade e harmonia, foi desde sempre guardada pelos guerreiros angélicos de Seraphim que um dia passaram essa responsabilidade para os High Elves. Com a utilização da T-Energy esta civilização evoluiu e prosperou, tornando-se na civilização dominante em Ancaria.

A paz reinava em Ancaria até que várias facções se juntam e declaram guerra aos High Elves na tentativa de obter o controlo da T-Energy. Mas como seria de esperar, os High Elves com a ajuda da T-Eneregy venceram a guerra, deixando Ancaria em ruínas e mergulhada no caos. Com o término da guerra as diversas facções espalharam-se por toda a Ancaria, procurando um local seguro para se estabelecer e reconstruir suas civilizações.

Com o fim da guerra a T-Energy espalhou-se por todo o território, envenenando campos, florestas e aldeias. O que inicialmente foi uma fonte de paz e prosperidade está agora a causar mutações em toda a vida presente em Ancaria. Monstros gigantes destroem aldeias inteiras, levando Ancaria para o abismo.

?? aqui que o nosso herói entra em cena. Como já foi referido, temos que escolher um dos seis disponíveis. Temos a Seraphim, High Elf, Dryad, Inquisitor, Shadow Warrior e Temple Guardian. Cada um dos heróis possui os seus pontos fortes e as suas fraquezas, sendo este um aspecto importante do jogo, pois podemos escolher o que melhor se encaixa à nossa maneira de jogar. Após efectuarmos a nossa escolha, temos que optar se queremos fazer o bem ou seguir o caminho das trevas. De seguida temos que escolher o nosso Deus, que está condicionado pela via que seguimos, a do bem ou a do mal. Alguns heróis apenas podem seguir uma via, a Seraphim apenas segue a via do bem, enquanto que o Inquisitor apenas segue a via das trevas. Os restantes heróis podem optar por ambas, sendo essa escolha efectuada por nós.

Sacred 2 possui um enredo bem fértil e muito bem conseguído. Mas tudo, ou quase tudo, se perde quando iniciamos o jogo. Após a escolha do herói e do grau de dificuldade, somos presenteados com um vídeo onde a estória é contada aos tropeções, como se estivéssemos em câmara rápida. Quando realmente entramos no jogo, somos colocados num local em Ancaria, local esse que depende do herói que escolhemos.

Mas o que mais estranhamos foi a maneira como somos ???empurrados??? para o jogo. Um bom exemplo é quando escolhemos a Dryad. Aparecemos numa praia acompanhados por outra personagem sem saber como ali fomos parar. De seguida essa personagem avança de encontro a dois inimigos e acaba por morrer. Esta sequência de acontecimentos deixou-nos muito apreensivos quanto à qualidade de Sacred 2, as animações de toda esta sequência são muito más e nem chegamos a perceber como o nosso amigo morreu. Após o término deste acontecimento, seguimos o nosso caminho em direcção à aldeia que nos é indicada pelo mapa.

Sacred 2 é um RPG onde a acção predomina. Sempre que nos deslocamos pelas belas paisagens de Ancaria somos abordados por um infindável número de inimigos. Muitas vezes somos confrontados com grupos enormes, em que um deles é o líder, se o matarmos em primeiro lugar o grupo desorganiza-se, sendo depois mais fácil eliminar o resto dos oponentes. Os inimigos podem ser desde humanos, animais enraivecidos, monstros, dragões ou até mutantes. Como é óbvio, quando os aniquilamos somos muitas vezes recompensados com objectos ou ouro. ?? importante ir recolhendo os objectos que vamos encontrando ao longo do jogo, quer quando matamos os nossos adversários, quer os que vamos encontrando em baús, caixotes ou mesmo rochas.

Tudo, ou quase tudo, o que vamos apanhando pode ser utilizado pelo nosso herói. Determinadas armas, amuletos, armaduras e por aí adiante, apenas podem ser utilizadas por um determinado herói. Quando assim acontece, ou os deitamos fora ou vamos a um mercador para as vender. Os mercadores são muito importantes, eles compram praticamente tudo o que vamos apanhando ao longo do jogo. Eles também possuem um variadíssimo stock de objectos, podemos comprar armas, joalharia, armaduras e até as milagrosas poções.

