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Review de Quake 4 para PC de GameVicio

por nei.esc, data  editar remover


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Introdução:

O gênero mais conhecido para o computador, e que se ramificou nos consoles (embora não com a mesma praticidade), atravessou algumas gerações o fim da década de 80 até o presente momento. A considerar que os primeiros Wolfenstein 3D, Doom e outras relíquias foram os primeiros passos do estilo first person shooter, uma considerada segunda geração seria iniciada pelo memorável Half-Life - brilhante game que revolucionou a parte gráfica, sonora e tridimensional da época. Porém antes que toda esta reforma no gênero fosse possível, um título antes surgiria para restabelecer a popularidade multiplayer no cenário online, e que ainda hoje é possível encontrá-lo presentes em partidas pela Internet.
A inovação que Quake trouxe para o âmbito dos games simplesmente refez o conceito de multijogador em batalhas de um FPS, e que sucesso igual seria repetido na terceira edição da série. Contudo a única versão exclusiva para uma história single-player era exatamente o segundo título, justamente aquele que trouxe uma versão mais violenta do que sua antecessora, adotando um tema de rock pesado quase único como trilha sonora.
Muitos anos sem a presença da serie na acirrada concorrência, e sem muito mais o que pensar, a id resolve reproduzir os elementos da série numa nova trama, e adotou como base o mesmo enredo utilizado na segunda edição; Quake 4 é a continuação da inacabada história apresentada no segundo capítulo, numa guerra entre humanos e a raça Strogg. Tomando o comando na pele de um novato, você deverá conduzir sua nação a uma batalha mortal, e irá perceber que o inimigo é uma mutação entre máquinas e os corpos de seus companheiros. A vitória? Ela só chegará quando descobrir que, para derrotá-los, você deverá se transformar em um deles. Trivial, é verdade, porém macabro.



Jogabilidade:

