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Review de Ninja Blade para X360 de Eurogamer

por GameVicio, fonte Eurogamer, data  editar remover


Ninja Blade é o mais recente título da From Software, um jogo para o qual a companhia contratou alguns nomes especiais e um com o qual pretende finalmente ascender a um patamar superior de qualidade e conquistar mais público. Durante a curta experiência passada com a demo ficaram impressões de um título promissor e divertido banhado numa essência que transpirava toque nipónico e por isso entramos nesta aventura que parecia uma espécie de Ninja meets Power Rangers. No entanto também ficaram algumas dúvidas relativamente ao esquema base de jogo e ao seu design que tão facilmente quanto agradam podem desagradar.

Ninja Blade decorre numa Tóquio da era moderna que se vê face a um surto de estranhos monstros que destroem tudo à sua passagem. Para fazer face a estas ameaças, a From Software coloca-nos no papel de Ken Ogawa, um ninja dos tempos modernos capaz de enfrentar esta ameaça e que parece ter nascido ensinado sobre como enfrentar todas e quaisquer situações com a calma e estilo que só se ganha em longos anos de experiência, que ele ainda não tem. No entanto, por força de inesperados eventos, Ken vê-se face a uma ameaça ainda pior e a esperança do Japão está depositada nele. A história não é das mais cativantes e passa completamente ao lado mas é notório o esforço em criar um pano de fundo para os eventos. Isto porque um ninja não pode espalhar estilo por todo o lado sem uma razão.

Quase de forma inevitável o jogo trás à memória Ninja Gaiden mas a From Software implementou algumas novidades ao esquema do tradicional jogo de acção com o objectivo de oferecer mais variedade e reduzir o valor de repetição que tanto pode ser associado a este tipo de jogos. Mas ao misturar vários tipos de jogo, Ninja Blade mais parece ficar perdido sobre o que ser, e mais ainda sobre onde se concentrar e o que melhor apresentar, sem esquecer o mais do que exagerado número de QTE que surgem ao longo do jogo. Tal como muitos outros, certamente, ainda me recordo dos longos períodos de tempo que passava a ler artigos e a ver imagens sobre Shenmue enquanto tentava imaginar como seria a obra, entretanto tornada marco na indústria, de Yu Suzuki. A longos meses de ser lançado, lia o que nos iria oferecer Shenmue e uma das características mais fascinantes e inovadoras tinha como nome QTE (Quick Time Events). Esta funcionalidade perspectivava-se como uma autêntica maravilha pois oferecia uma pequena interactividade com normais sequências cinematográficas onde o jogador tradicionalmente apenas assistia ao desenrolar dos acontecimentos.

Criando o que poderia ser descrito como uma união perfeita entre o almejar de contornos cinematográficos de um jogo mas mantendo-se na mesma fiel a si enquanto jogo, temos que pressionar o botão correcto na altura correcta para que a sequência continue e assim o jogo desenrole. Era o ponto mais alto em interactividade em sequências após outro grande momento ocorrido em Final Fantasy VIII. Quando Squall juntamente com as forças de Balamb Garden desembarca nas praias de Dollet e assumimos o seu controlo enquanto a sequência CG ainda não está completamente terminada, foi um momento de deixar a boca aberta. Perante Shenmue tal feito é pequeno mas na altura, do mais impressionante. Várias sequências em Shenmue celebrizaram os QTE, quem não se recorda quando Ryo irrompe pelo bar Heartbeats adentro derrotando todos os que se metem à sua frente? Entretanto tivemos outros grandes momentos que ajudaram a celebrizar os QTE e a mostrar que podem ser uma ferramenta muito divertida e interessante.