Para além dos mercadores temos também os serralheiros, estes podem fundir objectos raros em armas, tornando-as mais poderosas. Depois temos os Runemasters, que para além de nos vender joalharia também nos fornecem as Runes em troca de outras que possuímos. As Runes são objectos importantes, são elas que nos ajudam a desbloquear artes de combate ou a melhorar as que já possuímos. Cada herói possui quinze artes de combate (feitiços e movimentos com armas). Por fim temos os que nos fornecem os cavalos, estes animais são excelentes para percorrer longas distâncias, são bastante rápidos, podem saltar obstáculos e derrubar inimigos.

Como já havíamos referido anteriormente, Sacred 2 é um verdadeiro RPG de acção onde o combate impera. O jogo não dá descanso, estamos constantemente em combate, os inimigos surgem por todos os lados. Para toda esta acção seria importante uma movimentação impecável no terreno de jogo, mas é aqui, e não só, que Sacred 2 falha. O jogo apresenta alguns problemas de movimentação, por vezes é complicado entrar nos edifícios e grutas. Por mais que cliquemos com o rato na respectiva entrada, não há maneira de ele lá entrar, com alguma paciência e insistência o herói lá acaba por conseguir entrar.

Outro problema grave é quando passamos por detrás de arbustos e ficamos sem ver o nosso herói, complica muito a nossa tarefa, principalmente quando estamos a lutar com algum inimigo. ?? algo estranho pois com as árvores e edifícios o mesmo não acontece, eles desaparecem da imagem para podermos ver a nossa personagem. Em relação aos combates em si, por vezes são algo confusos. Muitas vezes nem sabemos quem estamos a atacar de tanta confusão que se gera no ecrã. Durante os combates verificamos a existência de um erro no jogo, estávamos nós a lutar contra vários inimigos, e depois de os termos conseguido matar, eles lá continuaram no ecrã a executar os seus golpes de ataque. ?? certo que foi raro isso acontecer, mas a verdade é que aconteceu mesmo.

O jogo está repleto de hot keys, bastante úteis durante os combates e mesmo para aceder às diversas funções do jogo. Uma das opções que achamos bem interessante, é a possibilidade de editar combos, podemos construir os nossos próprios movimentos de combate. Muito interessante pois podemos adaptar a jogabilidade ao nosso gosto. O jogo para além da campanha principal, que pode ser terminada em 25 horas, sim leram bem, são mesmo 25 horas de jogo para cada um dos heróis. Se a essas 25 horas somarmos as dezenas de quests secundárias, temos em mãos um jogo com uma longevidade impressionante e assustadora. Muitas são as vezes que nos perdemos no meio de tanta quest, chegamos a um ponto que até nos esquecemos de seguir a campanha principal. Mas é tudo uma questão de opções, se são jogadores que gostam de seguir linearmente a estória do jogo, podem-no fazer, mas se são verdadeiros entusiastas, podem também empanturrar-se com dezenas e dezenas de quest que o jogo tem para oferecer. Já que estamos a falar das quest , foi numa delas que verificamos mais um erro no jogo. A nossa missão consistia em aniquilar um grupo de inimigos num determinado acampamento, mas para nosso espanto quando lá chegamos eles nem se mexiam. Matamos um a um sem que eles reagissem, um erro grave que não deveria acontecer.

Mas como de grafismo também vive um jogo, este Sacred 2 até nos surpreendeu pela positiva. Apesar das texturas pouco detalhadas, notando-se principalmente quando fazemos zoom, o jogo está com muito bom aspecto. Temos paisagens muito variadas e detalhadas, onde o colorido impera. ?? um regalo para os olhos ver a movimentação das árvores e da erva com o soprar do vento. Por onde quer que o nosso herói passe, a vegetação reage em sintonia. Outro efeito visual interessante, e que dá um aspecto bem giro ao jogo, é o ciclo dia/noite. Durante as nossas longas caminhadas as horas vão passando chegando àquela hora do dia, pôr-do-sol, que dá um colorido muito especial à paisagem já de si deslumbrante.