Tratando-se de um dos primórdios da segunda geração dos FPS, não caberia a Raven Software modificar um universal e conceituado controle que foi presente nos três primeiros títulos e ainda se faz nos jogos atuais do mesmo gênero. Em Quake 4, a movimentação segue o mesmo formato básico de se locomover, interagir e disparar, o que não exige - e nem tem - um tutorial para o aprendizado. A atmosfera macabra do segundo game da série é mantida, numa luta espacial contra mutantes horrendos na escuridão, porém num clima muito mais frenético do apresentado em Doom, por exemplo. As músicas colocam o jogador na rapidez dos acontecimentos, e demanda uma agilidade bastante precisa logo nos primeiros minutos de jogatina.
As armas (dez no total) ostentam um manuseio suave e preciso, refletido nos disparos e nos danos de cada poderio. O comportamento do rifle de assalto, uma das únicas combinações da iluminação da lanterna com um engenho de fogo - necessária em mais de 80% do jogo - faz desta a protagonista de todos os armamentos, não apenas pela grande quantidade de tiros por minuto, porém também pela precisão que agrada os jogadores. O zoom opcional das armas supera a falta da sniper, demonstrando um poder maior e de grande relevância para longas distâncias. Já as armas que vão pela força cega, como a exclusiva Nailgun, tem o propósito de furar armaduras e dispensar a precisão. O barato neste ponto são os upgrades que no decorrer da aventura que se pode conseguir, aumentando o raio de poder e alcance de seu arsenal.
Nesta quarta edição, algumas características foram mantidas para não desfigurar muito o que foi este jogo há anos atrás. A linearidade dos fatos, os caminhos óbvios dos cenários, as missões banais que se resumem a salvar companheiros ou destruir um punhado de mutantes e, lógico, toneladas de munição que são encontradas em meio aos estreitos corredores metálicos, não diferem muito este game do convencional. Mas distinguindo-se dos antecessores da série, a inserção de NPCs traz para a missão single-player um pouco mais de aventura cooperativa. Ao lado - embora nem sempre - de soldados de outros esquadrões espaciais, a atmosfera da guerra contra os Strogg se consolida um pouco mais, lhe disponibilizando em determinadas missões alguns combatentes para acompanhá-lo, uns para lhe ajudar com recuperação de sua armadura, outros para auxiliar nas investidas na base inimiga, e aqueles para recuperar sua energia quando você for atingido; especificamente falando, referimo-nos a este último aos médicos.
Outro ponto inédito na saga deste jogo é a aparição de alguns veículos, que necessariamente entram em ação quando o objetivo ou cenário precisa de uma ajuda maior e mais forte. Normalmente, trata-se de um tanque revestido do mais pesado metal e um poderio capaz de destruir uma aranha gigante em poucos disparos, e que também se auto-regenera. Afora o mega-tanque, as aventuras dentro de outro meio de locomoção não estão em suas mãos, pois sua limitação apenas lhe permite controlar uma metralhadora ou canhão fixo, porém não proporciona momentos tão entusiásticos assim. O que poderá fadigar o jogador (ou agradá-lo, dependendo da ótica) é a caça de inimigos voadores ou o excesso de oponentes repetitivos, que sempre surgem nas ocasiões em que você está no controle de algum veículo, desfigurando totalmente o propósito deste FPS e trazendo uma ação muito sem sal.
O enredo, que não tem muitas evoluções dentro da própria história, ganha fôlego quando nosso protagonista passa a virar uma experiência, cuja finalidade passa a ser destruir seus iguais. Assumindo a vivência de um Strogg, o game estende um pouco seus atrativos, trazendo armas próprias dos alienígenas, porém não consegue sair muito da mesmice, uma vez que abater as mesmas criaturas e caminhar sobre cenários idênticos aos visto anteriormente não traz inovações consideráveis. Impressionante mesmo é o sistema de danos das armas, que independente do inimigo a ser atingido, traz impactos agressivos. Ainda que nenhum dos adversários possa ser considerado um humano regular, é válido mencionar que um tiro na cabeça ou no pé é ineficaz para fraquejar um mutante, entretanto a exatidão dos disparos com os impactos (mais detalhes em Gráfico) já vale a conferida.



Áudio:

Distinguindo-se por completo do áudio do segundo game, o quarto da série não é acompanhado por hard-rock, acid, heavy metal ou qualquer som parecido. A ausência das músicas é a nova investida da neste título, que privilegia o silêncio do horror e os estrondos da guerra. Barulho, em contrapartida, é o que mais se houve entre balas e canhões que entram em conflito com o puro aço; o encontro do ferro contra ele mesmo é constante, e a sonoplastia basicamente se baseia neste som. Predominantes também são as conversas entre soldados, numa dublagem bacana, e muito, mais muitos grunhidos, que colocam o jogador no clima do horror.

MultiPlayer:

O que um dia já foi um dos games mais populares no quesito multiplayer da história, hoje tenta reconstruir seu império e trazer de volta o seu nicho para as salas privativas ou Gamespy. A série Quake, desde o primeiro até o último, reinou o game multiplayer da década passada, e ainda deixa vestígios da popularidade no início deste século. Mas para aquele que deu origem a um game tiro em 1ª pessoa voltado exclusivamente para o multijogador, o terceiro título conseguiu renovar o conceito mundial do gênero, e anos depois passaria a ter centenas de concorrentes que o deixariam para trás num futuro próximo; e a esperança era que Quake 4 chegaria para evitar isso.
Por ser um game bastante pesado, o multiplayer sugeriu uma certa limitação a seus usuários, o que até então não era nenhum problema; Quake 3 era tanto quanto na época. Mas ainda que haja inúmeras opções de performances, o game exige tecnologias mais recentes, como T&L, e o desempenho não é suportado por máquinas mais modestas, deixando muita gente na mão. Para aqueles que minimamente conseguem rodá-lo na Internet, o suporte por sala alcança o máximo (ridículo) de 16 participantes, nos tradicionalíssimos Deatmatch, Team DM, Tourney, Capture the Flag, e Arena CTF. Decepcionante...