Provavelmente devem estar a pensar o que tem isto a ver com o jogo em análise mas a verdade é que os QTE são uma das partes mais fulcrais de Ninja blade. Este sistema nem sempre foi bem aplicado e nem a todos agrada e tal devem ter em conta antes de enfrentarem a Tóquio que grita por ajuda pois esta é uma das essências base do título. Mas como quase tudo na vida, o que é demais é moléstia. ?? primeira sequência de QTE em Ninja Blade ficam admirados pela dinâmica que parecem oferecer, à segunda (passados 3 segundos) já estão a pensar se vai ser sempre assim e à terceira (passados 5 segundos) já estão arrependidos de terem perguntado. A diferença de tempos entre sequências foi altamente exagerada por isso acrescentem mais 3 segundos a cada. ?? uma tentativa de implementar dinâmica e um esquema frenético a um jogo que pode cair na repetição de um constante pressionar de botões mas o efeito é completamente o inverso e apenas ajudam a instalar uma certa sensação de descontentamento e ainda maior repetição. Isto porque Ninja Blade tem um esquema que depressa se torna desinteressante e até aborrecido.

Inevitavelmente vamos iniciar o nível no controlo de uma metralhadora num helicóptero ou tanque em sequências completamente desinteressantes, depois chegamos ao local através de uma sequências de QTE, enfrentamos um sub-boss, passamos para um sequência QTE, depois para uma secção tradicional de acção e aventura com várias sequências QTE pelo meio e enfrentamos o boss final de serviço. Enquanto muitos vão gostar desta variedade, outros vão sentir que certas sequências são escusadas e vão ser sentir falta de mais partes de exploração e aventura e ao invés de se focar em especializar um só, Ninja Blade aposta na união de todos para dinamizar mas o que se sente é uma enorme falta de personalidade e fica a sensação de que o jogo não sabe o que quer ser. Para agravar temos um design de níveis simplesmente monótono e repetitivo, a tal ponto que alguns níveis repetem as mesmas zonas e alguns bosses surgem mais do que uma vez e com poucas diferenças para desafiar.

O que nos faz ficar ainda mais desagradados é ver como o que de bom Ninja Blade consegue resulta do misturar de elementos base no género com pequenos ajustes e novidades que a From Software decidiu implementar às secções de combate. Secções estas que podiam ser em maior quantidade se bem que os inimigos raramente representam desafio e parecem todos iguais. Ao implementar diferentes tipos de inimigos com características diferentes, a From Software obriga ao uso das três espadas diferentes com frequência sendo preciso alternar entre elas para obter sucesso. Devil May Cry tem o estilo e Ninja Gaiden um sistema de combate gracioso e profundo, Ninja Blade tenta colocar-se num meio termo onde temos estilo mas um combate não tão profundo. Mesmo que divertido, Ninja Blade não tem nem a profundidade nem a personalidade de um título como Ninja Gaiden e aposta na aglomeração de vários elementos sem se conseguir tornar superior num que seja.

A troca de armas em tempo real é um dos pontos mais bem conseguidos, pois permite o encadeamento dos mais diversos combos e destruir os pontos fracos de um inimigo com uma das armas e a meio do combo alternar para outra mudando completamente o estilo e ritmo dos golpes. ?? um dos elementos que mais agrado oferece. Podemos melhorar as nossas armas para ganhar acesso a novos combos, tornando-as também mais fortes. No entanto tudo parece não ter repercussões de verdade quando jogamos, pois o botão de defesa é algo que quase esquecemos que existe e mesmo que alguns inimigos nos obriguem a usar determinada arma, na maior parte das secções podemos simplesmente passar por eles como se não existissem. Os ataques dos inimigos são poucos e nada variados, mas mesmo assim esta consegue ser a melhor vertente de Ninja Blade, as secções de combate.

Como qualquer ninja que se preze, para além de espadas mágicas, Ken tem a possibilidade de usar as magias ninja, os ninjutsus. Ken usa tais magias com recurso ao enorme shuriken que carrega nas suas costas pois este não é um shuriken normal. Fazendo uso dos elementos naturais como vento e fogo, não só temos que usar estas técnicas mágicas para derrotar alguns inimigos como também temos que as usar para conseguir progredir nas fases de aventura e acção. Algumas secções colocam-nos barreiras que temos que transpor com o recurso a estas técnicas, eliminar chamas com o poder do vento por exemplo. Este tipo de obstáculos surgem por vezes nos níveis e são na verdade a única coisa que frequentemente nos impedem de progredir pelo mesmo sem ignorar completamente os inimigos à volta.