Ancaria é enorme, são mais de 22 Km2 de terreno e necessitaríamos de mais de seis horas para percorrer o mapa de uma ponta a outra. Para nos ajudar nas longas caminhadas, temos ao nosso dispor outros meios de transporte. Podemos optar pelos cavalos que podem ser montados por todos os heróis. Mas também existem meios de transporte especiais, que apenas estão acessíveis a um determinado herói. Temos o Sabertooth Tiger que apenas pode se utilizado pela Seraphim, o Hellhound é utilizado pelo Shadow Warrior, a Wind Serpent pela High Elf, o Monitor Lizard pela Dryada, a Shroud Spider pelo Inquisitor e por fim o Mobiculum que é utilizado pelo Temple Guardian. Estes meios de transporte exclusivos de cada herói são adquiridos se completarmos uma quest especial.

A nível sonoro Sacred 2 possui duas faces, algo que nos deixou um pouco desiludidos. Ao longo do jogo vamos ouvindo uma música de fundo que nos acompanha nas longas caminhadas. Sempre que entramos em combate a música entra em sintonia com o mesmo, aumentando a sua intensidade e alterando a sua melodia. Os sons das espadas, machados ou até o galopar do nosso cavalo estão bem recriados. Até aqui as coisas vão correndo bem, mas quando chegamos à parte onde tanto os nossos inimigos como alguns companheiros de batalha proferem observações verbais, aí é que o caldo está entornado. As observações que proferem são muitas das vezes completamente ridículas e irritantes, muitas delas são proferidas aleatoriamente e completamente fora do contexto.

Mas o problema ainda é mais grave, por exemplo, em certa altura do jogo estávamos acompanhados por um guerreiro que nos ia ajudando a matar os inimigos, ficamos abismados quando ele proferia as mesmas palavras durante vários segundos mesmo depois de aniquilarmos os inimigos. Se no inicio até achamos graça a tal erro, com o passar do tempo torna-se numa tortura para os ouvidos, chegamos a diminuir o volume do som pois já não se aguentava ouvir sempre as mesmas palavras. Outro erro que detectamos foi após termos morto um grupo de inimigos, apesar de já se encontrarem aniquilados eles continuaram a proferir observações.

Sacred 2 também nos oferece a possibilidade de jogar online ou em rede. Podemos escolher entre multiplayer online ou multiplayer lan. No modo em rede podem jogar até 5 jogadores, estando este modo dividido por três tipos de jogo, campanha, jogo livre e jogador contra jogador. Para se aceder ao modo multiplayer online temos que criar uma conta, este modo está dividido por Singleplayer coop, Open net e Closed net. Estes três tipos de jogo estão limitados a um máximo de 5 jogadores, no modo Singleplayer coop podemos jogar a nossa campanha e convidar alguém para se juntar a nós, podemos também jogar online através da Open net, aqui jogamos em servidores que não estão sob o controlo da Ascaron, por fim temos a Closed net que contem servidores sob a alçada da Ascaron. Tanto na Closed net como na Open net as opções de jogo são iguais às existentes no modo multiplayer lan.

Sinceramente, Sacred 2: Fallen Angel surpreendeu-nos pela positiva. Se inicialmente nos deixou algo apreensivos quanto à sua qualidade, com o decorrer do jogo este provou ser um bom RPG. Recheado de acção onde o combate impera, Sacred 2 tanto satisfaz os jogadores mais ocasionais como os verdadeiros entusiastas. O jogo possui muitos pontos fortes, como o seu interessante grafismo, a sua boa quantidade de opções, a sua assustadora longevidade e uma boa quantidade de heróis à nossa disposição. Mesmo com alguns problemas graves, como a movimentação da nossa personagem ou os problemas a nível sonoro (de referir que já estão disponíveis correcções que eliminam muitos dos problemas de áudio, e não só, detectados no jogo), Sacred 2: Fallen Angel é uma boa opção para quem prefere um RPG relativamente acessível e sem muita complexidade, não sendo como é óbvio um fora de série ou algo que redefine este conceito de jogo.


Nenhum comentário

||
Eurogamer
8/ 10
Média da crítica
Média dos usuários
Sua nota

Sobre o colaborador

avatar de GameVicio

Reviews da crítica

©2016 GameVicio