Gráficos:

Numa incrível, porém nada coincidente semelhança, Quake 4 não é bem uma réplica, mas uma analogia do mesmo cenário e detalhes gráficos usados em Doom 3, que cedeu sua engine para este lançamento. Corredores assombrosos recobertos de metal, máquinas destroçadas aos pedaços e toda a atmosfera da destruição da guerra têm características muito parecidas com o game de John Carmack, que também primou pelo terror. Os efeitos de luz e sombras, soberbos na aparição, esbanjam qualidade e coerência com a posição da luminosidade e do tamanho do objeto ou personagem. A escuridão se faz presente nos labirintos ou cenários estreitos, e os monstros aparecem de forma repentina, forçando o susto e o pavor.
A mescla de pedaços humanos com máquinas de batalha resultou em inimigos horrendos e minúcias bastante aterrorizantes, soldados bem mais horripilantes que os vistos no terceiro Doom. Cada dano concluído pelas armas nitidamente destrói partes do corpo do mutante, causando estragos memoráveis quando o impacto é certeiro. O sangue é uma das características notáveis dentro do jogo, e as chacinas em meio a tantas criaturas trazem litros de pura carnificina, beirando um certo exagero. A nostalgia também é recuperada nos armamentos, que reproduzidos com exatidão, nos fazem lembrar dos mesmos engenhos usados no segundo game da série, embora alguns tenham sofrido mudanças visuais consideráveis.
Os cenários não são grandiosos, mas ainda conseguem manter o ambiente macabro quando fechados. Muito comuns são os passeios pelas terras do Strogg, e a mesmice deste lugar com outros jogos é notado logo de cara. O solo predominantemente vermelho e árido se assemelha ao de marte, e a poeira constante se mistura às densas fumaças causadas pelas explosões.
A grande falha de Quake 4, na verdade, está embaixo do nariz do jogador, e o chão apresentado é aparentemente borrado, talvez por um efeito anisotrópico meio falho ou desatenção pela própria desenvolvedora. Mais agravante ainda é o peso deste visual, que para rodar tudo na melhor performance possível, quase nem a melhor máquina do mundo parece ser capaz; o Ultra Quality traz tecnologias tão avançadas (ou mal elaborada, se interpretarmos aos olhos dos injustos), que se comparada ao High Quality - um level de qualidade inferior - minúcias um tanto quanto imperceptíveis é o que diferencia um nível do outro. E se relevarmos que o High Quality é bastante satisfatório para máquinas imponentes, ainda sim, ele é relativamente pesado para as humildes configurações.



Conclusão:

A quarta edição do tão aclamado Quake 4 chega nas prateleiras após meses de especulação, e agrada até certo ponto. Sem dúvida o mais belo - e também o mais macabro - título de toda a saga, o jogo anima pela excessiva violência e glóbulos vermelhos à solta, num visual de ponta e realista até mesmo nos combates. Fora da realidade mesmo é a história, pois o conflito intergaláctico não cria muitas perspectivas de boas pretensões, e o jogo se auto-repete inúmeras vezes em cenários que também não têm muitas variantes, muito menos inimigos distintos.
Numa comparação direta com o game que mais se aproxima dele - Doom 3 e sua expansão - justo dizer que ambos são similares, porém a idéia de Carmack prevaleceu primeiro. Ainda que não se possa considerar o novo Quake um exemplo de originalidade, ele é divertido, belo, assustador, e acima de tudo, indispensável para os aficionados no gênero. Já o multiplayer, este ficou devendo para os amantes de Quake 3.

Notas:


- Gráficos: 19
- Som: 17
- Jogabilidade: 18
- Enredo: 14
- IA: 14

Total: 82%


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