Outra das habilidades de Ken é a sua visão ninja, um elemento essencial na vida de qualquer ninja mas que em Ninja blade por vezes não é tão útil quanto deveria. Ao usar a visão ninja, a cor muda completamente e os pontos de interesse são realçados por uma cor azul, isto ajuda a que o jogador não se perca mas também como tudo fica mais lento enquanto está activa, tornasse numa ferramenta útil durante os combates, especialmente contra os bosses. Ao abrandar o tempo pudemos aplicar mais golpes mas assim que a barra se esgota o ecrã fica completamente distorcido não permitindo que seja possível discernir qualquer coisa e ficamos à mercê dos inimigos.

Tecnicamente estamos perante um título de qualidade razoável se bem que por vezes consegue surpreender pela negativa. Tal como a demo deixou antever, Ninja Blade visualmente não vai surpreender ninguém pois é simples, embora possamos destacar algumas personagens e alguns efeitos relacionados com o uso das técnicas ninja. Ocasionalmente surgem slowdowns e o screen-tearing é abundante, o que não ajuda à experiência. O jogo também não está livre dos ocasionais bugs e por vezes perdemos face a um boss que já não tem vida mas ainda está a executar o movimento pré-definido, especialmente frustrante pois somos forçados a repetir todo o combate. No aspecto sonoro ficamos também perante um resultado misto sem nunca impressionar. Algumas vozes são agradáveis mas outras são para esquecer mas a possibilidade de colocar todas as vozes em Japonês tornam o resultado muito melhor. Algo que se faz notar é o trabalho de Norihiko Hibino que nos dá alguns temas bem agradáveis e bem dentro do ambiente do jogo mas não contem ficar com nenhum na memória.

Como já anteriormente referimos, Ninja Blade é um jogo que frequentemente parece sofrer de problemas de identidade que não o deixam conquistar uma personalidade para si e por entre ambições de filme grandioso, mais parece um filme série B. Podemos, por exemplo, falar no completo exagero a que Ninja Blade leva os mais variados clichés frequentemente associados aos heróis de acção. Ken dispensa pára-quedas, usa os inimigos para amparar as quedas, salta de prédios para cima de monstros sem ter qualquer problema com as explosões à sua volta, desce prédios de mota e realiza acrobacias a meio do ar com a mesma, tudo com um suposto estilo que rivalizaria com os filmes Matrix mas que mais facilmente se tornam motivos de riso. Isto porque Ninja Blade é um jogo aspirante a momentos kick-ass mas que consegue ser completamente desprovido de personalidade e dificilmente consegue elos de ligação entre o jogador. A história não cativa o jogador nem nunca se torna interessante, mesmo que seja apresentada em várias sequências que se esforçam para mostrar que o jogo tem história, mesmo que uma que não valia a pena ter. Certo de que tudo isto não é obrigatório num título se a diversão existe mas mesmo neste aspecto Ninja Blade não é propriamente bem sucedido.

Como se Ninja Blade não tivesse já problemas suficientes, faz ainda pior e oferece pouco interesse em voltar a ser jogado assim que completado. Para completar o jogo numa primeira vez são precisas entre 10 a 12 horas mas depois não existem quaisquer modos adicionais . Se quiserem prolongar a longevidade podem optar por procurar fatos, enfrentar dificuldades superiores ou então tentar obter conquistas de jogador mas no único modo disponível. No entanto poucos motivos nos vão levar a ter vontade de o repetir.

Ninja Blade é um jogo que somente os adeptos mais ferrenhos do género devem ter em conta, caso já tenham passado as experiências superiores no género que existem na consola e algo em vós continue a pedir por mais. A aventura de Ken tem ocasionais bons momentos mas tornasse rapidamente repetitiva e resulta numa experiência que facilmente esquecemos.


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